O Algar do Castelejo


Enquadramento

O Algar do Castelejo, fica localizado como o próprio nome indica, no Castelejo, uma elevação situada no polge de Alvados, perto da localidade com o mesmo nome, concelho de Porto de Mós. A boca do algar abre-se na encosta Sul do Castelejo próximo do topo da elevação.  A aproximação exige uma caminhada de cerca de 15-20 minutos, a partir do local onde se deixam os carros, junto a um estradão.

O topo do Castelejo. Foto cedida pelo GEM para este artigo.

O topo do Castelejo. Foto cedida pelo GEM para este artigo.

A primeira notícia deste algar, data de 2005, de uma actividade de prospecção do GEM – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, em que participaram Vitor Amendoeira, Marta Borges, Ana Marta Calambra e Mário Matos, onde se encontram também outros algares.

Já em 2009 uma equipa composta por Alvaro Jalles (AES), Margarida Jalles (AES), Mário Matos (então AES, hoje AESDA), Ana Marta Calambra (então AES, hoje AESDA) e Paulo Rodrigues (então AES/NALGA, hoje GEM/NALGA) faz uma actividade na cavidade onde se procede à sua topografia e levantamento geológico.

Topografia

A topografia do algar do Castelejo encontra-se em baixo, apenas se apresenta o corte extendido, sendo que a planta (que ainda precisa de mais trabalho de campo) será apresentado posteriormente. Em relação à espeleometria a gruta tem 29m, de profundidade, 14m de desenvolvimento planimétrico e 36m de desenvolvimento.

Corte estendido do Algar do castelejo

Corte estendido do Algar do castelejo

Geologia

A entrada da gruta

A entrada da gruta. Foto cedida pelo GEM para este artigo.

A cavidade desenvolve-se no Castelejo, uma elevação, que apresente um lapiás, conforme a definição de Rodrigues et al, 2007. Esta elevação bem como uma série de “ilhotas calcárias” alinhadas no fundo do polge e que interropem a planura do mesmo, segundo Martins, 1947, são  “hums estruturais”.  Segundo o autor acima referido um hum estrutural é uma elevação, limitada por falhas, cuja posição elevada se deve ao levantamento tectónico provocada pelas falhas e à maior dureza da rocha que compõe a elevação em comparação com a da litologia  que compõem o fundo do polge. Este diferença de dureza permite que a erosão diferencial entre em acção. A elevação do Castelejo é litologicamente composta, segundo a Folha 27- A da Carta Geológica de Portugal à escala 1/50000 por calcários da formação de Calcários Micríticos da Serra de Aire datados do Batoniano (Jurássico Médio). A gruta desenvolve-se nesta formação. O fundo do polge de Alvados, segundo a mesma fonte está talhado na formação das Camadas de Cabaços e Montejunto datados do Oxfordiano a Kimeredgiano (Jurássico Superior). Esta formação apesar de composta por calcários, margas e conglomerados tem uma capacidade de carsificação muito menor que as formações do Jurássico Médio, que são, segundo Crispim, 1995 as formações cársicas por excelência do MCE.

Do ponto de vista espeleológico o grande potencial desta gruta é densenvolver-se na acima citada formação do Jurássico Médio e poder assim permitir o acesso a zonas mais profundas do polge, quicá com circulação horizontal, e que no restante polge são de difícil acesso, quer pelo menor potencial de carsificação das formações do Jurássico médio, quer pelas formações de cobertura.

A vista do topo do Castelejo. Foto cedida pelo GEM para este artigo.

A vista do topo do Castelejo. Foto cedida pelo GEM para este artigo.

A gruta apresenta controlo estrutural por fracturas de atitude N40W/Vert. A atitude das camadas é de cerca de N40-50W/20-50E. As variações na inclinação serão provavelmente resultantes da deformação das camadas ocorridos durante esforços tectónicos e terão que ser melhor estudadas em nova visita. De igual modo considerações sobre a génese da gruta serão deixadas para uma ocasião posterior.

Referência bilbliográficas

  • Rodrigues, M.L., Cunha, L., Ramos, C., Pereira, A.R., Teles, V., Dimuccio, L. (2007) “Glossário Ilustrado de Termos Cársicos”
  • Martins, A. F. (1949). Maciço Calcário Estremenho – Contribuição para um estudo de Geografia Física. Doctoral Thesis, Coimbra University, Coimbra
  • Crispim, J.A (1995) – Dinâmica Cársica e Implicações Ambientais nas Depressões de Alvados e Minde. Dissertação apresentada à Universidade de Lisboa para a obtenção do grau de Doutor em Geologia, especialidade de Geologia do Ambiente. Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Departamento de Geologia

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~ por paulor2005 em 27 / 02 / 2014.

Uma resposta to “O Algar do Castelejo”

  1. Magnifico trabalho, parabéns a todos!

    Ab, Loia

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