Algares do cabeço dos Alecrineiros – Parte III

•30 / 07 / 2016 • Deixe um comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3


1)- Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal
(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares
(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia, Estrada Calhariz de Benfica, 187,  1500-124 Lisboa

(4) Wind -CAM- Centro de Atividades de Montanha, Rua Eduardo Mondelane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

Introdução

Procurámos, alimentados pelo cadastro de São Bento, aqui e ali, seguindo a vontade de desbravar o desconhecido por novos algares e pelas segredos neles contidos. Desta feita, aqui na III parte dos Algares do cabeço dos Alecrineiros, apresentamos mais dois algares, de grande beleza, da zona em estudo.  A saber os algares do Ponteiro e Vento.

Algar do Ponteiro

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Figura 1– Fotografia da entrada do algar do Ponteiro (Foto: Samuel Lopes)

Desenvolvimento total: 33m, Desnível: 15m.

A cavidade abre-se à superfície num poço de 7m, dando acesso a uma pequena galeria, onde através da qual se chega a uma diaclase de direção NW-SE, ao longo da qual se desenvolve o resto da cavidade.

A progressão na cavidade obrigou à realização de várias desobstruções realizadas por Orlando Elias do Núcleo de Espeleologia de Leiria (NEL), numa das quais se teve acesso a uma pequena galeria já antes identificada pelo SSAC.

O algar é um vadose shaft que aparenta desenvolver-se ao longo de famílias de fraturas de direção aproximada NW-SE, E-W e NE-SW.

 Fig. 2-Planta algar do ponteiroP

Fig. 2 -Perfil algar do ponteiroS-page

Figura 2– Planta e perfil do algar do Ponteiro

Planta e perfil do algar do Ponteiro em pdf para download

algar do ponteiroP algar do ponteiroS

Ficha de equipagem do algar do Ponteiro em pdf para download

F.E.Algar do Ponteiro

Fotos do algar do Ponteiro (Fotos: Samuel Lopes)

Fotos do algar do Ponteiro (Fotos Florbela Silva e Bruno Pais)  

Algar do Vento

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

 Figura 3– Fotografia da entrada do algar do Vento (Foto: Samuel Lopes)

Desenvolvimento total: 80m, Desnível: 18m.

A gruta acede-se a partir de um poço de 6 m, chegando a uma galeria, onde se encontra um poço. Descendo o poço entra-se numa outra galeria de desenvolvimento NW-SE, concrecionada, separada por uma pequena passagem a outra galeria, ainda mais concrecionada e de grande beleza. Na base desta galeria através de uma zona estreita preenchida por blocos abatidos, é possível vislumbrar a base da galeria anterior. A zona mais profunda do algar encontra-se coberta com “couve flor”, indiciando que terá existido ali um lago.

O algar é um vadose shaft que aparenta desenvolver-se ao longo de famílias de fraturas de direção aproximada NW-SE e N-S.

Fig. 4 - Planta - algar do ventoP-page-001

Fig. 4 - algar do ventoS-page-001

Figura 4– Planta e perfil do algar do Vento

Planta do algar do Vento em pdf para download 

algar do ventoP

Perfil do algar do Vento em pdf para download  

algar do ventoS

Ficha de equipagem do algar do Vento em pdf para download 

F.E. Algar do Vento

Fotos do algar do Vento (Fotos: Samuel Lopes)

Agradecimentos

Agradecemos em especial a Orlando Elias pelas desobstruções realizadas no algar do Ponteiro e sem as quais não seria possível ter prolongado a exploração do mesmo.

Algares do cabeço dos Alecrineiros – Parte II

•30 / 05 / 2016 • Deixe um comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3
1)- Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal
(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares
(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia, Estrada Calhariz de Benfica, 187,  1500-124 Lisboa

(4) Wind -CAM- Centro de Atividades de Montanha, Rua Eduardo Mondelane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

  Este post é uma republicação de um post do GEM-  Grupo de Espeleologia e Montanhismo.  

Introdução

Este trabalho tem sido gratificante para todos os que nele têm participado, não só pelo aspecto espeleológico, mas também pela beleza natural da zona do cabeço dos Alecrineiros. A paisagem é dominada pelos chousos, há muito construídos pelos locais, com o intuito de divisão dos terrenos e de resguardo do gado. Se exceptuarmos a localidade de Moita do Açor e de um outro raro abrigo de pastorícia, passamos os dias quase sem sinais de actividade humana ao nosso redor.

No planalto predomina a vegetação mediterrânica, sobretudo a rasteira, apesar de se começar a notar aqui e ali algumas plantações de eucaliptos, quem sabe em busca de mais algum rendimento, para as populações locais. Pelo meio da vegetação lá vamos procurando os algares, que ali abundam e vamos continuando o nosso trabalho, que muita alegria nos tem dado, sentimos-nos por vezes a renascer com a alegria de explorar o desconhecido, que para muitos já é conhecido mas para nós é sempre novo.

De seguida podem-se encontrar mais alguns resultados dos trabalhos realizados nos algares do cabeço dos Alecrineiros. A saber os algares da Estrada, Murete e Águia.

Algar da estrada

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Figura 1– Fotografia da entrada do algar da Estrada (Foto: Samuel Lopes)

Desenvolvimento total: 7m, Desnível:5m.

O algar tem dimensões reduzidas. A boca, estreita, dá acesso a um poço de 2m, onde descendo uma rampa se acede a um novo poço de 2m, no fundo do qual termina a gruta.

O algar é um vadose shaft que aparenta desenvolver-se ao longo de uma fractura de direcção aproximada W-E e inclinação subvertical.

Fig.2aFig. 2b

Figura 2– Planta e perfil do algar da Estrada

Links para download da topografia:

 algar da estradaP

algar da estradaS

Fotos do algar do algar da Estrada (Fotos: Samuel Lopes)

Algar do Murete

FIG.3

Figura 3– Fotografia da entrada do algar do Murete (Foto: Florbela Silva/Bruno Pais)

Desenvolvimento total: 6m, Desnível:5m.

A gruta tem uma estrutura simples, é composta por um poço de 5m de profundidade. A partir do fundo do poço, após um ressalto de mais de 2m de altura, encontra-se uma pequena reentrância.

O algar é um vadose shaft que aparenta desenvolver-se ao longo de uma fractura de direcção aproximada NW-SE e inclinação subvertical.

Fig.4bFig. 4a

Figura 4– Planta e perfil do algar do Murete

Links para download da topografia:

 algar do mureteP

 algar do mureteP

Fotos do algar do algar do Murete (Fotos: Samuel Lopes)

Algar da Águia

  

 

 

Desenvolvimento total: 81m, Desnível:16m.

A cavidade é composta por um poço, em que a meia altura se encontra um patamar. Este dá acesso a um tramo que se desenvolva inicialmente para Norte e depois para Oeste. Este tramo tem grande beleza, com abundantes concreções. No seu término encontra-se um poço, no fundo do qual estão ossadas de um carnívoro. O animal poderá ter caído por uma entrada, que se abriria no topo de uma chaminé, situada no topo do poço, que entretanto terá fechado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Figura 6 – Ossadas de carnívoro (Foto: Samuel Lopes)

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Figura 7– Dente do carnívoro (Foto: Samuel Lopes)

O poço de entrada alarga-se na sua base. Para Norte dá acesso a uma rampa, coberta por um cone de dejecção. Para Sul chega-se a uma sala onde através de uma pequena escalada se atinge um patamar, com muitas formas de reconstrução que liga de novo ao poço de entrada.

Os vários poços da gruta terminam todos a uma profundidade semelhante (-16m). É também curioso que as concreções acabem abaixo dos 12 m de profundidade.

O algar é um vadose shaft que aparenta desenvolver-se ao longo de famílias de fracturas de direcção aproximada NW-SE, E-W e NE-SW.

Fig.8aFig. 8b

Figura 8 – Planta e perfil do algar da Águia

Links para download da topografia:

algar da aguiaP

algar da aguiaS

F.E.Algar da Águia

 

Fotos do algar da Águia (Fotos: Samuel Lopes)

Agradecimentos

Aproveitamos para expressar os nossos agradecimentos a Florbela Silva e Bruno Pais pela sua participação na realização destes trabalhos, sobretudo por aqueles que são realizados durante a semana.

A não perder no próximo capítulo: Algar do Vento e Algar do Ponteiro  

 

 

 

Algares do cabeço dos Alecrineiros – Parte I

•30 / 04 / 2016 • Deixe um comentário

Este post é uma republicação de um post do GEM-  Grupo de Espeleologia e Montanhismo

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal
(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares
(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia, Estrada Calhariz de Benfica, 187,  1500-124 Lisboa  

(4) Wind -CAM- Centro de Atividades de Montanha, Rua Eduardo Mondelane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

Introdução

Bem no coração do Planalto de Sto. António encontra-se o cabeço dos Alecrineiros, assinalado pelo vértice geodésico com o mesmo nome. Este cabeço é já bem conhecido da comunidade espeleológica nacional e internacional, pela abundância de algares. Dos trabalhos já realizados destacamos os seguintes, realizados no âmbito do grupo de São Bento.

https://nalga.wordpress.com/algar-dos-alecrineiros-resultado-dos-trabalhos/

https://nalga.wordpress.com/2013/12/30/algar-dos-alecrineiros-sul-uma-resenha-dos-trabalhos/

https://nalga.wordpress.com/2009/04/28/regresso-a-sbento-alecrineiros-sul-e-pena-traseira-ii-o-gesb-faz-novas-descobertas/

https://nalga.wordpress.com/2013/01/18/algar-dos-cos-carvalhos/

https://nalga.wordpress.com/2007/12/02/resultados-dos-trabalhos-no-algar-dos-alecrineiros/

https://nalga.wordpress.com/2008/12/07/o-nalga-fez-anos-3ª-expedicao-grupo-espeleo-sben

https://nalga.wordpress.com/2015/03/14/alguns-apontamentos-sobre-os-algares-a102a-e-a102b/

O SSAC (Societe Spéleo Archéologique de Caussade) nos seus relatórios das actividades realizadas em Portugal apresenta a localização de abundantes cavidades, bem como de algumas topografias e esboços de vários algares desta zona.

Figura 1 – Área de trabalho à superfície

Figura 1 – Áres de trabalho à superfície

Objetivo 

Dentro do âmbito do grupo de São Bento, o Grupo de Espeleologia e Montanhismo (GEM) criou um plano de trabalho que visa alimentar o cadastro de São Bento, com: a localização de novas cavidades, verificação e correcção da localização de cavidades já cadastradas, topografia das grutas e produção de fichas de equipagem das mesmas. O plano contempla também os aspectos geológicos das cavidades estudadas. Dada a extensão do Planalto de Sto. António, alvo dos trabalhos do grupo de São Bento o GEM, em colaboração com a WIND, optou por trabalhar sistematicamente uma área limitada do planalto, e apenas depois seguir para outras zonas. A área escolhida foi o cabeço dos Alecrineiros.

 

Figura 2  –  Equipa de trabalho

Agradecimentos

Desde já aproveitamos para agradecer o apoio institucional e logístico que a Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha tem vindo a dar a todo este projecto. Também não podemos deixar passar em claro o precioso esforço de todos aqueles que não sendo sócios do GEM e da WIND têm tomado parte neste projecto, salientamos neste campo Orlando Elias do Núcleo de Espeleologia de Leiria (NEL), que tem tomado a seu cargo as desobstruções mais pesadas que permitiram avançar com algumas das explorações.

Localização

O cabeço dos Alecrineiros fica situado no Maciço Calcário Estremenho, na unidade morfoestrutural do Planalto de Sto. António. A localidade mais próxima é Moita do Açor, da freguesia de São Bento, concelho de Porto de Mós. A partir da Moita do Açor pode-se aceder através de alguns estradões à elevação dos Alecrineiros.

 

Fig.3

Figura 3 – Foto satélite com área do cabeço dos Alecrineiros

Geomorfologia

O planalto de St. António é (Manuppela et al, 2000), uma unidade geomorfológica de forma triangular, cujo vértice se desenvolve para Norte, constituído por superfícies altas limitadas por escarpas vigorosas, a ocidente e a oriente e uma vertente meridional que desce mais progressivamente até ao bordo sul do maciço. Todo o perímetro do planalto é delimitado por falhas às quais deve a sua posição elevada, em relação à envolvente. A superfície do Planalto de St. António é aplanada, inclinando ligeiramente para Sul, apresentando, segundo Fernandes Martins, 1949, vestígios de uma antiga superfície de aplanação fluvial, posteriormente trabalhada pela erosão cársica e normal. A superfície do planalto apresenta várias formas típicas do relevo cársico como campos de lapiás, a uvala de Chão das Pias e um número considerável de dolinas segundo Manuppella et al, 2000.

 

Fig.4

Figura 4 – Mapa hipsométrico do MCE

O vértice geodésico marca o topo da elevação dos Alecrineiros com uma altitude de 541m. A elevação alonga-se na direcção Norte-Sul sendo, limitada a Norte e a Sul por vales de direcção grosseira WNW-ESSE, a Oeste pela vertente abrupta que desce para o polje da Mendiga e a Este pela depressão onde se situa a localidade de Moita do Açor. O topo da elevação é relativamente plano com as cotas, a manterem-se quase sempre acima dos 500m, com alguns pontos a ultrapassarem os 540m, aqui e ali, a fazer lembrar uma superfície de aplanação, conforme referido por Fernandes Martins, 1949.

A superfície da elevação dos Alecrineiros apresenta um relevo marcadamente cársico, do qual se destacam várias formas exocársicas, saber: lapiás de mesa, delineado por uma bem marcada rede de fracturas, abundantes dolinas e uvalas, que se encaixam na superfície aplanada.

Enquadramento Geológico 

Com base na análise da Folha 27-A – Vila Nova de Ourém da Carta Geológica de Portugal à escala 1/50000, observa-se que a elevação se desenvolveu nas formações de Calcários mícriticos da Serra de Aire e Calcários Bioclásticos do Codaçal.

Ambas as formações estão datadas do Batoniano (andar do Jurássico médio). Os Calcários mícriticos da Serra de Aire têm como litologia dominante, (Manuppella et al., 2000) calcários micriticos, com uma espessura da ordem dos 300-400m. Os Calcários Bioclásticos do Codaçal têm como litologia predominante, (Manupella et al., 2000) calcários bioclásticos e oobioclásticos, com 50-60m de espessura. As formações fazem parte da formação cársica do Jurássico Médio (Crispim, 1995).

Em termos estruturais, e com base na análise expedita da Carta Geológica de Portugal referida anteriormente, o Planalto de St. António corresponde a um monoclinal com algumas flexuras, em que as formações apresentam uma direcção regional que varia entre aproximadamente WNW-ESE e NW-SE, inclinando suavemente para Sul. Este monoclinal é cortado por uma série de falhas com direcção aproximada WNW-ESE – NW-SE, muitas delas com preenchimento dolerítico.

 

Fig.5

Figura 5 – Extracto da Folha 27-A da Carta Geológica de Portugal à escala 1/50000 com localização de algumas grutas. Autoria: Pedro Robalo

A zona em estudo (Crispim, 1995), é atravessada por descontinuidades de orientação aproximadamente NW-SE a WNW-ESSE, em conformidade com O sistema de falhas identificadas na Folha 27-A-Vila Nova de Ourém da Carta Geológica de Portugal à escala 1/50000, onde se observa que os acidentes mais próximos têm direcção predominante WNW-ESE.

Enquadramento hidrogeológico

A hidrogeologia do MCE continua a ser hoje em dia pouco conhecida. Cada uma das unidades geomorfológicas possui um número muito limitado de nascentes permanentes para onde escoam as suas águas subterrâneas. A unidade onde se situam as gruta alvo deste estudo, o Planalto de St. António, drena as suas águas sobretudo para a nascente do Rio Alviela, localizada a SE da cavidade (Costa Almeida et al, 2000). Admite-se também que o polje de Minde, tem um papel fundamental, à escala do maciço, na distribuição da circulação da água subterrânea (Crispim, 1995).

Potencial espeleológico

Como é conhecido pela comunidade espeleológica, abundam no Planalto de Sto. António e em particular no cabeço dos Alecrineiros os algares. Estes são compostos por um ou mais poços ligados entre si. A profundidade que os algares chegam a atingir, na zona do cabeço dos Alecrineiros, varia desde os poucos metros até aos -220m do algar Alecrineiros Sul.

Tal concentração e desenvolvimento de cavidades pode ser explicada por ser reunirem uma série de condições propícias ao desenvolvimento de grutas. A saber:

  • litologias (calcários do Jurássico Médio) altamente carsificáveis,
  • espessuras dessas litologias da ordem das largas centenas de metros (Manuppela et al, 2000),
  • rede de fracturação bem desenvolvida, com fracturas com grau de abertura alto,
  • precipitação considerável,
  • amplitude topográfica, os terrenos do planalto chegam a ter mais de 500m acima do nível do mar e mais de 430m acima da nascente do Alviela que se julga drenar o Planalto de Sto. António

Uma proposta de modelo espeleogenético

Os poços dos algares são controlados estruturalmente por descontinuidades subverticais, que se intersectam entre si.

As cavidades apresentam uma organização muito simples, a morfologia das passagens é, nos casos em que não se verificou uma destruição por abatimentos, a da estrutura original, alta e estreita, mantendo de um modo grosseiro a forma da descontinuidade ao longo da qual se desenvolveram. Estas características são definidas por (Bögli, 1980) como sendo de cavidades de origem vadosa primária. As caneluras que se desenvolvem ao longo dos poços são formadas pelo efeito corrosivo e erosivo da água que escorre, goteja (Baroñ, 2003), ou pela própria aspersão da água, ao longo das paredes de fracturas subverticais, o que é aliás típico do regime vadoso, (Lauritzen e Lundberg, 2000). Com base nas observações acima referidas podemos afirmar que estas grutas são formada em regime vadoso.

Os algares desenvolvem-se a partir da água acumulada no epicarso. O epicarso é uma zona superficial do carso, caracterizado por uma maior intensidade da fracturação e da carsificação difusa (Klimchouck, 2000). O epicarso apresenta, mercê das características antes referidas, uma maior permeabilidade, que a maior parte da zona vadosa subjacente, (Klimchouck, 2000), constituindo o suporte de um aquífero suspenso. A água armazenada no epicarso drena para descontinuidades que se encontram na base do epicarso. Estas descontinuidades conduzem a água para o interior do maciço em direcção aos colectores que se encontram em profundidade (Klimchouck, 2000). Ao longo das descontinuidades e enquanto a água se mantém agressiva ou vê a sua agressividade renovada por fenómenos como a corrosão por mistura, vai ocorrendo a corrosão do calcário que tem como consequência o alargamento das descontinuidades e a formação de poços (Klimchouck, 2000). Ao longo destas descontinuidades, que se encontram na base do epicarso, desenvolvem-se, deste modo, grutas compostas essencialmente por poços que conduzem a água até colectores no interior do maciço (Klimchouck, 2000). Os colectores podem não estar geneticamente relacionados e nem sequer serem contemporâneos das cavidades que se desenvolveram na base do epicarso (Klimchouck, 2000). Esta ligação entre as cavidades da base do epicarso e o sistema de condutas será feita, na maioria dos casos, através de zonas intransponíveis para o ser humano, tipicamente galerias que guiadas por uma camada ou por poços de aspecto meandriforme controlados por descontinuidades (Klimchouck, 2000). Em muitos casos estas estruturas, que partem do fundo dos poços estão cobertas por blocos resultantes de abatimentos no interior da cavidade (Klimchouck, 2000).

A morfologia dos algares e o seu enquadramento apresenta muitas semelhanças aos dos “Karst Shafts” descritos por Baroñ, (Baroñ, 2003). Porém não é claro se o esquema de desenvolvimento proposto por este autor se adapta completamente às cavidades em estudo.

Fase embrionária. O algar começa a desenvolver a partir da infiltração de água proveniente do epicarso. A água, acumulada no epicarso, provem da precipitação. A infiltração dá-se através de descontinuidades pré-existentes. As cavidades são geralmente muito estreitas e sem ligação à superfície. A corrosão por filme de água é provavelmente o principal processo espeleogenético. Admite-se (Baroñ, 2003) que ao longo de uma mesma fractura se podem desenvolver várias cavidades separadas, tendo cada cavidade uma fonte de água própria. Temos de colocar a hipótese dos vários poços que constituem uma dada gruta terem um desenvolvimento em separado, isto explicaria o facto de algumas das grutas serem constituídas por uma série de poços com desenvolvimento paralelo e ligados de uma forma geral por passagens estreitas

Fase Jovem. Devido à corrosão provocada pelas águas de infiltração dá-se um aumento da abertura das descontinuidades. O principal processo espeleogenético deve-se agora aos pingos e gotas de água que caem verticalmente através de uma atmosfera rica em CO2, conferindo á água um elevado poder corrosivo. A água ataca intensamente a rocha calcária. Nos locais onde as gotas de água caem formam-se depressões. Á medida que os poços se aprofundam as depressões passam a caneluras subverticais. Esta é a fase da maior taxa de crescimento do poço. As caneluras são a parte dominante do volume do poço e chegam a atingir dezenas de metros de comprimento e diâmetro de vários decímetros. A drenagem ocorre ao longo da superfície das fracturas. A cavidade continua a ser um canal embriónico inacessível. À corrosão devida a filmes de água e a abatimentos adicionam-se à corrosão causada pelo gotejamento, porém têm pouca influência no alargamento dos poços. Todos os processos de formação de poços são acentuados na intersecção de fracturas.

Fase da abertura do poço. Esta fase caracteriza-se pelo alargamento das cavidades, dando-se nesta fase (Baroñ, 2003) a abertura da boca da cavidade à superfície. Os poços desenvolvem-se não só em profundidade, mas também para cima, pela acção de filmes e de corrosão por condensação. A condensação por corrosão é mais intensa no topo dos poços, na base do epicarso, especialmente durante o inverno. A desnudação da superfície, corrosão do subsolo, os efeitos mecânicos e químicos das raízes das árvores combinam-se para permitir a abertura da gruta à superfície. A depressão aparece inicialmente de uma forma incipiente sendo posteriormente alargada.

Fases posteriores. À medida que se alargam, os poço paralelos e canais retiram cada vez mais água suspensa do epicarso. O aprofundamento dos poços diminui gradualmente à medida que menos água fica disponível para uma dada abertura. Nesta fase começam a depositar-se concreções. Estes depósitos tendem a esconder as formas de dissolução originais.

À medida que a boca da gruta se alarga, começam a cair por ela e, a preencher parcialmente o fundo do poço, detritos como blocos, solo e restos orgânicos. A matéria orgânica em decomposição aumenta a concentração de CO2 na atmosfera da gruta, especialmente na base dos poços. A atmosfera enriquecida em CO2 permite aumentar a agressividade da água e ajuda a aprofundar os poços.  A continuação do preenchimento da gruta com material proveniente da superfície, abatimentos e desnudação da superfície podem levar à colmatação da cavidade.

Grutas alvo dos trabalhos

Os trabalhos foram realizados nas seguintes grutas: Chouso dos Alecrineiros, Curral das Éguas, algar da Estrada, algar do Murete, algar do Vento, algar da Águia, algar do Ponteiro, algar dos Amores e algar da Pedra que dança.

Fig.6

Figura 6- Foto satélite com localização das grutas. Autoria: Pedro Robalo

Descrição, espeleometria e geologia

Chouso dos Alecrineiros  

 

Fig.7

Figura 7– Fotografia da entrada do Chouso dos Alecrineiros. Autor: Bruno Pais

Desenvolvimento total: 45m, Desnível:29m.

A boca da gruta tem cerca de 2m de largura, dando acesso a um poço com 25 m de profundidade, que aos  4m estreita, e que permite, na sua base, aceder a uma rampa que leva a uma pequena sala, a zona mais funda da gruta.

Fig. 8

Figura 8 – Fotografia do interior do Chouso dos Alecrineiros. Autor: Bruno Pais

O algar é um vadose shaft que aparenta desenvolver-se ao longo de duas famílias de fracturas de direcção aproximada NW-SE e W-E e inclinação subvertical.

Fig.9a

Fig.9b

Figura 9 – Planta e perfil do algar do Chouso dos Alecrineiros

algar c. dos alecrineirosS (Perfil do algar do Chouso dos Alecrineiros em pdf para download)

algar c. dos alecrineirosP (Planta do algar do Chouso dos Alecrineiros em pdf para download)

F.E. c. dos Alecrineiros (Ficha de equipagem do algar do Chouso dos Alecrineiros em pdf para download)

Fotos do algar Chouso dos Alecrineiros

Curral das Éguas

O algar do Curral das Éguas é um local de nidificação da Gralha-de-bico-vermelho. Esta é uma espécie ameaçada e protegida. Qualquer visita a este algar deve ter em primeiro lugar o cuidado pela conservação desta espécie. Quem deseje visitar este algar (ou outra cavidade utilizada para nidificação pela Gralha-de-bico-vermelho), não o deverá fazer entre o inicio de Março e o início de Junho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Figura 10 – Fotografia de um dos poços terminais do Curral das Éguas

Desenvolvimento total: 193m, Desnível:102m.

Este é o algar mais profundo explorado no âmbito do plano de trabalhos. A boca do altar tem um diâmetro de cerca de 1 a 1,5m. A boca dá acesso a um poço de 14m, a partir da base do qual se entra num poço de 42m (a Ternura dos 40), que permite atingir a Diaclase da Pérola de gruta. Ao longo desta fractura desenvolve-se a maior parte da gruta. O poço da “Ternura dos 40” termina aos -55m, numa passagem estreita, o “entalador de tomates”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Figura 11 – Fotografia da entrada do Curral das éguas

 

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Figura 12 – Aspecto de um manto estalagmítico que cobre uma parede de um dos poços

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Figura 13 – Aspecto de uma concreção

 

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Figura 14 – Pérola de gruta

 

Vencendo-se esta passagem acede-se a uma sucessão de poços que levam aos -102m, muito graças ao esforço dos nossos amigos do SSAC que realizaram várias desobstruções que permitem aceder ao fundo da gruta. No entanto os trabalhos não estão concluídos. No entanto no decorrer deste trabalho foi identificada uma promissora corrente de ar, numa janela estreita a cerca de 5-6m do fundo da gruta.

O algar é um vadose shaft que aparenta desenvolver-se ao longo de famílias de fracturas de direcção aproximada N-S, W-E, NE-SW, NW-SE e inclinação subvertical.

 

Fig.15aFig.15b

Figura 15 – Planta e perfil do algar do Curral das Éguas

algar docurral das eguasP

Planta do algar do Curral das Éguas em pdf para download 

algar docurral das eguasS

Perfil do algar do Curral das Éguas em pdf para download 

F.E. algar do curral das éguas

Ficha de equipagem do algar do Curral das Éguas em pdf para download

Fotos do algar do Curral das Éguas

Referências  bibliográficas  

  • Bögli, A. (1980), Karst Hydrology and Physical Speleology, Springer-Verlag, Berlin Heildelberg New York.
  • Baroñ, Ivo (2003) – Speleogenesis along subvertical joints: A model of plateau karstshaft development: A case study: the Dolný Vrch Plateau (Slovak Republic), Cave&Karst Science 29 (1), 2002, 5-12.  010
  • Crispim, J.A (1995). Dinâmica Cársica e Implicações Ambientais nas Depressões de Alvados e Minde. Tese de Doutoramento em Geologia, especialidade de Geologia do Ambiente. Departamento de Geologia. Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa.
  • Christofoletti, Antônio (1980),  Gemorfologia. Edgard Blucher, SP
  • Martins, A. F. (1949). Maciço Calcário Estremenho – Contribuição para um estudo de Geografia Física. Tese de Doutoramento, Universidade de Coimbra, Coimbra
  • Manupella, G., Telles Antunes, M., Costa Almeida, C.A., Azerêdo, A.C., Barbosa, B., Cardoso, J.L., Crispim, J.A., Duarte, L.V., Henriques, M.H.,  Martins, L.T.,  Ramalho, M.M.; Santos, V.F.; Terrinha. P.;  (2000). Carta Geológica de Portugal – Vila Nova de Ourém, Folha 27-A, á escala 1:50000, e Nota Explicativa, Instituto Geológico e Mineiro, Lisboa
  • Costa Almeida, Mendonça J.J.L., Jesus, M.R., Gomes A.J., (2000) – Sistemas Aquíferos de Portugal Continental. Centro de Geologia da FCUL/INAG

Sumidouros do polje de Minde

•17 / 01 / 2016 • Deixe um comentário

Introdução

Até ao momento conhecem-se no polje de Minde cerca de uma trintena de sumidouros. Os sumidouros distribuem-se ao longo das linhas de água temporárias que sulcam o fundo do polje, das quais se destaca a ribeira da Pena, e no fundo de algumas dolinas.  Os sumidouros encontram-se sobretudo ao longo de uma faixa central do polje, com uma maior concentração na metade Este do polje. Apenas os sumidouros da Pousia do Parramal e do algar do João da Ruiva se situam no extremo SE do polje, próximos da Costa de Minde.

A grande maioria dos sumidouros encontra-se obstruída à boca, exigindo trabalhos de desobstrução pesados para a sua exploração. Dos trabalhos já realizados os sumidouros que dão um acesso franco a grutas são pouco comuns, e o seu acesso deve-se em grande parte a trabalhos de desobstrução realizados no passado. Este facto associado à extensão reduzida das grutas até agora exploradas (algumas dezenas de metros), exiguidade dos espaços e necessidade de realizar desobstruções mesmo no interior da gruta, tornam o projecto trabalhoso e algo penoso. O potencial das grutas é porém elevado. Os sumidouros drenam uma grande massa de água que quase todos os anos inunda o polje de Minde e através de traçagens (Crispim, 1995) foi possível ligar alguns sumidouros às nascentes do Almonda, Vila Moreira e Alviela, deixando antever uma possível ligação entre sistemas distintos do Maciço Calcário Estremenho (MCE). É nosso objectivo, dentro das nossas limitações, proceder ao levantamento sistemático dos sumidouros e topografia dos mesmos, quando possível.

Figura 2

Fig. 1 – Localização dos sumidouros do polje de Minde em fotografia de satélite

 

Resenha histórica

Da pesquisa feita, que não se pretende seja exaustiva, a referência mais antiga e quase única, que foi encontrado aos sumidouros data de 1977, no Algarocho 6-7, da Sociedade Portuguesa de Espeleologia (SPE). O boletim refere os trabalhos realizados em alguns sumidouros, apresentando um esboço topográfico da Pousia dos Algares, um esboço de memória do Algar do Zé Lenha, descreve as duas cavidades atrás referidas e ainda uma outra no sumidouro da Barroca da Abelha e contem ainda algumas notas sobre a geologia dos sumidouros.

Trabalhos realizados

Os trabalhos iniciaram-se em 2012 com o levantamento de campo dos sumidouros, tendo-se os trabalhos de levantamento sido retomados e concluídos no Verão de 2015 (se é que este trabalho alguma vez se pode considerar concluído). Ainda no Verão de 2015 foram explorados os: Algar do Zé Lenha, Algarões e Pousia dos Algares.

A 21 e 22 de Novembro foram realizados trabalhos de topografia no Algar do Zé Lenha e Pousia do Algares, bem como levantamento de mais alguns sumidouros e trabalhos de desobstrução.

Sumidouros topografados

O Algar do Zé Lenha abre-se numa dolina com uma largura máxima de cerca de 20m, sendo visível no extremo Este a entrada para a gruta. De acordo com Crispim, 1978, este é um dos últimos sumidouros da ribeira da Pena. A ribeira ao chegar ao sumidouro apresenta um entalhe de cerca de 3m de profundidade, em relação ao nível médio do fundo do polje, e forma um vale cego, com as paredes muradas e o fundo coberto de blocos.

 

Foto 1

Foto 1: Boca do Algar do Zé Lenha (Foto:Alexandre Leal)

A Pousia dos Algares refere-se a uma zona plana onde abundam buracos, semelhantes a tocas, abertos nos sedimentos de cobertura e que depois penetram nos calcários subjacentes. Estes buracos de uma forma geral têm uma continuação muito reduzida ou são mesmo impenetráveis. Um deles apresenta porém desenvolvimento considerável e foi este que foi topografado.

Os dois sumidouros topografados apresentam vestígios de desobstruções com meios pesados.

Espeleometria

Algar do Zé Lenha

Desenvolvimento: 84m, Desnível:19m.

Pousia dos Algares

Desenvolvimento: 36m, Desnível: 19m

Fig. 2 - Algar do Zé Lenha - Planta

Fig 2 – Topografia do algar do Zé Lenha – Planta

Fig 2. Algar-ze-da-lenha - Perfil

Fig. 2 – Topografia do Algar do Zé Lenha – Perfil desdobrado

Fig 3. - Pousia dos algares Planta

Fig. 3 – Topografia da Pousia dos Algares – Planta

Fig.3 - Pousia dos algares Perfil

Fig. 3 – Topografia da Pousia dos Algares – Perfil desdobrado

As topografias em pdf podem ser descarregadas nos links seguintes:

algar-ze-da-lenhaP (1)

algar-ze-da-lenhaS

Pousia dos algaresP

Pousia dos algaresS

Algumas notas de geologia  

Os sumidouros desenvolvem-se em calcários do Jurássico Superior da formação de Cabaços e Montejunto. As bocas de muitos sumidouros abrem-se ao longo das superfícies de estratificação, indicando um controlo das cavidades por estas descontinuidades. De acordo com Crispim, 1978 quer no Algar do Zé Lenha, quer na Pousia dos Algares as diáclases apresentam também um papel importante no controlo estrutural das cavidades.

De acordo com Crispim, 1995, o Algar do Zé Lenha terá um caudal máximo da ordem de grandeza de 100 l/s, apesar do autor advertir para a dificuldade de cálculo destes valores.

A superfície do fundo do polje de Minde tem uma cota que ronda os 200m, as bocas dos dois sumidouros, estão também a cotas próximas deste valor.

Segundo Crispim, 1995, em 1989, uma traçagem provou que pelo menos parte da água que se some no Algar do Zé Lenha surge na nascente de Vila Moreira e na nascente do Almonda.

De acordo com Crispim, 1995, uma traçagem realizada em 1986, com injecção de traçador num outro sumidouro, a Pousia do Parramal demonstraram a ligação entre este sumidouro e s nascentes de Vila Moreira e a do Alviela.

Fig. 4

Fig. 4 – Localização de alguns sumidouros num extracto da folha 27-A da Carta Geológica de Portugal à escala 1/50000.

Participantes

As actividades do projeto sumidouros contaram com a participação dos seguintes espeleólogos nos trabalhos de campo por ordem alfabética:

Alexandra Leal, Alexandre Leal, Andreia Monteiro, André Reis, Hélio Frade, José Ribeiro, Marco Messias, Paulo Rodrigues,  Pedro Aguiar,  Rodrigo Leal.

Uma palavra de agradecimento a Pedro Robalo, o homem do cadastro e dos SIG.

Os espeleólogos participantes pertencem às seguintes associações, por ordem alfabética,  CEAE-LPN – Centro de Estudos a Actividades Especiais da Liga para  a Protecção da Natureza e GEM – Grupo de Espeleologia e Montanhismo.

Referências bibliográficas

Crispim, J.A (1995). Dinâmica Cársica e Implicações Ambientais nas Depressões de Alvados e Minde. Tese de Doutoramento em Geologia, especialidade de Geologia do Ambiente. Departamento de Geologia. Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa.

Crispim, J.A. e Vitor Leal,  1978,  Regatinho 77, Algarocho 6-7, 1977/78, Boletim Interno da Sociedade Portuguesa de Espeleologia, Lisboa

Manupella, G., Telles Antunes, M., Costa Almeida, C.A., Azerêdo, A.C., Barbosa, B., Cardoso, J.L., Crispim, J.A., Duarte, L.V., Henriques, M.H.,  Martins, L.T.,  Ramalho, M.M.; Santos, V.F.; Terrinha. P.  (2000). Carta Geológica de Portugal – Vila Nova de Ourém, Folha 27-A, scale 1:50000, e nota explicativa, Instituto Geológico e Mineiro, Lisboa.

 

 

 

Contenda 2015

•4 / 12 / 2015 • Deixe um comentário

 

Introdução

A campanha da Contenda de 2015 prolongou-se mais que o período habitual das suas antecessoras. O baixo nível de água registado no Verão de 2015, devido à situação de seca que se fez sentir, foi aproveitado para tentar aceder a zonas geralmente inundadas da gruta. Assim sendo os trabalhos prolongaram-se para lá do Verão tendo entrada já Outono adentro. Os trabalhos realizados foram os seguintes:

  • Reforço das equipagens dos poços
  • Equipagem da galeria SPE 66
  • Nivelamento topográfico da galeria SPE 66
  • Escalada de duas chaminés na galeria SPE 66
  • Verificação do nível de água no interior da gruta
  • Exploração e topografia de novas zonas na galeria SPE 66
  • Topografia de zona seminundada na galeria do Rio

 

Fotografia 1: A estreia de Victor Lourenço na Contenda.

 

Galeria do Rio 

Os trabalhos na galeria do Rio permitiram topografar mais cerca de 26m da zona seminundada desta galeria, aproveitando o baixo nível de água que se fez sentir durante o Verão. O troço agora topografado já havia sido mergulhado em 2011, mas não tinha sido então topografado. De notar o esforço da equipa de topografia que com a ajuda de alguns flutuadores e a custo de banhos gelados acrescentou mais algumas dezenas de metros à topografia da gruta.

Fotografia 2: O nível da água na galeria do Rio 8/8/ 2015

 

Galeria SPE 66

Cedo se percebeu que o baixo nível de água que ainda cedo no Verão se mediu no poço terminal da galeria SPE 66 deixava antever a possibilidade de se aceder às zonas mergulhadas em 2009 e possivelmente mais além do término dessa exploração. Grande parte do Verão foi passada em peregrinação a este poço, medindo o nível da água e acompanhando a sua constante, embora irregular descida.

Fotografia 3: O nível da água no poço terminal da galeria SPE 66 a 8/8/2015

As atividades sucederam-se quase semanalmente com um grande esforço dos espeleólogos que após 3h de um duro caminho encontravam um nível de água cada vez mais baixo, mas ainda assim a passagem parecia não querer abrir. A meio de Setembro, parte da passagem estava já aberta, mas as primeiras chuvas quase deitaram tudo a perder. O nível da água subiu nos sifões, da parte superior da gruta, e no poço terminal da galeria SPE 66. A passagem voltou a fechar por completo, porém as equipas persistiram no seu esforço.

 

Fotografia 4. Uma das equipas a preparar-se para entrar

A 3 de Outubro o nível de água no poço terminal da galeria SPE 66 havia baixado o suficiente para permitir a passagem para a zona mergulhada em 2009. A equipa constituída por Pedro Robalo, Pedro Sabino e Telmo Miguel, transpõe a passagem, com o nível da água a não facilitar a tarefa, a equipa atinge e ultrapassa o limite do mergulho de 2009 e depara com um sifão. O nível de água no sifão não atinge o teto e a equipa supera também este obstáculo, a gruta continua mais uns metros e termina num outro poço, preenchido com água, mas no qual se antevê a continuação submersa da galeria. A equipa topografou de imediato o novo troço. A zona terminal da galeria SPE 66 dirige-se de modo grosseiro para Norte e tem uma extensão de 43 metros. O novo poço foi atingindo na véspera de chuvas fortes que impediram a continuação das explorações. A gruta de Moinhos Velhos dista agora em linha recta cerca de 30m da Contenda. A passagem que permite o acesso do antigo poço terminal ao novo troço foi baptizado de passagem Rui Pinheiro 2009 em memória do espeleomergulhador que primeiro a transpôs em 2009 em mergulho.

Os trabalhos na galeria SPE 66 foram além da exploração do poço terminal. Foram também escaladas duas chaminés desta galeria, na esperança de encontrar um bypass ao poço terminal, porém as chaminés não apresentam continuações significativas. O nivelamento da galeria SPE 66 e a exploração da sua zona terminal permitiram concluir que o nível de água, que se observa no antigo poço terminal da galeria SPE 66, no novo poço terminal é de fato o nível freático.

 

Filme 1 : Filme da passagem do poço terminal da galeria SPE 66

Fotografia 5: A equipa que passou o poço terminal da galeria SPE 66

Galeria do sifão lateral 

A galeria do sifão lateral foi também alvo de algumas incursões. O objetivo era o de verificar o nível de água, na esperança de que se atingisse novas zonas não exploradas em 2009. Apesar da descida do nível de água não foram encontradas continuações significativas daquela galeria, esta continua a acabar num sifão, com o nível de água mais baixo do que o registado em 2009. De salientar que os sedimentos encontrados na zona terminal da galeria são agora semelhantes a “areias movediças”, com muita argila e não a areia limpa que se encontrou em 2009. Um outro aspeto significativo foi que a tentativa de penetrar num pequeno troço de galeria que se inicia junto ao sifão terminal desta galeria fracassou devido á presença de Dióxido de Carbono. O ar pesado fazia-se já sentir mesma antes do sifão terminal. Curiosamente em 2009 não se notou a presença de Dióxido de Carbono nesta galeria.

Filme 2: Um dia a medir níveis

Espeleometria

A topografia atualizada da gruta encontra-se em anexo. Os dados espeleométricos atualizados são: extensão total: 1792m, profundidade: 96m, ponto mais alto:+17m, ponto mais profundo: -79m. Estes dados são dados em relação à boca da gruta.

contenda_topo-2015

contenda_topo-2015

 

Fig 1. Topografia da gruta

Conclusão   

A campanha da Contenda de 2015, aproveitando os baixos níveis de água, que se fizeram sentir no Verão de 2015, permitiu explorar e topografar zonas até agora desconhecidas. A zona parcialmente inundada da galeria do Rio foi de novo topografada, tendo o baixo nível da água permitido acrescentar mais 26m de galeria. A galeria SPE 66 foi o principal alvo dos trabalhos, tendo-se ultrapassado o até agora poço terminal e acrescentado mais 43m à gruta. O novo término da galeria SPE 66 é agora um outro poço, também inundado e num fundo do qual se vê a continuação submersa da galeria. E a gruta de Moinhos Velhos a apenas 30m em linha recta da Contenda.

  

Fig 2. Poligonais da Contenda , da gruta de Moinhos Velhos e outras grutas do polje de Minde.

Futuros trabalhos

Depois dos trabalhos de 2015 a galeria do Rio permanece como a zona mais inexplorada da Contenda, e quiçá com mais potencial, mas os trabalhos nesta galeria terão de ficar para outra campanha, que se tem esperança que seja em breve.

Agradecimentos e participantes

Agradecemos o apoio institucional dado pela Federação Portuguesa de Espeleologia e a todos os espeleólogos que com o seu esforço e dedicação permitiram o sucesso dos trabalhos.

Os trabalhos de 2015 contaram com espeleólogos das seguintes associações (por ordem alfabética): AESDA, ARCM, CEAE-LPN, GEM, GEMA, NEL, SAGA e SpeleoKlub Warszawski.

Os trabalhos de 2015 contaram com a participação dos seguintes espeleólogos (por ordem alfabética):

André Reis, Alexandre Leal, Andreia Monteiro (superfície), Beatriz Domingues, Bruno Pais, Carlos Gomes, Denise Fialho, Élio Ferreira, Flávio Lucas, Florbela Silva, Hélio Frade, Iza Palygiewicz, João Paulo Lopes, Luís Meira, Marco Matias, Marco Messias, Paulo Campos, Paulo Rodrigues (superfície), Pedro Aguiar (superfície), Pedro Pinto, Pedro Robalo, Pedro Sabino Koch, Rudi Lopes, Rute Agapito, Samuel Lopes, Sofia Morais, Telmo Miguel, Tiago Matias e Victor Lourenço.

Para Além do Parque – Trabalho intenso e frutuoso….

•13 / 11 / 2015 • Deixe um comentário

 “A sombra é maior que a luz sempre que rejeitares o que te seduz”

27ª  a  40ª Saída.

6 Junho/  17 Outubro 2015                                                  Reguengo do Fetal, Batalha.

 

Exploração, Desobstrução, Bombeamento de sifões, topografia, recolha de imagens.

Realização de curso de Nível I.

Elementos presentes: André Reis, Hélio Frade, Alexandre Leal (G.E.M.), Marco Messias, José Ribeiro, Micael Silva, Pedro Pinto, Sandra Lopes (G.E.M.), Andreia Monteiro, Felipe Neves, Cláudia Ferraria, Fernando Pires, Pedro frade, Carlos Gomes (G.E.M.), Sr. António Neto, Sr. Fernando Lucas, Sr. Horácio Sousa, Miguel Ribeiro, Cátia Messias, Zé Frade, Zé Parrinha.

Encontramo-nos quase sempre no Reguengo do Fetal no café do costume e sempre com muito entusiasmo e foi sempre com esse mesma alegria que ali no terreno sobranceiro, trocamos de roupa e nos preparamos tantas vezes para as aventuras que se seguiram.

Muitas nódoas negras fizemos naquelas passagens manhosas que nos guiaram a locais de grande beleza, muita pedra e argila foi tirada para que nos sentíssemos “quais astronautas” a chegar a um novo planeta. A alegria foi sempre contagiante a cada metro de nova gruta que fomos “conquistando”. Muito frio passamos naqueles momentos de espera em que quais “croquetes”, fruto da argila molhada agarrada ao fato com o toque da areia por cima de tudo isto, mais 5kg cada um, hihihhiihi. Mas foi assim que conseguimos “levar o barco a bom porto”.

Ficam aqui algumas fotos de momentos épicos da nossa exploração para mais tarde recordar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

O bombeamento do sifão que tanto trabalho nos deu (muita logística de equipamento para o colocar em funcionamento), mas que poucos metros de nova gruta nos deu a conhecer….

chamine 4.17

A chaminé C6 de onde provinha a corrente de ar que nos chamou a atenção e que após varias incursões de desobstrução nos deu acesso a zona a que chamamos “Virgem Traiçoeira”. Foi um poço desobstruído de baixo para cima, muitas vezes com um pé de cabra preso a um cabo e entalado a blocos e já cá em baixo e em segurança a malta puxava e BRUUUMMMM….. uma chuva de calhaus.

bscap0012

Por vezes chegamos quase a exaustão, a trabalhar em condições bastante adversas mas sempre nos apoiamos uns nos outros, muitas vezes com brincadeiras dignas de qualquer criança, mas que nos faziam sorrir e sentir que tínhamos sempre um ombro amigo por perto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Após a “Virgem Traiçoeira” estávamos novamente numa zona fóssil, mas continuava e continuava… após varias desobstruções chegávamos a diáclase com vários patamares (Rosariformes para os entendidos), mais um pouco a frente voltamos a encontrar o leito do rio e que alegria….. estávamos a descobrir o desconhecido e a acrescentar muitos e muitos metros de nova gruta!!!!

bscap0031

A passagem do “S do Senna”, que a seguir ao tramo do rio numa conduta fóssil nos ligou a mais uma nova sala e quem sabe poderá estar ali a cereja em cima do bolo…. na foto  o Picatchu na sua 1ª tentativa depois da desobstrução feita.

IMG_0697

Nunca foi fácil, mas também se o fosse já estava feito. Muitos falam, mas poucos fazem e essa foi também sempre a nossa grande força , nunca deixamos de tentar……

IMG_0660

Aqui nesta zona de onde provem a agua que molda  as paredes brancas e esculpidas, sonhamos como nunca até então…. que belo local e que força que molda estas formações rochosas fruto do tempo e dos elementos…..

IMG_0667

Aqui no final deste tramo, onde deparamos com varias fraturas compridas e estreitas de onde vêm as aguas. Enfim quem sabe um dia com outros meios e tecnologias consigamos chegar ao grande deposito de agua…..

IMG_8218

E finalmente como pretendido o 1º curso Nível I de Espeleologia, realizado na nascente do Buraco Roto.

André, Picatchu, Chouriço.

Perfil desdobrado, Buraco roto.

Perfil desdobrado, Buraco roto.

Projetado para A1, perfil desdobrado Buraco Roto:

buraco rotoS.2015

Amigos, tem sido de facto um prazer partilhar convosco estas nossas aventuras deste nosso hobby, que tanto gostamos. Sabemos também que não conseguimos agradar a todos, enfim pelo menos partilhamos e damos a conhecer o maravilhoso mundo subterrâneo tantas vezes destruído por negligencia e interesses económicos. Cabe-nos a nós essa difícil missão de o preservar, mas nunca se esqueçam que para explorar uma cavidade tem que se ter formação para vossa proteção e da própria cavidade.

Abraço e um dia destes encontramo-nos numa gruta qualquer…..

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para Além do Parque – Em força no Buraco Roto

•6 / 11 / 2015 • Deixe um comentário

 “A sombra é maior que a luz sempre que rejeitares o que te seduz”

25ª, 26ª Saída.

23/24 Maio 2015                                                                  Reguengo do Fetal, Batalha.

 

Bombagem de Sifões, exploração e desobstrução do Buraco Roto.

Apresentação dos trabalhos efetuados no Buraco Roto a População.

 

Elementos Presentes: José Ribeiro, Hélio Frade, André Reis, Pedro Frade, Pedro Pinto, Micael Silva, Sofia Figueiredo, Joanaz Melo, Raúl Pedro, David Pereira (Escovinha).

Dia 23

Uns daqui e outros dali lá nos encontramos todos no terreno que dá acesso ao Buraco Roto as 9.30h. Alegria, vontade e toda a minha gente a retirar os materiais para o bombeamento de água, mas a cereja no topo do bolo era o gerador “novinho”.

Bela maquina.....

Bela maquina…..

Enquanto nos equipávamos o Escovinha lá foi colocando combustível na máquina e…. Brrrruuuuuummmmm, música para os nossos ouvidos.

A caminho....

A caminho….

A tarefa seguinte foi levar tudo para a cavidade (133kg de equipamento), com muito suor e dinâmica as 11h estávamos a bombear água do pequeno tramo que dá acesso a “Passagem da Lengalenga”. Passado algum tempo e com a passagem desimpedida, tivemos de recolocar a bomba de água, pois como calculado a passagem para onde estávamos a enviar água ficou “impraticável”, hihihhihi, aquilo é que foi uma labuta.

Todos queriam ajudar....

Todos queriam ajudar….

14.30h todos cá fora, apanhar um pouco de sol e conversa com jornalista de jornal de Leiria. Não havia muito tempo para conversa pois o objetivo do dia era levar equipamento para a ponta de exploração, bem lá a frente. Assim foi enquanto uns arrancaram por ali fora carregados que nem uns “alardes”, os outros “alardes” dali para fora com o material de bombagem, hihihihihihi!!!

Uns mais cedo e outros mais tarde as 19.30h estávamos todos na casa do peregrino no Reguengo, para uma bela jantarada organizada pelo Sr. Horácio e o Sr. António Neto. Que bom que estava tudo, desde já os nossos sinceros agradecimentos.

Todos muito atentos....

Malta muito atenta…..

Com as forças já retemperadas dirigimo-nos para o salão paroquial onde as 21.30h apresentamos a Ilustre população do Reguengo do Fetal, quem eramos e o que estávamos a fazer na Freguesia. Com salão cheio, passamos um bom bocado e terminamos em apoteose após a passagem de fotos em 3D.

Dia 24

Após bom e merecido descanso e com equipa reduzida, seguimos para a cavidade.

Já cá estamos.....

Já cá estamos…..

Como verificado no dia anterior, reparamos que em relação ao ano passado a zona que vai desde a passagem do lançamento até ao sifão se encontra praticamente sem areia, temos agora outro pensamento da forma como a água se movimenta quando em carga, nesta zona da cavidade. Apesar de receber alguma água das chaminés já identificadas a grande força de água aparenta vir do sifão, pois a forma como os sedimentos estão depositados antes e depois deste, assim o indica.

Relax.....

Relax…..

Bom como combinado atacou-se a Chaminé “C6” perto da estação 4.17, após escalada o Pica, foi agora subindo uma pequena rampa com bastante pedra solta tornando a zona instável, já com o André rapidamente e após aviso se formou cá em baixo um cone de dejeção com os calhaus que foram caindo. Seguiu-se outra desobstrução, mais arriscada mas controlada. Lançamento de pé de cabra com cabo, desalojando uns blocos que tapavam a continuação. Uffff, badummmmmm…… mais calhaus cá em baixo. Bom a passagem deu acesso a uma galeria em forma de diáclase, bem alta. Já com o Pinto, verificaram uma probabilidade de continuação mas em que se perde a corrente de ar que anda ali as voltas.

As 16h, André, Picatchu e Pinto já restavam na entrada (Chouriço e Frade sairam mais cedo), e seguiram até ao Reguengo onde ainda foram a festa do Espirito Santo. Pimba assim é que é, cansados mas felizes e com a noção que muito trabalho nos espera nas próximas semanas, hihihhihi, venha ele e que nos traga muitas alegrias!!!!!!

 

https://www.youtube.com/watch?v=zQQ4JIaEJVo

 

30 Maio                                                                                 Reguengo do Fetal, Batalha.

 

Desobstrução e Exploração do Buraco Roto.

Elementos presentes: André Reis, Hélio Frade, Micael Silva, Marco Messias, Cláudia Ferraria, Alexandre Leal (G.E.M).

A equipe reúne-o no Reguengo do Fetal junto ao largo da fonte, com as pressas do costume que o dia passa rápido.

A equipa.

A equipa.

9.30h, seguimos para o Buraco Roto onde nos equipamos a rigor e avançamos montanha a dentro, a 30m um pouco antes do 1º poço, fomos surpreendidos por um coelho que corria a nossa frente, tentamos apanha-lo, mas desapareceu que nem o Houdini…

Após passarmos a passagem da lengalenga, retificamos a montagem na cabeceira do P11 evitando assim o roço que efetuava na corda.

É por ali....

É por ali….

Fomos avançando e explicando aos camaradas que estavam pela primeira vez na parte nova da cavidade o que fizemos o que descobrimos e onde trabalhamos. Chegados ao sifão da parte nova, dividimo-nos em duas equipas:

Equipe 1 – André, Cláudia, Alexandre.

Sifão.

Tirar agua do sifão a balde não é nada fácil, tendo em conta que nos molhamos completamente e as posições de trabalho eram más, muito más…..

Fomos alternando, queríamos saber se tirando 200 ou 300 litros se notaria muito no nível da água. Depois de algumas horas a tirar água e areia o Alexandre entra água a dentro e ficamos com a ideia que o sifão é largo o suficiente para passar-mos, basta tirar água. Fica para a próxima atividade.

 

Bom começamos o caminho de regresso, as 18h, estávamos fora muito tipo croquetes, vai-se lá saber porque.

Equipe 2 – Picatchu, Micael, Marco.

Chaminé C6.

Chegados ao destino começamos a retirar alguns blocos na chaminé com muito jeitinho, pois a zona é bastante perigosa. Estávamos a desmantelar um teto em caos de blocos de varias dimensões!!!! E assim foi devagar, devagarinho “quase sem falar-mos uns para os outros, sem respirarmos….”

Depois de toda a zona estabilizada, já em cima fizemos uma pequena pausa para o almoço “rápido”, porque queríamos avançar na gruta, estávamos numa sala nova, com algumas formações e um canal de teto, onde parecia haver uma pequena corrente de ar, identificado demos uma pequena vista de olhos e dirigimo-nos para o lado oposto, onde seguimos por meandro daqueles bem apertadinhos, uufff, tivemos que por mãos a obra. Criadas as condições para seguirmos e entretanto chegou o André que contou as novidades do sifão, levando consigo o Micael.

Ficamos mais um pouco na zona do meandro onde batemos numa parede de lama com um pequeno buraco onde se via espaço do outro lado, tarammmmmmmm……

Decidimos abrir com as próprias mãos, o tempo estava a ficar curto, eram 17.30h, sair e não sair ficava tarde, mas a passagem começou a abrir e os nossos olhos já viam uma “sala de se perder a vista”. Decidimos dar uma espreitadela rápida, começamos a, gatinhar, rastejar, andar num lindo meandro cavado com areia na base e não terminava!!!! Até que batemos na parede, pensamos ter andado 150 a 200mt. Entretanto numa lateral onde as paredes estavam polidas da água, na sua base mais areia e as paredes com lindas formas trabalhadas pela força da água dos invernos. Avançamos cerca de 15mt até encontrarmos água, não conseguimos perceber de onde vinha, a água pelos tornozelos ficou logo suja!!!

Alegria imensa no final do dia....

Alegria imensa no final do dia….

Bem todos contentes pela nova descoberta, regressamos e saímos da gruta, o cansaço já se notava bem e as 19.30h juntamo-nos ao resto da equipe que esperava ansiosa pelas novidades e assim foi. Contamos as novidades e pormenores, estávamos todos eufóricos e SIGA JANTAR A TI MARIA PARA COMEMORAR!!!!!!

Picatchu, André, Chouriço.

Planta, Buraco Roto.

Planta, Buraco Roto.

Projetado para A1, Planta Buraco Roto:

buraco rotoP 2015

Amigos, a vida passa com coisas boas e más, mas o que fica É ISTO QUE VAMOS FAZENDO!!!!!

Abraço…..

 

 

 

 
Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.