Algares do cabeço dos Alecrineiros – Parte V


Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal
(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares
(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

Introdução

De novo nos Alecrineiros, para mais um capítulo deste nosso trabalho. Escolhemos desta feita uma zona mais a Sudoeste do cabeço, onde se situa um belo vale que percorre toda a zona a Sul dos Alecrineiros.

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Figura 1 – Vale a Sul dos Alecrineiros (Foto: Valentina Correia – WIND).

A equipe trabalhou em 2 algares, que apesar de serem próximos, (distam cerca de 100 metros um do outro), são bastante distintos.

Estes são o algar da Pegada, do qual agradecemos ao C.E.A.E.-LPN (Centro de Estudos e Actividades Especiais da Liga para a Protecção da Natureza) a partilha das coordenadas; e o algar das Pérolas identificado no cadastro de São Bento.

Algar da Pegada

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Figura 2 – Entrada do algar da Pegada (assinalado com uma seta), note-se os lapiaz em mesa (Foto: Valentina Correia – WIND).

Um pouco de história:

O algar da Pegada foi descoberto pelo C.E.A.E. em 2003, tendo sido indicado por um habitante que ali perto passava no seu tractor com a sua senhora, dizendo ao mesmo tempo que com ela ralhava:

– Acolá, ao pé daquele eucalipto, está um algar, sigam o carreiro, ele está entre as pedras, coberto de vegetação, cautela que ele é muito fundo!!!

Tendo sido as coordenadas recolhidas nesse dia. Entretanto o tempo foi passando, o C.E.A.E. envolveu-se em vários projectos, partilhando agora a coordenada no âmbito do nosso projecto.

Descrição:

A boca do algar é pequena, cerca de 50 cm. A secção do poço alarga à medida que a profundidade aumenta, até aos – 35/40 m. Os poços são bastante “instáveis”, com grandes blocos suspensos. Após desobstrução o algar volta a estreitar. Em muitas zonas da cavidade existem muitas formas de reconstrução de parede, fruto das escorrências e em alguns recantos estalagmites e estalactites, poucas.

enquadramento

Figura 3 – Enquadramento dos algares das Pérolas e da Pegada.

Geologia:

O algar desenvolve-se na formação dos Calcários micríticos de Serra de Aire. Esta formação está datada do andar Batoniano do Jurássico Médio. A formação é composta, como o próprio nome indica por calcários, tendo uma espessura local próxima dos 100 m, segundo Manuppella et al, 2000.

O algar desenvolve-se ao longo de uma família de fracturas de direcção Oeste/Este e inclinação sub-vertical. O algar é um vadose shaft, como o comprovam a pequena entrada, o controlo estrutural por fracturas e o seu término em fendas impenetráveis, devido a perda de capacidade de corrosão da água.

Presente:

Após a 1ª saída, de exploração do algar em que verificámos as possibilidades, seguiu-se a estabilização do poço de entrada onde existiam bastantes blocos “perigosos”, que muito trabalho nos deram.

Seguiu-se a desobstrução, o algar “respirava”. Identificada a pequena fissura, por ali procuramos outra possibilidade que nos desse acesso ao desconhecido e por debaixo do caos de blocos, da zona mais larga do algar fomos “felizes”. Ali fomo-nos entretendo, alargando a passagem, para que fosse possível alcançar o desconhecido. Cansados mas muito felizes um pequeno passo para muitos, mas para nós um grande momento.

Após esta pequena passagem a labuta continuou, o poço que se seguiu também necessitou de estabilização. Continuámos então com a esperança e de facto estávamos agora por debaixo da zona da fissura e o algar continuava mas começava a estreitar bastante. Fomos retirando os muitos blocos que impediam o acesso a zona mais funda e também mais estreita. Ali conseguimos descer uns bons metros, mas para nossa tristeza a fractura fecha demasiado sendo impossível a nossa progressão e não se sente aquele ar fresco que nos fez acreditar….

Bom, a grande maioria das vezes é mesmo o que acontece. Siga, aumentámos a profundidade do algar em cerca de 20 metros, é mais um que fica cadastrado, topografado e partilhado!!!

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Figura 4 e 5 -Planta e perfil do algar da Pegada.

 

Planta do algar da Pegada em pdf para download 

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Perfil do algar da Pegada em pdf para  download 

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Algar da Pegada – pormenor em pdf para download 

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Ficha de equipagem do algar da Pegada em pdf para download 

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Fotos do algar da Pegada (Fotos: Samuel Lopes WIND/GEM).

 

 

Algar das Pérolas

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Figura 6 – Entrada do algar das Pérolas (Foto: Samuel Lopes GEM/WIND).

Um pouco de história:

Corria o ano de 2003, quando numa actividade de prospecção do C.E.A.E. – LPN, esse grande espeleólogo Sérgio Orantes se embrenhou num silvado situado num lapiaz muito bonito e fundo, descobrindo assim o algar das Pérolas. O algar foi explorado na altura onde se fez a desobstrução que deu acesso a segunda sala e às salas agora conhecidas, destacando claro a sala das Pérolas.

Mais tarde em 2006 numa actividade conjunta de GPS (Grupo Protecção Sicó)/NEC (Núcleo de Espeleologia de Condeixa)/AESDA (associação de Estudos Subterrâneos e Defesa do Ambiente), fizeram-se duas desobstruções já na zona de meandro da cavidade.

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Figura 7 – Localização da boca do algar das Pérolas (Note-se a posição da entrada no fundo de um vale cego).

Descrição:

A boca do algar é estreita com cerca de 1 m. Abre-se num megalapiaz de fendas profundas, situada na base de um término de um vale cego de direcção aproximada NE-SW, que drena a vertente Sudoeste do cabeço dos Alecrineiros.

Após entrada segue-se uma pequena sala que dá acesso a outro poço e a uma outra sala, onde existem várias formas de reconstrução sendo estas já bastante fósseis. A partir de aqui a progressão é feita em destrepe até uma pequena sala, ficando esta em paredes meias com a sala das pérolas, zona com muitas e variadas formas de reconstrução de grande beleza. A partir da sala das pérolas entra-se num meandro, que se encontra em grande parte colmatado com sedimentos argilosos. O meandro prolonga-se por cerca de 30 m, e na sua parte final estreita tornando-se impossível a progressão.

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Figura 8 – Pérolas de gruta, que dão o nome ao algar (Foto: Samuel Lopes – GEM/WIND).

Geologia:

O algar desenvolve-se na formação dos Calcários micríticos de Serra de Aire. Esta formação está datada do andar Batoniano do Jurássico Médio. A formação é composta, como o próprio nome indica por calcários, tendo uma espessura local próxima dos 100 m, segundo Manuppela et al, 2000.

A parte inicial do algar aparenta desenvolver-se ao longo de duas famílias de fracturas de inclinação sub-vertical, uma de direcção NW-SE e outra E-O, até se atingir a sala das pérolas. A partir desta zona entra-se no meandro, que é um troço de colector em que o diâmetro baixa consoante o seu desenvolvimento. Este troço terá se formado em regime freático, ao contrário da parte inicial da gruta que terá se formado em regime vadoso. Podemos por a hipótese da zona da entrada do algar ter uma origem diferente da zona do meandro. O meandro pode ser classificado como uma galeria paragenética, visto estar muito colmatada com sedimentos argilosos e sendo visível um sobrescavamento no tecto. O meandro é o que resta de um troço de um antigo colector, cuja cota rondaria os 450 m. A presença de este colector poderá não ser estranho o vale cego que termina na boca do algar e que poderá no passado ter fornecido água ao colector, eventualmente num regime semelhante a carso suspenso.

Presente:

Tem-nos dado um prazer enorme explorar e perceber as aventuras que aqui foram vividas. Observando as desobstruções efectuadas, acreditamos que poderíamos ir mais além. Colocamos mãos a obra e escavando na parte final do meandro avançamos cerca de 15 m, até chegarmos a uma zona em que o meandro estreita demasiado, impedindo assim a continuação da desobstrução.

Terminando assim o nosso trabalho nesta cavidade, ficando mais um algar cadastrado, topografado e agora partilhado.

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Figura 9 e 10 – Planta e Perfil do algar das Pérolas.

 

Planta do algar das Pérolas em pdf para download

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Perfil do algar das Pérolas em pdf para download

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Ficha de equipagem do algar das Pérolas em pdf para download

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Fotos do algar das Pérolas (Fotos: Samuel Lopes  WIND/GEM).

E já esta, mais 2 e brevemente mais serão publicados, a obra AVANÇA……..

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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~ por josechourico em 14 / 02 / 2017.

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