Olho da Grota, Portunhos


Localização em extracto da carta militar 1/25000

O Olho da Grota, localizado próximo da povoação de Portunhos, concelho de Cantanhede, é também conhecido por “Olho d’Água de Portunhos”, é uma exsurgência perene, normalmente utilizada como captação de água para os campos agrícolas circundantes. Em anos de seca, é possível percorrer a seco cerca de 15 metros no seu interior.

Algumas considerações sobre nascentes na ribeira de Ançã entre Portunhos e Ançã

As nascentes de Portunhos (Olho da Grota, Olho da Baiuca, Nascente do Moinho Velho) e a Nascente de Ançã situam-se na margem

Mergulho de levantamento topográfico


Oeste da ribeira de Ançã para a qual lançam as suas águas. Julgamos que estas nascentes podem ser consideradas surgências cársicas segundo a definição de Rodrigues et all. 2007. As surgências distribuem-se de montante para jusante, pela ordem atrás definida, e situam-se respectivamente perto das cotas 50 e entre os 30-35m, segundo estimativa feita a partir da Folha 229 da Carta Militar de Portugal Continental.

Enquadramento geológico da nascente

De acordo com C.Thomas, 1985, a nascente de Portunhos é permanente, apesar de ter um caudal muito variável.
As nascentes de Portunhos e Ançã assentam sobre a formação dos Calcários de Ançã datados do Batoniano/Bajociano (Jurássico Médio). As nascentes de Portunhos encontram-se num afloramento de calcário e a Nascente de Ançã é também ela uma gruta desenvolvida em calcário, apesar da Folha 19 – A da Carta Geológica de Portugal à escala 1/50000 a localizar em aluviões. Porém, dada a localização das nascentes junto a uma linha de água, não é de estranhar que as aluviões possam cobrir algumas nascentes, (conhecidas ou por descobrir) suportadas pela formação de Calcários de Ançã.

Do ponto de vista estrutural, as nascentes situam-se no flanco Este de uma dobra sinforma sinclinal. O flanco Este tem, segundo a Carta Geológica acima referida, atitude aproximadamente N-S/10W. Este valor foi confirmado por medições de campo, junto à nascente Olho da Grota.

Estas nascentes poderão estar relacionadas entre si e drenarão provavelmente o mesmo aquífero, como é sugerido pela sua relativa proximidade (a distância entre ambas é de cerca de 3km). O facto de se terem desenvolvido na mesma formação (com as ressalvas acima referidas) e no mesmo flanco da dobra, a diferença de cotas entre as nascentes e a observação, aquando da visita ao local (Setembro de 2010), de que a nascente Olho da Grota (mais alta), apresentava um caudal muito fraco, enquanto que a Surgência de Ançã (mais baixa) apresentava ainda um caudal que se pode considerar forte, ajudam a validar esta possibilidade.

Histórico das explorações

Por volta de 1960, os serviços de urbanismo do Município de Cantanhede, impulsionados por Vasco Mendes de Sousa, iniciam uma primeira exploração do Olho da Grota através da tentativa de bombeamento e alargamento da nascente.

Fim do mergulho em 1982

Em 1982, o NEUA-Núcleo de Espeleologia da Universidade de Aveiro, faz a primeira tentativa de mergulho da nascente. João “Jota” Neves efectuou nesta cavidade o seu primeiro mergulho em gruta, tendo percorrido a zona inicial, numa extensão de sensivelmente 10 metros.

Levatamento topográfico em 2005 da galeria a seco

Em Outubro de 2005, aproveitando um ano de seca, o NEUA voltou a esta cavidade e topografou a zona inicial a seco até ao fim do meandro. Este caracteriza-se por se desenvolver em conduta forçada com dimensões médias de 1 metro de largura por 3 de altura. O fim do meandro termina com um abrupto rebaixamento do tecto da galeria para uma altura de sensivelmente 1 metro, local onde se encontrava a água.

Planta e Corte da topografia efectuada em 2005

Em Janeiro de 2010, foi retomada a exploração pelo NEUA do Olho da Grota. Foram efectuados uma série de mergulhos com configuração backmount, até um ponto onde os espeleomergulhadores se depararam com uma restrição (apelidada “1ª restrição”) onde, com a actual configuração backmount era impossivel continuar a progressão. Procedeu-se à escavação de argila e pedra rolada alóctone, que permitiu a passagem desta restrição, após o que rapidamente  apareceu uma nova restrição impenetrável (“2ª restrição”). De novo se procedeu à tentativa de desobstrução, mas rapidamente se verificou que esta era de secção mais reduzida, apesar do material retirado, pelo que foi necessário recorrer à configuração sidemount para ultrapassar e prosseguir a exploração.

Planta da zona submersa

Após a 2ª restrição acedeu-se a uma nova galeria, sempre de conduta forçada, com o chão num misto de argila e pedra rolada alóctone, após o que sucedeu outra restrição (3ª restrição) a 12mts de profundidade, o ponto mais profundo de toda a cavidade. Esta restrição, de secção ainda mais reduzida do que as duas precedentes, obrigou a recorrer a uma vulgar enxada para retirar a grande quantidade de argila depositada, certamente por esta restrição se encontrar na base de uma galeria de perfil ascendente com forte inclinação, que serviu ao longo do tempo de ponto  preferencial para depósito. Neste ponto, foi efectuado o primeiro levantamento topográfico da cavidade. Após a remoção de grande quantidade de argila, foi possível progredir na exploração, através de uma galeria ascendente, cujas galerias vão sendo interrompidas por pequenas salas a profundidades cada vez menores, até se atingirem os 3mts. A partir do tecto de algumas destas salas é possível ver alguns poços na sua maioria impenetráveis, e sobretudo uma diaclase na sala aos 9mts a merecer atenção futura. Da sala aos 3mts, acede-se a uma conduta de reduzidas dimensões através de um janela oval bastante baixa, repleta de vagas de erosão, após a qual aparece uma pequena sala e nova diaclase, aparentemente impenetrável.

Olho da Grota e gruta del rey sobre fotografia aérea
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