Algar do Caçador – Alguns apontamentos de geologia



Localização geográfica

O algar do Caçador situa-se no Sul do Planalto de Sto. António, umas das 3 unidades morfoestruturais do Maciço Calcário Estremenho, segundo Fernandes Martins, 1947, nas proximidades do local de Corredoura. As coordenadas da entrada da cavidade encontram-se na topografia estão em Datum ED50. A gruta situa-se numa zona onde existem muitas pedreiras.
Enquadramento institucional

A expedição de 2009 do SSAC Sociéte Spéélo-Archéologique de Caussade (SSAC) a Portugal, contou com a colaboração de vários espeleólogos portugueses, tendo-se em algumas actividades formado equipas mistas de espeleólogos portugueses e franceses. Foi o caso da actividade realizada no algar do Caçador. A actividade foi realizada no dia… Uma descrição mais detalhada destas e doutras actividades realizadas durante esta expedição pode ser encontrada no relatório da expedição, que inclui as coordenadas (em Datum ED50) das várias cavidades e topografias de muitas delas. Este relatório pode ser consultado aqui: CRportugal2009[1]

A equipa desse dia foi composta pelos seguintes espeleólogos.
Orlando Elias (então NEALC, actual NEL),
Paulo Rodrigues (então NALGA/AES, actual GEM/NALGA)
Yannick Campan (SSAC)
Philippe Carpentier (SSAC)

Descrição

O algar tem 88m de profundidade e é composto por uma sequência de poços sem grandes ramificações laterais. Foi necessário realizar uma desobstrução perto dos 60m de profundidade. A zona final do algar, ou seja a zona terminal do P34 e o poço lateral que existe nessa zona, são instáveis, em virtude do  estado de alteração da rocha nesse local, verificando-se com muita facilidade quedas de pedras e abatimentos parciais das paredes. Por este motivo e apesar da corrente de ar registada, não se insistiu na desobstrução no fundo do algar.

 

Algar do caçador topografia

Algar do caçador topografia

Trabalhos realizados

Os trabalhos realizados foram exploração, equipagem, desobstrução, topografia e ainda um levantamento geológico sumário.

Geologia do algar do Caçador

O algar do Caçador desenvolve-se segundo a Folha 27-C da Carta geológica de Portugal à escala 1/50000 na formação de Calcários micríticos da Serra de Aire, datada do Batoniano (Jurássico Médio).

O algar apresenta à boca um caos de blocos. A atitude local das camadas é próxima da horizontal. O controlo estrutural do desenvolvimento da gruta é feito por descontinuidades das famílias N-S/Vertical, E-W/Vertical e N70W/Vertical . A boca da gruta é controlada por uma fractura  N80E/Vertical, mas que parece não ter expressão no interior da cavidade.
A gruta é um “vadose shaft” de acordo com a descrição de Baroñ, 2003, apresenta um controlo estrutural por descontinuidades verticais ou de inclinação elevada, a presença de caneluras de dissolução e uma boca pequena.

Referências Bibliográficas

Baroñ, Ivo (2003) – Speleogenesis along subvertical joints: A model of plateau karstshaft development: A case study: the Dolný Vrch Plateau (Slovak Republic), Cave&Karst Science 29 (1), 2002, 5-12. 010

Manupella, G., Barbosa, B.,, Azerêdo, A.C., Carvalho J., Crispim, J.A., Machado, S.; Sampaio, J.; (2006). Carta Geológica de Portugal –Torres Novas à escala 1:50000 , Folha 27-C, , e Notícia explicativa, Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Lisboa.

Martins, A. F. (1949). Maciço Calcário Estremenho – Contribuição para um estudo de Geografia Física. Tese de Douturamento, Coimbra University, Coimbra

 

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~ por paulor2005 em 14 / 04 / 2014.

Uma resposta to “Algar do Caçador – Alguns apontamentos de geologia”

  1. A direção da STEA, após ter tido conhecimento do texto relativo ao historial dos trabalhos realizados na exsurgência da Pena de Água – Rexaldia em Torres Novas, vem desta forma esclarecer alguns dados incorretos.
    Os primeiros trabalhos de desobstrução nesta exsurgência, foram realizados pela STEA em 1990, no âmbito de um projecto para aquela área do maciço.
    No início dos trabalhos, e dada a espessura dos depósitos de vertente e a existência de grandes blocos de abatimento, a STEA solicitou na altura apoio à Câmara Municipal de Torres Novas e à Junta de freguesia da Chancelaria, tendo então a Câmara concordado em fornecer a retroescavadora, a Junta pagar o gasóleo e a STEA pagar ao manobrador.
    Ao senhor pena, foi solicitada a autorização para se proceder aos trabalhos, uma vez que a exsurgência se localiza na sua propriedade.
    Foram realizadas várias campanhas sem que tenha sido possível entrar no sistema e aceder a qualquer galeria, apesar de terem sido identificados vários pontos de saída de água.
    Durante estes trabalhos, foram identificadas camadas arqueológicas in situ, o que veio a condicionar a continuação dos trabalhos de desobstrução, tendo-se iniciado algum tempo depois, campanhas de escavações arqueológicas que duraram vários anos.
    Devido a esta condicionante, e associado ao facto de a temperatura da água indiciar a sua proveniência, de galerias em profundidade, a STEA direcionou o seu projeto de trabalhos para outras cavidades, o que fez com que este ficasse em standby até aos dias de hoje.
    Atualmente, a STEA em conjunto com outras entidades encontra-se a ultimar um novo projeto espeleo-arqueológico sobre aquela área do arrife e particularmente sobre a exsurgência, que deverá ter início no último trimestre de 2014.
    A STEA, obviamente encontra-se recetiva a alargar as parcerias para a execução deste projeto quer com outras entidades, associações ou espeleólogos em particular.
    20.6.2014

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