Algares do cabeço dos Alecrineiros – Parte XII

•31 / 05 / 2018 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116, Baixa da Banheira

 

Introdução

No seguimento das atividades que por aqui continuamos a fazer, encontrámos mais umas quantas cavidades. Algumas prometiam muito pela corrente de ar, aquando da sua abertura a superfície, noutras percebemos que pouco mais havia a fazer do que cadastrar, topografar e fotografar. Curiosamente a cavidade que mais “luta” nos deu nesta partilha, foi aquela que era visível a toda a comunidade espeleóloga que por aqui tem andado, mas que nem sequer estava no Cadastro Nacional de Cavidades.

O que faz lembrar aquelas frases tantas vezes ouvidas :

De certeza que já foi explorado…. já andaram ai os fulanos….. já foi descido e termina logo ali..

Partilhamos nesta publicação os algares : Algar dos Texugos, Algar Olha Outro, Algar das Mulheres, Algar do Musgo e Algar Cabeça da Cabra.

Figura 1 – Localização dos algares tendo como referencia a localidade de Moita do Açor, assinalada com seta a vermelho.

Adverte-se também e mais uma vez que para sua protecção e da própria cavidade o espeleólogo tem de ter obrigatoriamente formação!!!

Algar dos Texugos

Estava um daqueles dias frios. Regressávamos de mais uma exploração e de regresso aos carros estacionados na Moita do Açor, aproveitamos para fazer um pouco de prospeção pelo caminho. Como quem procura sempre alcança, um pequeno buraco, uma teia de aranha que abanava e tínhamos mais um algar em perspetiva…..

 

Figura 2 – Algar dos Texugos, antes de ser desobstruído a superfície (Foto de Valentina Correia – WIND).

Descrição:

O algar abre-se agora à superfície, no que aparenta ser uma fenda de direcção NO-SE, tem cerca de 1 m de comprimento e aproximadamente 0,5 m de largura. Segue-se um poço de 5 m, alargando este à medida que se desce. A sua base com cerca de 1,5 m de diâmetro, desce em rampa no sentido SE, é composta de argila e pedras de varias dimensões, muitas fruto da desobstrução. Nesse sentido temos acesso a um pequeno oco, por debaixo de um caos de blocos de boas dimensões, muito colmatado com formas de reconstrução. Ai no sentido NE, percebe-se a existência de passagem na vertical, mas muito estreita, de onde provém ar fresco, terminando ali por agora a descrição.

Geologia: 

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direcção grosseira NW-SE e NE-SW, ambas com inclinação subvertical. As camadas regionalmente são próximas de serem  subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários mícriticos da Serra de Aire, datada dos Batoniano, Jurássico Médio.  A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Aquilo é que foi, quais “Texugos” a esgravatar a terra e a sentir o ar quente que soprava pelo pequeno buraco que foi crescendo…. foi uma alegria quando abrimos e deslumbramos o poço. Depressa percebemos que com o alargar da entrada se perdia a noção do ar a passar, não desanimámos e descemos nesse mesmo dia, vimos que que o algar continuava, mas tinha de ser aberto com outros meios. Outro dia, outra aventura e com a ajuda do Orlando Elias (NEL), abriu-se a passagem, por debaixo do caus de blocos. Ora bolas, a verdade é que percebe-se de onde vem a corrente de ar que sai nesta altura do ano, mas é demasiado apertado e sempre a descer, afunilando o seguimento do algar. Terminando aqui a nossa exploração, mas fica cadastrado e aqui, agora partilhado.

 

Figura 3,4 – Planta e perfil desdobrado do algar dos Texugos.

Planta do algar dos Texugos em pdf para download

algar dos texugosP

Perfil desdobrado do algar dos Texugos em pdf para download

algar dos texugosS

Ficha de equipagem do algar dos Texugos em pdf para download

F.E. Algar dos Texugos

Fotos do algar dos Texugos (Fotos: José Ribeiro – GEM/WIND, Valentina Correia – WIND).

 

Algar Olha Outro

Foi em prospeção que encontramos este algar e foi mesmo por acaso, pois a sua localização é difícil no meio de toda aquela paisagem. Reparamos que já tinha dois spits, mesmo na entrada e que era um pequeno algar. Bom o seu nome por nós atribuído, pois não constava de qualquer cadastro, deve-se a frase do momento de o encontrarmos aquando da prospeção: Olha está ali outro!!

Figura 5 – Algar Olha Outro (Foto de José Ribeiro – GEM/WIND).

Descrição:

Este pequeno algar abre-se à superfície num, chamemos-lhe circulo que não chega a ter 0,5 m. Segue-se um poço de 5 m, com um pequeno patamar e alargando um pouco à medida que se desce, tem alguns blocos entalados e no seu final, no sentido Este,  um pequeno oco com algumas formas de reconstrução, e no centro um pequeno poço de 2 m, com blocos de varias dimensões, fruto da desobstrução no patamar. Já no sentido Norte, apenas há uma pequena abertura com muita argila.

No pequeno patamar após desobstrução no sentido OSO, há uma pequena passagem, muito apertada dando acesso a ressalto de 2 m, onde se nota no tecto uma chaminé com blocos, dando a perceber uma possível abertura à superfície no passado. Segue-se uma rampa de calhaus e argila, com inclinação acentuada no sentido ONO. Ai entra-se numa pequena sala com tecto irregular, cujo chão apresenta bastantes blocos e argila, sendo este também irregular com algumas reentrâncias. Na zona mais a ONO, a  parede está coberta com um manto de calcite, onde se tem acesso a novo poço de 5 m, apertado no inicio mas mais largo na base. As paredes são a continuação do manto calcítico, tem diversas formas de reconstrução e a sua base é de argila com algumas pedras, formando um pequeno lago.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direcção grosseira WNW-ESE e ENE-WSW, ambas com inclinação subvertical. As camadas regionalmente são próximas do subhorizontal. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários mícriticos da Serra de Aire, datada dos Batoniano, Jurássico Médio.  A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Deu bastante trabalho a abertura daquela pequena passagem, mas valeu a pena deslumbrar o desconhecido, pena foi que ao fim de alguns metros não havia forma de continuar, bom ficou por nós aqui o trabalho feito e registado. Saímos e seguimos pois o dia ainda estava a começar. Aproveitamos para referenciar um pequeno oco que encontramos pelo caminho e partilha-lo também para conhecimento geral, chamamos-lhe Buraco do Fim do Ano, sendo a sua localização:  39.51756 /  -8.81420

Fotos do Buraco do Fim do Ano ( Fotos: Samuel Lopes – WIND).

 

Figura 6/7 – Planta e perfil desdobrado do algar Olha Outro.

Planta do algar Olha Outro em pdf para download

algar Olha OutroP

Perfil desdobrado do algar Olha Outro em pdf para download

algar Olha OutroS

Ficha de equipagem do algar Olha Outro em pdf para download

F.E.Algar Olha Outro

Fotos do algar Olha Outro (Fotos: José Ribeiro – GEM/WIND).

Algar das Mulheres

Estava ser um dia de prospeção em cheio, é o que faz ter malta com vontade de procurar e o trabalho da frutos, assim encontrámos este algar.

Figura 8 – Algar das Mulheres (Foto de Valentina Correia – WIND).

Descrição:

O algar abre-se a superfície com uma boca de cerca de 3 m de comprimento e 1,5 m de largura, acede-se a sua base num  ressalto de 3 m, esta é um pouco mais pequena que a boca do algar, muito por causa de um bloco que ali se encontra. O algar segue por uma pequena passagem no sentido NO. Ai encontra-se uma pequena rampa de argila, seguindo-se um ressalto de 2 m, sempre muito apertado devido a alguns blocos ali entalados e à própria estrutura do algar. Na sua base consegue-se ver um poço muito apertado com cerca de 4 m, nota-se uma pequena probabilidade de continuação na sua base, mas muito estreita.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direcção grosseira NW-SE e NE-SW, ambas com inclinação subvertical. As camadas regionalmente são próximas de serem  subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários mícriticos da Serra de Aire, datada dos Batoniano, Jurássico Médio.  A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

E já esta, mais um cadastrado e partilhado, a obra avança.

Figura 9/10 – Planta e perfil desdobrado do algar das Mulheres.

Planta do algar das Mulheres em pdf para download

algar das mulheresP

Perfil desdobrado do algar das Mulheres em pdf para download

algar das mulheresS

Fotos  do algar das Mulheres (Fotos: Valentina Correia – WIND).

 

Algar do Musgo

Este foi daqueles encontrado enquanto esperávamos pela saída dos camaradas que saiam de outra cavidade, ali estava ele a nossa espera, já tinha aquele numero azul a marca-lo, mas não constava em nenhum cadastro. O seu nome deve-se ao muito musgo nas suas paredes de entrada.

Figura 11 – Algar do Musgo (Foto de Pedro Frade – C.E.A.E.).

Descrição:

O algar situa-se num campo de lapiás, bastante irregular e nesta altura coberto de vegetação, a sua boca, quase em forma de quadrado, tem cerca de 2 m x 2 m. Segue-se um pequeno poço de 2 m, a base é mais larga com blocos de várias dimensões e argila. Uma pequena abertura no sentido Norte, deu acesso após uma desobstrução a um pequeno poço de 4 m, com algumas formas de reconstrução no tecto e o chão de argila com vários calhaus, fruto também da desobstrução. Na zona mais a Norte, encontra-se pequeno patamar com algumas estalactites e parede coberta de calcite, terminando ai o pequeno algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direcção grosseira N-S e E-S, ambas com inclinação subvertical. As camadas regionalmente são próximas de serem  subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários mícriticos da Serra de Aire, datada dos Batoniano, Jurássico Médio.  A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

A desobstrução foi fácil, bastou escavar um pouco e estávamos a olhar para o poço que se seguia, é sempre aquele misto de alegria e adrenalina, mas infelizmente ficou mesmo por ali. Pensemos positivo, aquele pequeno canto final é bastante bonito e este já esta, mais um!!!

Figura 12/13 – Planta e perfil desdobrado do algar do Musgo.

Planta do algar do Musgo em pdf para download

algar do musgoP

Perfil desdobrado do algar do  Musgo em pdf para download

algar do musgoS

Ficha de equipagem do algar do Musgo em pdf para download

F.E.Algar do Musgo

Fotos  do algar do Musgo (Fotos: José Ribeiro GEM/WIND).

Algar Cabeça da Cabra

Estávamos nós em mais um dia de atividade e acertadamente decidimos neste dia ir ali descer aquele algar que tanta vez olhamos e fica mesmo ali ao lado do algar Alecrineiros Sul, até a pequena dolina, da entrada, é idêntica. Bom chamou-nos logo a atenção a caveira da cabeça da cabra. Dai o nome que lhe demos, mais tarde viemos a constatar que estava referenciado no Cadastro de São Bento como A84, com a sinaletica de algar por explorar, partilhado por Sergio Medeiros do GPS.

Equipado, descido, topografado e chamou nos a atenção a pequena abertura ali a meio do poço por onde passava o ar, pimbas ai estão eles a esgravatar e a explorar o desconhecido, o buraco alargava e ansiedade também………. Corrente de ar forte duas possíveis continuações e numa delas já se deslumbrava poço!!!!

Figura 14 – Algar Cabeça da Cabra (Foto de Helena Mafalda – WIND).

Descrição:

Situado numa pequena dolina, o algar abre-se numa, se lhe podemos chamar , janela com cerca de 2 m de largura e pouco mais de 1 m de altura. Segue-se um poço de 12 m com pequenas plataformas sendo a maior um grande bloco ali “entalado”. No fundo com inclinação no sentido ENE, vários calhaus e muita argila.

Numa dessas plataformas e a cerca de 9 m de profundidade, após desobstrução no que é uma junta de estratificação, acede-se a pequeno tramo com cerca de 1m de altura e irregular,  o chão está coberto de argila e calhaus de varias dimensões. Ao cabo de 4 m bifurca, seguindo na direção NNE, acede-se por pequena janela a um patamar que é a cabeceira de um poço de 7 m, dando acesso a sala, irregular com inclinação no sentido inicial SO, rodando de seguida para ONO. Ai ultrapassando sobre um poço de 3m, numa plataforma acede-se a novo poço de 4 m, após desobstrução, novo poço de 9m. Este começa apertado mas alarga até uma zona em que na direção ENE, existe uma zona de caos de blocos e bastante argila. O restante poço à medida que se desce volta a apertar e termina numa zona muito apertada, sendo ai impossível a progressão.

Regressando à bifurcação,  na junta de estratificação e no sentido O, após 2 m, estamos na cabeceira de poço de 7m, na sua base no sentido SO, um poço de 6 m, sinuoso e apertado de onde se sente corrente de ar, mas que aparentemente ligaria a tramo inferior. Já no sentido O (relativamente a cabeceira do poço de 7m), um ressalto de 2m, a que demos o nome “pescoço de cavalo”, apresenta uma boa corrente de ar. Segue-se um poço de 23m.

Entrada apertada com uns blocos ali bem entalados. Á medida que descemos, o poço alarga e ao chegarmos a um  bloco que “mexe mas não sai do sitio “, temos uma descontinuidade, que se desenvolve no sentido Este, mais abaixo a mesma descontinuidade mas agora maior e mais funda, prolonga-se cerca de 6 m, entre “altos e baixos”. Continuando a descer o poço, após uma pequena “prateleira”, temos acesso a grande bloco. Descendo, chegamos a uma sala, de inicio em rampa de cascalheira e depois aplanada, com cerca de 10 m de comprido e uma média de 2 m de largo, tem cerca de 10 m de alto e no canto mais a Oeste é mais alta, zona de onde provém escorrências de água, que faz com que exista na base dessa zona um lago, que escorre para a zona central da sala, onde se infiltra por um poço muito estreito.  As paredes desta sala são irregulares e com as escorrências, dão-lhe um aspeto muito bonito.

Regressando ao cimo do grande bloco, temos uma fenda no sentido NO, esta é “apertadinha” com cerca de 3 m de altura, e dá acesso a um poço de 22 m. De inicio tem cerca de 1,5 m de diâmetro, mas um pouco mais abaixo abre bastante. Descendo, “aterra-se” numa prateleira com pequeno gours e carregada de pérolas de gruta de varias formas e dimensões e na generalidade já coladas com calcite. No sentido NO, temos uma sala, onde se vai descendo por patamares, com o chão cheio de blocos de varias dimensões, a meio encontra-se uma pequena abertura de onde se vê o tramo inferior.

Regressando à “prateleira”, continuando a descer o poço, no sentido ESE, demos com uma sala de boas dimensões com pequeno lago ao fundo, este recebe água proveniente da sala que fica por de cima, que tem o outro pequeno lago. As paredes são irregulares e forradas com alguma calcite. Voltando ao P 22 e descendo até a sua base, abre-se no sentido ONO, uma sala, se assim lhe podemos chamar. O chão é um grande bloco que ali ficou entalado, a ESE existe um pouco mais abaixo fendas com pequeno desenvolvimento e muita argila. Já no sentido ONO o teto é bastante irregular, subindo bastante na zona mais a ONO, ai existe um pequeno patamar, que após ser “conquistado” dá acesso a uma descontinuidade de 2 níveis sobrepostos no sentido SSE, zona bastante irregular com 2 pequenos poços de 7 e 5 metros. As paredes em algumas zonas estão cobertas de calcite.

Novamente na base do P 22, no “grande bloco ali entalado”, no sentido ONO, novo poço de 13 m, do qual se chega a zona mais funda do algar, o chão é irregular e tem muita cascalheira e argila. No canto a SE, desta zona, debaixo de uns blocos e após desobstrução, chega-se a pequeno poço de 3 m. Na zona mais a NO deste tramo, numa pequena fenda por onde se avança alguns metros até não ser humanamente possível continuar. Ai existe um pequeno oco no sentido SO, mas que não continua, já no sentido ONO uma fenda meio poço, meio destrepe muito apertada com cerca de 5 metros de onde se deslumbra novo oco. Pela direção e proximidade, provavelmente ligará a alguma chaminé do algar Alecrineiros Sul.

Geologia:

A gruta aparenta  ter um controlo estrutural por três famílias de fraturas de atitude aproximada N80W/vertical, N60W/vertical e N70E/vertical. As camadas observadas localmente têm atitude  subhorizontal. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários mícriticos da Serra de Aire, datada dos Batoniano, Jurássico Médio.  A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Muita alegria nos deu o descobrir de mais uma passagem, mais um poço e foram preciso algumas saídas para estabilizarmos as passagens, mas faz parte da vida do espeleólogo. Mais alegria nos deu quando levamos uma nova fornada de espeleólogos e descrevemos cada passo desta nossa aventura. Mas nem tudo são rosas, ficamos nos -70m, pois a desobstrução mostrava-se demasiado “hercúlea” e a proximidade do algar Alecrineiros Sul, segundo a topografia, não o justifica.

Mas amigos na verdade ele só tinha 12 m de desnível, agora tem -71 m e ficou ali realizado mais um pouco do nosso projeto.

Figura 15/16 – Planta e perfil desdobrado do algar Cabeça da Cabra.

 

Planta do algar Cabeça da Cabra em pdf A3, para download

algar cabeça da cabraP

Perfil desdobrado do algar Cabeça da Cabra em pdf A3, para download

algar cabeça da cabras

Pormenor da sobreposição de poços e diáclases do algar Cabeça da Cabra em pdf A3, para download

Promenor Algar Cabeça da Cabra

Ficha de equipagem do algar Cabeça da Cabra em pdf A3 para download

F.E.Algar Cabeça da Cabra

Fotos do algar Cabeça da Cabra (Fotos: Samuel Lopes – GEM/WIND).

E já está, mais uma publicação do nosso projeto e aos poucos vamos chegar aos 100 algares, pois já temos mais “material” em mãos e muito trabalhinho nos espera!!

Abraço e até a próxima.

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Algares do cabeço dos Alecrineiros – Parte XI

•31 / 03 / 2018 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116, Baixa da Banheira

Introdução

Eis que de novo voltamos a subir em direcção ao Cabeço dos Alecrineiros, seguindo um percurso pedestre ali existente, fomos seguindo. Fruto de varias saídas de prospecção, exploração e todas aquelas coisas que fazemos em espeleologia, conhecemos mais uns quantos algares.

A saber apresentamos os Algares: Fenda do Caminho, Algar Encalhoado, Algar da Pedra Deitada, Algar do Risco.

Figura 1 – Localização dos algares tendo como referencia, Marco geodésico dos Alecrineiros. 

Adverte-se também e mais uma vez que para sua protecção e da própria cavidade o espeleólogo tem de ter obrigatoriamente formação!!!

Fenda do Caminho

Lá fomos nós para mais uma aventura a subirmos um percurso pedestre que nos leva para a zona do cabeço e ali estava o buraco, certamente já visto por muitos, identificado no Cadastro de São Bento como Afe, mas não constava no Cadastro Nacional de Cavidades. Bom, ficou resolvido.

Figura 2 – Fenda do Caminho  (Foto de José Ribeiro – GEM/WIND).

Descrição:

O algar abre-se à superfície numa fenda com cerca de 1,5m de comprimento e aproximadamente 0,5 m de largura, segue-se um pequeno ressalto que é um bloco de boas dimensões que ali ficou colocado, por debaixo tudo colmatado com blocos de diversas dimensões. No sentido O, prolonga-se mais um par de metros, alcançando a profundidade de 3m, ai também bloqueado por calhaus de diversas dimensões.

Geologia:

O algar da Fenda do Caminho é controlado estruturalmente por uma fractura de atitude aproximada N80W/Vertical. Deverá tratar-se de um “vadose shaft”, conforme descrito por Baron 2003, estas são grutas de desenvolvimento essencialmente vertical que transportam as água do epicarso para as zonas mais profundas do carso. A gruta desenvolve-se segundo Manuppela et al 2000, na formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal datada do Jurássico Médio.

 

Presente:

Já está, os pequenos são pequenos mas também existem, topografado, cadastrado e partilhado.

Figura 3,4 – Planta e perfil desdobrado da Fenda do Caminho.

Planta da Fenda do Caminho em pdf para download

fenda do caminhoP

Perfil desdobrado da Fenda do Caminho em pdf para download

fenda do caminhos

 Fotos da Fenda do Caminho (Fotos: José Ribeiro – GEM/WIND).

Algar Encalhoado.

Este algar já identificado no Cadastro de São Bento como 466, foi explorado numa saída de campo do NEL com participação de espeleólogos do ARCM e GEM/NALGA , em que se procedeu a sua desobstrução a superfície e exploração, ficando o Paulo Rodrigues encarregue da sua topografia. Bom, o tempo passou-se e a topografia “foi-se”. Mais tarde o algar voltou a ser tapado, para que não caísse ali algum animal. Ao subirmos a ladeira, desviámos dois calhaus e tratámos do assunto.

Figura 5 – Algar Encalhoado (Foto de Paulo Rodrigues – GEM).

Descrição:

Encostado a um chouso o algar abre-se a superfície. A sua boca completamente tapada por blocos de varias dimensões, tem cerca de 4 m de comprimento e  1,5 de largura. Acede-se ao poço de 22 m, desviando 2 pequenos blocos na zona mais a Sul. Nota-se que o poço se desenvolve numa descontinuidade no sentido NO-SE e tem as suas paredes muito forradas de formas de reconstrução parietais. No sentido SE, tem uma pequena plataforma e mais abaixo algumas reentrâncias que ligam a sua base. A sua base tem a inclinação no sentido NO, sendo composta por blocos e argila, ai no final da rampa uma pequena fenda com cerca de 1m de altura e 0,5 m de largura de onde se chega a pequena sala depois de descer um ressalto de 3m.  A pequena sala tem muitas formas de reconstrução sendo o fundo de blocos e argilas, terminando ai o algar.

Geologia:

 O algar  é controlado estruturalmente por uma fractura de atitude aproximada N70W/Vertical. As camadas à boca estão subhorizontais. Deverá tratar-se de um “vadose shaft”, conforme descrito por Baron 2003, estas são grutas de desenvolvimento essencialmente vertical que transportam as água do epicarso para as zonas mais profundas do carso. A gruta desenvolve-se segundo Manuppela et al 2000, na formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal datada do Jurássico Médio.

Presente:

E prontos, isto a buracos por todo lado. Voltámos a recolocar os blocos e seguimos em frente, pois ainda tínhamos muito sol pela frente.

 

Figura 6/7 – Planta e perfil desdobrado do algar Encalhoado.

Planta do algar Encalhoado em pdf para download

algar Encalhoado

Perfil desdobrado do algar Encalhoado em pdf para download

algar Encalhoado

Ficha de equipagem do algar Encalhoado em pdf para download

F.E. Algar Encalhoado

Fotos do algar Encalhoado (Fotos: José Ribeiro – GEM/WIND, Paulo Rodrigues – GEM).

Algar da Pedra Deitada.

Já na zona do Marco geodésico, virámos para Norte e onde já tantas vezes andamos e encontramos diversos algares. Num grande campo de lapiás demos com mais este, identificado com o numero 425 a azul. O nome que lhe atribuímos deve-se ao calhau que tem por cima da sua pequena boca. Fica cadastrado e partilhado, siga.

Figura 8 – Algar da Pedra deitada (Foto de Samuel Lopes – GEM/WIND).

Descrição:

O algar situa-se num vasto campo de lapiás com fendas fundas. Tem um bloco por cima da sua entrada, que não tem mais de 0,5m de diâmetro. Segue-se um poço de 3m, com a sua base em rampa, com inclinação no sentido E-O, apresentando alguns blocos e argila. No mesmo sentido desenvolve-se este pequeno algar. Já no final da rampa olha-se para o tecto e verificam-se pequenas fissuras por onde passa a claridade do dia. Terminando o algar num pequeno oco de altura muito reduzida.

Geologia:

O algar aparenta ser controlado estruturalmente por uma fractura de atitude aproximada NW-SE/Vertical.  Deverá tratar-se de um “vadose shaft”, conforme descrito por Baron 2003, estas são grutas de desenvolvimento essencialmente vertical que transportam as água do epicarso para as zonas mais profundas do carso. A gruta desenvolve-se segundo Manuppela et al 2000, na formação de Calcários Mícriticos da Serra de Aire datada do Jurássico Médio.

Presente:

E já está, certamente identificado por muitos, mas carecia de ser registado. Pelo menos para que os trabalhos não se repitam, como é possível que não estivesse no CNC. Bom agora já está e certamente muitos que por aqui se encontram vão ser identificados, cadastrados e partilhados, abram-se as mentes…….

Figura 9/10 – Planta e perfil desdobrado do algar da Pedra Deitada.

Planta do algar da Pedra Deitada em pdf para download

pedra deitadaP

Perfil desdobrado do algar da Pedra Deitada em pdf para download

pedra deitadaS

Ficha de equipagem do algar da Pedra Deitada em pdf para download

F.E.Algar da Pedra Deitada

Fotos do algar da Pedra Deitada (Fotos: Samuel Lopes – GEM/WIND).

Algar do Risco.

Já no regresso, demos com este ali encostado a um chouso, o nome deve-se a bancada de lado que esta tão direita que parece um risco. Encontra-se registado no grupo de São Bento como o código B109.

 

Figura 11  – Algar do Risco (Foto de José Ribeiro – GEM/WIND).

Descrição:

O algar abre-se à superfície com uma boca de aproximadamente 0,5 m, tem um bloco entalado no lado mais a S, havendo desse lado uma outra abertura mas mais estreita. Segue-se um poço de 4 m, a sua base composta por diversos blocos e argila, tem inclinação no sentido S, por onde se desenvolve este pequeno algar.  Tem um pequeno espaço com cerca 3 m de comprimento e no inicio 2 m de largura, afunilando de seguida. Tem algumas formas de reconstrução, inclusive uma estalactite de boas dimensões.

Geologia:

 O algar aparenta ser controlado estruturalmente por uma família de fracturas de atitude aproximada N-S/Vertical.  Deverá tratar-se de um “vadose shaft”, conforme descrito por Baron 2003, estas são grutas de desenvolvimento essencialmente vertical que transportam as água do epicarso para as zonas mais profundas do carso. A gruta desenvolve-se segundo Manuppela et al 2000, na formação de Calcários Mícriticos da Serra de Aire datada do Jurássico Médio.

Presente:

Tem sido um misto de ansiedade e esperança, cada vez que identificamos aqui um algar, é que ali mais a Oeste, olhamos e vemos aquela grande Dolina, aqui “cheira” a gruta que se farta. Ainda não foi desta mas nós vamos lá chegar, nós vamos conseguir e prontos mais um registado, partilhado e cadastrado.

Figura 12/13 – Planta e perfil desdobrado do algar do Risco.

 

Planta do algar do Risco em pdf para download

algar do riscoP

Perfil desdobrado do algar do Risco em pdf para download

algar do riscoS

Ficha de equipagem do algar do Risco em pdf para download

F.E.Algar do Risco

 

Fotos do algar do Risco (Fotos: Samuel Lopes e José Ribeiro – GEM/WIND).

E já está, mais uma publicação. A obra avança e certamente muitas novidades traremos nas próximas publicações.

Abraço e até a próxima…..

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algares do cabeço dos Alecrineiros – Parte X

•12 / 02 / 2018 • Deixe um Comentário

-Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116, Baixa da Banheira

Introdução

No seguimento do nosso projecto e sempre que nos deslocamos para este belo canto do PNSAC, passamos nas localidades Moita do Açor e Casal Velho, é que ficam mesmo ali ao lado…… Com o passar das actividades e com a partilha do conhecimento de colegas de outras associações e dos habitantes da zona, fomos tendo conhecimento de alguns algares que ali se situam e partilhamos agora nesta nossa publicação.

De entre os muitos que por aqui devem existir partilhamos agora o resultado dos trabalhos nos algares: Algar da Vaca Morta, Algar do Moita do Açor/4 Bocas e Algar do Rebanho e Algar do Palheiro.

Figura 1 – Localização dos algares tendo como referẽncia a localidade, Casal Velho.

Algar Vaca Morta

Este algar já identificado no Cadastro de São Bento e no Cadastro Nacional de Cavidades, foi partilhado por Paulo Campos (Alto Relevo Clube de Montanhismo). Fica mesmo ali ao lado da estrada dentro de um chouso, estando coberto com uma chapa. Ao verificarmos que apenas existe um croqui, demos lá um pulo numa das nossas actividades, confirmamos as coordenadas e pusemos mãos à obra.

Figura 2 – Algar Vaca Morta  (Foto de José Ribeiro – GEM/WIND).

Descrição:

Este algar abre-se à superfície com uma boca de aproximadamente 1 m de diâmetro.  Com bastante argila nas suas paredes, segue-se um pequeno poço de 2 m, terminando num pequeno patamar também forrado de argila. Daí tem-se acesso no sentido O, a uma pequena reentrância, onde se nota um pequeno poço com cerca de um palmo de diâmetro, onde mais abaixo se percebe a sua ligação ao restante desenvolvimento do algar. Já no sentido N, existe uma pequena abertura de onde se acede ao poço de 16 m, fruto de uma descontinuidade no sentido ESE-ONO, alargando um pouco à medida que se desce. As suas paredes apresentam formas de reconstrução em algumas zonas, mas está muito coberto de argila. Na sua base, encontra-se um cone de dejecção com inclinação acentuada, descendo no sentido NE. No mesmo sentido verifica-se uma pequena fenda que dá acesso a pequena sala forrada de formas de reconstrução  nas suas paredes. A sua base é composta por blocos, provenientes do cone de dejecção e argila. No seu tecto uma chaminé com 6 m.

Geologia:

O algar da Vaca Morta aparente ser controlado estruturalmente por duas famílias de fracturas de direcção aproximada NE-SW e E-W e inclinação vertical. Deverá tratar-se de um “vadose shaft”, conforme descrito por Baron 2003, estas são grutas de desenvolvimento essencialmente vertical que transportam as água do epicarso para as zonas mais profundas do carso. A gruta desenvolve-se segundo Manuppela et al 2000, na formação de Calcários de Chão das Pias datada do Jurássico Médio.

Presente:

O algar, segundo as histórias que nos têm chegado abriu-se devido a uma vaca que fez abater a sua entrada, ficando a pobre coitada ali entalada, quando os seus proprietários chegaram para a socorrer já era tarde. Dai o nome do algar, ao qual também não é alheio a vacaria do chouso ao lado. De referir que  depois de recolhermos os dados voltamos a tapar o algar como estava e até reforçámos, pois não queremos que ali volte a cair outro animal qualquer.

Figura 3,4 – Planta e perfil desdobrado do algar da Vaca Morta 

 

Planta do algar Vaca Morta em pdf para download

Algar da vaca mortaP

Perfil desdobrado do algar Vaca Morta em pdf para download

vaca mortaS

Ficha de equipagem do algar Vaca Morta em pdf para download

F.E. Algar da Vaca Morta

 

Fotos do algar Vaca Morta (Fotos: Samuel Lopes, José Ribeiro – GEM/WIND).

 

Algar do Moita do Açor/4 Bocas

Mais um ali ao lado da estrada, identificado no Relatório do SSAC de 2005, não estava carregado no Cadastro Nacional de Cavidades e apenas tinha uma planta sem escala e do género de croqui. Confirmámos as coordenadas e siga mais um!!!

Figura 5 – Algar do Moita do Açor/4 Bocas  (Foto de José Ribeiro – GEM/WIND), note-se as 4 bocas assinaladas.

Descrição:

O algar abre-se à superfície pelas suas 4 bocas de várias dimensões, tendo a maior cerca de 3 m de diâmetro, e não chegando a mais pequena a 1 m de diâmetro. Descendo um poço de 4m, pela boca mais a Norte, acede-se à base. Aí, virando-se para Sul, na direcção das restantes aberturas à superfície, nota-se que estas são fruto da auto-sustentação do tecto de um salão de boas dimensões. Nesta zona o chão do algar tem  altos e baixos devido em grande parte às pedras de várias dimensões, fruto dos abatimentos do tecto e ao próprio chão original do, se assim lhe podemos chamar, “salão”. Aí, o chão tem inclinação no sentido SO, tornando-se a mesma mais acentuada  junto à parede descendo no sentido NO, terminando num recanto onde encontra alguma areia muito fina. Ainda nesta zona do algar existe um pequeno tramo a NE, de pequenas dimensões, mas muito rico em formas de reconstrução apesar destas já se encontrarem muito velhas.

Voltando agora, “à boca mais a Norte” e olhando no sentido NO, temos a continuação do salão, mas agora com menos pedras no chão, argila e com várias e grandes formas de reconstrução, com grandes colunas que lhe dão um aspecto muito agradável. Existem nesta zona dois recantos. Um a NE junto à parede, onde se nota ter sido feita uma desobstrução para se conseguir aceder a um pequeno oco. O outro entrando pela parede a OSO, dá acesso a mais um pequeno tramo, mas este repleto de várias formas de reconstrução, mas também de pequenas dimensões.

Junto à parede a NO do salão o chão tem mais inclinação, sendo esta no sentido OSO. Nesse mesmo sentido  o tecto baixa e acede-se a  outro tramo, também este forrado de diversas formas de reconstrução, notando-se no chão junto a parede a N o que resta de aquilo que terão sido gours, havendo ainda ai um pequeno deposito de água.

Geologia:

A génese da gruta não é possível de ser determinada mercê dos abatimentos que disfarçam a sua morfologia original. A forma de sala, relativamente ampla, pode sugerir uma génese distinta dos “vadose shaft” geralmente encontrados nesta área. Aparentam porém estar presentes algumas famílias de fraturas de direcção aproximada NE-SW e NW-SE. A gruta desenvolve-se segundo Manuppela et al 2000, na formação de Calcários de Chão das Pias datada do Jurássico Médio.

Presente:

Foi de facto uma agradável surpresa este algar. Tínhamos a ideia de ser mais pequeno e não sabíamos da quantidade de formas de reconstrução ali existentes, apesar de serem já muito velhas, algumas são de boas dimensões. Por ser de fácil acesso e junto à estrada está um pouco vandalizado e encontramos algum lixo. Encontrámos também algum guano no chão, não aparentando ser recente e apenas vimos um morcego. Encontraram-se pequenos fragmentos de cerâmica, colocados precisamente onde tinham sido encontrados.

E já está, certamente o registo desta cavidade já está bem melhor…..

 

Figura 6,7 – Planta e perfil desdobrado do algar do Moita do Açor/4 Bocas. 

 

Planta do algar do Moita do Açor/4 Bocas em pdf para download

4 bocasP

Perfil desdobrado do algar do Moita do Açor/4 Bocas em pdf para download

4 bocasS

Ficha de equipagem do algar do Moita do Açor/4 Bocas em pdf para download

F.E.4 bocas

 

 

Fotos do algar do Moita do Açor (Fotos: Samuel Lopes, José Ribeiro – GEM/WIND).

 

Algar do Rebanho

Tivemos conhecimento do algar por indicação do Sr. António Ferraria, o proprietário do terreno que nos explicou o furo que ali perto tinha feito há tempos. Explicámos o que andamos a fazer e siga, mãos à obra.

Figura 8  – Algar do Rebanho  (Foto de Pedro Frade – CEAE).

Descrição:

O algar abre-se à superfície num pequeno campo de lapiás, a sua boca pequena não chega a ter 1m de diâmetro, segue-se um poço de 6m, nas suas paredes encontram-se algumas formas de reconstrução, aparentando serem muito velhas. Na base com aproximadamente 2 m de diâmetro, encontra-se o cone de dejecção onde se nota muita pedra que para ali foi atirada e preenche o seu espaço na totalidade. No sentido O, nota-se uma pequena abertura mas que afunila, muito derivado ao cone, de onde não se sente nenhuma passagem de ar. Já no sentido E, por uma fenda que atinge meia altura do poço, chega-se a um pequeno espaço rico em concreções parietais, sendo o chão de argila. Olhando para o tecto verifica-se uma chaminé de 3 m.

Geologia:

O algar do Rebanho aparente ser controlado estruturalmente por uma fractura de direcção aproximada E-W e inclinação vertical. Deverá tratar-se de um “vadose shaft”, conforme descrito por Baron 2003, estas são grutas de desenvolvimento essencialmente vertical que transportam as água do epicarso para as zonas mais profundas do carso. A gruta desenvolve-se segundo Manuppela et al 2000, na formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, datado do Jurássico Médio do andar Batoniano. A boca da gruta abre-se num lapiás em mesa.

Presente:

Estava um dia de muito calor e ao refrescarmo-nos na garagem do Sr. Ferraria, contou-nos a historia do Algar entulhado, também no seu terreno. Pequeno Buraco com 1 m de diâmetro e não chega a 2 de profundidade.

Figura 9 – Algar Entulhado  (Foto de José Ribeiro – GEM/WIND).

Este algar, segundo o que nos contou o Senhor e sua esposa foi o “vazadouro” das vacarias e dos lixos daquela zona há muitos, muitos anos e que era fundo, curiosamente fica no alinhamento da descontinuidade a superfície que se direcciona precisamente ao furo. Fica aqui o registo e as coordenadas para conhecimento geral (39.51298ºN – 8.80028ºW). Bom, o Algar do rebanho voltámos a tapá-lo com o bidon e ficou com o seu registo feito, mais um…….

Figura 10, 11 – Planta e perfil desdobrado do algar do Rebanho. 

 

Planta do algar do Rebanho em pdf para download

algar do rebanhoP

Perfil desdobrado do algar do Rebanho em pdf para download

algar do rebanhoS

Ficha de equipagem do algar do Rebanho em pdf para download

F.E.Algar do Rebanho

 

Fotos do algar do Rebanho (Fotos: Pedro Frade – CEAE).

Algar do Palheiro

Este algar fica perto de uns barracões, mesmo no final da localidade de Moita do Açor, estava identificado no cadastro de São Bento mas não no Cadastro Nacional de Cavidades da Federação Portuguesa de Espeleologia. Sabemos pelo nosso amigo Orlando Elias (NEL), que aquando da sua “abertura”, o proprietário do terreno o contactou, sendo na altura explorado pelo NEL.

Mesmo ao seu lado existe uma depressão acentuada mas coberta de lixos e silvados, o algar encontra-se tapado com uma chapa de boas dimensões.

Figura 12 – Algar do Palheiro  (Foto de José Ribeiro – GEM/WIND).

Descrição:

A boca do algar com bastante argila, tem cerca de 1,5m, por 1,5m, parecendo um quadrado. Encurta de imediato, derivado a uma saliência que estreita o poço na parte inicial. O poço com 6m,  na sua base tem bastante argila e alguns blocos, é bastante inclinado sendo a rampa no sentido E. No final da rampa vira para N, onde com uma inclinação menos acentuada acede-se a uma sala com algumas formas de reconstrução e uma pequena chaminé. No canto da sala mais a E, existe uma fenda junto ao solo que desce cerca de 3m, não se detecta qualquer passagem de ar, apesar de o dia ser frio. Sendo a progressão humanamente impossível, terminando ai o algar.

Geologia:

O algar do Palheiro é controlado estruturalmente por duas famílias de  fractura de direcção aproximada E-W e N-S e inclinação vertical. Deverá tratar-se de um “vadose shaft”, conforme descrito por Baron 2003, estas são grutas de desenvolvimento essencialmente vertical que transportam as água do epicarso para as zonas mais profundas do carso. A gruta desenvolve-se segundo Manuppela et al 2000, na formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, datado do Jurássico Médio do andar Batoniano.

Presente:

Dia frio e chuvoso, com o algar a pingar bastante e com aquela argila não foi “agradável”, mas já está.

Tivemos a companhia de um cãozito durante exploração, ao qual tiramos uma corrente de cerca de 3m, que penosamente arrastava. Aquilo é que foi uma alegria, e ainda lhe tirámos uns tufos de pêlo que tinha pendurado.

A não esquecer que voltámos a tapar o algar com a chapa que o cobria.

Adverte-se que para sua protecção e da própria cavidade o espeleólogo tem de ter obrigatoriamente formação.

Figura 13, 14 – Planta e perfil desdobrado do algar do Palheiro. 

Planta do algar do Palheiro em pdf para download

algar do palheiroP

Perfil desdobrado do algar do Palheiro em pdf para download

algar do palheiroS

Ficha de equipagem do algar do Palheiro em pdf para download

F.E.Algar do Palheiro

 

Fotos do algar do Rebanho (Fotos: José Ribeiro – GEM/WIND).

 

E chegámos a nossa décima publicação, temos enriquecido e partilhado o conhecimento das cavidades que por aqui existem, certamente existirão muitas mais, lá chegaremos!!!

Agradecemos a todos aqueles que nos têm ajudado, pois só assim o vamos conseguindo. Todos têm sido uteis, cada um a sua maneira e acaba por ser como os algares, grandes ou pequenos todos são importantes……

Abraço e até a próxima!!!! 

 

Referências Bibliográficas

 

Manupella G., Telles Antunes M., Costa Almeida C.A., Azerêdo A.C., Barbosa B., Cardoso J.L., Crispim J.A., Duarte L.V., Henriques M.H., Martins L.T., Ramalho M.M., Santos V.F., Terrinha. P. (2000). Carta Geológica de Portugal à escala 1/50000 – Vila Nova de Ourém, Folha 27-A Notícia explicativa, Instituto Geológico e Mineiro, Lisboa.

Baroñ, Ivo (2003) – Speleogenesis along subvertical joints: A model of plateau karstshaft development: A case study: the Dolný Vrch Plateau (Slovak Republic), Cave&Karst Science 29 (1), 2002, 5-12.  010

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algares do cabeço dos Alecrineiros – Parte IX

•29 / 12 / 2017 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116, Baixa da Banheira

 

Adverte-se que para sua protecção e da própria cavidade o espeleólogo tem de ter obrigatoriamente formação

 

Introdução

Estamos de volta! Após este tempo quente que nos tem acompanhado e que por diversos motivos não nos tem permitido desenvolver este nosso projecto com a celeridade que gostaríamos, partilhamos desta vez 5 algares na zona a Norte dos Alecrineiros. Todos eles referenciados no Cadastro de São Bento, os trabalhos de campo levaram-nos inclusive a detectarmos mais outros tantos algares não referenciados, é assim o caminho, faz-se caminhando…. não esquecendo também que alguma da nossa disponibilidade tem sido canalizada para o Algar do Bafo, Bafinho, Bafão, que continua em exploração.

A saber, apresentamos os Algares, Alecrineiros I, Alecrineiros II, Bivaque do Caracol, Algar Petit Trou e Alecrineiros 5.

 

Figura 1 – Localização dos algares tendo como referência, Marco geodésico. 

 

Algar Alecrineiros I

Com os carros estacionados ali na Moita do Açor subimos em direcção ao Marco geodésico e entre alguns que fomos marcando com o GPS e outros que já estavam marcados escolhemos este pela sua grande abertura a superfície.

 

Figura 2 – Algar Alecrineiros I. (Foto de António Afonso).

Descrição:

A boca do algar é grande, tendo cerca de 12 m de comprimento por 3 m de largura, segue-se um poço de 12m, acende-se por ai à base do poço.  Ai, no lado ONO, existem grandes blocos sobrepostos. A base desce em rampa no sentido ESE, terminando numa sala, se assim lhe podemos chamar, em que a altura do tecto é apenas um pouco mais baixa que a altura do algar. O chão é um misto de blocos de diversas medidas e argila com alguma flora. Existem algumas formas de reconstrução na zona mais a ESE mas já muito fósseis.

Geologia:

A gruta apresenta um controlo estrutural por uma fractura de direcção grosseira NW-SE e inclinação subvertical. As camadas são subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal datado do Batoniano, Jurássico Superior.  A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

É interessante este tipo de algares, a sua abertura é imponente e bonita e em boa companhia é sempre tempo bem empregue, ficando assim mais um algar confirmado e topografado.

Figura 3,4 – Planta e perfil desdobrado do algar Alecrineiros I.

Planta do algar Alecrineiros I em pdf para download

alecrineiros 1P

Perfil desdobrado do algar Alecrineiros I em pdf para download

alecrineiros 1S

 Ficha de equipagem do algar Alecrineiros I em pdf para download

F.E. Algar Alecrineiros 1

 

Fotos do algar Alecrineiros I (Fotos: António Afonso, Duarte Reis).

 

Algar Alecrineiros II

Em direcção ao Marco geodésico com GPS na mão e facilmente demos com o algar, pois passa mesmo ao lado um percurso pedestre e é uma “cratera” de boas dimensões.

 

Figura 5 – Algar Alecrineiros II. (Foto de António Afonso).

Descrição:

A boca do algar de boas dimensões, tem cerca de 8 m de comprimento e na sua zona mais larga cerca de 5 m. Segue-se um poço de 12 m. A sua base tem praticamente a configuração da boca, no canto mais alto a N, tem um pequeno patamar que se alcança subindo uns blocos que ali se encontram. A restante base é uma rampa com inclinação no sentido ESE. A base é um misto de blocos de varias dimensões e argila.

Geologia:

A gruta apresenta um controlo estrutural por fracturas de direcção grosseira NW-SE e e NE-SW, de inclinação subvertical. As camadas são subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Mícriticos da Serra de Aire datado do Batoniano, Jurássico Superior.  A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Estes algares são autenticas “crateras”, têm a sua beleza e que fresco que faz lá em baixo nos dias de calor. Bom mas o dias avançam e fomos em busca de mais……..

 

Figura 6,7 – Planta e perfil desdobrado do algar Alecrineiros II.

Planta do algar Alecrineiros II em pdf para download

alecrineiros 2P

Perfil desdobrado do algar Alecrineiros II em pdf para download

alecrineiros 2S

 Ficha de equipagem do algar Alecrineiros II em pdf para download

F.E. Algar Alecrineiros 2

 

Fotos do algar Alecrineiros I (Fotos: Pedro Bernardes – GEM, António Afonso).

Bivaque do Caracol

Bom seguindo o GPS fomos em busca deste, se lhe podemos chamar algar e começamos a ficar entusiasmados com a proximidade de uma grande dolina que ali se encontra. Por ali andamos até que o encontrámos, corrigimos as coordenadas pois estavam um pouco afastadas e mãos à obra!

 

Figura 8 – Algar Bivaque do Caracol. (Foto de Pedro Bernardes – GEM)

Descrição:

A boca do pequeno algar, ou algarocho tem pouco mais de meio metro de diâmetro, pela qual se desce um pequeno poço de 2 m. A sua base tem aproximadamente 1 m de diâmetro, sendo de pedras e argila. Num recanto a SE tem uma pequena abertura entulhada mas por onde não se sente qualquer passagem de ar.

Geologia:

O algarocho abre-se em calcários da formação de Calcários Micríticos da Serra de Aire, datados do Batoniano, Jurássico Médio. As camadas são subhorizontais.

Presente:

Os pequenos também são importantes e este ficou cadastrado e topografado, pois para a próxima quem por aqui andar já sabe o que encontrar. É para isso que serve a partilha…..

Figura 9,10- Planta e perfil desdobrado do algar Bivaque do Caracol.

Planta do algar Bivaque do Caracol em pdf para download

bivaque do caracolP

Perfil desdobrado do algar Bivaque do Caracol em pdf para download

bivaque do caracolS

 

Fotos do algar Bivaque do Caracol (Fotos: Pedro Bernardes – GEM, António Afonso).

Algar Petit Trou

Este pequeno algar não fica muito longe do que apresentamos anteriormente e chegamos a ele graças a informação partilhada no Cadastro de São Bento pelos camaradas do SSAC  (Societe Spéleo Archéologique de Caussade).

 

Figura 11 – Algar Petit Trou. (Foto de António Afonso).

Descrição:

O algar encontra-se tapado com alguns blocos que, após visita, se devem voltar a colocar, pois a boca é pequena com aproximadamente 600mm por 400mm, sendo de difícil visualização. Verifica-se trabalho de desobstrução numa das laterais junto a boca do algar, certamente dos camaradas do SSAC. Segue-se um poço apertado com 7 m, que após um pequeno patamar, com formas de reconstrução, volta a apertar acedendo-se então a base. Nesse ponto encontra-se um pequeno cone de dejecção, em grande parte fruto da desobstrução. Ai o algar desenvolve-se em dois pequenos tramos no seguimento de uma descontinuidade no sentido NO – SE.  No tramo a SE, a zona mais alta é estreita com muitas formas de reconstrução, já junto a base consegue-se progredir cerca de 6m com uma altura nunca superior a meio metro, num solo coberto de argila e calhaus, nas paredes verifica-se cristais em “couve flor”. Já no sentido NO, desce um pouco em rampa com muitos calhaus e argila, também com muito pouca altura terminando 3 m, mais à frente.

Geologia:

O algar aparenta ser estruturalmente controlado sobretudo por uma fractura de direcção grosseira NW-SE e inclinação subvertical. A gruta desenvolve-se, em calcários da  formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, datada do Batoniano do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

É interessante a posição deste algar em relação a grande dolina que ali perto se encontra, sem dúvida que numa breve actividade de prospecção teremos aqui perto agradáveis descobertas. Bom, fica mais este registo para o nosso trabalho e avancemos para o próximo.

 

Figura 12,13- Planta e perfil desdobrado do algar Petit Trou.

Planta do algar Petit Trou em pdf para download

algar petitP

Perfil desdobrado do algar Petit Trou em pdf para download

algar petitS

Ficha de equipagem do algar Petit Trou em pdf para download

F.E. Algar Petit Trou

 

Fotos do algar Petit Trou ( Fotos : José Ribeiro – GEM/WIND, Pedro Bernardes – GEM).

Algar Alecrineiros 5

Bom, aproveitámos com a ajuda do GPS e os pés ao terreno regressar a este algar já por nós explorado, mas que precisava de algumas rectificações no esboço topográfico. Assim,  já com conhecimento do que nos esperava a tarefa foi fácil e rápida.

Figura 14 – Algar Alecrineiros 5 (Foto de Samuel Lopes GEM/WIND).

Descrição:

A boca do algar tem cerca de 700mm por 500mm, é bem visível, pois fica num campo de lapiaz que desce o monte em escada. A boca, apesar de pequena, deixa antever o vazio. Segue-se um poço de 9m, a que se chega a um patamar no sentido NO, com muita argila no solo. Este tramo tem cerca de 6m e no seu final encontram-se algumas formas de reconstrução. Já no sentido oposto a SE, existe um pequeno patamar, fruto provavelmente da descontinuidade.

Após uma rampa, continua-se a descer agora por um poço com 8m, cuja base é formada por vários blocos de diversas dimensões. Dai e no sentido ENE desce-se uma pequena rampa e vislumbra-se um poço de 4m, forrado de formas de reconstrução. Na sua base agora com blocos de maiores dimensões observa-se uma pequena rampa, também com muita calcite e por onde se sente algum fresco, terminando ali o algar.

Geologia:

A gruta apresenta um controlo estrutural sobretudo por fracturas de direcção grosseira NW-SE e e inclinação subvertical. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Mícriticos da Serra de Aire datado do Batoniano, Jurássico Superior.  A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Esta zona mais a Norte do Cabeço dos Alecrineiros promete, mais algares por aqui encontraremos certamente, uns fruto da partilha e outros claro da prospecção.

Figura 15,16 – Planta e perfil desdobrado do algar Alecrineiros 5.

Planta do algar Alecrineiros 5 em pdf para download

alicrineiros 5P

Perfil desdobrado do algar Alecrineiros 5 em pdf para download

alicrineiros 5S

Ficha de equipagem do algar Alecrineiros 5 em pdf para download

F.E. Algar Alecrineiros 5

 

Fotos do algar Alecrineiros 5 ( Fotos: Samuel Lopes – GEM/WIND)

Tem sido uma grande alegria ver o nosso projecto a desenvolver-se, a crescer. Ao frio a chuva ou sol, sabemos lá nós, é como estiver!!!

Nós vamos, nós gostamos e acreditamos que conseguimos, assim se faz o caminho, não com as frases de outros, copiadas de um qualquer livro, mas sim caminhando, crescendo, aproveitando cada momento que estamos neste belo canto, como se do ultimo momento se trata-se.

É assim que nos sentimos em cada publicação que partilhamos, felizes e com garra para continuar!!!

Abraço e até breve……….   

Referências Bibliográficas

 

Manupella, G., Barbosa, B., Azerêdo, A.C., Carvalho J., Crispim, J.A., Machado, S.; Sampaio, J.; (2006). Carta Geológica de Portugal –Torres Novas à escala 1:50000 , Folha 27-C, , e Notícia explicativa, Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Lisboa.

 

Baroñ, Ivo (2003) – Speleogenesis along subvertical joints: A model of plateau karstshaft development: A case study: the Dolný Vrch Plateau (Slovak Republic), Cave&Karst Science 29 (1), 2002, 5-12.  010

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algares do cabeço dos Alecrineiros – Parte VIII

•13 / 07 / 2017 • Deixe um Comentário

 

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116, Baixa da Banheira

Introdução

É com alegria, dedicação e orgulho que no seguimento deste nosso trabalho, vamos partilhar nesta publicação o Algar do Bafo, Bafinho, Bafão.

Tem sido de fato, uma grande aventura a sua exploração, aqueles poços apertados, em que parece que tudo acaba ali, mas…. uma janela e de repente um espaço enorme e sentimos “o coração no céu da boca”, ao deslumbrarmos o vazio do desconhecido.

Não tem sido fácil, muito trabalho, muitas desobstruções, o algar encontra-se em exploração com muitas interrogações, que a seu tempo vão encontrar respostas. Tem muitas zonas instáveis, pelo qual se deve tanto a subir como a descer aguardar em locais específicos.

Adverte-se também e mais uma vez que para sua proteção e da própria cavidade o espeleólogo tem de ter obrigatoriamente formação!!!

Importa também informar que, mais tarde, viemos a verificar que as coordenadas do algar já estavam identificada no cadastro de São Bento, como Lmk016, fornecidas pelo GPS (Grupo Proteção Sicó).

Bom, iniciamos esta exploração em Fevereiro, numa atividade de prospeção, fazia um frio terrível e o vento soprava de leste com intensidade, fazendo-se sentir ainda mais frio, não esquecendo também que estamos à cota 500.

Como não poderia deixar de ser foi na procura do local mais abrigado para o almoço, que Valentina Correia (WIND), ao chegar ao Chouso (muro de pedra), repara nos carrascos que abanavam fruto da passagem de ar que saia da fissura que ali se encontrava no chão.

 

Figura 1 – Fotos do algar, após se retirarem as lajes que o tapavam e alargadas as paredes para a 1ª descida (Fotos:  Samuel Lopes-GEM/WIND, Sandra Lopes-GEM).

Retirarmos as lajes, alargamos as paredes do pequeno poço e deslumbramos uma pequena passagem que apesar de ser apertada deixava ver, ao que parecia um poço, a que mais tarde demos o nome de poço das Raízes. Na sua base o algar cresce num grande caos de blocos, a partir de aqui com varias interrogações, seguimos o caminho que nos pareceu mais indicado por várias razões e neste momento estamos a -223 m.

Figura 2 – Foto da 1ª descida do poço das Raízes (Foto de Samuel Lopes-GEM/WIND)

Descrição:

O algar abre-se à superfície, numa fenda no sentido NO-SE, com cerca de 1 m de comprimento e 50 cm de largura, na sua zona mais larga. Segue-se um pequeno poço com fenda no sentido ONO-ESE que dá acesso a novo poço. Na base deste poço (poço das raízes), o algar cresce, acedemos a um grande caos de blocos. O salão se assim lhe podemos chamar tem praticamente a orientação O-E. Existem vários poços, todos eles dentro da orientação do salão, sendo o prolongamento da descontinuidade em profundidade. Apesar de ainda haver recantos por explorar nesta zona, descendo dois poços, aos quais chamámos de Arrasa-fatos, a cerca de – 50m, acede-se também por uma janela a cabeceira de novo conjunto de poços.

Figura 3 – Foto de desobstrução de um dos poços Arrasa-fatos (Foto de Samuel Lopes-GEM/WIND).

Nesta zona tem-se aceso a cabeceira do poço Faisão, sendo a sua cabeceira a  mais larga. O algar começa novamente a crescer de dimensão.

Figura 4 – Foto da 1ª descida do poço faisão (Foto de Samuel Lopes-GEM/WIND).

O poço tem 58m, num dos seus recantos foram encontrados fosseis de coral cérebro, cobertos com calcite. Um pouco antes da metade do seu desenvolvimento abre-se uma diáclase no sentido NO-SE. Este patamar sobrepõe-se a NO, à base do poço faisão que tem o mesmo alinhamento.

Figura 5 – Foto de fóssil do coral cérebro, coberto com calcite (Foto de Samuel Lopes-GEM/WIND).

Na base do poço a NO, e depois de um destrepe chegamos à sala “Bunker”, de paredes lisas, fruto da escorrência das águas que ali se acumulam em época de chuva e que se somem por entre os blocos na zona de destrepe.

Figura 6 – Foto da parede da sala Bunker (Foto de Samuel Lopes-GEM/WIND).

Seguindo a direção N, na base do poço, também em destrepe já com auxilio de um pequeno corrimão, acedemos ao poço da Água. Em pleno Inverno, chove aqui com intensidade, escoando a água poço abaixo, desaparecendo no final por uma pequena fenda. Note-se que as paredes do poço estão cobertas de calcite.

 

 

Figura 7,8, – Fotos da exploração do poço da Água (Fotos de Samuel Lopes-GEM/WIND).

No sentido SE, depois de se descer um pequeno desnível de 3m e encostado à parede, encontra-se a continuação do algar que após varias desobstruções e  descendo um poço de 5 m, dá agora aceso a nova cabeceira de poço.

 

Figura 9,10 – Fotos do inicio da desobstrução do P5 e o final da desobstrução a cabeceira do P28 (Fotos de José Ribeiro-GEM/WIND).

Note-se que a descontinuidade continua a ser a mesma NO-SE, mas agora numa zona mais profunda, virando ligeiramente para sul. Nesta zona passando a cabeceira do poço existe pequeno tramo de progressão horizontal, com acesso a pequenos poços representados na topografia, que se compreende irem ligar à zona inferior da descontinuidade.

Figura 11 – Foto do P28, note-se as paredes lisas (Fotos de José Ribeiro-GEM/WIND).

Um pouco antes de chegar à base deste poço, há um  pequeno patamar, após nova desobstrução, percebe-se a continuação da descontinuidade tanto em altura como em profundidade no mesmo sentido NO-SE, percebendo-se a possível ligação aos poços  do tramo horizontal há pouco descrito.

Figura 12 – Foto da 1ª passagem, após desobstrução, dando acesso a zona de boas dimensões a cerca de -140 (Foto de Samuel Lopes-GEM/WIND).

Aqui entramos na zona a que demos o nome de poços gémeos, que se ligam entre si em várias zonas. Ligando também à nova passagem, após corrimão a descontinuidade que agora se direciona para S. Nota-se após progressão que na zona em que a descontinuidade vira para S, também tem ligação ao poço Gémeo, descendo um P17.  Nesta zona existe aqui e ali alguma argila nas paredes.

Figura 13 – Foto da zona inicial onde a descontinuidade vira para Sul (Foto de Samuel Lopes-GEM/WIND).

No seguimento da descontinuidade, novo poço, este um pouco mais fechado mas que atinge os -195, percebendo-se a sua possível ligação aos poços gémeos numa pequena fresta na sua base (comprova-se a proximidade com a topografia). A descontinuidade segue para Sul e uns bons metros a frente aparentemente fecha, existe várias probabilidades indicadas na topografia, a seu tempo serão avaliadas.

Figura 14 – Foto da equipagem da descontinuidade (Foto de Rui Andrade-NEUA/GPS).

Regressando a zona dos poços Gémeos. Inicialmente  descemos o P56 percebe-se a ligação ao poço gémeo em algumas zonas da descida mas apenas se acede a este a partir dos -195 onde se voltam a ligar, aqui após descida chegamos à base dos Nódulos.

Figura 15 – Foto da base dos Nódulos, note-se os nódulos, possivelmente siliciosos, que sobressaem na parede a direita e que deram o nome a base. (Foto de Samuel Lopes GEM/WIND).

Um caos de blocos, alguns de grandes dimensões, provenientes de zonas que colapsaram, provavelmente da ligação entre poços e a diáclase. Nota-se a presença nas paredes do poço, na parte final de pequenos aglomerados de um areão grosseiro, preto e cor de argila, aparenta ser ferroso?  e sedimentos mais pesados que ali ficaram depositados.

Existem duas probabilidade de progressão nesta zona sendo a mais promissora a que esta a -223m, de onde provém um fresco agradável de uma fissura já identificada, mas que requer outros meios para a sua exploração. Está fissura aparentemente direcciona-se para debaixo do caos de blocos.

Figura 16 – Foto da zona a que se desce a zona mais funda do algar, note-se as paredes lavadas da erosão provocada pela água  (Foto de Samuel Lopes-GEM/WIND)

 

Geologia:

O algar é basicamente constituído por uma série de poços ligados entre si.  Os poços são estruturalmente controlados por fraturas, de desenvolvimento subvertical e de direcção grosseira E-W e NW-SE (esta última direcção faz-se sentir sobretudo abaixo dos 80m de fundura).   Trata-se de um vadose shaft, como é comprovado pelo controlo estrutural e abundantes caneluras de escorrência que ocupam a maior parte do volume dos poços

 O algar com base na sua localização, na folha 27-A Vila Nova de Ourém da Carta Geológica de Portugal à escala 1/50000 e profundidade atingida deverá atravessar integralmente, uma série de formações do Jurássico Médio, as formações de Calcários bioclásticos do Codaçal (datados do Batoniano), Calcários de Chão das Pias (datados do Bajociano inferior a Bajociano) e penetrar já no topo da Formação de Margas e Calcários margosos do Zambujal (datada do Aleniano inferior a Bajociano inferior). Os nódulos que se observam na fotografia 15 e encontrados abaixo dos 200m de profundidade, poderão indicar a transição para o topo da formação de Calcários margosos do Zambujal. De acordo com a notícia explicativa da carta acima referida esta formação continua a apresentar-se na sua parte superior como francamente carbonatada e assim potencialmente carsificável.

 

Presente:

Atualmente estamos a explorar a diáclase, a que demos o nome de “Diáclase Inferior” , as espectativas são altas em vários pontos do algar. Consideramos que terminamos a 1ªfase dos trabalhos, partilhando agora a topografia do que já esta feito. Após explorarmos esta diáclase, vamos desequipar parcialmente o algar para proceder a desobstruções mais técnicas em zonas chaves da cavidade, tornando assim o algar mais seguro para que possamos “atacar” os -223m.

 

Figura 17,18 – Perfil e Planta do algar do Bafo, Bafinho, Bafão.

Planta do algar do Bafo, Bafinho, Bafão em A2, para download

algar do bafoP

Perfil do algar do Bafo, Bafinho, Bafão em A0, para download

algar do bafoS

Pormenor da sobreposição de poços do algar do Bafo, Bafinho, Bafão em A0, para download

algar do bafo P. Sobre. Poços

Amigos, neste nosso pequeno mas grande “meio”, onde tudo o que restara das nossas breves vidas, será o legado que deixamos as futuras gerações. Nenhum de nós sabe quanto tempo viverá ou onde tudo terminara. Tudo o que fazemos é alimentado por esta paixão de desbravar o desconhecido, que tanto prazer nos dá ao descobrir um novo caminho….

Dedicamos esta publicação a todos os Espeleólogos que duma forma ou de outra se sacrificam ou sacrificaram para chegar sempre mais além………..

Abraço

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algares do cabeço dos Alecrineiros – Parte VII

•20 / 05 / 2017 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116, Baixa da Banheira

Introdução

A Primavera está ai, dias radiosos com os Alecrineiros cheios de vida. De facto aqui ainda sentimos que estamos dentro do parque natural, até já fomos presenteados com o belo do Faisão macho, que só voou ao sentir a nossa proximidade e que belas cores transportou consigo, achamos até que foi um indicador de boa sorte. Mas a sorte procura-se e só se encontra com muito trabalho, fruto das varias prospeções que temos feito encontramos mais algares. Uns mais trabalhosos que outros, é bem verdade. Vamos variando nas nossas explorações para que consigamos periodicamente publicar os nossos trabalho

Partilhamos nesta publicação os algares Escondido, Alecrineiros 4 e 2 Bocas (Alecrineiros).

Algar Escondido

Figura 1 – Algar Escondido na altura da descoberta (Foto de Pedro Almeida – GEM).

Foi a excitação assim que encontramos o algar Escondido, era um pequeno buraco ali bem disfarçado à espera de ser descoberto. Aquilo é que foi, quais mineiros começamos um pouco depois a desobstrução que nos deu algum trabalho, mas estas coisas são mesmo assim. Depois de aberto e a exploração iniciada ouviu-se a palavra chave:

-Eh pá isto continua!!!!

Figura 2 – Algar Escondido, após desobstrução e inicio da exploração (Foto de Sandra Lopes – GEM).

 O algar tem de facto algum desenvolvimento e uma possibilidade de continuação, o seu nome deve-se ao facto de estar mesmo escondido.

Descrição:

A boca do algar é pequena e não chega a ter meio metro de diâmetro. Segue-se um pequeno poço de  4m, alargado na sua base,  zona de muita argila e vários blocos, por nós retirados. Tem-se acesso a uma pequena rampa de acentuada inclinação, permitindo chegar a uma pequena sala (se assim o podemos chamar), onde está a cabeceira de um poço de 7m. Abre-se uma diáclase no sentido NO-SE, a sua base é uma cascalheira com calhaus de varias dimensões e alguma argila, com inclinação, descendente no sentido SE. Aqui o algar tem a sua zona de maior dimensão, atingindo 2m de largura por 6m de altura. No topo da rampa da diaclase a NO, subindo uma rampa de argila com acentuada inclinação tem-se acesso a uma pequena sala, com muita argila e cascalheira, tendo poucas formas de reconstrução. Já a SE, no final da rampa encontra-se um pequeno poço de 3m, em forma de “tubo”, o qual da ligação a continuação da diaclase mas agora com dimensões muito reduzidas. No seu final, também no sentido NO-SE, deslumbra-se a continuação da diaclase mas muito estreita, tanto em profundidade como horizontalmente. Não se deteta nenhuma passagem de ar que seja significativa.

Figura 3 – Enquadramento dos algares Escondido, 2 Bocas (Alecrineiros) e Alecrineiros 4 (P20)

Geologia: 

O algar Escondido desenvolve-se segundo a Folha 27-C da Carta geológica de Portugal à escala 1/50000 na formação de Calcários micríticos da Serra de Aire, datada do Batoniano (Jurássico Médio). A gruta aparenta ser um “vadose shaft”. O controlo estrutural do desenvolvimento da gruta aparenta ser feito por descontinuidades de duas famílias de atitude aproximada NW-SE/subvertical e NE-SW/subvertical

Presente:

É sempre um prazer, explorar e alcançar pela primeira vez o desconhecido, aquele momento em que se deslumbra mais uma passagem e a curiosidade do que vira a seguir, foi assim a exploração do algar escondido. De momento demos por terminado ali o nosso trabalho. Existe a possibilidade de após desobstrução (identificada na topografia), se torne humanamente possível o acesso a novo tramo, mas como em tudo na vida há prioridades e pensamos que a partilha serve também para esse fim, o trabalho foi iniciado e partilhado, pois quem assim o entender pode continuar. A cavidade não é nossa propriedade.

Porém para nossa proteção e da própria cavidade temos de obrigatoriamente ter formação antes de praticar espeleologia.

Figura 4,5 – Planta e Perfil do algar Escondido.

Planta do algar Escondido em pdf para download

algar escondidoP

Perfil do algar Escondido em pdf para download

algar escondidos

Ficha de equipagem do algar Escondido em pdf para download

F.E.Algar Escondido

Fotos do algar Escondido (Fotos: Pedro Almeida, Sandra Lopes, Vitor Amendoeira – GEM).

Algar Alecrineiros 4

Este algar foi inicialmente explorado pelos nossos colegas franceses do SSAC (Societe Spéleo Archéologique de Caussade), que sempre que nos visitam partilham o seu trabalho para conhecimento de todos e para que estes possam ter continuidade. É este o caminho!!!

Figura 6 – Algar Alecrineiros 4 (Foto de Samuel Lopes – GEM/WIND).

Bom, o Alecrineiros 4 é identificado no relatório do SSAC (Expedition Planalto 2008) como P20. Chamou-nos a atenção o ponto de interrogação com ligeira corrente de ar no perfil do croqui de exploração efetuado na altura pelos nossos amigos. E claro no âmbito do nosso projeto, cabe a melhoria dos dados existentes da cavidade.

Descrição:

Entra-se no algar por uma fenda, que se desenvolve no sentido N-S, segue-se um patamar que não é mais que um bloco de grandes dimensões, ali entalado. Ai há duas passagens uma a Norte e outra mais larga a Este, nesta tem-se acesso a um P 17,  sendo a cabeceira, aproximadamente de 1,50 m de diâmetro, mas no seu desenvolvimento alarga bastante, existe a cerca de 3 m da sua base uma fresta a Este  com boas possibilidades de continuação (assinalada na topografia). A base deste poço é um caos de blocos, segue a progressão por uma fenda no sentido Oeste que nos dá acesso a uma diáclase no mesmo sentido forrada de formas de reconstrução parietais.  Nessa zona por debaixo de uma chaminé de 4 m, abre-se um pouco a diáclase e  acede-se a um poço de 5 m, de onde se sente fresco, estando também na topografia assinalada a possibilidade de progressão após desobstrução. No final da diáclase no sentido NO-SE, abre-se um pequeno meandro que dá acesso  a uma pequena sala (se assim o podemos chamar), em que as paredes estão todas cobertas de formas de reconstrução parietais. Verifica-se ai uma chaminé de 7 m e tem-se acesso a um poço de 6m, terminando ai a progressão.

Geologia:

O algar Alecrineiros IV desenvolve-se segundo a Folha 27-C da Carta geológica de Portugal à escala 1/50000 na formação de Calcários micríticos da Serra de Aire, datada do Batoniano (Jurássico Médio). ♦A gruta aparenta ser um “vadose shaft”. O controlo estrutural do desenvolvimento da gruta aparenta ser feito por descontinuidades de duas famílias de atitude aproximada NNW-SSE/Vertical e E-W/Vertical.

Presente:

Tem-nos dado muito trabalho este algar, inicialmente tivemos necessidade de alargar a entrada, pois apenas cabiam os espeleólogos mais “ligeiros”. De seguida a estabilização do patamar seguinte onde tivemos de retirar muito calhau instável, visto que por debaixo está um P17.

Na base do P17 alargou-se um pouco mais a fenda que dá acesso a progressão, pensamos inclusive que esta fenda tenha já sido alargada pelos companheiros do SSAC. Na diáclase que se segue, no poço ali existente verifica-se de facto a possibilidade de continuação numa fresta ali existente e sente-se o ar fresco, talvez noutra ocasião se aposte nessa desobstrução. Fizemos sim uma desobstrução no pequeno meandro, que nos deu acesso a nova e bonita sala, que infelizmente, após poço termina. É assim, o trabalho avança e fica registado e partilhado!!!

Figura 7,8 – Planta e Perfil do algar Alecrineiros 4.

Planta do algar Alecrineiros 4 em pdf para download

alecrineiros 4P

Perfil do algar Alecrineiros 4 em pdf para download

alecrineiros 4S

Ficha de equipagem do algar Alecrineiros 4 em pdf para download

F.E. Algar Alecrineiros 4

 Fotos do algar Alecrineiros 4 (Fotos: Samuel Lopes WIND/GEM).

Algar das 2 Bocas (Alecrineiros)

Figura 9 – Algar 2 Bocas  (Foto de Sandra Lopes – GEM).

Certamente este algar já deve ter sido explorado por quase todos os grupos de espeleologia, é de fácil acesso é bem visível, sendo a sua exploração também muito simples. Mas constatámos que não existia a sua identificação nos cadastros de São Bento e no da F.P.E., está resolvido e cadastrado.

Descrição:

Este pequeno algar  abre-se à superfície, na sua maior entrada, numa fenda de orientação N-S, acedendo-se ai a um poço de cerca de 3 m, a sua base é composta por cascalheira, barro e lixo. No sentido Norte, destrepa-se um pouco e tem-se acesso a uma pequena sala em cujo tecto que se encontra a segunda abertura, na sua base existe alguns blocos e argila. Termina ai a sua continuação.

Na zona mais a Sul do pequeno algar, encontra-se uma pequena abertura dando a sensação de um oco, assinalado na topografia, mas sem qualquer passagem de ar.

Geologia:

O algar das Duas Bocas desenvolve-se segundo a Folha 27-C da Carta geológica de Portugal à escala 1/50000 na formação de Calcários micríticos da Serra de Aire, datada do Batoniano (Jurássico Médio). A gruta aparenta ser um “vadose shaft. O controlo estrutural do desenvolvimento da gruta aparenta ser feito por descontinuidades de uma família com atitude aproximada N-S/Vertical

Presente:

Mesmo pequenos, estes algares dão sempre algum trabalho, vimos de facto a probabilidade de após desobstrução ele seguir um pouco mais para Sul. Mas de momento outros trabalhos nos ocupam, ficou no entanto topografado e cadastrado, mais um!!!!

Figura 10,11 – Planta e Perfil do algar 2 Bocas (Alecrineiros).

Planta do algar 2 Bocas (Alecrineiros) em pdf para download

2 BocasP

Perfil do algar 2 Bocas (Alecrineiros)em pdf para download

2 BocasS

Ficha de equipagem do algar 2 Bocas (Alecrineiros) em pdf para download

F.E.Algar das 2 Bocas (Alecrineiros)

Fotos do algar 2 Bocas (Fotos: Vitor Amendoeira, Sandra Lopes – GEM).

E já está, mais uma publicação, a 7ª e mais virão certamente, pois neste preciso momento estamos a viver grandes aventuras e a desbravar o desconhecido.

Mas ai estão mais 3 algares cadastrados, topografados e partilhados, A OBRA AVANÇA…….

Algares do cabeço dos Alecrineiros – Parte VI

•26 / 03 / 2017 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116, Baixa da Banheira

Introdução

Incentivados pelos trabalhos realizados e descritos no último capítulo decidimos continuar os trabalhos na zona a Sul do vértice geodésico dos Alecrineiros. Desta feita fizemos prospecção naquele belo local, subindo o vale cego que ali se encontra.

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Figura 1 – Zona de prospecção, subindo o vale cego (Foto: Samuel Lopes – GEM/WIND).

Olhando para o Cadastro de São Bento e até para o da própria F.P.E. (Federação Portuguesa de Espeleologia), constata-se que nesta área, há poucas cavidades conhecidas, e o potencial da zona fez-nos acreditar que muito há por descobrir. E assim tem sido, mãos a obra, por outras palavras “pés no terreno”. 

Estamos a ser premiados pela nossa dedicação, algumas descobertas, outras tantas desobstruções e muito trabalho a nossa frente!!! A equipa esta a trabalhar em vários algares, partilhando neste capitulo os algares da Selva, do Pinheiro queimado e  do Belo horizonte.

Algar da Selva

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Figura 2 – Entrada do Algar da Selva (Foto de Samuel Lopes – GEM/WIND).

O algar da Selva foi por nós descoberto num final de dia, após termos saído de outra cavidade. Aproveitando a restante luz do dia, fizemos um pouco de prospecção. Procurámos numa zona em que o mato denso disfarça a profundidade do lapiás ali existente. Um destes chamou-nos a atenção, avançamos junto ao solo e ao virar um pouco descobrimos a boca do algar (na foto em cima já o mato tinha sido desbravado). Recolhemos no próprio dia as coordenadas e o nome dado ao algar deve-se ao denso mato que cobre completamente a sua boca.

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Figura 3 – Enquadramento dos algares da Selva, Pinheiro Queimado e Belo Horizonte.

Descrição:

A boca do algar tem cerca de 1,50 m e abre-se num lapiás em mesa com fendas de profundidade de 1 a 2 metros. Segue-se um poço com 5 m de profundidade, em que uma das laterais ainda tem argila, sendo também um pouco instável, estreitando um pouco em profundidade. No seu fundo uma rampa de argila, dá acesso a uma pequena sala, não havendo qualquer progressão.

Geologia:

O algar desenvolve-se na formação dos Calcário Mícriticos da Serra de Aire. A formação está datada do Batoniano (andar do Jurássico médio), de acordo com Manuppella et al., 2000). A cavidade pode ser classificada como um vadose shaft. O algar é estruturalmente controlado por duas fracturas, uma de direcção aproximada Norte Sul e outra de direcção aproximada NW-SE, ambas verticais. O desenvolvimento do algar é reduzido. A localização no vale cego é de ter em conta.

Presente:

Bom, como normal no dia em que o descobrimos o entusiasmo foi enorme. Conseguimos nesse mesmo dia preparar o caminho no meio do denso mato e não nos livramos de uma terrível comichão nos olhos, proveniente provavelmente dos poléns ali existentes. Seguiu-se outro final de tarde e já com a boca do algar equipada e óculos de protecção, exploramos e verificámos que pouco mais havia a fazer. Fica mais um cadastrado, para que os trabalhos não se repitam.

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Figura 4 e 5 – Planta e Perfil do algar da Selva.

Planta do algar da Selva em pdf para download 

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Perfil do algar da Selva em pdf para download 

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Ficha de equipagem do algar da Selva em pdf para download 

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Fotos do algar da Selva (Fotos: Samuel Lopes WIND/GEM).

 

 Algar do Pinheiro Queimado

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Figura 6 – Entrada do algar do Pinheiro Queimado, antes da desobstrução (Foto: Valentina Correia – WIND) .

Em prospecção, chamou-nos a atenção um lapiás, que estava tombado para Sul, dando a ideia de um oco que o terá feito inclinar. De facto o oco estava lá mas o algar estava escondido. Seguiu-se a primeira desobstrução, que deu acesso a um belo poço com paredes cobertas de formas de reconstrução, estávamos a explorar o desconhecido…

Descrição:

A boca do algar (actual) foi por nós desobstruída não era mais do que uma pequena fissura. Esta está num lapiás tombado cerca de 30º para Sul, criando o pequeno espaço onde se encontra a entrada do algar a que se acede por um destrepe de 2 m. Segue-se um poço de 12 m, em que no seu tecto se nota a entrada original do algar, com um bloco a obstruir e que a superfície fica por de baixo de um muro de pedra. O poço é forrado de formas de reconstrução parietais, sendo muito bonito. Na sua base encontra-se um cone de dejecção que inicialmente segue no sentido N-S mas que vira para E-O, tem uma inclinação de cerca de 45º. O cone termina numa pequena sala (se assim se pode chamar) que se desenvolve no sentido N-S, em que ocupando quase toda a sua dimensão tem uma rampa de calcite, sendo esta oca por debaixo. O chão desta pequena sala é totalmente  coberto de argila.

No topo do cone de dejecção, passando um pequeno laminador, tem-se acesso a uma diáclase  de direcção aproximada E-O. Esta prolonga-se por cerca de 10 m, sendo sempre estreita com alguns pequenos poços e uma chaminé com 8 m, a diáclase é forrada de formas de reconstrução parietais. Nota-se que no final da progressão, esta continua, mas muito estreita e que não se sente qualquer passagem de ar.

Geologia:

O algar desenvolve-se na formação dos Calcários Mícriticos da Serra de Aire. A formação está datada do Batoniano (andar do Jurássico médio), de acordo com Manuppella et al., 2000). A cavidade pode ser classificada como um vadose shaft.O algar é estruturalmente controlado por duas famílias de fracturas, uma de direcção aproximada Norte Sul e outra de direcção aproximada Oeste-Este, ambas sub-verticais.  A localização no vale cego é de ter em conta.

 

Presente:

Após a descida do poço e análise do que havia, estávamos entusiasmados com a beleza do que era dado a conhecer pela primeira vez e mais ficamos quando verificamos uma fresta numa parede lateral e reparamos que havia uma probabilidade de progressão. Mais uma desobstrução e estávamos numa diáclase paralela à rampa da base do poço, mas ao fim de dois três metros estreitava sendo impossível a progressão. Bom, mais uma desobstrução, mas desta vez o nosso amigo Orlando Elias (Núcleo de Espeleologia de Leiria), tratou de alargar a passagem. O ar circulava e conseguia-se ver que havia ali mais qualquer coisa, e de facto a diáclase prolonga-se por mais uns metros dando acesso a um poço que é a continuação da diáclase só que agora mais funda. Estávamos “embriagados” com a beleza que víamos e constatámos depois que, para nossa tristeza  a diáclase fecha, havendo uma pequena abertura, assinalada na topografia, que nos parece demasiado penosa e sem qualquer passagem de ar. Paciência, o algar é pequeno, mas para nós tão grande!!!

Figura 7 e 8 – Planta e perfil do algar do Pinheiro Queimado.

 

Planta do algar do Pinheiro Queimado em pdf para download

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Perfil do algar do Pinheiro Queimado em pdf para download

algar do pinheiro queimados

Ficha de equipagem do algar do Pinheiro Queimado em pdf para download

F.E. Algar do Pinheiro Queimado

Fotos do algar do Pinheiro Queimado (Fotos: Samuel Lopes – WIND/GEM).

 

Algar do Belo Horizonte

Figura 9 – Entrada do Algar do Belo Horizonte (Foto: Samuel Lopes – GEM/WIND) .

Este algar é também fruto da prospecção, deve o seu nome à bela vista que dali se alcança. É de facto um local muito bonito e relaxante, um bom local para se fazer um piquenique,  sem parques eólicos, ou pedreiras até onde a vista alcança. Aqui fomos já presenteados com um bando de gralhas-de-bico-vermelho, com o seu voo ondulante e acrobático, acompanhadas de estridentes e numerosos sons metálicos que caracterizam esta espécie. Com sorte também se avistou uma majestosa águia, que aproveitando as térmicas vai subindo até quase se perder de vista.

Descrição:

A boca do algar é pequena tem cerca 50 cm, e abre-se no centro de um lapiás em mesa com fendas profundas. Segue-se um poço de 3 m (se contarmos com o topo do lapiás será de 6 m). Na base segue-se uma rampa que dá acesso a uma pequena galeria em que numa parede tem algumas formas de reconstrução. O chão está coberto de pedras e restos de vegetação e ossadas de animais.

Geologia:

O algar desenvolve-se na formação dos Calcário Mícriticos da Serra de Aire. A formação está datada do Batoniano (andar do Jurássico médio), de acordo com Manuppella et al., 2000). A cavidade pode ser classificada como um vadose shaft. O  algar é estruturalmente controlado por dois tipos de fracturas, uma de direcção aproximada WNW e outra de direcção aproximada NNE-SSW ambas sub-verticais. O desenvolvimento do algar é reduzido.

Presente:

Este algar deu-nos muito pouco que fazer, devido às dimensões reduzidas e fácil acesso. Mas é mais um que fica cadastrado, topografado e publicado. Até mais que não seja para que os trabalhos não se repitam e daqui a uns tempos quando outras pessoas, talvez outras gerações por aqui andarem, vejam que já existe trabalho feito e possam canalizar o seu tempo e as suas energias noutras descobertas…..

Figura 10 e 11 – Planta e perfil do algar do Belo Horizonte.

 

Planta do algar do Belo Horizonte em pdf para download

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Perfil do algar do Pinheiro Queimado em pdf para download

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Ficha de equipagem do algar do Pinheiro Queimado em pdf para download

F.E. Algar Belo Horizonte

Fotos do algar do Belo Horizonte (Fotos: Samuel Lopes – GEM/WIND, Sandra Lopes – GEM)

Desta vez, partilhamos 3 algares e para próxima partilharemos grandes aventuras que estamos a viver……