Contenda 2015


 

Introdução

A campanha da Contenda de 2015 prolongou-se mais que o período habitual das suas antecessoras. O baixo nível de água registado no Verão de 2015, devido à situação de seca que se fez sentir, foi aproveitado para tentar aceder a zonas geralmente inundadas da gruta. Assim sendo os trabalhos prolongaram-se para lá do Verão tendo entrada já Outono adentro. Os trabalhos realizados foram os seguintes:

  • Reforço das equipagens dos poços
  • Equipagem da galeria SPE 66
  • Nivelamento topográfico da galeria SPE 66
  • Escalada de duas chaminés na galeria SPE 66
  • Verificação do nível de água no interior da gruta
  • Exploração e topografia de novas zonas na galeria SPE 66
  • Topografia de zona seminundada na galeria do Rio

 

Fotografia 1: A estreia de Victor Lourenço na Contenda.

 

Galeria do Rio 

Os trabalhos na galeria do Rio permitiram topografar mais cerca de 26m da zona seminundada desta galeria, aproveitando o baixo nível de água que se fez sentir durante o Verão. O troço agora topografado já havia sido mergulhado em 2011, mas não tinha sido então topografado. De notar o esforço da equipa de topografia que com a ajuda de alguns flutuadores e a custo de banhos gelados acrescentou mais algumas dezenas de metros à topografia da gruta.

Fotografia 2: O nível da água na galeria do Rio 8/8/ 2015

 

Galeria SPE 66

Cedo se percebeu que o baixo nível de água que ainda cedo no Verão se mediu no poço terminal da galeria SPE 66 deixava antever a possibilidade de se aceder às zonas mergulhadas em 2009 e possivelmente mais além do término dessa exploração. Grande parte do Verão foi passada em peregrinação a este poço, medindo o nível da água e acompanhando a sua constante, embora irregular descida.

Fotografia 3: O nível da água no poço terminal da galeria SPE 66 a 8/8/2015

As atividades sucederam-se quase semanalmente com um grande esforço dos espeleólogos que após 3h de um duro caminho encontravam um nível de água cada vez mais baixo, mas ainda assim a passagem parecia não querer abrir. A meio de Setembro, parte da passagem estava já aberta, mas as primeiras chuvas quase deitaram tudo a perder. O nível da água subiu nos sifões, da parte superior da gruta, e no poço terminal da galeria SPE 66. A passagem voltou a fechar por completo, porém as equipas persistiram no seu esforço.

 

Fotografia 4. Uma das equipas a preparar-se para entrar

A 3 de Outubro o nível de água no poço terminal da galeria SPE 66 havia baixado o suficiente para permitir a passagem para a zona mergulhada em 2009. A equipa constituída por Pedro Robalo, Pedro Sabino e Telmo Miguel, transpõe a passagem, com o nível da água a não facilitar a tarefa, a equipa atinge e ultrapassa o limite do mergulho de 2009 e depara com um sifão. O nível de água no sifão não atinge o teto e a equipa supera também este obstáculo, a gruta continua mais uns metros e termina num outro poço, preenchido com água, mas no qual se antevê a continuação submersa da galeria. A equipa topografou de imediato o novo troço. A zona terminal da galeria SPE 66 dirige-se de modo grosseiro para Norte e tem uma extensão de 43 metros. O novo poço foi atingindo na véspera de chuvas fortes que impediram a continuação das explorações. A gruta de Moinhos Velhos dista agora em linha recta cerca de 30m da Contenda. A passagem que permite o acesso do antigo poço terminal ao novo troço foi baptizado de passagem Rui Pinheiro 2009 em memória do espeleomergulhador que primeiro a transpôs em 2009 em mergulho.

Os trabalhos na galeria SPE 66 foram além da exploração do poço terminal. Foram também escaladas duas chaminés desta galeria, na esperança de encontrar um bypass ao poço terminal, porém as chaminés não apresentam continuações significativas. O nivelamento da galeria SPE 66 e a exploração da sua zona terminal permitiram concluir que o nível de água, que se observa no antigo poço terminal da galeria SPE 66, no novo poço terminal é de fato o nível freático.

 

Filme 1 : Filme da passagem do poço terminal da galeria SPE 66

Fotografia 5: A equipa que passou o poço terminal da galeria SPE 66

Galeria do sifão lateral 

A galeria do sifão lateral foi também alvo de algumas incursões. O objetivo era o de verificar o nível de água, na esperança de que se atingisse novas zonas não exploradas em 2009. Apesar da descida do nível de água não foram encontradas continuações significativas daquela galeria, esta continua a acabar num sifão, com o nível de água mais baixo do que o registado em 2009. De salientar que os sedimentos encontrados na zona terminal da galeria são agora semelhantes a “areias movediças”, com muita argila e não a areia limpa que se encontrou em 2009. Um outro aspeto significativo foi que a tentativa de penetrar num pequeno troço de galeria que se inicia junto ao sifão terminal desta galeria fracassou devido á presença de Dióxido de Carbono. O ar pesado fazia-se já sentir mesma antes do sifão terminal. Curiosamente em 2009 não se notou a presença de Dióxido de Carbono nesta galeria.

Filme 2: Um dia a medir níveis

Espeleometria

A topografia atualizada da gruta encontra-se em anexo. Os dados espeleométricos atualizados são: extensão total: 1792m, profundidade: 96m, ponto mais alto:+17m, ponto mais profundo: -79m. Estes dados são dados em relação à boca da gruta.

contenda_topo-2015

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Fig 1. Topografia da gruta

Conclusão   

A campanha da Contenda de 2015, aproveitando os baixos níveis de água, que se fizeram sentir no Verão de 2015, permitiu explorar e topografar zonas até agora desconhecidas. A zona parcialmente inundada da galeria do Rio foi de novo topografada, tendo o baixo nível da água permitido acrescentar mais 26m de galeria. A galeria SPE 66 foi o principal alvo dos trabalhos, tendo-se ultrapassado o até agora poço terminal e acrescentado mais 43m à gruta. O novo término da galeria SPE 66 é agora um outro poço, também inundado e num fundo do qual se vê a continuação submersa da galeria. E a gruta de Moinhos Velhos a apenas 30m em linha recta da Contenda.

  

Fig 2. Poligonais da Contenda , da gruta de Moinhos Velhos e outras grutas do polje de Minde.

Futuros trabalhos

Depois dos trabalhos de 2015 a galeria do Rio permanece como a zona mais inexplorada da Contenda, e quiçá com mais potencial, mas os trabalhos nesta galeria terão de ficar para outra campanha, que se tem esperança que seja em breve.

Agradecimentos e participantes

Agradecemos o apoio institucional dado pela Federação Portuguesa de Espeleologia e a todos os espeleólogos que com o seu esforço e dedicação permitiram o sucesso dos trabalhos.

Os trabalhos de 2015 contaram com espeleólogos das seguintes associações (por ordem alfabética): AESDA, ARCM, CEAE-LPN, GEM, GEMA, NEL, SAGA e SpeleoKlub Warszawski.

Os trabalhos de 2015 contaram com a participação dos seguintes espeleólogos (por ordem alfabética):

André Reis, Alexandre Leal, Andreia Monteiro (superfície), Beatriz Domingues, Bruno Pais, Carlos Gomes, Denise Fialho, Élio Ferreira, Flávio Lucas, Florbela Silva, Hélio Frade, Iza Palygiewicz, João Paulo Lopes, Luís Meira, Marco Matias, Marco Messias, Paulo Campos, Paulo Rodrigues (superfície), Pedro Aguiar (superfície), Pedro Pinto, Pedro Robalo, Pedro Sabino Koch, Rudi Lopes, Rute Agapito, Samuel Lopes, Sofia Morais, Telmo Miguel, Tiago Matias e Victor Lourenço.

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~ por paulor2005 em 4 / 12 / 2015.

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