Novo fôlego na Gruta da Pena?


Caros amigos e seguidores
Deixo aqui publicado este interessante post, roubado ao Aquanautas.
Leva-nos a pensar no futuro próximo do espeleomergulho Nacional e até da própria Espeleologia. Resta apenas acrescentar que durante o mês de Março de 2009 uma terceira equipa começou também a trabalhar nesta clássica gruta. E se todos conseguíssemos deixar de lado as “tribos”, “clubismos”, “egos” e partilhássemos a experiência e trabalho? Com toda a certeza que os resultados seriam de certeza muito melhores.

Gruta da Pena (Moinhos Velhos) em cheia

Gruta da Pena (Moinhos Velhos) em cheia

Pedro Lage – Mergulho Técnico

Três anos bastaram para o panorama do mergulho em gruta em Portugal se alterar consideravelmente. Em 2006 não havia mais do que meia dúzia de praticantes activos desta vertente do mergulho técnico. Hoje talvez já se pudesse organizar uma bela partida de futebol!

Não houve propriamente um acréscimo significativo de espeleólogos-mergulhadores, amantes do ambiente subterrâneo na sua generalidade (a seco ou submerso), mas sim um aumento de mergulhadores entusiasmados pelo mergulho em gruta. As diferenças derivam essencialmente da motivação inicial de cada um: a espeleologia ou o mergulho.

Para este aumento contribuíram essencialmente dois factores, por um lado, o crescente numero de mergulhadores técnicos nacionais e por outro uma maior e mais acessível oferta de cursos da especialidade, quer em Portugal quer no estrangeiro. Paralelamente, a procura de novos desafios e locais de mergulho pode ter motivado alguns a decidirem obter a certificação de Mergulho em Gruta. Neste aspecto, e não falando apenas das cavidades existentes no nosso país e na vizinha Espanha, existem locais, como os impressionantes cenotes na península do Yucatan (México), as extensas nascentes da Florida (Estados Unidos da América) ou os magníficos Blue Holes das Bahamas, que são pretexto suficiente para alguns se querem aventurar neste tipo de mergulho.

DSC_0229a Não será de espantar então que as grutas submersas mais acessíveis do nosso território estejam a receber visitantes como nunca tinham recebido anteriormente. Hoje já existem grandes probabilidades de se dar de caras com outras equipas a mergulhar na mesma gruta, coisa impensável há pouco mais de seis anos. Não tão inédito é o surgimento de alguma rivalidade entre elas, mais ou menos exacerbada consoante os egos e posturas de cada um.

A Gruta da Pena, pela sua acessibilidade e condições de mergulho tem sido um local particularmente procurado pela maioria dos recém-formados. Apesar de não terem ocorrido grandes chuvadas neste início de ano, já foi possível efectuar alguns mergulhos, e calcula-se que no espaço de um mês (fundamentalmente aos fins-de-semana), tenham por lá passado cerca de 20 mergulhadores, quer em acções de formação quer já em completa autonomia.

É importante referir, no entanto, que o acesso à gruta se encontra limitado a espeleólogos ou a mergulhadores comprovadamente certificados e que de forma alguma se poderá obter permissão de entrada sem um destes requisitos. Convém lembrar também, que no dia em que ocorrer qualquer tipo de acidente com algum mergulhador, isso implicará muito provavelmente a interdição daquela e de outras grutas nacionais, o que seria mau para todos. Estatisticamente falando, um aspecto negativo do aumento de mergulhadores de grutas em Portugal, é o aumento das probabilidades de um acidente fatal poder um dia vir a acontecer.

Um aspecto positivo desta evolução é o aumento de massa critica disponível para se organizarem mergulhos mais complexos, com a participação de equipas mais numerosas e experientes. Um bom exemplo do que se poderia planear num futuro próximo seria a continuação da “exploração subaquática” da Gruta da Pena, que ficou interrompida por falta de meios humanos e materiais em 2003. Na altura, as duas equipas independentes que avançavam na “exploração”, Pedro Lage e Maria João Lage (circuito aberto) e Piotr Gajec e Filipe Worsdell (circuito fechado), foram ambas interrompidas pelas dificuldades do “terreno” e pelas dificuldades logísticas com que estas equipas, de apenas duas pessoas, se deparavam.

Gruta da Pena 09-01-31 038a Hoje, já existem melhores condições técnicas para igualar esses mergulhos com menos problemas logísticos, mesmo mantendo equipas reduzidas. As “scooters” subaquáticas estão mais acessíveis e potentes, as “stages” de alumínio estão agora facilmente disponíveis no mercado e os Rebreathers são cada vez mais fiáveis. No entanto, se aliarmos a evolução técnica à disponibilidade de meios humanos para constituir equipas mais numerosas, poderemos conseguir resultados que antes seriam quase impensáveis. Além da Pena, a exploração de grutas como a do Alviela ou o Almonda, teriam muito a beneficiar com a união de todos os mergulhadores subterrâneos nacionais. O único problema seria evitar que em vez de uma partida de futebol tudo acabasse num atribulado jogo de rubgy! Mas isso seria apenas um pormenor!

No caso da Pena em particular, poderá estar para breve um novo desenvolvimento da sua “exploração subaquática”, existindo pelo menos duas equipas com intenções de prosseguir para além do “terminus” de 2003. As estratégias de ambas irão ser bem distintas, desde logo pelo tipo de equipamento usado, uns com circuito aberto e “scooters” e outros apenas com o circuito fechado, mas também pelos diferentes gases e planeamento logístico da imersão. As duas estratégias mostram grandes probabilidades de serem bem sucedidas, dependendo apenas de se conseguir ultrapassar a “restrição” (zona muito estreita) final. Se isso for conseguido poderá até se pensar em atingir o final da parte conhecida e topografada da gruta, iniciando então a verdadeira exploração por locais ainda desconhecidos. Claro que tudo isto só será possível quando o nível freático da zona voltar a subir, o que poderá só acontecer daqui a mais um ano.

Até lá todos teremos que procurar outras grutas para mergulhar e desfrutar, de preferência num ambiente de harmonia e compreensão.

in revista Planeta D’Água Março/Abril09
Fotos: Cortesia de Rui Pinheiro

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~ por Membro suspenso em 21 / 10 / 2009.

3 Respostas to “Novo fôlego na Gruta da Pena?”

  1. Não vale a pena!!!
    Se a espeleo a seco é o que é, então o mergulho nem se fala…

    Mas também enquanto tivermos uma série de gente mesquinha que se acha acima de tudo e todos só por serem “os + antigos”, que recusam partilhar info diversa (até publicada!!!), que acham que os outros são invasores e não percebem nada de espeleo…

    Os que os roí é que os ditos invasores e demais toupeiras lusas, volta e meia descobrem coisas muito muito interessantes e valha-nos isso!!!

    Abraço

    PS: Quando vens cá tu acima??? 😉

  2. Olá Sérgio

    Vale sempre a pena! Mais, o sonho comanda os homens, dai até aparecer a obra é um pulinho.
    Quanto a ir ao Sicó, ainda não perdi a esperança, com certeza que um destes dias vou até a esse magnifico carso.
    Abraço

  3. Como em tudo na vida, fazemos espeleo com quem nos identificamos de algum modo (e não o fazemos com os “outros”… nem os “outros” o fazem connosco!).
    Há lugar para todos, desde que com honestidade e respeito.

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