Algares do cabeço dos Alecrineiros – Parte VI


Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116 Banheira

Introdução

Incentivados pelos trabalhos realizados e descritos no último capítulo decidimos continuar os trabalhos na zona a Sul do vértice geodésico dos Alecrineiros. Desta feita fizemos prospecção naquele belo local, subindo o vale cego que ali se encontra.

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Figura 1 – Zona de prospecção, subindo o vale cego (Foto: Samuel Lopes – GEM/WIND).

Olhando para o Cadastro de São Bento e até para o da própria F.P.E. (Federação Portuguesa de Espeleologia), constata-se que nesta área, há poucas cavidades conhecidas, e o potencial da zona fez-nos acreditar que muito há por descobrir. E assim tem sido, mãos a obra, por outras palavras “pés no terreno”. 

Estamos a ser premiados pela nossa dedicação, algumas descobertas, outras tantas desobstruções e muito trabalho a nossa frente!!! A equipa esta a trabalhar em vários algares, partilhando neste capitulo os algares da Selva, do Pinheiro queimado e  do Belo horizonte.

Algar da Selva

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Figura 2 – Entrada do Algar da Selva (Foto de Samuel Lopes – (GEM/WIND).

O algar da Selva foi por nós descoberto num final de dia, após termos saído de outra cavidade. Aproveitando a restante luz do dia, fizemos um pouco de prospecção. Procurámos numa zona em que o mato denso disfarça a profundidade do lapiás ali existente. Um destes chamou-nos a atenção, avançamos junto ao solo e ao virar um pouco descobrimos a boca do algar (na foto em cima já o mato tinha sido desbravado). Recolhemos no próprio dia as coordenadas e o nome dado ao algar deve-se ao denso mato que cobre completamente a sua boca.

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Figura 3 – Enquadramento dos algares da Selva, Pinheiro Queimado e Belo Horizonte.

Descrição:

A boca do algar tem cerca de 1,50 m e abre-se num lapiás em mesa com fendas de profundidade de 1 a 2 metros. Segue-se um poço com 5 m de profundidade, em que uma das laterais ainda tem argila, sendo também um pouco instável, estreitando um pouco em profundidade. No seu fundo uma rampa de argila, dá acesso a uma pequena sala, não havendo qualquer progressão.

Geologia:

O algar desenvolve-se na formação dos Calcário Mícriticos da Serra de Aire. A formação está datada do Batoniano (andar do Jurássico médio), de acordo com Manuppella et al., 2000). A cavidade pode ser classificada como um vadose shaft. O algar é estruturalmente controlado por duas fracturas, uma de direcção aproximada Norte Sul e outra de direcção aproximada NW-SE, ambas verticais. O desenvolvimento do algar é reduzido. A localização no vale cego é de ter em conta.

Presente:

Bom, como normal no dia em que o descobrimos o entusiasmo foi enorme. Conseguimos nesse mesmo dia preparar o caminho no meio do denso mato e não nos livramos de uma terrível comichão nos olhos, proveniente provavelmente dos poléns ali existentes. Seguiu-se outro final de tarde e já com a boca do algar equipada e óculos de protecção, exploramos e verificámos que pouco mais havia a fazer. Fica mais um cadastrado, para que os trabalhos não se repitam.

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Figura 4 e 5 – Planta e Perfil do algar da Selva.

Planta do algar da Selva em pdf para download 

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Perfil do algar da Selva em pdf para download 

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Ficha de equipagem do algar da Selva em pdf para download 

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Fotos do algar da Selva (Fotos: Samuel Lopes WIND/GEM).

 

 Algar do Pinheiro Queimado

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Figura 6 – Entrada do algar do Pinheiro Queimado, antes da desobstrução (Foto: Valentina Correia – WIND) .

Em prospecção, chamou-nos a atenção um lapiás, que estava tombado para Sul, dando a ideia de um oco que o terá feito inclinar. De facto o oco estava lá mas o algar estava escondido. Seguiu-se a primeira desobstrução, que deu acesso a um belo poço com paredes cobertas de formas de reconstrução, estávamos a explorar o desconhecido…

Descrição:

A boca do algar (actual) foi por nós desobstruída não era mais do que uma pequena fissura. Esta está num lapiás tombado cerca de 30º para Sul, criando o pequeno espaço onde se encontra a entrada do algar a que se acede por um destrepe de 2 m. Segue-se um poço de 12 m, em que no seu tecto se nota a entrada original do algar, com um bloco a obstruir e que a superfície fica por de baixo de um muro de pedra. O poço é forrado de formas de reconstrução parietais, sendo muito bonito. Na sua base encontra-se um cone de dejecção que inicialmente segue no sentido N-S mas que vira para E-O, tem uma inclinação de cerca de 45º. O cone termina numa pequena sala (se assim se pode chamar) que se desenvolve no sentido N-S, em que ocupando quase toda a sua dimensão tem uma rampa de calcite, sendo esta oca por debaixo. O chão desta pequena sala é totalmente  coberto de argila.

No topo do cone de dejecção, passando um pequeno laminador, tem-se acesso a uma diáclase  de direcção aproximada E-O. Esta prolonga-se por cerca de 10 m, sendo sempre estreita com alguns pequenos poços e uma chaminé com 8 m, a diáclase é forrada de formas de reconstrução parietais. Nota-se que no final da progressão, esta continua, mas muito estreita e que não se sente qualquer passagem de ar.

Geologia:

O algar desenvolve-se na formação dos Calcários Mícriticos da Serra de Aire. A formação está datada do Batoniano (andar do Jurássico médio), de acordo com Manuppella et al., 2000). A cavidade pode ser classificada como um vadose shaft.O algar é estruturalmente controlado por duas famílias de fracturas, uma de direcção aproximada Norte Sul e outra de direcção aproximada Oeste-Este, ambas sub-verticais.  A localização no vale cego é de ter em conta.

 

Presente:

Após a descida do poço e análise do que havia, estávamos entusiasmados com a beleza do que era dado a conhecer pela primeira vez e mais ficamos quando verificamos uma fresta numa parede lateral e reparamos que havia uma probabilidade de progressão. Mais uma desobstrução e estávamos numa diáclase paralela à rampa da base do poço, mas ao fim de dois três metros estreitava sendo impossível a progressão. Bom, mais uma desobstrução, mas desta vez o nosso amigo Orlando Elias (Núcleo de Espeleologia de Leiria), tratou de alargar a passagem. O ar circulava e conseguia-se ver que havia ali mais qualquer coisa, e de facto a diáclase prolonga-se por mais uns metros dando acesso a um poço que é a continuação da diáclase só que agora mais funda. Estávamos “embriagados” com a beleza que víamos e constatámos depois que, para nossa tristeza  a diáclase fecha, havendo uma pequena abertura, assinalada na topografia, que nos parece demasiado penosa e sem qualquer passagem de ar. Paciência, o algar é pequeno, mas para nós tão grande!!!

Figura 7 e 8 – Planta e perfil do algar do Pinheiro Queimado.

 

Planta do algar do Pinheiro Queimado em pdf para download

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Perfil do algar do Pinheiro Queimado em pdf para download

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Ficha de equipagem do algar do Pinheiro Queimado em pdf para download

F.E. Algar do Pinheiro Queimado

Fotos do algar do Pinheiro Queimado (Fotos: Samuel Lopes – WIND/GEM).

 

Algar do Belo Horizonte

Figura 9 – Entrada do Algar do Belo Horizonte (Foto: Samuel Lopes – GEM/WIND) .

Este algar é também fruto da prospecção, deve o seu nome à bela vista que dali se alcança. É de facto um local muito bonito e relaxante, um bom local para se fazer um piquenique,  sem parques eólicos, ou pedreiras até onde a vista alcança. Aqui fomos já presenteados com um bando de gralhas-de-bico-vermelho, com o seu voo ondulante e acrobático, acompanhadas de estridentes e numerosos sons metálicos que caracterizam esta espécie. Com sorte também se avistou uma majestosa águia, que aproveitando as térmicas vai subindo até quase se perder de vista.

Descrição:

A boca do algar é pequena tem cerca 50 cm, e abre-se no centro de um lapiás em mesa com fendas profundas. Segue-se um poço de 3 m (se contarmos com o topo do lapiás será de 6 m). Na base segue-se uma rampa que dá acesso a uma pequena galeria em que numa parede tem algumas formas de reconstrução. O chão está coberto de pedras e restos de vegetação e ossadas de animais.

Geologia:

O algar desenvolve-se na formação dos Calcário Mícriticos da Serra de Aire. A formação está datada do Batoniano (andar do Jurássico médio), de acordo com Manuppella et al., 2000). A cavidade pode ser classificada como um vadose shaft. O  algar é estruturalmente controlado por dois tipos de fracturas, uma de direcção aproximada WNW e outra de direcção aproximada NNE-SSW ambas sub-verticais. O desenvolvimento do algar é reduzido.

Presente:

Este algar deu-nos muito pouco que fazer, devido às dimensões reduzidas e fácil acesso. Mas é mais um que fica cadastrado, topografado e publicado. Até mais que não seja para que os trabalhos não se repitam e daqui a uns tempos quando outras pessoas, talvez outras gerações por aqui andarem, vejam que já existe trabalho feito e possam canalizar o seu tempo e as suas energias noutras descobertas…..

Figura 10 e 11 – Planta e perfil do algar do Belo Horizonte.

 

Planta do algar do Belo Horizonte em pdf para download

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Perfil do algar do Pinheiro Queimado em pdf para download

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Ficha de equipagem do algar do Pinheiro Queimado em pdf para download

F.E. Algar Belo Horizonte

Fotos do algar do Belo Horizonte (Fotos: Samuel Lopes – GEM/WIND, Sandra Lopes – GEM)

Desta vez, partilhamos 3 algares e para próxima partilharemos grandes aventuras que estamos a viver……

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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~ por josechourico em 26 / 03 / 2017.

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