Algar do Chou Jorge, revisitando uma clássica


O tempo voa, foi em 2007 e 2008 ainda nos primórdios do NALGA que se realizaram os trabalhos no Chou Jorge e que até agora estiveram a ganhar pó na gaveta. Os trabalhos foram realizados com o apoio da Associação de Espeleólogos de Sintra. Esta gruta é uma clássica da espeleologia nacional e uma descrição e topografia da mesma podem ser encontradas no Livro Grottes et Algares du Portugal de C. Thomas. Uma equipagem pouco trabalhosa, a sua beleza e o facto de ser provavelmente o -100m mais acessível do Maciço Calcário Estremenho (MCE) tornam uma visita a esta cavidade muito apetecível. A boca do algar abre-se no topo da vertente norte de um dos vales que sulcam o planalto de Sto. António, uma das unidades do MCE, junto à localidade de Cabeço das Pombas, concelho de Porto de Mós.

A primeira visita foi quase por acaso aquando do 1º aniversário do NALGA e resolveu-se depois insistir, tendo-se realizado o levantamento geológico da gruta, topografando dois poços que não estavam representados na topografia de C. Thomas e realizado ainda uma desobstrução.  Esta desobstrução foi realizada num dos poços acima referidos, neste caso no poço paralelo ao poço das concreções que dá acesso ao lago e apenas conseguiu ligar o “novo” poço ao poço do lago. O bloco que aos -100m estava em equílbrio periclitante sobre o poço que dá acesso à parte inferior da gruta, foi removido de modo a deixar de constituir um perigo. Cerca de 7m abaixo encontra-se um outro bloco em posição semelhante, mas que não foi removido.

Geologia

A  gruta desenvolve-se segundo a Folha 27-C da Carta geológica de Portugal à escala 1/50000 na formação de Calcários Micríticos da Serra de Aire datados do Batoniano (Jurássico Médio). O algar é um “vadose shaft” segundo a definição de Baroñ 2003, consistindo basicamente numa série de fracturas alargadas, pela corrosão da água que se infiltra do epicarso (parte mais superficial e alterado do maciço cársico) em profundidade e enquanto tem acidez suficiente alarga as fracturas. É esta água aliás que enche em época de chuva o lago situado aos -100 metros.

O controlo estrutural é feito sobretudo por fracturas das seguintes famílias: N60W/vertical, N30E/Vertical, E-W/Vertical,

Participaram nos trabalhos os seguintes espeleólogos, enfim podem ter sido mais, já passaram uns anos e a cabeça não dá para tudo, portanto aqui fica: Orlando Elias (NEALC na altura agora NEL), Alvaro Jalles (AES), Paulo Janela (AES), João Moutinho (ARCM), José Silva (ARCM), Beatriz Silva (ARCM), Paulo Rodrigues (na altura AES/NALGA agora GEM/NALGA), Mário Matos (então AES agora AESDA), Margarida Jalles (AES) e Luís Meira (AESDA). Provavelmente foram mais pessoas, quem não tiver que se acuse.

Referência bilbliográficas

• C.Thomas, (1985) Grottes e algares du Portugal, Comunicar Lda. Lisboa

Baroñ, Ivo (2003) – Speleogenesis along subv ertical joints: A model of plateau karstshaft development: A case study: the Dolný Vrch Plateau (Slovak Republic), Cave&Karst Science 29 (1), 2002, 5-12.
 
A topografia com o levantamento geológico é apresentado em baixo. A topografia de C. Thomas foi vectorizada e as topografias resultantes do presente trabalhos, encaixadas, com o rigor possível, nestas topos, embora se admita que o ideal seria topografar de novo a gruta. Há tantas ainda por topografar.
Topografia do algar Chou Jorge

Topografia do algar Chou Jorge

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~ por paulor2005 em 21 / 12 / 2013.

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