Algares do cabeço dos Alecrineiros – Parte VII


Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116 Banheira

Introdução

A Primavera está ai, dias radiosos com os Alecrineiros cheios de vida. De facto aqui ainda sentimos que estamos dentro do parque natural, até já fomos presenteados com o belo do Faisão macho, que só voou ao sentir a nossa proximidade e que belas cores transportou consigo, achamos até que foi um indicador de boa sorte. Mas a sorte procura-se e só se encontra com muito trabalho, fruto das varias prospeções que temos feito encontramos mais algares. Uns mais trabalhosos que outros, é bem verdade. Vamos variando nas nossas explorações para que consigamos periodicamente publicar os nossos trabalho

Partilhamos nesta publicação os algares Escondido, Alecrineiros 4 e 2 Bocas (Alecrineiros).

Algar Escondido

Figura 1 – Algar Escondido na altura da descoberta (Foto de Pedro Almeida – GEM).

Foi a excitação assim que encontramos o algar Escondido, era um pequeno buraco ali bem disfarçado à espera de ser descoberto. Aquilo é que foi, quais mineiros começamos um pouco depois a desobstrução que nos deu algum trabalho, mas estas coisas são mesmo assim. Depois de aberto e a exploração iniciada ouviu-se a palavra chave:

-Eh pá isto continua!!!!

Figura 2 – Algar Escondido, após desobstrução e inicio da exploração (Foto de Sandra Lopes – GEM).

 O algar tem de facto algum desenvolvimento e uma possibilidade de continuação, o seu nome deve-se ao facto de estar mesmo escondido.

Descrição:

A boca do algar é pequena e não chega a ter meio metro de diâmetro. Segue-se um pequeno poço de  4m, alargado na sua base,  zona de muita argila e vários blocos, por nós retirados. Tem-se acesso a uma pequena rampa de acentuada inclinação, permitindo chegar a uma pequena sala (se assim o podemos chamar), onde está a cabeceira de um poço de 7m. Abre-se uma diáclase no sentido NO-SE, a sua base é uma cascalheira com calhaus de varias dimensões e alguma argila, com inclinação, descendente no sentido SE. Aqui o algar tem a sua zona de maior dimensão, atingindo 2m de largura por 6m de altura. No topo da rampa da diaclase a NO, subindo uma rampa de argila com acentuada inclinação tem-se acesso a uma pequena sala, com muita argila e cascalheira, tendo poucas formas de reconstrução. Já a SE, no final da rampa encontra-se um pequeno poço de 3m, em forma de “tubo”, o qual da ligação a continuação da diaclase mas agora com dimensões muito reduzidas. No seu final, também no sentido NO-SE, deslumbra-se a continuação da diaclase mas muito estreita, tanto em profundidade como horizontalmente. Não se deteta nenhuma passagem de ar que seja significativa.

Figura 3 – Enquadramento dos algares Escondido, 2 Bocas (Alecrineiros) e Alecrineiros 4 (P20)

Geologia: 

O algar Escondido desenvolve-se segundo a Folha 27-C da Carta geológica de Portugal à escala 1/50000 na formação de Calcários micríticos da Serra de Aire, datada do Batoniano (Jurássico Médio). A gruta aparenta ser um “vadose shaft”. O controlo estrutural do desenvolvimento da gruta aparenta ser feito por descontinuidades de duas famílias de atitude aproximada NW-SE/subvertical e NE-SW/subvertical

Presente:

É sempre um prazer, explorar e alcançar pela primeira vez o desconhecido, aquele momento em que se deslumbra mais uma passagem e a curiosidade do que vira a seguir, foi assim a exploração do algar escondido. De momento demos por terminado ali o nosso trabalho. Existe a possibilidade de após desobstrução (identificada na topografia), se torne humanamente possível o acesso a novo tramo, mas como em tudo na vida há prioridades e pensamos que a partilha serve também para esse fim, o trabalho foi iniciado e partilhado, pois quem assim o entender pode continuar. A cavidade não é nossa propriedade.

Porém para nossa proteção e da própria cavidade temos de obrigatoriamente ter formação antes de praticar espeleologia.

Figura 4,5 – Planta e Perfil do algar Escondido.

Planta do algar Escondido em pdf para download

algar escondidoP

Perfil do algar Escondido em pdf para download

algar escondidos

Ficha de equipagem do algar Escondido em pdf para download

F.E.Algar Escondido

Fotos do algar Escondido (Fotos: Pedro Almeida, Sandra Lopes, Vitor Amendoeira – GEM).

Algar Alecrineiros 4

Este algar foi inicialmente explorado pelos nossos colegas franceses do SSAC (Societe Spéleo Archéologique de Caussade), que sempre que nos visitam partilham o seu trabalho para conhecimento de todos e para que estes possam ter continuidade. É este o caminho!!!

Figura 6 – Algar Alecrineiros 4 (Foto de Samuel Lopes – GEM/WIND).

Bom, o Alecrineiros 4 é identificado no relatório do SSAC (Expedition Planalto 2008) como P20. Chamou-nos a atenção o ponto de interrogação com ligeira corrente de ar no perfil do croqui de exploração efetuado na altura pelos nossos amigos. E claro no âmbito do nosso projeto, cabe a melhoria dos dados existentes da cavidade.

Descrição:

Entra-se no algar por uma fenda, que se desenvolve no sentido N-S, segue-se um patamar que não é mais que um bloco de grandes dimensões, ali entalado. Ai há duas passagens uma a Norte e outra mais larga a Este, nesta tem-se acesso a um P 17,  sendo a cabeceira, aproximadamente de 1,50 m de diâmetro, mas no seu desenvolvimento alarga bastante, existe a cerca de 3 m da sua base uma fresta a Este  com boas possibilidades de continuação (assinalada na topografia). A base deste poço é um caos de blocos, segue a progressão por uma fenda no sentido Oeste que nos dá acesso a uma diáclase no mesmo sentido forrada de formas de reconstrução parietais.  Nessa zona por debaixo de uma chaminé de 4 m, abre-se um pouco a diáclase e  acede-se a um poço de 5 m, de onde se sente fresco, estando também na topografia assinalada a possibilidade de progressão após desobstrução. No final da diáclase no sentido NO-SE, abre-se um pequeno meandro que dá acesso  a uma pequena sala (se assim o podemos chamar), em que as paredes estão todas cobertas de formas de reconstrução parietais. Verifica-se ai uma chaminé de 7 m e tem-se acesso a um poço de 6m, terminando ai a progressão.

Geologia:

O algar Alecrineiros IV desenvolve-se segundo a Folha 27-C da Carta geológica de Portugal à escala 1/50000 na formação de Calcários micríticos da Serra de Aire, datada do Batoniano (Jurássico Médio). ♦A gruta aparenta ser um “vadose shaft”. O controlo estrutural do desenvolvimento da gruta aparenta ser feito por descontinuidades de duas famílias de atitude aproximada NNW-SSE/Vertical e E-W/Vertical.

Presente:

Tem-nos dado muito trabalho este algar, inicialmente tivemos necessidade de alargar a entrada, pois apenas cabiam os espeleólogos mais “ligeiros”. De seguida a estabilização do patamar seguinte onde tivemos de retirar muito calhau instável, visto que por debaixo está um P17.

Na base do P17 alargou-se um pouco mais a fenda que dá acesso a progressão, pensamos inclusive que esta fenda tenha já sido alargada pelos companheiros do SSAC. Na diáclase que se segue, no poço ali existente verifica-se de facto a possibilidade de continuação numa fresta ali existente e sente-se o ar fresco, talvez noutra ocasião se aposte nessa desobstrução. Fizemos sim uma desobstrução no pequeno meandro, que nos deu acesso a nova e bonita sala, que infelizmente, após poço termina. É assim, o trabalho avança e fica registado e partilhado!!!

Figura 7,8 – Planta e Perfil do algar Alecrineiros 4.

Planta do algar Alecrineiros 4 em pdf para download

alecrineiros 4P

Perfil do algar Alecrineiros 4 em pdf para download

alecrineiros 4S

Ficha de equipagem do algar Alecrineiros 4 em pdf para download

F.E. Algar Alecrineiros 4

 Fotos do algar Alecrineiros 4 (Fotos: Samuel Lopes WIND/GEM).

Algar das 2 Bocas (Alecrineiros)

Figura 9 – Algar 2 Bocas  (Foto de Sandra Lopes – GEM).

Certamente este algar já deve ter sido explorado por quase todos os grupos de espeleologia, é de fácil acesso é bem visível, sendo a sua exploração também muito simples. Mas constatámos que não existia a sua identificação nos cadastros de São Bento e no da F.P.E., está resolvido e cadastrado.

Descrição:

Este pequeno algar  abre-se à superfície, na sua maior entrada, numa fenda de orientação N-S, acedendo-se ai a um poço de cerca de 3 m, a sua base é composta por cascalheira, barro e lixo. No sentido Norte, destrepa-se um pouco e tem-se acesso a uma pequena sala em cujo tecto que se encontra a segunda abertura, na sua base existe alguns blocos e argila. Termina ai a sua continuação.

Na zona mais a Sul do pequeno algar, encontra-se uma pequena abertura dando a sensação de um oco, assinalado na topografia, mas sem qualquer passagem de ar.

Geologia:

O algar das Duas Bocas desenvolve-se segundo a Folha 27-C da Carta geológica de Portugal à escala 1/50000 na formação de Calcários micríticos da Serra de Aire, datada do Batoniano (Jurássico Médio). A gruta aparenta ser um “vadose shaft. O controlo estrutural do desenvolvimento da gruta aparenta ser feito por descontinuidades de uma família com atitude aproximada N-S/Vertical

Presente:

Mesmo pequenos, estes algares dão sempre algum trabalho, vimos de facto a probabilidade de após desobstrução ele seguir um pouco mais para Sul. Mas de momento outros trabalhos nos ocupam, ficou no entanto topografado e cadastrado, mais um!!!!

Figura 10,11 – Planta e Perfil do algar 2 Bocas (Alecrineiros).

Planta do algar 2 Bocas (Alecrineiros) em pdf para download

2 BocasP

Perfil do algar 2 Bocas (Alecrineiros)em pdf para download

2 BocasS

Ficha de equipagem do algar 2 Bocas (Alecrineiros) em pdf para download

F.E.Algar das 2 Bocas (Alecrineiros)

Fotos do algar 2 Bocas (Fotos: Vitor Amendoeira, Sandra Lopes – GEM).

E já está, mais uma publicação, a 7ª e mais virão certamente, pois neste preciso momento estamos a viver grandes aventuras e a desbravar o desconhecido.

Mas ai estão mais 3 algares cadastrados, topografados e partilhados, A OBRA AVANÇA…….

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~ por josechourico em 20 / 05 / 2017.

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