Algares do cabeço dos Alecrineiros XXVI


Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

Introdução

No seguimento da muita prospeção feita ao longo das ultimas saídas apresentamos mais alguns algares, a saber:

Algar do S, Buraco do Zé de Gatas, Algar Tudo Legal, Algar do Jalles, Buraco das Bolotas e Algar das 2 Salas.

Figura 1 – Localização dos algares, tendo como referencia o cruzamento conhecido na zona como “Os 4 caminhos”, assinalado com seta vermelha.

Adverte-se também e mais uma vez que para sua protecção e da própria cavidade o espeleólogo tem de ter obrigatoriamente formação!!!

Algar do S

Felizmente tínhamos varias equipes no terreno, uma delas veio para aqui, perto da zona do Algar da Bajanca e valeu o tempo, pois ficou a zona um pouco mais preenchida…..

Figura 2 – Foto da entrada do Algar do S (Foto de Marta Sequeira – GEM).

Descrição:

Algar com duas zonas bem distintas. Inicialmente o algar abre-se a superfície em zona por nós escolhida para descer com abertura aproximadamente de 1,5 m X 1 m, segue-se poço de 5 m. Base de muito calhau e argila com paredes forradas de musgo. No Sentido NNO, progressão a subir em que se verifica que a zona esta a “céu aberto” se assim podemos dizer, zona mais larga com forte silvado. Já na sua zona mais elevada a direção de progressão muda no sentido NO, aparecendo novamente teto, um pouco mais a frente nesta pequena sala chaminé com aproximadamente 2 m, já o chão é de calhaus de varias dimensões, sendo a progressão descendente no sentido NO, onde no final existe um pequeno recanto, terminando ai este tramo do algar.

Regressando ao poço de entrada e agora no sentido S, progressão em fenda, sendo esta alta e estreita, mas permitindo boa progressão, paredes com algumas formas de reconstrução e chão de cascalheira, o algar vai se desenvolvendo descendo no sentido de progressão, mais a frente vira no sentido ESE. No final desta pequena rampa, zona em que o algar alarga um pouco e virando no sentido E, aqui o teto desce em relação ao inicio deste tramo e o chão é de alguma argila e alguns calhaus, paredes com alguma calcite e algumas formas de reconstrução terminando um pouco a frente com chaminé de 3 m. Verifica-se um pouco antes, no sentido S, após vencermos pequeno e apertado destrepe, pequena sala com algumas formas de reconstrução chão de argila e algumas ossadas, terminando ai o algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas família de fraturas de direcão grosseira NW – SE e NE-SW, com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Mícritos da Serra de Aire, datada do Batoniano do Jurássico Médio. O poço de entrada aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, apresentando caneluras de dissolução, o resto da cavidade não permite grandes ilações.

Presente:

Não se pense que foi só chegar aqui e “ver e vencer”, não foram varias saídas desde a identificação do algar até a sua exploração, captação de imagens e topografia. E valeu bem o esforço, pois é aqui que nos sentimos  bem, no terreno….

Figura 3,4 – Planta e perfil desdobrado do Algar do S.

Planta do Algar do S em pdf para download

Algar do S Planta

Perfil desdobrado do Algar do S em pdf para download

Algar do S Perfil desdobrado

Ficha de equipagem do Algar do S em pdf para download

F.E.Algar do S

Fotos do Algar do algar do S (Fotos: Rute Santos – GEM).

Buraco do Zé de Gatas

Bom ali bem perto um pequeno buraco que fica registado apenas, pois vamos encontrando alguns assim na prospeção. Sendo as coordenadas (WGS 84)  39.50500ºN  8.80465ºW.

Figura 5 – Foto da entrada do Buraco do Zé de Gatas (Foto de Paulo Lopes – GEM).

Algar Tudo Legal

Descemos e voltamos a subir um pouco e chamou-nos a atenção uma fenda muito bonita com as Heras a darem-lhe um toque especial……….

Figura 6 – Foto da entrada do Algar Tudo Legal (Foto de Rute Santos – GEM).

Descrição:

O algar abre-se à superfície numa fenda no sentido N, com a largura aproximadamente de 1 m, um pequeno ressalto e desce em rampa cerca de 3 m. Segue-se poço de 6 m, aqui já com teto a cobrir a progressão, em frente bloco entalado entre as paredes e em baixo pequenos ressaltos até chegarmos a base do poço.

A base é de muito calhau e argila, as paredes são de uma calcite branca que se está a desfazer, aliás todo o algar é assim. O teto volta a subir encostando-se praticamente à superfície, inclusive verifica-se uma pequena entrada. Esta zona desenvolve-se no sentido NE, já no sentido S, por de baixo de um ressalto uma fenda onde se vê um oco com fundo de argila e terminando um pouco a frente. No sentido NNO, depois de subirmos ressalto de 2 m, fenda de boa altura mas que vai estreitando à medida que se avança, terminando um pouco mais à frente o algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma família de fraturas de direcão grosseira N-S, com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal , datada do Batoniano do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, apresentando caneluras de dissolução, sendo estas grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso. De notar a proximidade da gruta, algumas dezenas de metros, a uma das falhas de direcção WNW-ESE, com preenchimento dolerítico que cortam o Planalto de Sto. António.

Presente:

Pequeno mas de muito trabalho, as paredes são forradas de uma calcite que se esta a desfazer, mas tivemos com muita calma ao mais alto nível…..

Figura 7,8 – Planta e perfil desdobrado do Algar Tudo Legal.

Planta do Algar Tudo Legal em pdf para download

Algar Tudo Legal Planta

Perfil desdobrado do Algar Tudo Legal em pdf para download

Algar Tudo Legal Perfil desdobrado

Ficha de equipagem do Algar Tudo Legal em pdf para download

F.E.Algar Tudo Legal

Fotos do Algar do algar Tudo Legal (Fotos: Rute Santos – GEM).

Algar do Jalles

Figura 9 – Foto da entrada do Algar do Jalles (Foto de Bruno Enes – GEM).

Este algar já foi alvo de trabalho, tendo sido descoberto por Álvaro Jalles (AES), foi feita uma exploração e a respetiva topografia, que fez com que procurássemos algo mais, não só por ter potencial como pela sua localização.

Figura 10 – Topografia Total do algar do Jalles, fruto do trabalho então efetuado.

Existe também uma publicação no  site  do N.A.L.G.A., que pode ser visto copiando este link:

Descrição:

O algar abre-se a superfície num campo de lapiás bem característico da região. Numa depressão que quase faz uma circunferência eis a abertura com cerca de 1,5 m X 1,5 m, aproximadamente. Segue-se poço de 12 m, abre um pouco a medida que se desce e começa-se a perceber o sentido de orientação da cavidade. A base é de muito calhau e argila.

No Sentido NO, pequena abertura já identificada em 2012, que após desobstrução nos leva a passagem estreita descendo no sentido de progressão, muita argila nesta zona. Segue-se pequeno espaço com cerca de 9 m X 1 m, aproximadamente em que tanto o tecto como o chão são irregulares, mas na zona final formas de reconstrução diversas e muito bonitas, com pequeno gours e algumas perolas de gruta, terminando ai esse tramo.

De regresso a base do poço e agora seguindo no sentido SE, o algar continua, descendo no sentido de progressão numa zona de muito bloco e argila, o tecto baixa  voltando a subir um pouco, até se chegar a novo poço de 28 m. Aqui encontramos algumas formas de reconstrução o poço é muito bonito e alarga um pouco na descida, verifica-se no sentido NO, descontinuidade preenchida de blocos e argilas, já no sentido SE verifica-se muitas formas de reconstrução parietais, a cerca de 18 m de descida de poço um patamar, o poço continua agora mais estreito terminando numa base replete de blocos e cascalheira onde se sente uma ligeira frescura mas sendo uma desobstrução “hercúlea”, termina ai a progressão. Já no patamar acima o algar desenvolve-se mais um pouco no sentido SE, zona de chão e tecto irregulares em que no final se verifica chaminé repleta de formas de reconstrução terminando ai o algar.

Verificou se a presença de salamandras e um pequeno sapo. Identificamos também pequenos frascos com produtos químicos que retiramos para colocar no lixo.

Geologia:

O algar do Jalles segundo a Folha 27-A da Carta geológica de Portugal à escala 1/50000 desenvolve-se na formação de Calcários bioclásticos do Codaçal datadas do Batoniano (Jurássico Médio) e com elevado potencial de carsificação.  De referir a proximidade do algar a uma das falhas, intruidas por rochas ígneas, de direcção aproximada NW-SE que cortam o planalto.

A gruta pode ser classificada com um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baroñ, 2003. O controlo estrutural do desenvolvimento da gruta é feito por descontinuidades cujas famílias têm atitude N50W/Vertical. A atitude local das camadas é subhorizontal ( a medição foi realizado no interior da gruta). As paredes dos poços apresentam caneluras de dissolução típicas de “vadose shafts”.

Presente:

Foi graças ao trabalho efetuado pelos nossos amigos, publicado na antiga topografia que voltamos ao algar do Jalles e ainda bem pois desvendamos mais um pouco do algar e melhoramos agora a topografia já com outros métodos e é sempre bom reviver aventuras e perceber a dificuldade que é desbravar o desconhecido.

Figura 11,12 – Planta e perfil desdobrado do Algar do Jalles.

Planta do Algar do Jalles em pdf para download

Perfil desdobrado do Algar do Jalles em pdf para download

Ficha de equipagem do Algar do Jalles em pdf para download

Fotos do Algar do algar do Jalles (Fotos: José Ventura, José Ribeiro – GEM).

Buraco das Bolotas

Mais um buraco que fica aqui registado, estávamos por perto e fomos verificar, sendo as coordenadas (WGS 84)  39.50851ºN  8.81958ºW.

Figura 13 – Foto da entrada do Buraco das Bolotas (Foto de Filipe Castro – GEM).

Algar das 2 Salas

A este chegamos graças a partilha das coordenadas pelo António Afonso (ARCM), que esta sempre pronto a colaborar. Grande Tó assim é que é, e valeu bem o tempo……

Figura 14 – Foto da entrada do Algar das 2 Salas (Foto de José Ventura – GEM).

Descrição:

Numa zona de lapiás, um bom abatimento bem visível nas proximidades e abre-se o algar a superfície. Observa-se duas aberturas separadas por um grande bloco e argila, uma muito estreita e outra mais a N, por onde se consegue passar. Tem cerca de 1,5 m X 0,30 m na sua zona mais “acessível”, segue-se poço de 3 m, meio em destrepe. Por ai chegamos a um pequeno “oco”, chão de muita cascalheira e argila, teto irregular onde são bem visíveis as aberturas das entradas. A NE, verifica-se passagem que liga a outra zona do algar. No centro, poço de 13 m, largo com paredes lisas, sensivelmente a meio fica mais estreito, existindo o primeiro patamar que dá acesso a outro tramo. seguindo até a base do poço volta a estreitar nota-se alguns abatimentos e a 3 m da base novo patamar com bloco entalado, a base é de inclinação no sentido ONO, tem blocos inicialmente e termina em argila na zona mais a ONO.

Regressando ao primeiro patamar, no sentido N, passagem em poço de 3 m com paredes e tetos ricos em formas de reconstrução, até aparenta termos entrado noutro algar. A base com umas belas e gordas estalagmites, paredes forradas de calcite zona muito bonita, ao aproximarmo-nos a NNE, o teto sobe, verifica-se ai ligação a zona de entrada do algar. Um pouco mais a frente a zona abre consideravelmente, na sua maioria é cabeceira de poço de 6 m, do outro lado patamar dividido com bloco que já se encontra concrecionado dando um ar muito belo. As paredes do poço são de calcite, a base é de argila. A SO, passagem para pequena sala, sendo esta preenchida com blocos de varias dimensões terminando ai o algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas família de fraturas de direcão grosseira NW-SE e NE-SE com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Mícriticos da Serra de Aire, datada do Batoniano do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, apresentando caneluras de dissolução, sendo estas grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Que belo local e que algar espetacular, o mesmo algar e dois tramos tão destintos, foi um fantástico dia ficamos bem frescos pois a chuva não deu tréguas, mas valeu bem a pena e já se encontra cadastrado e agora aqui apresentado.

Figura 15,16 – Planta e perfil desdobrado do Algar das 2 Salas.

Planta do Algar das 2 Salas em pdf para download

Algar das 2 Salas Planta

Perfil desdobrado do Algar das 2 Salas em pdf para download

Algar das 2 Salas Perfil desdobrado

Pormenor da sobreposição de poços do Algar das 2 Salas em pdf para download

Pormenor da sobreposição de poços e patamares

Ficha de equipagem do Algar das 2 Salas em pdf para download

F.E.Algar das 2 Salas

Fotos do Algar do algar das 2 Salas (Fotos: José Ventura – GEM).

Siga, mais uma publicação conseguida com o esforço de todos que têm participado das diversas formas.

Texto: José Ribeiro    Geologia: Paulo Rodrigues.

Abraço.

~ por josechourico em 20 / 12 / 2020.

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