Algares do cabeço os Alecrineiros XVI

•13 / 08 / 2019 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

Introdução

Ora aqui estamos nós, desta vez andamos na zona dos algares conhecidos como “Pena Traseira”. Durante uma saída de prospeção identificámos 6 cavidades, umas estavam no cadastro de São Bento, outras nem por isso, bom certamente mais haverá por aqui…..

Publicamos agora os resultados dos trabalhos em 3 algares, a saber: Algar Pena Traseira 1, Algar Pena Traseira 5 e Algar Pena Traseira 6.

Figura 1 – Localização dos algares, em foto de satélite, tendo como referencia o grande campo de lapiás ali existente.

Algar Pena Traseira 1

Figura 2 – Entrada do Algar Pena Traseira 1 (Foto de Sérgio Carvalho – GEM).

Este algar conhecido por muitos espeleólogos, foi considerado durante uns anos valentes um dos mais profundos do pais. Tem um poço direto de 126 m, terminando numa estreiteza aos -152 m.

No seguimento do nosso projeto, que muito se baseia na partilha do conhecimento, para que todos saibam da riqueza que temos e sobretudo para que os trabalhos não se repitam e possam ser canalizados para outras “aventuras”, partilhamos um trabalho realizado pelo Paulo Rodrigues e Pedro Robalo na altura inseridos no Grupo de São Bento.

Geologia:

As camadas regionalmente têm direcção aproximada NW-SE e inclinação suave para Sul. A boca da gruta abre-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal da Serra de Aire, datada do Batoniano, Jurássico Médio, dada a profundidade da gruta esta deve atravessar completamente a formação acima referida, prolongar-se pela formação de Calcários de Chão das Pias,  do Bajociano inferior a Bajociano e possivelmente atingir o topo da formação de Margas e Calcários Margosos de Zambujal, datada do Aalenianao inferior a Bajociano inferior.  A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Figura 3 – Planta e Corte do algar Pena Traseira 1.

Planta e Corte do algar Pena Traseira 1 em pdf para download

Algar Pena Traseira 1P

Croqui de equipagem do algar Pena Traseira 1 em pdf para download

F.E.Algar Pena Traseira 1

Presente:

E prontos partilhamos também como já repararam, um croqui de equipagem realizado pelos nossos amigos do S.S.A.C. (Société Spéléo -Archéologique de Caussade), que muito nos têm ajudado, com a partilha dos relatórios sempre que vêm ao nosso país. Podem ser encontradas também algumas fotos do algar nos relatórios de 2009 e 2012. Se bem que aquele poço de 126 m, merece uma bela foto, mas temos tanto que fazer…….

Algar Pena Traseira 5

Figura 4 – Entrada do Algar Pena Traseira 5 (Foto de Sérgio Carvalho – GEM).

Na atividade de prospeção, quando o Alexandre Justo o encontrou, ficámos muito animados, não se percebia bem o que este nos ia dar…..

Descrição:

O algar abre-se à superfície com uma boca de aproximadamente  1,5 m por 0,5 m, no Sentido ONO – ESE, com um grande calhau ali entalado, que divide a sua entrada. Segue-se um poço de 9 m, a base de cascalheira e argila é mais espaçosa, e desenvolve-se um pouco no sentido SSO.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma fratura de direcção grosseira NW-SE,  com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direcção aproximada NW-SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal da Serra de Aire, datada do Batoniano, Jurássico Médio.  A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Paciência, este prometia mais, mas como acontece, não poucas vezes, deu pouco. Siga já está arrumado, nada nos demove!!!

Figura 5,6 – Planta e perfil desdobrado do algar Pena Traseira 5.

Planta do algar Pena Traseira 5 em pdf para download

Algar Pena Traseira 5P

Perfil desdobrado do algar Pena Traseira 5 em pdf para download

Algar do Pena Traseira 5S

Ficha de equipagem do algar Pena Traseira 5 em pdf para download

F.E. Algar Pena Traseira 5

Fotos do algar Pena Traseira 5 (Fotos: Sérgio Carvalho  – GEM).

Algar Pena Traseira 6

Figura 7 – Entrada do Algar Pena Traseira 6 (Foto de Jorge Faustino – GEM).

No mesmo dia, uma pequena fenda, em que apesar de não ter corrente de ar a pedrita caia um pouco e dava a perceber um oco, tínhamos que ali voltar…..

Figura 8 – Fenda do Algar Pena Traseira 6, antes da desobstrução (Foto de Sérgio Carvalho – GEM).

Descrição:

O algar abre-se a superfície com uma boca de aproximadamente 0,4 m de diâmetro (após desobstrução), segue-se poço de 6 m, a base com aproximadamente 1,5 m por 1 m no sentido OSO-ENE, é de cascalheira e argila terminando ai este pequeno algar.

Geologia:

As camadas regionalmente têm direcção aproximada NW-SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal da Serra de Aire, datada do Batoniano, Jurássico Médio.  A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Ora, foi entusiasmante a “lufa, lufa” a tirar argila e calhau, deu para todos usarem o mata-vacas e os fulminantes, mas o algar em si é mesmo pequeno, paciência CARREGA MAIS UM!!!!!

Figura 9,10 – Planta e perfil desdobrado do algar Pena Traseira 6.

Planta do algar Pena Traseira 6 em pdf para download

Algar Pena Traseira 6P

Perfil desdobrado do algar Pena Traseira 6 em pdf para download

Algar Pena Traseira 6S

Ficha de equipagem do algar Pena Traseira 6 em pdf para download

F.E.Algar Pena Traseira 6

Fotos do algar Pena Traseira 6 (Fotos: Sérgio Carvalho e Filipe Castro – GEM).

Amigos assim partilhamos mais um pouco do nosso trabalho, breve publicaremos mais 3 algares de aqui, deste belo campo de lapiás, que é a zona dos Pena Traseira.

Até breve……

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Algares do cabeço dos Alecrineiros XV

•6 / 07 / 2019 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

Introdução

Eis que regressam as publicações dos trabalhos realizados nos Alecrineiros, este belo local que não nos cansamos de visitar….

Publicamos mais 3 algares, o projeto tem avançado consoante a disponibilidade da malta, que por diversas razões nos últimos tempos não tem sido muita, mas agora já estamos a bom ritmo. Bom, apresentamos o algar dos Chorões, Buraco do Formigueiro e algar dos Carrascos.

Figura 1 – Localização dos algares tendo como referência o cruzamento existente na zona conhecido como “Quatro caminhos”, assinalada com seta a vermelho.

Algar dos Chorões

Foi no mesmo fim-de-semana em que topografamos o Algar da Bajanca que parte da equipe em prospecção encontrou este algar. Verificou-se que já se encontrava equipado com spits. Uma equipa ainda desceu os dois primeiros poços, tendo-se encontrado a boca do terceiro poço. Por falta de equipamento a exploração ficou por aí. Na altura recolhemos as coordenadas para futura investida.

Figura 2 e 3 – Entrada do Algar dos Chorões. Sendo a figura 3, a boca do algar já destapada com a entrada equipada (Fotos de Sérgio Carvalho – GEM).

Descrição:

O algar abre-se à superfície com uma boca de pequena dimensão. Segue-se um poço de 12m, com a base coberta de calhaus de várias dimensões e muita argila. No sentido NO há um pequeno recanto com diversas formas de reconstrução muito bonitas e de boas dimensões, ai existe também um pequeno poço com 5 metros de profundidade muito estreito e identificado na topografia. Já no sentido N, encontra-se um poço com 11 metros, pelo qual se chega a nova sala, com blocos de varias dimensões e muita cascalheira e argila. A sala se assim lhe podemos chamar tem tendencialmente inclinação para E, no recanto mais a NO há um pequeno tramo com formas de reconstrução muito bonitas.

O algar continua a desenvolver-se, encontrando-se uma passagem sensivelmente a meio da sala por debaixo de um grande bloco. A passagem dá acesso a uma rampa de muita argila com aproximadamente 4 metros, ai chegamos a um poço de 15 metros. Descendo o poço nota-se as paredes de calcite e uma boa abertura no sentido NNE, no sentido contrário encontra-se um poço paralelo.

Na base do poço seguindo para NNE, há uma zona com muitas formas de reconstrução parietais, aqui após passarmos por pequeno obstáculo, entramos numa sala de boas dimensões no sentido N. A sala está repleta de grandes blocos e muita cascalheira, tem inclinação no sentido N, o tecto é alto e irregular. No final da sala na zona mais a Norte há uma pequena abertura de onde se deslumbra um oco identificado na topografia como possibilidade de continuação.

Regressando a base do poço de 15 metros, agora no sentido S, acedemos a novo poço de 7 metros, a sua base esta repleta de calhaus, por debaixo de um deles encostado a parede mais a O há uma pequena passagem e nova possibilidade de continuação, também identificada na topografia. Já no sentido S há um novo poço, tendo este 11 metros. Podemos dizer até que estes 2 poços são o mesmo com um patamar a dividi-lo. A base está repleta de argila com algumas pedras, notando-se a acumulação de agua.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por famílias de fraturas de atitude NW-SE/subvertical e NE-SW/subvertical. As camadas regionalmente têm direcção aproximada NW-SE e inclinação suave para Sul, embora localmente possam ser consideradas subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, datada do Batoniano, do Jurássico Médio. A gruta apresenta caneluras de dissolução.  A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo estas grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Bom, este algar, como tantos outros, já tinha sido explorado por alguém, não sabemos quem, pois a gruta não estava referenciada no cadastro da Federação Portuguesa de Espeleologia, nem se conhecia nenhuma publicação sobre ele. Como os spits  são de inox, parecem sempre novos, não permitindo ter uma ideia da antiguidade da exploração original.

 Fizemos o levantamento topográfico e fotográfico e deixamos as possíveis continuações identificadas, e para quem continuar a trabalhar no algar uma boa continuação e que posteriormente o partilhe.

Figura 4,5 – Planta e perfil desdobrado do Algar dos Chorões.

Planta do algar dos Chorões em pdf para download

Algar dos ChorõesP

Perfil desdobrado do algar dos Chorões em pdf para download

Algar dos ChorõesS

Pormenor da sobreposição de poços do algar dos Chorões em   pdf para download

Chorões pormenor da sobreposição de poços

Ficha de equipagem do algar dos Chorões em pdf para download

F.E.Algar dos Chorões

 

Fotos do algar dos Chorões (Fotos: Jorge Carvalho – GEM, Victor Lourenço – GEM).

Buraco do Formigueiro

Por ali andávamos e enquanto esperávamos que a restante malta fosse saindo da cavidade em exploração, demos com este. Via-se o fundo, mas não se conseguia perceber mais nada derivado a densa vegetação, nem o grande formigueiro ali existente……

Figura 6 – Entrada do Buraco do Formigueiro, pouco percetível derivado a densa vegetação (Foto de José Ribeiro – GEM).

Descrição:

A boca deste pequeno algar tem cerca de 3 metros de comprimento, no sentido O-E, por 1m de largura, já a sua base a sensivelmente 5 metros de profundidade, é maior e tem ligeira inclinação no sentido E. Na zona mais a E, pequeno recanto mas sem probabilidade de progressão.

Geologia:

A gruta apresenta um controlo estrutural por uma fractura de direcção grosseira E-W e inclinação subvertical. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal datado do Batoniano, Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se, embora de modo incipiente, de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

E já está, ficou mais um algar registado, os pequenos também contam, mais que não seja para os “esforços” não se repetirem e aquelas pequenas formigas de cabeça vermelha, ferram e de que maneira……

Figura 7,8 – Planta e perfil desdobrado do Buraco do Formigueiro.

Planta do Buraco do Formigueiro em pdf para download

buraco do formigueiroP

Perfil desdobrado do Buraco do Formigueiro em pdf para download

buraco do formigueiroS

 

Algar dos Carrascos

Figura 9 – Entrada do Algar dos Carrascos (Foto de José Ribeiro – GEM).

Que dizer do algar dos Carrascos, todo o espeleólogo devia ir lá ao fundo, nem que fosse uma vez na sua existência, e tirar mais um pouco de argila e perceber que isto da espeleologia não é só passeio, mas sim pura diversão…

Bom corria o ano de 2003 e numa atividade de prospeção do C.E.A.E-LPN, o algar no  topónimo João Malhão é encontrado e explorado, aquilo que parecia ser mais um normal algar com sequência de poços (como é normal nesta zona). Porém a gruta veio a revelar-se diferente, muito graças a essa grande espeleóloga, Andreia que deslumbrou uma passagem para um meandro de boas dimensões que aparenta ser um pequeno aquífero suspenso.

Figura 10 – Foto do interior do meandro (Foto de Rui Pina – GEM).

Descrição:

O algar abre-se à superfície com uma boca de cerca de metro e meio de diâmetro, grande parte ocupada com um grande bloco, deixando apenas uma pequena fenda por onde é possível passar. Segue-se poço de 51 metros. Este inicialmente tem pequena inclinação no sentido ONO, a cerca de – 25 metros há um pequeno patamar, de onde se acede a um poço paralelo, se assim lhe podemos chamar, no sentido NNE. Este poço com bom diâmetro, tem um grande bloco entalado ocupando grande parte do espaço, na zona mais a NNE existe uma pequena janela, já no sentido SE há uma fenda que se desenvolve um bom par de metros, estando os dois locais identificados na topografia com um ponto de interrogação. O tecto a cerca de 14 metros quase que liga ao poço de entrada, já a base esta a sensivelmente a 27 metros, por onde se acede pelo tramo principal.

De regresso ao patamar do poço de entrada, este continua descendo cerca de 26 metros, onde chegamos a sua base de argila e cascalheira. Aqui temos 3 opções, no sentido O, um pequeno meandro com blocos de boas dimensões, algumas formas de reconstrução, um pouco a frente inclinação no sentido de progressão com tecto irregular e chegamos a pequeníssima sala completamente colmatada de argila, existindo pequeno deposito de agua.

Já no sentido NE e após descermos patamar, virando a NNO, temos acesso à base do poço paralelo, descendo em rampa de cascalheira. ao fundo pequeno recanto de fundo de argila com paredes concrecionadas e pequena chaminé.

Novamente na base do poço de entrada, seguimos agora o tramo principal. Descendo uma rampa com vários ressaltos no sentido SE, chegamos a uma sala de fundo irregular com grandes blocos, cascalheira e argila, aqui e ali com pequenos depósitos de água. O tecto de aspeto irregular com um grande bloco ali suspenso, aparenta ser uma fratura, se assim lhe podemos chamar. Continua-se a progressão numa pequena passagem a NNE, nesta sala atrás de grande bloco, seguindo agora no sentido ESE, avançando e após pequeno destrepe chegamos a uma zona de meandro.

Inicialmente rastejando verifica-se que a NO, o meandro está completamente fechado, continuando no sentido ESE.  Á medida que se avança o tecto sobe permitindo andar de pé. Aqui o chão esta todo coberto de argila, algumas formas de reconstrução, poucas em pequenos recantos. Notam-se várias marcas de linhas de agua feitas pelas cinzas que se infiltram com a água de incêndios passados, depositadas nas paredes mais junto ao tecto. Após avançarmos cerca de 62 metros, chegamos a uma zona de rolhão, com algumas formas de reconstrução no inicio e afunilamento da zona, aí após se avançar cerca de 11 metros em zona desobstruída, existe um pequeno depósito de agua, devido  a pequeno desnível.

Figura 11 – Foto da zona do inicio da desobstrução (Foto de Rute Santos – GEM).

Geologia:

O poço de entrada do algar pode ser considerado como um vadose shaft, segundo a definição de Baron 2003, ou um algar de infiltração, numa tradução não literal do termo.

A galeria, que se atinge no fundo do poço de entrada apresenta evidências de ter tido origem na zona freática de acordo com a definição de Bogli, 1980. A galeria apresenta a mesma direcção, NW-SE, que as camadas a nível regional. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, datada do Batoniano, do Jurássico Médio

A galeria representa a posição de um antigo nível de água cuja cota ronda atualmente os 410-420 metros. Após a sua formação uma subida do nível de base, ou outro fenómeno que tenha diminuído a velocidade de circulação da água terá provocado o seu preenchimento com os sedimentos detríticos, que ainda hoje preenchem parcialmente a gruta. Posteriomente uma descida relativa do nível de base terá provocado a passagem da gruta da zona freática para a zona vadosa inativa.

Presente:

Foi um prazer enorme reviver ali naquele rolhão, os grandes momentos que ali se passaram na altura do inicio da desobstrução com esse grande grupo que é o C.E.A.E.-LPN, Foi ali que o meu grande gosto pela espeleologia foi cimentado, até a roupa interior tinha argila, à saída apanhávamos amoras para o grande Pedro Frade fazer as deliciosas tartes de amora.

Se assim me for permitido ainda levarei fornadas de espeleólogos a abrir mais um pouco, para que ganhem o “bichinho” que aqui nos faz andar….

Figura 12,13 – Planta e perfil desdobrado do Algar dos Carrascos. 

Planta do algar dos Carrascos em pdf para download

Algar dos carrascosP

Perfil desdobrado do algar dos Carrascos em pdf para download

Algar dos carrascosS

Ficha de equipagem do algar dos Carrascos em pdf para download

F.E.Algar dos Carrascos

 

Fotos do algar dos Carrascos (Fotos: Rute Santos – GEM, Rui Pina – GEM).

E finalmente mais uma publicação, não tem sido fácil, tal e qual como no nosso dia a dia. Mas é aqui neste cantinho na zona dos Alecrineiros, que penso de alguma forma com a partilha dos nossos trabalhos, daquilo que tanto prazer nos dá fazer, talvez ajudemos a preservar esta zona do parque, onde já se começa a ver ao longe uma escombreira de uma enorme pedreira.

Bom, viva a espeleologia e até a próxima publicação!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algares do cabeço dos Alecrineiros – Parte XIV

•16 / 06 / 2019 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116 Banheira

Introdução

Muitas histórias e aventuras foram vividas para se tornar possível esta publicação. Foram várias atividades e um acumular de algares, uns já sabíamos da sua existência, outros foram aparecendo e outro foi crescendo…………

Nesta publicação partilhamos as cavidades: algar Queimado, lapa do Tinder, algar do Laçarote, algar do Cofelo e algar da Bajanca.

Figura 1 – Localização dos algares tendo como referencia o cruzamento existente na zona conhecido como “4 caminhos”, assinalada com seta a vermelho.

Adverte-se também e mais uma vez que para sua proteção e da própria cavidade o espeleólogo tem de ter obrigatoriamente formação!!!

Algar Queimado

Foi em prospeção que o encontramos, aqui nesta zona houve um grande incendio e aproveitamos um dia primaveril para “vasculhar e demos com ele.

Figura 2 – Algar Queimado (Foto de Marco Matias – GEM).

Descrição:

O algar abre-se a superfície com boca de aproximadamente 2 m de diâmetro. Segue-se um poço de 4 m, a base coberta de calhaus de várias dimensões e muita argila. No sentido N, um pequeno recanto com cerca de 2 m, terminando logo ai. No sentido SO encontra-se um pequeno ressalto com algumas formações muito fosseis. Após desobstrução afundou-se um pouco mais o algar dando a perceber o imenso caos de blocos e argila que ali se encontra mesmo na direção da boca do algar, observando por fenda que sustenta a zona de desobstrução. No sentido S, pequena fissura mas sendo humanamente impossível de progressão.

Possivelmente este algar abre-se à superfície derivado ao abatimento de uma chaminé, que bloqueia qualquer passagem.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direção grosseira NNE-SSW e E-W, ambas com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximada NW-SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, datada do Batoniano, do Jurássico Médio.  A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Foi uma alegria quando o encontramos e a vontade foi tal que a malta mais nova iniciou nesse dia a desobstrução, “estão com o sangue na guelra” e ainda bem, precisamos é de malta com vontade!!!! E tivemos de lá voltar pois a vontade era tanta que ninguém os aguentava……. Bom mas ao se afundar a pequena abertura, depressa se percebeu que a parede que sustenta os calhaus começa a alargar e só com outros meios conseguiremos ali continuar a desobstruir, haja vontade!!! Mas sente-se fresco a vir da zona que fica por debaixo do poço de entrada.

 

 

Figura 3,4 – Planta e perfil desdobrado do algar Queimado.

Planta do algar do Queimado em pdf para download

algar queimadoP

Perfil desdobrado do algar Queimado em pdf para download

algar queimadoS

Ficha de equipagem do algar Queimado em pdf para download

F.E.Algar Queimado

 

Fotos do algar Queimado (Fotos: Marco Matias – GEM).

Lapa do Tinder

Estava um dia de calor e a procura de outro algar com uma coordenada que nos levava a “nenhures”, demos com um pequeno buraco, analisamos e prontos vai de escavar……

Figura 5 – Lapa do Tinder (Foto de Sérgio Carvalho – GEM).

Descrição:

A lapa abre-se a superfície numa pequena abertura com cerca de 1,5X1,5 m, descendo 1 m, temos o chão de argila e calhaus. Virando a ESE, uma abertura, pela qual se desce em rampa de cascalheira cerca de 3 m, terminando de seguida. Já no sentido NO, e após desobstrução um ressalto de 2 m, pelo qual acedemos ao interior da lapa.

Ai o chão é de argila e blocos de várias dimensões e tem pequena inclinação no sentido NO. Junto a parede a SSO, acede-se a ressalto de 2 m, pós desobstrução. Terminando numa pequena sala, se assim lhe podemos chamar. A sua base é maioritariamente de argila, tendo no seu canto a SSO, pequeno gours. Já no sentido NNO, verifica-se passagem muito estreita de cascalheira que liga mais a frente a continuação da lapa.

Novamente no inicio do interior da lapa, a progressão segue em “corredor”, no sentido NO, sempre com pequena inclinação o chão maioritariamente de argila e alguns blocos. Encontramos também alguns ossos, provavelmente de javali, indicando que a lapa já esteve aberta a superfície, antes da desobstrução ou por outra entrada agora bloqueada. O teto é irregular mas praticamente caminha-se sempre de pé, aqui e ali algumas formas de reconstrução, parecendo já estarem numa fase onde recebem pouca ou nenhuma água. Nota-se a presença de muitas raízes no teto, fruto da proximidade com a superfície. Verifica-se também a meio do “corredor” abertura estreita que liga ao tramo anteriormente descrito.

No final do “corredor” temos uma pequena bifurcação. No sentido NO, zona com chaminé, com formas de reconstrução parentais, o chão é de diversos blocos e argila. No sentido ONO temos uma zona de teto baixo e chão de argila, verifica-se pequeno oco também com fundo de argila, terminando ai a lapa.

Geologia:

A gruta tem um desenvolvimento essencialmente horizontal tendo um controlo estrutural por duas fraturas, a que controla a maior parte da gruta, de atitudeN60W/Vert e outra que controla o tramo Oeste da gruta com atitude N40E/Vert. As camadas são suhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Mícriticos da Serra de Aire, datada do Batoniano, Jurássico Médio.

Presente:

Que dia bem passado, por vezes temos surpresas destas, pena que a lapa não tenha mais progressão. Não se pense que foi fácil, desde as desobstruções ao restante trabalho, mas é assim quem corre por gosto não cansa, ficando aqui mais esta cavidade cadastrada e aqui partilhada.

Figura 6,7 – Planta e perfil desdobrado da lapa do Tinder.

Planta da lapa do Tinder em pdf para download

lapa do tinderP

Perfil desdobrado da lapa do Tinder em pdf para download

lapa do tinderS

Fotos da lapa do Tinder (Fotos: Sérgio Carvalho  – GEM).

Algar do Laçarote

O Laçarote é um algar bem conhecido, especialmente porque é um abrigo de morcegos. E foi num fim de semana de muito trabalho que decidimos fazer ali uma visita. Pois na topografia existente na revista Meandro nº2, verificava-se um ponto de interrogação num poço ali existente, que na altura não explorado por se estar em monotorização de morcegos e incomodar os bichos o menos possível.

Desde já avisamos todos aqueles que lerem esta publicação que o algar esta interdito de Novembro a Março.

Foi então descido o poço e verificou-se uma fresta muito apertada de onde provinha corrente de ar, obstáculo passado e nova fenda uns metros mais a frente, ena pá aquilo é que foi partir pedra!!!! Algumas saídas depois e tínhamos a continuação do algar aos nosso pés……..

Figura 8 – Algar do Laçarote (Foto de Sérgio Carvalho – GEM).

Descrição:

Numa zona de densa vegetação, num campo de lapiás, uma cratera de boas dimensões é a entrada do algar com cerca de 6X4 m, existe também pequena abertura que liga ao algar com cerca de 20X20 cm mais a E. Segue-se poço de 18 m, verifica-se nas paredes algumas figueiras e nota-se as paredes muito fraturadas e com blocos quase soltos. Existem também vários patamares nas zonas junto ao teto.

 

Figura 9 – Vista da base do poço de entrada para cima (Foto de Sérgio Carvalho – GEM).

A base na zona mais a N, tem rampa de forte inclinação, sendo de cascalheira e diversos blocos. Ao cimo a O, pequeno patamar que por uma fenda liga a continuação do algar, já no final desta rampa a E, pequeno recanto por onde se acede a oco de fundo de argila e de pequena dimensão.

Nesta sala de boas dimensões em que já se descreveu o lado mais a N, no centro grande bloco que “divide” a sala ao meio, estando este coberto de musgo dando-lhe um aspeto “brutal”.  Na zona mais a S, inicia-se uma rampa também de forte inclinação mas agora no sentido ONO, sendo de pedras de diversos tamanhos. Quase no final da rampa alguns blocos de boas dimensões que ali estão “entalados”, a cerca de 3 m, do chão. Por de cima de estes acede-se a fenda que nos leva a novo poço de 21 m.

Figura 10 – Vista da zona de blocos “entalados”, de onde se acede a poço de 21 m  (Foto de Sérgio Carvalho – GEM).

Ultrapassando a fenda o teto volta a subir cerca de 7 a 8 m,  a cabeceira do poço é larga afunilando a medida que se desce. Algumas formas de reconstrução parietais, logo no inicio da descida verifica-se pequena abertura a NNE, que liga ao topo da rampa mais a O, da sala de entrada do algar.  Já para ESE, fenda que percorre quase a totalidade do poço estando esta completa com blocos de varias dimensões.

A base é de argila e cascalheira, ai uma “fenda” com cerca de 3 m de alto mas muito estreita, (agora mais larga após desobstrução) que nos da acesso a pequeno tramo no sentido ONO, de imediato no sentido de progressão a direita pequeno oco com uma chaminé de 3m, mas em frente após poucos metros poço de 3 m, com muita pedra na base. Ultrapassando esse pequeno obstáculo em frente uma pequena abertura de onde provem corrente de ar, ai as paredes são forradas de calcite (agora mais larga após desobstrução), segue-se um pequeno desnível de 3 a 4 m, descendo-se com facilidade pois a zona não tem mais de 1,5 m de largura e as paredes são muito concrecionadas.

Segue-se pequeno patamar, de onde deslumbramos uma descontinuidade com cerca de 15 m de comprimento e 4 a 5 m de largura no sentido ONO. O teto sobe bastante ficando a cerca de 30 m da base do patamar, as paredes têm zonas destintas por vezes de pedra lisa, outras com argila e outras com formas de reconstrução parietais, sendo as mais espetaculares as que se observam em frente, um pouco a esquerda do patamar.

Figura 11 – Vista do patamar “sendo as mais espetaculares as que se observam…….  ( Foto de Pedro Robalo – GEM).

Para baixo o prolongamento da descontinuidade em profundidade, para se perceber melhor explico separadamente. Mesmo por debaixo do patamar pequena reentrância, com blocos na base, onde se nota pequena fenda que aparentemente liga a poço. Um pouco mais em frente do patamar no sentido NNO, poço de 56 m, este acompanha a largura da diáclase até cerca de – 20 m, de seguida “afunila”, não tendo mais de 0,5 m de diâmetro na sua base, sendo esta de vários calhaus.

De novo no patamar e no sentido ONO, descendo cerca de 10 m em pêndulo, acedemos a pequeno “parapeito”, que é um misto de chão e blocos entalados, dai descendo 9 m chegamos a patamar. No sentido S, poço de 31 m, com paredes com formas de reconstrução parietais, em baixo chão de argila que por ressalto de 3 m nos leva a pequeno oco, terminando ai. Já no sentido ONO, poço de 10 m, que termina em blocos (Nota-se que liga ao poço de 31m), em frente fenda que a medida que nela se avança, fecha e afunda sendo humanamente impossível seguir por ali.

No “parapeito” que é um misto de chão e blocos entalados, se seguirmos mais para ONO, temos duas zonas destintas. No mesmo sentido por detrás de fenda na parede, grande manto calcítico, que nos leva a abertura no teto, provavelmente de alguma abertura a superfície. Já no sentido SO, novo poço, este com 32 m, nota-se vários patamares durante a sua descida, sendo o 1º, o que mais probabilidades oferece, mas de dura desobstrução. A base do poço é de argila e cascalheira, segue se ressalto de 7 m, no sentido ESE, terminando em pequeno oco de 3X1 m, com fundo de vários calhaus, onde se encontra um poço de 2 m, cheio de blocos, sendo ai talvez a melhor probabilidade de continuação do algar quase a – 100m.

Estes poços são o prolongamento da descontinuidade em profundidade , sendo estes zonas de infiltração.

Geologia:

O algar do Laçarote tem  um controlo estrutural por  fraturas. As que parecem controlar os troços de maior desenvolvimento horizontal  têm direção grosseira WNW-ESE com inclinação subvertical. Outra família de fraturas de direcção aproximada NE-SW e inclinação subvertical controla troços de menor desenvolvimento horizontal. As paredes da gruta apresentam caneluras de dissolução, típicas de “vadose shaft”. As camadas regionalmente têm direção aproximada NW-SE e inclinação suave para Sul, porém localmente são subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Mícriticos da Serra de Aire, datada do Batoniano, Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Mais uma vez se prova que estes algares “clássicos”, que todos conhecem, afinal têm sempre mais algo para dar. Tinha cerca de – 20 m, com um ponto de interrogação, agora chega aos – 99 m. Curioso também que num dos poços após a desobstrução, o P 32, verificamos a presença de morcegos na zona do 1º patamar.

Mas já no principio de Setembro com outros projetos a decorrer, decidimos desequipar,  a janela era curta e o algar vai entrar em fase de desaconselhamento ou interdição, segundo as normas da comissão cientifica da Federação Portuguesa de Espeleologia, pelas quais nos regemos.

Vivemos momentos de grande entusiasmo, principalmente quando deslumbramos aquela descontinuidade aos – 40 m, e havia razões para tal não só pela beleza mas pelo desafio que foi, mas também lembro que o objetivo deste projeto não é desobstruir tudo, mas sim fazer o levantamento das cavidades desta zona e já está, mais um!!!

Figura 12,13 – Planta e perfil desdobrado do algar do Laçarote.

Planta do algar do Laçarote em pdf para download

algar do laçarote1P

Perfil desdobrado do algar do Laçarote em pdf para download

algar do laçaroteS

Ficha de equipagem do algar do Laçarote em pdf para download

F.E.Algar do Laçarote

Fotos do algar do Laçarote (Fotos: Sérgio Carvalho, Pedro Robalo, José Ribeiro – GEM).

Algar do Cofelo

Foi um dia curioso este que nos levou a este algar, fazíamos ali perto prospeção e para mostrar a malta a “mítica” Bajanca, chegamos primeiro ao algar do Cofelo. Bom a verdade é que estamos sempre a ouvir: já foi descido, é só o poço e termina!!

Bom a verdade é que não é muito diferente do que se diz, mas carecia de topografia e assim foi, aproveitamos o par de horas que ainda nos restava e siga………..

Figura 14 – Algar do Cofelo (Foto de Sérgio Carvalho – GEM).

Descrição:

Encostado ao algar da Bajanca, este algar abre-se à superfície com boca de boas dimensões, em forma quase “oval” têm cerca 5X3 m. Segue-se um poço de 52 m, bastante bonito. De início as paredes estão cobertas de musgo e de algumas plantas que se penduram nos primeiros metros do poço. À medida que vamos descendo a pedra calcária lisa começa a aparecer, a cerca de aproximadamente – 30 m, uma zona com formas de reconstrução, dá a perceber uma zona de infiltração, trazendo escorrências vindas da superfície. A base é de blocos de várias dimensões e está carregada de troncos de madeira, que em algumas zonas têm cogumelos. No sentido SE, uma pequena abertura, dá-nos acesso a um pequeno ressalto de 2 m terminando num pequeno poço. Ai existe uma pequena abertura no tecto, rica em concreções parietais, que segue sempre verticalmente. A base tem muita pedra, terminando aqui o algar

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural, uma fratura de direção N70E/subvertical. para As camadas regionalmente têm direção aproximada NW-SE e inclinação suave para Sul, embora localmente possam ser consideradas subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, datada do Batoniano, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

E assim foi, lá descemos o algar do Cofelo, poço espetacular e a base com aqueles cogumelos, bom ficou topografado e agora partilhado…….

 

 

Figura 15,16 – Planta e perfil desdobrado do algar do Cofelo.

Planta do algar do Cofelo em pdf para download

algar do cofeloP

Perfil desdobrado do algar do Cofelo em pdf para download

algar do cofeloS

Ficha de equipagem do algar do Cofelo em pdf para download

F.E.Algar do Cofelo

Fotos do algar do Cofelo (Fotos: Sérgio Carvalho, José Ribeiro – GEM).

Algar da Bajanca

Foi num fim-de-semana, neste verão “atípico” que nos propusemos visitar e topografar o algar da Bajanca. Os carreiros que nos levam até ao algar estão “carregados” de mato muito alto, mesmo assim avançamos e continuamos, nada nos demoveu……

Figura 17 – Algar da Bajanca, a “boca” de maior dimensão, sendo a mais pequena o algar do Cofelo  (Foto com Drone, Vítor Amendoeira – GEM).

Descrição:

O algar da Bajanca abre-se à superfície com duas entradas, tendo a maior cerca de 21 m de comprimento ,com uma largura variável mas não tendo mais de 6m, na zona mais larga. A entrada mais estreita na zona mais a Oeste tem cerca de 4m por 3m. Aí segue-se um poço de 5m, na sua base encontram-se blocos de várias dimensões, seguem-se vários ressaltos, onde estamos por baixo da zona que separa as duas entradas. Segue-se um poço de 6 m se assim lhe podemos chamar, zona em que praticamente estamos debaixo da entrada maior. Aqui estamos na base do algar. A orientação na base é no sentido NO-SE, sendo também esta a orientação da sua inclinação. No início tem mais inclinação, suavizando a medida que avançamos, tem blocos de várias dimensões sendo alguns bem grandes. De notar que na zona mais a NO, a base tem cerca de 4 m de largo e quase no final da zona a SE, chega aos 12m na sua zona mais larga. Na zona mais a NO, pequeno recanto em que o tecto esta a 3 m de altura. Aqui o chão é de argila e vários calhaus, no tecto abrem-se duas pequenas chaminés, estando uma delas forrada de concreções parietais.

Observa-se na parede mais a SE, a cerca de 20 m, da base do poço uma entrada com cerca de 2X1,5 m, que aparentemente não tem continuação.

Geologia:

A gruta desenvolve-se segundo a Folha 27-A da Carta geológica de Portugal à escala 1/50000 na formação de Calcários bioclásticos do Codaçal datados do Batoniano (Jurássico Médio).

O controlo estrutural do desenvolvimento da gruta é intenso e feito por descontinuidades cujas famílias têm atitude N60-70W/Vertical, E-W/ Vertical e N20E/Vertical. O grosso da cavidade é controlado pelas duas primeiras famílias de descontinuidades referidas. A atitude local das camadas é subhorizontal.

A gruta foi alvo de fortes abatimentos, como se nota pelos abundantes blocos que atapetam o seu fundo. Os abatimentos acima referidos são os responsáveis pela grande boca que a gruta apresenta e que permite a entrada de matéria orgânica, que cobre o fundo da gruta, disfarçando em parte a presença de abundantes blocos. O mecanismo de génese da gruta é desconhecido, embora a cavidade apresente semelhanças com os “vadose shafts” descritos por Baroñ, 2003, tal como um controlo estrutural por fraturas, elevada verticalidade e fundo com matéria orgânica. Porém a grande boca que tem a dimensão da secção do principal poço da gruta, não se enquadra neste tipo de grutas. Pode-se pôr a hipótese da boca ter-se alargado já numa fase mais tardia do desenvolvimento da gruta, tendo ela originalmente dimensões menores.

Presente:

Que dizer do algar da Bajanca, qualquer espeleólogo comum pelo menos uma vez na vida já a visitou. Lembro-me a muitos anos em que tinha acabado a minha formação de nível II e fomos visitar a Bajanca para treinarmos um pouco, Uaaauuuu!!!! Isto é tão grande, dizíamos nós uns para os outros num misto de medo e de alegria. Agora tudo parece mais pequeno, mas a beleza, essa continua lá.

Para a topografarmos com o disto X310, equipámos durante o dia e esperamos pela noite, para que o laser do disto fosse percetível. Aquilo é que foi, era só bicharada a voar em direção dos nossos frontais, não desistimos e continuamos ao que nos propusemos. Por vezes desligávamos os frontais e reparávamos nos pirilampos que piscavam aqui e ali, a Bajanca, há noite tem outra vida…..

Figura 18,19 – Planta e perfil desdobrado do algar da Bajanca.

Planta do algar da Bajanca em pdf para download

algar da bajancaP

Perfil desdobrado do algar da Bajanca em pdf para download

algar da bajancaS

Ficha de equipagem do algar da Bajanca em pdf para download

F.E.Algar da Bajanca

Optamos também por fazer a topografia em planta com os algares da Bajanca e Cofelo, que aqui vos apresentamos.

Figura 20 – Planta com os algares da Bajanca e Cofelo.

Planta dos algares da Bajanca e Cofelo em pdf para download

união, B+CP

E assim foi, mais um pouco do nosso projeto foi feito, a obra avança e em bom ritmo. Aos poucos vamo-nos chegando ao nosso objetivo.

Um abraço e até a próxima!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algares do cabeço dos Alecrineiros – Parte XIII

•16 / 06 / 2019 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116 Banheira

 

Introdução

Regressamos ao algar do Bafo, Bafinho, Bafão onde exploramos o poço Gémeo e desequipamos o algar por questões de segurança, mas vamos lá voltar, ficaram muitas pontas soltas por verificar e certamente vai crescer.

Publicamos também mais 3 algares pois o trabalho avança consoante a disponibilidade da malta e a constituição das equipes. A saber, algar de Boca Larga V, algar do Bruno e algar Spit Fou.

Algar de Boca Larga V

Figura 1 – Entrada do Algar de Boca Larga V (Foto de Samuel Lopes – GEM/WIND).

Fomos em busca deste algar, graças a partilha do trabalho realizado pelos espeleólogos do SSAC, a quando da sua expedição a Portugal no ano de 2005. Percebemos pela topografia tipo croqui e muito bem, realizada na altura que o algar tinha interessa e carecia de uma topografia e estudo mais elaborado.

Figura 2 – Topografia realizada em exploração pelo SSAC, do relatório de 2005, onde descrevem o trabalho realizado na cavidade.

Descrição:

A boca do algar tem aproximadamente 2 m, de comprimento e 1 m, de largo, aparenta ser uma “fenda” no sentido, O-E. Segue-se um poço de 6 m, do qual se acede a um pequeno patamar com argila e calhaus de varias dimensões. No sentido SSE, novo poço de 2 m, com algumas formas de reconstrução. Na base uma rampa com calhaus de várias dimensões, seguindo-se uma sala tipo “corredor”, a base de argila tem algumas pedras e inclinação no sentido SE, o tecto nesta zona chega aos 6 m de altura.  Aqui na zona mais a SE, novo poço de 8 m, que após ter sido estabilizado, pois o seu inicio em rampa tinha bastante pedra e argila solta. Na base do poço uma sala já de boas dimensões com chão irregular mas de inclinação no sentido NE, composto por muita argila e blocos de várias dimensões o tecto nesta zona chega a estar nos 11 m. No sentido SE, parede com grandes blocos, onde após pequena escalada temos acesso a pequeno tramo sempre no sentido ascendente e na direção SE, nos permite chegar a zona com boas concreções parietais, terminando ai este tramo.

Regressando a base do poço no sentido NNO, pequena fissura que se perlonga por par de metros terminando logo de seguida, já no sentido NE o tecto desce abruptamente em “degraus” se assim lhe podemos chamar. Aqui temos acesso a poço de 9 m, a sua base é composta por blocos de várias dimensões e argilas. Na zona mais a NE, abertura no tecto que liga a outro tramo da cavidade. Regressando a cabeceira do P 9, no sentido NNO, novo tramo ao qual acedemos através de pequeno patamar do lado direito do sentido de progressão.  Ai blocos de grandes dimensões que no sentido ascendente nos levam a pequena sala de algumas concreções parietais, sendo a sua base irregular e composta por calhaus de várias dimensões, terminando ai a progressão.

Para seguirmos a progressão no algar regressamos a cabeceira do P 9, ultrapassando o pequeno patamar do lado direito no sentido de progressão. Pequena passagem no sentido SE, aqui tudo é muito irregular e “chato”, a frente no sentido NE, a abertura observada anteriormente no P 9, na mesma direção segue-se um pequeno patamar onde deslumbramos o poço de 18 m. Aqui o algar volta a crescer, cabeceira de boas dimensões, onde no sentido NO, observa-se pequena abertura na parede que liga a zona anterior descrita do algar, já no sentido SE, vê-se ai uma abertura na parede de novo tramo. Dando a perceber que ai volta-se a subir e observa-se formas de reconstrução.

Descendo o poço, a cerca de 5 m da cabeceira, grande bloco ali entalado, “contornando” o obstáculo, descemos a base do poço, sendo esta muito mais pequena que a cabeceira, composta por calhaus de varias dimensões e com inclinação no sentido O. Ai abertura na parede que nos dá acesso a novo poço de 8 m. A frente no Sentido SO, abertura que nos dá acesso a pequeno poço de 2 m, com fundo em argila, no tecto observa-se chaminé com 6 m, mas que fecha no final.

Descendo o P 8, a sua base de calhaus de varias dimensões, desce em rampa no sentido SSE, temos de seguida pequeno ressalto de 3 m, continuando a descer novamente no mesmo sentido, mais a frente viragem súbita a OSO, sempre em rampa mas não tão acentuada acedemos a uma passagem “apertadinha”, após desobstrução da malta do SSAC. Aqui sente-se já uma corrente de ar forte e ultrapassando a passagem, novo poço de 2 m. Para cima, observamos uma chaminé que fecha a altura de 5 m, na base de muito calhau e argila, nova desobstrução da malta do SSAC. Dessa desobstrução, poço de 4 m, de cabeceira muito apertada, dando acesso a pequeno oco de aproximadamente 2 m de diâmetro, ai no sentido S, pequena “fresta” de onde provem a corrente de ar forte e continua, nota-se inicio de desobstrução pela malta do SSAC, terminando ai por agora a descrição do algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural, de um modo geral, por duas famílias de fraturas de direção grosseira NW-SE e NE-SW, ambas com inclinação subvertical.

As camadas regionalmente têm direção aproximada NW-SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Micríticos da Serra de Aire, datada do Batoniano, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

  Presente:

Algar interessante e muito técnico, com zonas de progressão muito diferentes. Temos de enaltecer o trabalho efectuado pela malta do Société Spéléo-Archéologique de Caussade, que em modo de exploração divulgou e partilhou um belo trabalho que muito útil tem sido para o desenvolvimento do nosso projeto.

Quanto ao algar destaca-se de facto a forte corrente de ar sentida na parte final do algar, que independentemente dos dias em que por lá andamos, sendo mais frios ou quentes no exterior a corrente de ar era sempre descendente e forte. Continua em exploração e certamente faremos uma campanha para vermos o que se segue……….

Figura 3/4 – Planta e perfil desdobrado do algar de Boca Larga V.

Planta do algar de Boca Larga V em pdf A3, para download

algar de boca larga 5P

Perfil desdobrado do algar de Boca Larga V em pdf A3, para download

algar de boca larga 5S

Ficha de equipagem do algar de Boca Larga V em pdf A3 para download

F.E.Algar de Boca Larga 5

Fotos do algar de Boca Larga V (Fotos: Samuel Lopes – GEM/WIND).

Algar do Bruno

Este pequeno algar já por nós identificado aquando da exploração do algar do Curral das Éguas, ficou na altura apenas explorado e com a coordenada registada. Aproveitamos uma recente atividade para o topografar e partilhar.

 

Figura 5 – Entrada do Algar do Bruno (Foto de José Ribeiro – (GEM).

Descrição:

Num campo de lapiás de boa dimensão, nota-se numa zona de abatimento, no canto mais a E, desta uma abertura com cerca de 30X30 cm. Acede-se por essa abertura a este pequeno algar, segue-se um destrepe de 2 m. O chão é em rampa de argila e cascalho, após pequeno patamar chegamos á zona maior do algar, sempre no sentido E. Aqui o teto está em média a 4 m, o chão é de muitos blocos de várias dimensões e argila. No sentido SSO, há uma descontinuidade estreita e alta com pequena inclinação no mesmo sentido, o chão é de argila, estando o teto praticamente a mesma altura. Seguindo esta pequena descontinuidade chega-se a pequena sala com cerca de 1X1 m, com fundo de argila e teto a mesma distância, terminando ai o algar.

Geologia:

A gruta tem uma constituição muito simples e aparenta ter um controlo estrutural, de um modo geral, por duas famílias de fraturas de direção grosseira NE-SW e E-W, ambas com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximada NW-SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Micríticos da Serra de Aire, datada do Batoniano, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Bom, não a muito mais a dizer a não ser que os pequenos também são importantes e que este já esta!!!

Figura 6/7 – Planta e perfil desdobrado do algar do Bruno.

 

Planta do algar do Bruno em pdf , para download

algar do brunoP

Perfil desdobrado do algar do Bruno em pdf , para download

algar do brunoS

Fotos do algar do Bruno (Fotos: José Ribeiro – GEM).

Algar Spit Fou

Estava um daqueles dias em que se podia andar no monte, nem chuva nem sol. Aproveitamos a exploração de um algar não muito longe e fomos “tratar” deste, já identificado anteriormente e encontrado graças a partilha da sua localização no relatório da expedição de 2005 do S.S.A.C., que sempre partilharam as suas explorações e certamente muitas amizades criaram.

Figura 8 – Entrada do Algar Spit Fou (Foto de José Ribeiro – (GEM).

Descrição:

O algar situado num campo de lapiás extenso e na altura coberto de densa florestação. A sua entrada é uma pequena descontinuidade a superfície no sentido O-E, tem cerca de 2 m de comprimento e no seu máximo 0,5 m de largura. Um bloco ali situado, impede uma entrada “livre”, segue se um poço de 8 m, apertado de inicio mas que alarga a medida que se desce. A base mais larga com sensivelmente 2X2 m, esta coberta de argila e pequenos calhaus. No sentido SE, pequena fenda que termina logo de seguida, já no sentido O, abertura muito estreita cheia de argila, que dá passagem a novo poço de 7 m. Ai o teto está 6 m mais acima com paredes praticamente lisas, para baixo até a sua base pequeno patamar que se alcança em destrepe e que também em destrepe nos dá acesso a base, esta coberta de argila e algumas pedras, nota-se nas paredes junto a base a formação de “dente de cão”, fruto de acumulação de água.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural, de um modo geral, por uma família de fraturas de direção grosseira E-W,  com inclinação subvertical.As camadas regionalmente têm direção aproximada NW-SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Micríticos da Serra de Aire, datada do Batoniano, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Bom apesar de pequeno deu-nos “água pela barba”, sempre apertado e com muita argila. Sem máquina fotográfica lá nos desenrascamos com o GPS, e assim ficou mais um algar explorado e por nós, agora partilhado.

Figura 9/10 – Planta e perfil desdobrado do algar Spit Fou.

Planta do algar Spit Fou em pdf, para download

spit fouP

Perfil desdobrado do algar Spit Fou em pdf, para download

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Ficha de equipagem do algar Spit Fou em pdf para download

F.E. Algar Spit Fou

Fotos do algar Spit Fou (Fotos: José Ribeiro – GEM).

Algar do Bafo, Bafinho, Bafão

Amigos, entendemos por razões de segurança desequipar o algar , pois o algar já estava equipado a mais de 2 anos, fomos retirar o equipamento que lá se encontrava.

Aproveitamos também para ir a zona mais funda do algar passando por um dos poços gémeos que ainda não tinha sido descido, mas onde já tínhamos estado na cabeceira e base. Foi equipado com o método Multi-Mont e descido. Realmente é muito bonito com aquelas paredes de calcário liso, verificamos também no sentido NO, sensivelmente meio do poço, duas pequenas reentrâncias, que aparentemente ligam uma à outra e voltam a direcionar-se para o poço.

Mais importante foi que nos -223 m, onde já tínhamos estado anteriormente, nesse dia sentiu-se um pequeno fresco e após insistirmos em revirar calhaus deslumbramos, uma pequena fenda “apertadinha” que nos deu acesso a dois pequenos ocos que levaram o algar a profundidade de -230 m, terminando numa pequena linha de água que se infiltra num fenda de 1 m de alto e talvez 4 cm de largo. Portanto um típico algar “vadose shaft”.

Infelizmente ficamos sem máquina fotográfica para fazer o registo, paciência.

Bom, o algar ainda tem muito para nos contar e muita “ponta solta” para verificar, começando logo nos -30m, certamente mais haverá, para a frente retomaremos os trabalhos com nova campanha.

Partilhamos agora as topografias e ficha de equipagem, atualizadas.

Planta do algar do Bafo, Bafinho, Bafão em pdf, para download

algar do bafoP-230

Perfil do algar do Bafo, Bafinho, Bafão em pdf, para download

algar do bafoS -230

Pormenor da sobreposição de poços do algar do Bafo, Bafinho, Bafão em pdf, para download

algar do bafoP.D -230 copy

Ficha de equipagem do algar do Bafo, Bafinho, Bafão em pdf para download

F.E. Algar do Bafo

E já está, venham as próximas!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algar do Zé do Braga- Alguns apontamentos de geologia

•15 / 06 / 2019 • Deixe um Comentário

Rodrigues, Paulo:1,2,3


1)- Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal
(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares
(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia, Estrada Calhariz de Benfica, 187, 1500-124 Lisboa

 

Introdução

O algar do Zé do Braga ou algar das Corujas é uma gruta clássica da espeleologia nacional. A gruta encontra-se no Macico Calcário Estremenho,  na unidade morfoestrutural do planalto de Sto Antonio, perto do topónimo de Marradinhas. As coordenadas da entrada da gruta (UTM/WGS84) são 29S X=0524409m, Y=4370902m, Z=260m.

O terreno é ocupado por um olival, estando o lapiás parcialmente coberto pelo solo, porém o calcário está omnipresente na paisagem envolvente. Na proximidade do algar é conhecido um número significativo de grutas das quais destacamos o Algar das Couves, Marradinhas I, Marradinhas II, Marradinhas do Daniel. Ao longo desta zona não é estranho que ao bater no chão este soe a oco.

A topografia da gruta pude ser encontrada no livro Lapas e Algares do Planalto de Sto. António de Subterra – Grupo de Espeleologia.

Nota: Esta cavidades está incluída na listagem do anexo I do Regulamento do Plano de Ordenamento do PNSAC, aprovado pela RCM nº 57/2010, sendo necessário autorização do ICNF para a sua visitação.

Descrição

A gruta é composta por um poço com dezassete de metros de profundidade,  que dá acesso a uma galeria, a galeria Grande de orientação grosseira E-W, e uma série de salas e galerias, de orientação também E-W, mas que se dispõe de Sul para Norte, perpendicularmente à galeria Grande. A secção da gruta tem ordem de grandeza métrica. Toda a gruta é fortemente concrecionada. O tecto apresenta cúpulas.

Espeleometria

 

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Planta do Algar do Zé do Braga (extraída do livro Lapas e Algares do Planalto de Sto. António de Subterra – Grupo de Espeleologia.)

 

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Perfil estendido do Algar do Zé do Braga (extraída do livro Lapas e Algares do Planalto de Sto. António de Subterra – Grupo de Espeleologia.)

A gruta terá aproximadamente 25-30m de profundidade de e um desenvolvimento horizontal da ordem da centena de metros.

Geologia

De acordo com a folha 27-A da Carta Geológica de Portugal – à escala 1:50000 (Manupella et al), a gruta desenvolve se na formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal datada do andar Batoniano do Jurássico Médio. As camadas apresentam localmente uma atitude subhorizontal.  As galerias Grande, das Argilas e sala das Excêntricas são controladas por fraturas de atitude aproximada E-W /vertical. O poço de entrada é controlado por uma fratura de atitude N40W/Vertical.

Génese

A gruta formou se na zona freática de acordo com a definição de Bogli 1980, como o comprovam a secção arredondada das galerias, cúpolas e outros aspectos morfológicos típicos de grutas freáticas.O algar do Zé do Braga marca um antigo nível de circulação de água que atualmente se encontra à cota aproximada de 230-240m. A gruta por uma descida relativa do nível de base, passou da zona freática para a zona vadosa inactiva. O poço de entrada abriu-se posteriormente com o abatimento do tecto da gruta que se encontra muito perto da superfície.

Conclusão

O algar do Zé do Braga é um antigo colector, formado na zona freática, de acordo com a definição de Bogli 1980.  A gruta é estruturalmente controlada por uma  famílias de fraturas de atitude E-W/Vertical. O algar do Zé do Braga marca um antigo nível de circulação de água que atualmente se encontra à cota aproximada de 230m. A cavidade faria parte, juntamente com algumas aas grutas próximas, como os algares das Couves,  Marradinhas II e Marradinhas do Daniel, de um colector entretanto seccionado e que se encontra actualmente no estado senil.

Referências bibliográficas

  • Bögli, A. (1980), Karst Hydrology and Physical Speleology, Springer-Verlag, Berlin Heildelberg New York.
  • Canais, F. & Fernandes, J. 1999. Lapas e Algares da Serra de Santo António.Subterra Grupo de Espeleologia. Torres Novas
  • Manupella, G., Telles Antunes, M., Costa Almeida, C.A., Azerêdo, A.C., Barbosa, B., Cardoso, J.L., Crispim, J.A., Duarte, L.V., Henriques, M.H.,  Martins, L.T.,  Ramalho, M.M.; Santos, V.F.; Terrinha. P.;  (2000). Carta Geológica de Portugal – Vila Nova de Ourém, Folha 27-A, á escala 1:50000, e Nota Explicativa, Instituto Geológico e Mineiro, Lisboa
  • http://vivernocampo.blogspot.com/2011/07/algar-do-ze-de-braga.html

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Algares do cabeço dos Alecrineiros – Parte XII

•31 / 05 / 2018 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116, Baixa da Banheira

 

Introdução

No seguimento das atividades que por aqui continuamos a fazer, encontrámos mais umas quantas cavidades. Algumas prometiam muito pela corrente de ar, aquando da sua abertura a superfície, noutras percebemos que pouco mais havia a fazer do que cadastrar, topografar e fotografar. Curiosamente a cavidade que mais “luta” nos deu nesta partilha, foi aquela que era visível a toda a comunidade espeleóloga que por aqui tem andado, mas que nem sequer estava no Cadastro Nacional de Cavidades.

O que faz lembrar aquelas frases tantas vezes ouvidas :

De certeza que já foi explorado…. já andaram ai os fulanos….. já foi descido e termina logo ali..

Partilhamos nesta publicação os algares : Algar dos Texugos, Algar Olha Outro, Algar das Mulheres, Algar do Musgo e Algar Cabeça da Cabra.

Figura 1 – Localização dos algares tendo como referencia a localidade de Moita do Açor, assinalada com seta a vermelho.

Adverte-se também e mais uma vez que para sua protecção e da própria cavidade o espeleólogo tem de ter obrigatoriamente formação!!!

Algar dos Texugos

Estava um daqueles dias frios. Regressávamos de mais uma exploração e de regresso aos carros estacionados na Moita do Açor, aproveitamos para fazer um pouco de prospeção pelo caminho. Como quem procura sempre alcança, um pequeno buraco, uma teia de aranha que abanava e tínhamos mais um algar em perspetiva…..

 

Figura 2 – Algar dos Texugos, antes de ser desobstruído a superfície (Foto de Valentina Correia – WIND).

Descrição:

O algar abre-se agora à superfície, no que aparenta ser uma fenda de direcção NO-SE, tem cerca de 1 m de comprimento e aproximadamente 0,5 m de largura. Segue-se um poço de 5 m, alargando este à medida que se desce. A sua base com cerca de 1,5 m de diâmetro, desce em rampa no sentido SE, é composta de argila e pedras de varias dimensões, muitas fruto da desobstrução. Nesse sentido temos acesso a um pequeno oco, por debaixo de um caos de blocos de boas dimensões, muito colmatado com formas de reconstrução. Ai no sentido NE, percebe-se a existência de passagem na vertical, mas muito estreita, de onde provém ar fresco, terminando ali por agora a descrição.

Geologia: 

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direcção grosseira NW-SE e NE-SW, ambas com inclinação subvertical. As camadas regionalmente são próximas de serem  subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários mícriticos da Serra de Aire, datada dos Batoniano, Jurássico Médio.  A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Aquilo é que foi, quais “Texugos” a esgravatar a terra e a sentir o ar quente que soprava pelo pequeno buraco que foi crescendo…. foi uma alegria quando abrimos e deslumbramos o poço. Depressa percebemos que com o alargar da entrada se perdia a noção do ar a passar, não desanimámos e descemos nesse mesmo dia, vimos que que o algar continuava, mas tinha de ser aberto com outros meios. Outro dia, outra aventura e com a ajuda do Orlando Elias (NEL), abriu-se a passagem, por debaixo do caus de blocos. Ora bolas, a verdade é que percebe-se de onde vem a corrente de ar que sai nesta altura do ano, mas é demasiado apertado e sempre a descer, afunilando o seguimento do algar. Terminando aqui a nossa exploração, mas fica cadastrado e aqui, agora partilhado.

 

Figura 3,4 – Planta e perfil desdobrado do algar dos Texugos.

Planta do algar dos Texugos em pdf para download

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Perfil desdobrado do algar dos Texugos em pdf para download

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Ficha de equipagem do algar dos Texugos em pdf para download

F.E. Algar dos Texugos

Fotos do algar dos Texugos (Fotos: José Ribeiro – GEM/WIND, Valentina Correia – WIND).

 

Algar Olha Outro

Foi em prospeção que encontramos este algar e foi mesmo por acaso, pois a sua localização é difícil no meio de toda aquela paisagem. Reparamos que já tinha dois spits, mesmo na entrada e que era um pequeno algar. Bom o seu nome por nós atribuído, pois não constava de qualquer cadastro, deve-se a frase do momento de o encontrarmos aquando da prospeção: Olha está ali outro!!

Figura 5 – Algar Olha Outro (Foto de José Ribeiro – GEM/WIND).

Descrição:

Este pequeno algar abre-se à superfície num, chamemos-lhe circulo que não chega a ter 0,5 m. Segue-se um poço de 5 m, com um pequeno patamar e alargando um pouco à medida que se desce, tem alguns blocos entalados e no seu final, no sentido Este,  um pequeno oco com algumas formas de reconstrução, e no centro um pequeno poço de 2 m, com blocos de varias dimensões, fruto da desobstrução no patamar. Já no sentido Norte, apenas há uma pequena abertura com muita argila.

No pequeno patamar após desobstrução no sentido OSO, há uma pequena passagem, muito apertada dando acesso a ressalto de 2 m, onde se nota no tecto uma chaminé com blocos, dando a perceber uma possível abertura à superfície no passado. Segue-se uma rampa de calhaus e argila, com inclinação acentuada no sentido ONO. Ai entra-se numa pequena sala com tecto irregular, cujo chão apresenta bastantes blocos e argila, sendo este também irregular com algumas reentrâncias. Na zona mais a ONO, a  parede está coberta com um manto de calcite, onde se tem acesso a novo poço de 5 m, apertado no inicio mas mais largo na base. As paredes são a continuação do manto calcítico, tem diversas formas de reconstrução e a sua base é de argila com algumas pedras, formando um pequeno lago.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direcção grosseira WNW-ESE e ENE-WSW, ambas com inclinação subvertical. As camadas regionalmente são próximas do subhorizontal. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários mícriticos da Serra de Aire, datada dos Batoniano, Jurássico Médio.  A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Deu bastante trabalho a abertura daquela pequena passagem, mas valeu a pena deslumbrar o desconhecido, pena foi que ao fim de alguns metros não havia forma de continuar, bom ficou por nós aqui o trabalho feito e registado. Saímos e seguimos pois o dia ainda estava a começar. Aproveitamos para referenciar um pequeno oco que encontramos pelo caminho e partilha-lo também para conhecimento geral, chamamos-lhe Buraco do Fim do Ano, sendo a sua localização:  39.51756 /  -8.81420

Fotos do Buraco do Fim do Ano ( Fotos: Samuel Lopes – WIND).

 

Figura 6/7 – Planta e perfil desdobrado do algar Olha Outro.

Planta do algar Olha Outro em pdf para download

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Perfil desdobrado do algar Olha Outro em pdf para download

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Ficha de equipagem do algar Olha Outro em pdf para download

F.E.Algar Olha Outro

Fotos do algar Olha Outro (Fotos: José Ribeiro – GEM/WIND).

Algar das Mulheres

Estava ser um dia de prospeção em cheio, é o que faz ter malta com vontade de procurar e o trabalho da frutos, assim encontrámos este algar.

Figura 8 – Algar das Mulheres (Foto de Valentina Correia – WIND).

Descrição:

O algar abre-se a superfície com uma boca de cerca de 3 m de comprimento e 1,5 m de largura, acede-se a sua base num  ressalto de 3 m, esta é um pouco mais pequena que a boca do algar, muito por causa de um bloco que ali se encontra. O algar segue por uma pequena passagem no sentido NO. Ai encontra-se uma pequena rampa de argila, seguindo-se um ressalto de 2 m, sempre muito apertado devido a alguns blocos ali entalados e à própria estrutura do algar. Na sua base consegue-se ver um poço muito apertado com cerca de 4 m, nota-se uma pequena probabilidade de continuação na sua base, mas muito estreita.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direcção grosseira NW-SE e NE-SW, ambas com inclinação subvertical. As camadas regionalmente são próximas de serem  subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários mícriticos da Serra de Aire, datada dos Batoniano, Jurássico Médio.  A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

E já esta, mais um cadastrado e partilhado, a obra avança.

Figura 9/10 – Planta e perfil desdobrado do algar das Mulheres.

Planta do algar das Mulheres em pdf para download

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Perfil desdobrado do algar das Mulheres em pdf para download

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Fotos  do algar das Mulheres (Fotos: Valentina Correia – WIND).

 

Algar do Musgo

Este foi daqueles encontrado enquanto esperávamos pela saída dos camaradas que saiam de outra cavidade, ali estava ele a nossa espera, já tinha aquele numero azul a marca-lo, mas não constava em nenhum cadastro. O seu nome deve-se ao muito musgo nas suas paredes de entrada.

Figura 11 – Algar do Musgo (Foto de Pedro Frade – C.E.A.E.).

Descrição:

O algar situa-se num campo de lapiás, bastante irregular e nesta altura coberto de vegetação, a sua boca, quase em forma de quadrado, tem cerca de 2 m x 2 m. Segue-se um pequeno poço de 2 m, a base é mais larga com blocos de várias dimensões e argila. Uma pequena abertura no sentido Norte, deu acesso após uma desobstrução a um pequeno poço de 4 m, com algumas formas de reconstrução no tecto e o chão de argila com vários calhaus, fruto também da desobstrução. Na zona mais a Norte, encontra-se pequeno patamar com algumas estalactites e parede coberta de calcite, terminando ai o pequeno algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direcção grosseira N-S e E-S, ambas com inclinação subvertical. As camadas regionalmente são próximas de serem  subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários mícriticos da Serra de Aire, datada dos Batoniano, Jurássico Médio.  A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

A desobstrução foi fácil, bastou escavar um pouco e estávamos a olhar para o poço que se seguia, é sempre aquele misto de alegria e adrenalina, mas infelizmente ficou mesmo por ali. Pensemos positivo, aquele pequeno canto final é bastante bonito e este já esta, mais um!!!

Figura 12/13 – Planta e perfil desdobrado do algar do Musgo.

Planta do algar do Musgo em pdf para download

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Perfil desdobrado do algar do  Musgo em pdf para download

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Ficha de equipagem do algar do Musgo em pdf para download

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Fotos  do algar do Musgo (Fotos: José Ribeiro GEM/WIND).

Algar Cabeça da Cabra

Estávamos nós em mais um dia de atividade e acertadamente decidimos neste dia ir ali descer aquele algar que tanta vez olhamos e fica mesmo ali ao lado do algar Alecrineiros Sul, até a pequena dolina, da entrada, é idêntica. Bom chamou-nos logo a atenção a caveira da cabeça da cabra. Dai o nome que lhe demos, mais tarde viemos a constatar que estava referenciado no Cadastro de São Bento como A84, com a sinaletica de algar por explorar, partilhado por Sergio Medeiros do GPS.

Equipado, descido, topografado e chamou nos a atenção a pequena abertura ali a meio do poço por onde passava o ar, pimbas ai estão eles a esgravatar e a explorar o desconhecido, o buraco alargava e ansiedade também………. Corrente de ar forte duas possíveis continuações e numa delas já se deslumbrava poço!!!!

Figura 14 – Algar Cabeça da Cabra (Foto de Helena Mafalda – WIND).

Descrição:

Situado numa pequena dolina, o algar abre-se numa, se lhe podemos chamar , janela com cerca de 2 m de largura e pouco mais de 1 m de altura. Segue-se um poço de 12 m com pequenas plataformas sendo a maior um grande bloco ali “entalado”. No fundo com inclinação no sentido ENE, vários calhaus e muita argila.

Numa dessas plataformas e a cerca de 9 m de profundidade, após desobstrução no que é uma junta de estratificação, acede-se a pequeno tramo com cerca de 1m de altura e irregular,  o chão está coberto de argila e calhaus de varias dimensões. Ao cabo de 4 m bifurca, seguindo na direção NNE, acede-se por pequena janela a um patamar que é a cabeceira de um poço de 7 m, dando acesso a sala, irregular com inclinação no sentido inicial SO, rodando de seguida para ONO. Ai ultrapassando sobre um poço de 3m, numa plataforma acede-se a novo poço de 4 m, após desobstrução, novo poço de 9m. Este começa apertado mas alarga até uma zona em que na direção ENE, existe uma zona de caos de blocos e bastante argila. O restante poço à medida que se desce volta a apertar e termina numa zona muito apertada, sendo ai impossível a progressão.

Regressando à bifurcação,  na junta de estratificação e no sentido O, após 2 m, estamos na cabeceira de poço de 7m, na sua base no sentido SO, um poço de 6 m, sinuoso e apertado de onde se sente corrente de ar, mas que aparentemente ligaria a tramo inferior. Já no sentido O (relativamente a cabeceira do poço de 7m), um ressalto de 2m, a que demos o nome “pescoço de cavalo”, apresenta uma boa corrente de ar. Segue-se um poço de 23m.

Entrada apertada com uns blocos ali bem entalados. Á medida que descemos, o poço alarga e ao chegarmos a um  bloco que “mexe mas não sai do sitio “, temos uma descontinuidade, que se desenvolve no sentido Este, mais abaixo a mesma descontinuidade mas agora maior e mais funda, prolonga-se cerca de 6 m, entre “altos e baixos”. Continuando a descer o poço, após uma pequena “prateleira”, temos acesso a grande bloco. Descendo, chegamos a uma sala, de inicio em rampa de cascalheira e depois aplanada, com cerca de 10 m de comprido e uma média de 2 m de largo, tem cerca de 10 m de alto e no canto mais a Oeste é mais alta, zona de onde provém escorrências de água, que faz com que exista na base dessa zona um lago, que escorre para a zona central da sala, onde se infiltra por um poço muito estreito.  As paredes desta sala são irregulares e com as escorrências, dão-lhe um aspeto muito bonito.

Regressando ao cimo do grande bloco, temos uma fenda no sentido NO, esta é “apertadinha” com cerca de 3 m de altura, e dá acesso a um poço de 22 m. De inicio tem cerca de 1,5 m de diâmetro, mas um pouco mais abaixo abre bastante. Descendo, “aterra-se” numa prateleira com pequeno gours e carregada de pérolas de gruta de varias formas e dimensões e na generalidade já coladas com calcite. No sentido NO, temos uma sala, onde se vai descendo por patamares, com o chão cheio de blocos de varias dimensões, a meio encontra-se uma pequena abertura de onde se vê o tramo inferior.

Regressando à “prateleira”, continuando a descer o poço, no sentido ESE, demos com uma sala de boas dimensões com pequeno lago ao fundo, este recebe água proveniente da sala que fica por de cima, que tem o outro pequeno lago. As paredes são irregulares e forradas com alguma calcite. Voltando ao P 22 e descendo até a sua base, abre-se no sentido ONO, uma sala, se assim lhe podemos chamar. O chão é um grande bloco que ali ficou entalado, a ESE existe um pouco mais abaixo fendas com pequeno desenvolvimento e muita argila. Já no sentido ONO o teto é bastante irregular, subindo bastante na zona mais a ONO, ai existe um pequeno patamar, que após ser “conquistado” dá acesso a uma descontinuidade de 2 níveis sobrepostos no sentido SSE, zona bastante irregular com 2 pequenos poços de 7 e 5 metros. As paredes em algumas zonas estão cobertas de calcite.

Novamente na base do P 22, no “grande bloco ali entalado”, no sentido ONO, novo poço de 13 m, do qual se chega a zona mais funda do algar, o chão é irregular e tem muita cascalheira e argila. No canto a SE, desta zona, debaixo de uns blocos e após desobstrução, chega-se a pequeno poço de 3 m. Na zona mais a NO deste tramo, numa pequena fenda por onde se avança alguns metros até não ser humanamente possível continuar. Ai existe um pequeno oco no sentido SO, mas que não continua, já no sentido ONO uma fenda meio poço, meio destrepe muito apertada com cerca de 5 metros de onde se deslumbra novo oco. Pela direção e proximidade, provavelmente ligará a alguma chaminé do algar Alecrineiros Sul.

Geologia:

A gruta aparenta  ter um controlo estrutural por três famílias de fraturas de atitude aproximada N80W/vertical, N60W/vertical e N70E/vertical. As camadas observadas localmente têm atitude  subhorizontal. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários mícriticos da Serra de Aire, datada dos Batoniano, Jurássico Médio.  A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Muita alegria nos deu o descobrir de mais uma passagem, mais um poço e foram preciso algumas saídas para estabilizarmos as passagens, mas faz parte da vida do espeleólogo. Mais alegria nos deu quando levamos uma nova fornada de espeleólogos e descrevemos cada passo desta nossa aventura. Mas nem tudo são rosas, ficamos nos -70m, pois a desobstrução mostrava-se demasiado “hercúlea” e a proximidade do algar Alecrineiros Sul, segundo a topografia, não o justifica.

Mas amigos na verdade ele só tinha 12 m de desnível, agora tem -71 m e ficou ali realizado mais um pouco do nosso projeto.

Figura 15/16 – Planta e perfil desdobrado do algar Cabeça da Cabra.

 

Planta do algar Cabeça da Cabra em pdf A3, para download

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Perfil desdobrado do algar Cabeça da Cabra em pdf A3, para download

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Pormenor da sobreposição de poços e diáclases do algar Cabeça da Cabra em pdf A3, para download

Promenor Algar Cabeça da Cabra

Ficha de equipagem do algar Cabeça da Cabra em pdf A3 para download

F.E.Algar Cabeça da Cabra

Fotos do algar Cabeça da Cabra (Fotos: Samuel Lopes – GEM/WIND).

E já está, mais uma publicação do nosso projeto e aos poucos vamos chegar aos 100 algares, pois já temos mais “material” em mãos e muito trabalhinho nos espera!!

Abraço e até a próxima.

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Algares do cabeço dos Alecrineiros – Parte XI

•31 / 03 / 2018 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116, Baixa da Banheira

Introdução

Eis que de novo voltamos a subir em direcção ao Cabeço dos Alecrineiros, seguindo um percurso pedestre ali existente, fomos seguindo. Fruto de varias saídas de prospecção, exploração e todas aquelas coisas que fazemos em espeleologia, conhecemos mais uns quantos algares.

A saber apresentamos os Algares: Fenda do Caminho, Algar Encalhoado, Algar da Pedra Deitada, Algar do Risco.

Figura 1 – Localização dos algares tendo como referencia, Marco geodésico dos Alecrineiros. 

Adverte-se também e mais uma vez que para sua protecção e da própria cavidade o espeleólogo tem de ter obrigatoriamente formação!!!

Fenda do Caminho

Lá fomos nós para mais uma aventura a subirmos um percurso pedestre que nos leva para a zona do cabeço e ali estava o buraco, certamente já visto por muitos, identificado no Cadastro de São Bento como Afe, mas não constava no Cadastro Nacional de Cavidades. Bom, ficou resolvido.

Figura 2 – Fenda do Caminho  (Foto de José Ribeiro – GEM/WIND).

Descrição:

O algar abre-se à superfície numa fenda com cerca de 1,5m de comprimento e aproximadamente 0,5 m de largura, segue-se um pequeno ressalto que é um bloco de boas dimensões que ali ficou colocado, por debaixo tudo colmatado com blocos de diversas dimensões. No sentido O, prolonga-se mais um par de metros, alcançando a profundidade de 3m, ai também bloqueado por calhaus de diversas dimensões.

Geologia:

O algar da Fenda do Caminho é controlado estruturalmente por uma fractura de atitude aproximada N80W/Vertical. Deverá tratar-se de um “vadose shaft”, conforme descrito por Baron 2003, estas são grutas de desenvolvimento essencialmente vertical que transportam as água do epicarso para as zonas mais profundas do carso. A gruta desenvolve-se segundo Manuppela et al 2000, na formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal datada do Jurássico Médio.

 

Presente:

Já está, os pequenos são pequenos mas também existem, topografado, cadastrado e partilhado.

Figura 3,4 – Planta e perfil desdobrado da Fenda do Caminho.

Planta da Fenda do Caminho em pdf para download

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Perfil desdobrado da Fenda do Caminho em pdf para download

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 Fotos da Fenda do Caminho (Fotos: José Ribeiro – GEM/WIND).

Algar Encalhoado.

Este algar já identificado no Cadastro de São Bento como 466, foi explorado numa saída de campo do NEL com participação de espeleólogos do ARCM e GEM/NALGA , em que se procedeu a sua desobstrução a superfície e exploração, ficando o Paulo Rodrigues encarregue da sua topografia. Bom, o tempo passou-se e a topografia “foi-se”. Mais tarde o algar voltou a ser tapado, para que não caísse ali algum animal. Ao subirmos a ladeira, desviámos dois calhaus e tratámos do assunto.

Figura 5 – Algar Encalhoado (Foto de Paulo Rodrigues – GEM).

Descrição:

Encostado a um chouso o algar abre-se a superfície. A sua boca completamente tapada por blocos de varias dimensões, tem cerca de 4 m de comprimento e  1,5 de largura. Acede-se ao poço de 22 m, desviando 2 pequenos blocos na zona mais a Sul. Nota-se que o poço se desenvolve numa descontinuidade no sentido NO-SE e tem as suas paredes muito forradas de formas de reconstrução parietais. No sentido SE, tem uma pequena plataforma e mais abaixo algumas reentrâncias que ligam a sua base. A sua base tem a inclinação no sentido NO, sendo composta por blocos e argila, ai no final da rampa uma pequena fenda com cerca de 1m de altura e 0,5 m de largura de onde se chega a pequena sala depois de descer um ressalto de 3m.  A pequena sala tem muitas formas de reconstrução sendo o fundo de blocos e argilas, terminando ai o algar.

Geologia:

 O algar  é controlado estruturalmente por uma fractura de atitude aproximada N70W/Vertical. As camadas à boca estão subhorizontais. Deverá tratar-se de um “vadose shaft”, conforme descrito por Baron 2003, estas são grutas de desenvolvimento essencialmente vertical que transportam as água do epicarso para as zonas mais profundas do carso. A gruta desenvolve-se segundo Manuppela et al 2000, na formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal datada do Jurássico Médio.

Presente:

E prontos, isto a buracos por todo lado. Voltámos a recolocar os blocos e seguimos em frente, pois ainda tínhamos muito sol pela frente.

 

Figura 6/7 – Planta e perfil desdobrado do algar Encalhoado.

Planta do algar Encalhoado em pdf para download

algar Encalhoado

Perfil desdobrado do algar Encalhoado em pdf para download

algar Encalhoado

Ficha de equipagem do algar Encalhoado em pdf para download

F.E. Algar Encalhoado

Fotos do algar Encalhoado (Fotos: José Ribeiro – GEM/WIND, Paulo Rodrigues – GEM).

Algar da Pedra Deitada.

Já na zona do Marco geodésico, virámos para Norte e onde já tantas vezes andamos e encontramos diversos algares. Num grande campo de lapiás demos com mais este, identificado com o numero 425 a azul. O nome que lhe atribuímos deve-se ao calhau que tem por cima da sua pequena boca. Fica cadastrado e partilhado, siga.

Figura 8 – Algar da Pedra deitada (Foto de Samuel Lopes – GEM/WIND).

Descrição:

O algar situa-se num vasto campo de lapiás com fendas fundas. Tem um bloco por cima da sua entrada, que não tem mais de 0,5m de diâmetro. Segue-se um poço de 3m, com a sua base em rampa, com inclinação no sentido E-O, apresentando alguns blocos e argila. No mesmo sentido desenvolve-se este pequeno algar. Já no final da rampa olha-se para o tecto e verificam-se pequenas fissuras por onde passa a claridade do dia. Terminando o algar num pequeno oco de altura muito reduzida.

Geologia:

O algar aparenta ser controlado estruturalmente por uma fractura de atitude aproximada NW-SE/Vertical.  Deverá tratar-se de um “vadose shaft”, conforme descrito por Baron 2003, estas são grutas de desenvolvimento essencialmente vertical que transportam as água do epicarso para as zonas mais profundas do carso. A gruta desenvolve-se segundo Manuppela et al 2000, na formação de Calcários Mícriticos da Serra de Aire datada do Jurássico Médio.

Presente:

E já está, certamente identificado por muitos, mas carecia de ser registado. Pelo menos para que os trabalhos não se repitam, como é possível que não estivesse no CNC. Bom agora já está e certamente muitos que por aqui se encontram vão ser identificados, cadastrados e partilhados, abram-se as mentes…….

Figura 9/10 – Planta e perfil desdobrado do algar da Pedra Deitada.

Planta do algar da Pedra Deitada em pdf para download

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Perfil desdobrado do algar da Pedra Deitada em pdf para download

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Ficha de equipagem do algar da Pedra Deitada em pdf para download

F.E.Algar da Pedra Deitada

Fotos do algar da Pedra Deitada (Fotos: Samuel Lopes – GEM/WIND).

Algar do Risco.

Já no regresso, demos com este ali encostado a um chouso, o nome deve-se a bancada de lado que esta tão direita que parece um risco. Encontra-se registado no grupo de São Bento como o código B109.

 

Figura 11  – Algar do Risco (Foto de José Ribeiro – GEM/WIND).

Descrição:

O algar abre-se à superfície com uma boca de aproximadamente 0,5 m, tem um bloco entalado no lado mais a S, havendo desse lado uma outra abertura mas mais estreita. Segue-se um poço de 4 m, a sua base composta por diversos blocos e argila, tem inclinação no sentido S, por onde se desenvolve este pequeno algar.  Tem um pequeno espaço com cerca 3 m de comprimento e no inicio 2 m de largura, afunilando de seguida. Tem algumas formas de reconstrução, inclusive uma estalactite de boas dimensões.

Geologia:

 O algar aparenta ser controlado estruturalmente por uma família de fracturas de atitude aproximada N-S/Vertical.  Deverá tratar-se de um “vadose shaft”, conforme descrito por Baron 2003, estas são grutas de desenvolvimento essencialmente vertical que transportam as água do epicarso para as zonas mais profundas do carso. A gruta desenvolve-se segundo Manuppela et al 2000, na formação de Calcários Mícriticos da Serra de Aire datada do Jurássico Médio.

Presente:

Tem sido um misto de ansiedade e esperança, cada vez que identificamos aqui um algar, é que ali mais a Oeste, olhamos e vemos aquela grande Dolina, aqui “cheira” a gruta que se farta. Ainda não foi desta mas nós vamos lá chegar, nós vamos conseguir e prontos mais um registado, partilhado e cadastrado.

Figura 12/13 – Planta e perfil desdobrado do algar do Risco.

 

Planta do algar do Risco em pdf para download

algar do riscoP

Perfil desdobrado do algar do Risco em pdf para download

algar do riscoS

Ficha de equipagem do algar do Risco em pdf para download

F.E.Algar do Risco

 

Fotos do algar do Risco (Fotos: Samuel Lopes e José Ribeiro – GEM/WIND).

E já está, mais uma publicação. A obra avança e certamente muitas novidades traremos nas próximas publicações.

Abraço e até a próxima…..