•4 / 06 / 2021 • Deixe um Comentário

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Revista Meandro número 4

•28 / 04 / 2021 • Deixe um Comentário

O Grupo de Espeleogeologia e Montanhismo acaba de lançar o número 4 da sua revista Meandro. A revista apresenta os trabalhos e atividades realizadas em 2018. Inclui topografias de mais uma série de grutas portuguesas. Aproveitem que a publicação de topografias fora do GEM e NALGA é coisa rara.

A revista apenas está disponível, por enquanto, em formato electrónico através do link abaixo.

Contenda – o regresso aos banhos

•28 / 02 / 2021 • Deixe um Comentário

Após obtenção de autorização do ICNF, voltou-se às actividades na gruta da Contenda. Desta feita aos espeleomergulhos. A última actividade realizada na gruta, no âmbito do Projeto Contenda, tinha sido em 2015, na galeria SPE 66. O último espeleomergulho datava já de 2013, realizado na galeria do Rio, por António Mendes (NEUA).

Após o interregno de alguns anos, voltou a haver vontade, uma nova equipa de mergulhadores, uma autorização do ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e Florestas) e a comunidade espeleológica voltou a a dizer presente neste esforço.

A equipa de mergulhadores foi composta por José Mário Ventura e Joana Capitani (ambos do GEM) com a organização das atividades a cabo de Pedro Robalo. Como habitual participaram espeleólogos sócios de várias associações a saber, por ordem alfabética: ARCM, AESDA, GEONAUTA, GEM, GEMA, NAMMI, NEL e vários não afiliados.

A autorização do ICNF foi concedida ao Grupo de Espeleologia e Montanhismo (GEM) que foi a entidade organizadora das actividades doravante descritas.

Os objectivos da atividade deste ano foram dar a conhecer a gruta da Contenda a um novo grupo de espeleólogos e realizar um novo mergulho na galeria do Rio. Sobre os mergulhos anteriores aconselhamos a leitura dos posts que podem ser acedidos pelos links: https://nalga.wordpress.com/2013/10/02/contenda-2013/ e https://nalga.wordpress.com/2011/09/04/gruta-da-contenda-2011-a-exploracao-continua/

O objectivo do mergulho era permitir o reconhecimento da parte imersa da galeria do rio já mergulhada anteriormente para posteriormente lançar um novo esforço de exploração na parte imersa da gruta.

Segue-se um “diário das actividades”.

Data: 12/08/2020

Trabalhos realizados: Reconhecimento da gruta. Verificação do nível da água, verificação de ancoragens e substituição de cordas. Teste de invólucro de protecção das garrafas de mergulho. As cordas que se encontravam na gruta foram substituídas por novas, por já não apresentarem condições de segurança. Verificou-se que o nível de água ainda estava quase no topo do poço que faz o acesso à galeria do Rio.

Apesar do nível da água ainda estar alto, dado o adiantado do Verão e questões de agenda, optou-se por começar os preparativos para o mergulho na galeria do Rio.

Data: 15/08/2020

Trabalhos realizados: Transporte de equipamento de mergulho até à galeria SPE 66. Verificação do nível de água. Fotografia e filmagem da gruta e transporte do equipamento. O nível de água encontrava-se 2,5m abaixo da 1º amarração do poço de acesso à galeria do Rio. O nível da água ainda estava muito alto para permitir a realização do mergulho. Foi um dia de grande esforço, mas quase todo o equipamento de mergulho ficou em posição.

Esta imagem tem um texto alternativo em branco, o nome da imagem é img-20200816-wa0004.jpg
Algum do equipamento transportado

Equipa em progressão

Data: 23/08/2020

Trabalhos realizados: Devido às chuvas dos dias anteriores foi necessário entrar para verificar os níveis de água nos sifões 1 e S2. O sifão S1 estava com água mas transitável, foi realizado bombeamento por gravidade e o sifão ficou a drenar para melhorar o acesso. O sifão S2 estava surpreendentemente seco!

Data: 26/08/2020

Trabalhos realizados: Verificação do nível de água. Avaliação do acesso à galeria do Rio por um poço alternativo, que é mais largo.O nível de água encontrava-se 4,9m abaixo da 1º amarração do poço de acesso à galeria do Rio. Contudo o acesso pelo poço alternativo, embora com um nível de água elevado para a época mostrou-se viável. Este poço dá acesso a um afluente que se une à galeria do Rio umas dezenas de metros depois. O nível da água demorava a baixar, num ano usual já se teria acesso franco à zona do mergulho.

Data: 28/08/2020

Trabalhos realizados:: Realização do mergulho na galeria do Rio pelos mergulhadores José Mário Ventura e Joana Capitani e remoção parcial do equipamento de mergulho.

O nível de água encontrava-se 5,3m abaixo da 1º amarração do poço de acesso à galeria do Rio. Apesar do nível da água na gruta, historicamente elevado pelos registos existentes, por questões logísticas o mergulho não podia ser mais adiado.

O mergulho foi realizado com total segurança, seguindo todos os protocolos e com todos os equipamentos necessários. O acesso à galeria do rio foi realizado pelo poço alternativo, acima referido, que dá acesso a uma galeria afluente da galeria do Rio. Não se conseguiu um ponto de acesso prático mas arranjou-se forma de montar os equipamentos e entrar na água. As condições iniciais estavam razoáveis (para o que era esperado), mas infelizmente à medida que se avançou em direcção à galeria do rio, a visibilidade piorava cada vez mais, ao ponto da progressão passar a ser feita pelo tacto. Por esta razão não foi possível a colecta de dados novos e suspeita-se que efectivamente não se tenha sido atingida a galeria do Rio. O mergulho foi realizado com técnica de montagem lateral das garrafas (sidemount) para facilitar o transporte até ao ponto de acesso, e também para permitir o deslocamento em passagens subaquáticas restritas, como é o caso do poço alternativo.

Os equipamentos de mergulho foram parcialmente removidos da gruta.

Alguns vídeos do mergulho da autoria de José Mário Ventura e Joana Capitani podem ser consultados nos links:


Data: 29/08/2020

Trabalhos realizados: Remoção do restante equipamento de mergulho da gruta.

Data: 12/09/2020

Trabalhos realizados: Reconhecimento de outras zonas da gruta. Verificação do nível de água. O nível de água encontrava-se 7,5m abaixo da 1º amarração do poço de acesso à galeria do Rioo. O acesso à galeria do Rio estava aberto e a equipa atingiu o Rio.

Equipa: Ana Barros (GEM), António Afonso (ARCM), António Inácio (Geonauta),Bruno Enes (GEM), Bruno Pais (AESDA ), Carlos Silva (NEL), Dora Sequeira (GEONAUTA), Elisão Roque (NEL),Filipe Castro (GEM), Joana Capitani (GEM), João Bastos (NEL) João Ferreira (NEL), José Lopes (NEL), José Mário Ventura (GEM), José Ribeiro (GEM), Jorge Faustino (GEM), Luís Meira (AESDA), Márcia Cruz (GEM), Marco Matias (GEM), Maria Miguel (AESDA), Paulo Almeida (afiliação desconhecida), Isis Almeida (afiliação desconhecida), Paulo Lopes (GEM), Paulo Rocha (GEMA), Rui Pina (GEM), Pedro Robalo (GEM), Teresa Cardoso (GEM), Vítor Lourenço (GEM), Vitor Toucinho (GEM),Pedro Fazenda (NAMMI).

Algares do cabeço dos Alecrineiros XXIV

•14 / 01 / 2021 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

Introdução

Um terrível incêndio devastou  parte da Serra de Aire e Candeeiros no final do verão, deixando a zona dos Cabeços dos Alecrineiros maioritariamente queimada com um aspeto desolador, mas ao mesmo tempo expondo as bancadas de lapiás e novas possibilidades.

Muita prospeção fizemos e muito quilometro “palmilhamos” em zonas onde até então era impossível aceder e não se pense que foi fácil pois mesmo com a vegetação queimada o terreno é muito irregular e mesmo queimados os troncos dos carrascos dão muita luta. Valeu bem o esforço pois encontramos vários algares que partilhamos para o conhecimento geral.

A saber, Algar da Cratera, Algar da Cratera II, Algar da Pedra Torta, Algar Cabrum e Algar Éla.

Figura 1 – Localização dos algares, tendo como referencia o estradão que provem do cruzamento conhecido na zona como “Os 4 caminhos”, assinalado com seta vermelha.

Adverte-se também e mais uma vez que para sua protecção e da própria cavidade o espeleólogo tem de ter obrigatoriamente formação!!!

Algar da Cratera

Na primavera tínhamos andado bem perto deste algar, mas a vegetação era tão densa que não conseguimos sequer lá chegar perto, agora sim e valeu bem a pena!!!

Figura 2 – Foto da entrada do Algar da Cratera (Foto de Filipe Castro – GEM).

Descrição:

O algar abre-se à superfície com uma boa abertura, fazendo lembrar uma “Meia Bajanca”, algar bem conhecido da maioria dos espeleólogos e por nós aqui já publicado. Tem aproximadamente 12 m X 6 m, sendo a descontinuidade no sentido NO – SE. Segue-se poço com 27 m, este estreita conforme se desce, as suas paredes são lisas com alguns blocos bem presos e o musgo ali existente dá-lhe um aspeto muito bonito. A cerca de 16 m da entrada grande bloco ali “entalado”, com bom patamar. Dai acedemos à base do poço, sendo esta de calhaus de varias dimensões e argila. A sua inclinação é inicialmente acentuada, no sentido NNO – SSE, a meio da base vira no sentido ONO – ESE, sem inclinação. Olhando para cima temos um deslumbre de grande beleza, observando-se o teto com duas aberturas separadas pelo grande bloco e as paredes forradas de musgo e os vários tons da pedra, muito bom!!!

Sensivelmente a meio da base temos pequena abertura no sentido NE – SO, onde após um pequeno destrepe de 2 m, chegamos a zona mais funda do algar, que está preenchida de muito calhau, terminando ai a nossa exploração.

Detetámos muita vida dentro deste algar:  Morcegos, salamandras, vários insetos e efetuámos o resgate do musaranho solitário.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma família de fraturas de direcão grosseira NW – SE, com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul- . A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Mícriticos da Serra de Aire, datada do Batoniano do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, apresentando caneluras de dissolução, sendo estas grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Que espetacular o nosso inicio de atividade, foi de facto uma supresa tão agradável, foi de encher a alma e estava ali tão perto e tão inacessível antes deste terrível incendio, enfim……

Bom esta feito, e olhem não posso de deixar de falar da grande e ferrugenta armadilha de animais de grande porte que para ali foi atirada, a espera que os séculos a consumam e claro do resgate do pequeno musaranho que assim que o libertamos ao Sol, depois de alimentado com um pedaço de maça ali ficou a saborear o calor que tanta falta lhe fazia.

Figura 3,4 – Planta e perfil desdobrado do Algar da Cratera.

Planta do Algar da Cratera em pdf para download

Algar da Cratera Planta

Perfil desdobrado do Algar da Cratera em pdf para download

Algar da Cratera Perfil desdobrado

Ficha de equipagem do Algar da Cratera em pdf para download

F.E.Algar da Cratera

Fotos do Algar do algar da Cratera (Fotos: António Afonso – ARCM).

Algar da Cratera II

Este estava mesmo ali ao lado, na mesma bancada de lapiás, toda a minha gente a trabalhar……

Figura 5 – Foto da entrada do Algar da Cratera II (Foto de António Afonso – ARCM).

Descrição:

A entrada do algar não é uniforme, mas na generalidade tem aproximadamente 6 m X1,5 m, no sentido ONO – ESE, a 4 m da superfície há um patamar que ocupa grande parte do poço, estando preenchido com blocos de vários tamanhos, no canto mais a ONO, prolonga-se o poço até a profundidade de 20 m, tendo algumas reentrâncias no seu desenvolvimento, mas sem continuidade verificada. A base tem inclinação no sentido ESE, de pouca dimensão com cerca de 2 m X 2 m, é de cascalheira e argila. Segue-se uma bifurcação, no sentido SO – NE, após pequeno ressalto temos pequeno oco em que se consegue estar de pé com fundo de cascalheira em que a parede a NE tem formas de reconstrução. Já no sentido ESE, o algar desenvolve -se um bom par de metros depois de ultrapassar ressalto de 2 m, zona mais estreita no sentido de progressão até se chegar a uma barreira de pedra de onde se deslumbra poço apertado de 6 m. A base é de argila e cascalheira, nesta pequena sala se assim lhe podemos chamar, verificamos um inicio de desobstrução no sentido NNE, depois de terminarmos a desobstrução nova pequena sala rica em formas de reconstrução, base de argila e algumas pedras da própria desobstrução, segue no sentido NNE, subindo e afunilando, terminando ai o algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma família de fraturas de direcão grosseira NW-SE, com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul . A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Mícriticos da Serra de Aire, datada do Batoniano do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, apresentando caneluras de dissolução, sendo estas grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

E já está mais um, deu trabalho sim, verificamos pela desobstrução que já ali tinha estado alguém não sabemos quem, pois no Cadastro Nacional de Cavidades não havia qualquer referencia, mas agora já há!!!!

E fica aqui publicado e partilhado para o conhecimento de todos os espeleólogos, para que os trabalhos não se repitam.

Figura 6,7 – Planta e perfil desdobrado do Algar da Cratera II.

Planta do Algar da Cratera II em pdf para download

Algar da Cratera II Planta

Perfil desdobrado do Algar da Cratera II em pdf para download

Algar da Cratera II Perfil desdobrado

Ficha de equipagem do Algar da Cratera II em pdf para download

F.E.Algar da Cratera II

Fotos do Algar do algar da Cratera II (Fotos: António Afonso – ARCM, Rute Santos – GEM).

Algar da Pedra Torta

Mais um dia de prospeção e já numa zona mais a Oeste, uns quantos algares para se trabalhar, divisão de equipes e siga…..

Figura 8 – Foto da entrada do Algar da Pedra Torta (Foto de Pedro Fazenda – NAMMI/AESDA).

Descrição:

Este algar tem duas pequenas entradas, desobstruímos uma que nos pareceu melhor, retirámos a pedra torta e não se pense que foi fácil. Ficando a pequena entrada com cerca 0,5 m X 0,3 m, aproximadamente. Segue-se poço de 3 m, a base de muita argila e alguns calhaus, zona já mais larga com cerca de 1,5m. No sentido E, pequeno corredor que vira no sentido NNE, ai termina após rampa  de argila, afunilando até a outra entrada. Já no sentido S, observa-se uma fenda que nos leva a poço de 8 m. Por cima uma prateleira com vários blocos onde se vê passar a luz do Sol, em baixo a fenda apertada, que após ultrapassada e já no poço se verifica descontinuidade no Sentido SE.  A base tem inclinação no sentido NO, é de muito calhau, terminando ai o algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direcão grosseira NW-SE e NE-SW, com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul . A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Mícriticos da Serra de Aire, datada do Batoniano do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, apresentando caneluras de dissolução, sendo estas grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Pequeno mas de trabalho, aquela base do poço final percebe-se que pode continuar mas é um trabalho de desobstrução lixado, pois não há espaço para colocar os calhaus, enfim mais um!!!

Figura 9,10 – Planta e perfil desdobrado do Algar da Pedra Torta.

Planta do Algar da Pedra Torta em pdf para download

Algar da Pedra Torta Planta

Perfil desdobrado do Algar da Pedra Torta  em pdf para download

Algar da Pedra Torta Perfil desdobrado

Ficha de equipagem do Algar da Pedra Torta em pdf para download

F.E.Algar da Pedra Torta

Fotos do Algar do algar da Pedra Torta (Fotos: Teresa Cardoso – GEM).

Algar do Cabrum

Este foi noutro dia, noutra aventura, apesar de pequeno deu que fazer, mesmo depois do fogo o silvado não ajuda nada!!!

Figura 11 – Foto da entrada do Algar Cabrum (Foto de Filipe Castro – GEM).

Descrição:

O algar tem uma entrada bastante “irregular”, com cerca de 1 m X 1 m, com um bloco a dividir em duas passagens, segue-se um poço de 5 m, a base é de cascalheira e muita argila desenvolvendo-se no sentindo E – O, na zona mais a O, pequeno patamar terminando ai este pequeno algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma família fraturas de direcão grosseiraE-W, com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul . A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Mícritos da Serra de Aire, datada do Batoniano do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, apresentando caneluras de dissolução, sendo estas grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Este até prometia olhando assim de cima antes de desbastar-mos o silvado queimado. Mas como muitos outros “foi sol de pouca dura”, paciência já esta cadastrado e aqui publicado!

Figura 12,13 – Planta e perfil desdobrado do Algar Cabrum.

Planta do Algar Cabrum em pdf para download

Algar Cabrum Planta

Perfil desdobrado do Algar Cabrum  em pdf para download

Algar Cabrum Perfil desdobrado

Ficha de equipagem do Algar Cabrum em pdf para download

F.E.Algar Cabrum

Fotos do Algar do algar Cabrum (Fotos: Filipe Castro – GEM).

Algar Élá

Que belo final de dia, depois de um dia inteiro a vasculhar recantos de “pedra branca e pau queimado”, ali estava ele a nossa espera, sereno como mais uma era se passasse….

Figura 14 – Foto da entrada do Algar Élá (Foto de Filipe Castro – GEM).

Descrição:

Na base de uma pequena elevação,  boa bancada se assim lhe podemos chamar e abre-se o algar à superfície, abertura com aproximadamente 2 m X 1 m, no sentido ONO – ESE. Segue-se poço de 7 m, a base de cascalheira e argila, o teto nesta zona mantem a mesma forma, a frente no mesmo sentido rampa de 10 m, alargando aqui o algar um pouco. Uns metros a frente recanto com formas de reconstrução no sentido NE, já o chão inicialmente tem inclinação no sentido SSO, mas vira para SE, é aqui de muito calhau de varias dimensões. Terminando aqui a zona de rampa com ressalto, na base pequeno oco no sentido NNO, já a frente um bom bloco totalmente colmatado de calcite e com bela coluna e estalactites de varias dimensões, de referir que aqui o teto desceu bastante em relação a zona inicial. Aqui o algar tem boa largura. A SO, zona de teto baixo em que o chão de muito calhau na zona final “encosta” a teto, não sendo possível qualquer progressão. Olhando para SE, verifica-se poço de 3 m de pouca dimensão sendo o fundo de argila e algumas ossadas. No mesmo sentido mas um pouco a esquerda em progressão, belo patamar com ricas e variadas formas de reconstrução sobressaindo as estalagmites. Zona em que se avança subindo, as paredes são forradas maioritariamente de calcite, excetuando zona a NE, uma reentrância com bom blocos e argila. Aqui o algar vai “afunilando, muita estalactites e estalagmites, o chão de calcite e uns belos e pequenos gours. Segue-se passagem estreita com subida em ressalto de 2m. Verifica-se grande alteração no algar pois as paredes são de pedra “nua”, chão de argila com inclinação no Sentido ONO, contrario a direção de progressão. Estamos numa zona de conduta forçada, que segue uns bons metros terminando a frente o algar na zona mais a ESE, com pequena bancada de calcite e argila.

Geologia:

A gruta apresenta algumas características compatíveis com uma gruta de origem freática, como o seu desenvolvimento sobretudo horizontal, as formas arrendondadas das paredes e o que poderão ser vagas de erosão. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Mícriticos da Serra de Aire, datada do Batoniano do Jurássico Médio.

Presente:

Foi realmente um “Élá”, é sempre bom encontrarmos nesta zona um algar com estas características diferentes do habitual de poço atras de poço, apesar de pequeno tem de tudo um pouco e de referenciar que se situa em zona de falha. Detetamos guano na zona de conduta forçada mas pouco e aparentemente com muito tempo.

Figura 15,16 – Planta e perfil desdobrado do Algar Élá.

Planta do Algar Élá em pdf para download

Algar Élá Planta

Perfil desdobrado do Algar Élá  em pdf para download

Algar Élá Perfil desdobrado

Ficha de equipagem do Algar Élá em pdf para download

F.E.Algar Élá

Fotos do Algar do algar Élá (Fotos: Filipe Castro – GEM).

Texto: José Ribeiro    Geologia: Paulo Rodrigues.

Abraço.

Algares do cabeço dos Alecrineiros XXVI

•20 / 12 / 2020 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

Introdução

No seguimento da muita prospeção feita ao longo das ultimas saídas apresentamos mais alguns algares, a saber:

Algar do S, Buraco do Zé de Gatas, Algar Tudo Legal, Algar do Jalles, Buraco das Bolotas e Algar das 2 Salas.

Figura 1 – Localização dos algares, tendo como referencia o cruzamento conhecido na zona como “Os 4 caminhos”, assinalado com seta vermelha.

Adverte-se também e mais uma vez que para sua protecção e da própria cavidade o espeleólogo tem de ter obrigatoriamente formação!!!

Algar do S

Felizmente tínhamos varias equipes no terreno, uma delas veio para aqui, perto da zona do Algar da Bajanca e valeu o tempo, pois ficou a zona um pouco mais preenchida…..

Figura 2 – Foto da entrada do Algar do S (Foto de Marta Sequeira – GEM).

Descrição:

Algar com duas zonas bem distintas. Inicialmente o algar abre-se a superfície em zona por nós escolhida para descer com abertura aproximadamente de 1,5 m X 1 m, segue-se poço de 5 m. Base de muito calhau e argila com paredes forradas de musgo. No Sentido NNO, progressão a subir em que se verifica que a zona esta a “céu aberto” se assim podemos dizer, zona mais larga com forte silvado. Já na sua zona mais elevada a direção de progressão muda no sentido NO, aparecendo novamente teto, um pouco mais a frente nesta pequena sala chaminé com aproximadamente 2 m, já o chão é de calhaus de varias dimensões, sendo a progressão descendente no sentido NO, onde no final existe um pequeno recanto, terminando ai este tramo do algar.

Regressando ao poço de entrada e agora no sentido S, progressão em fenda, sendo esta alta e estreita, mas permitindo boa progressão, paredes com algumas formas de reconstrução e chão de cascalheira, o algar vai se desenvolvendo descendo no sentido de progressão, mais a frente vira no sentido ESE. No final desta pequena rampa, zona em que o algar alarga um pouco e virando no sentido E, aqui o teto desce em relação ao inicio deste tramo e o chão é de alguma argila e alguns calhaus, paredes com alguma calcite e algumas formas de reconstrução terminando um pouco a frente com chaminé de 3 m. Verifica-se um pouco antes, no sentido S, após vencermos pequeno e apertado destrepe, pequena sala com algumas formas de reconstrução chão de argila e algumas ossadas, terminando ai o algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas família de fraturas de direcão grosseira NW – SE e NE-SW, com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Mícritos da Serra de Aire, datada do Batoniano do Jurássico Médio. O poço de entrada aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, apresentando caneluras de dissolução, o resto da cavidade não permite grandes ilações.

Presente:

Não se pense que foi só chegar aqui e “ver e vencer”, não foram varias saídas desde a identificação do algar até a sua exploração, captação de imagens e topografia. E valeu bem o esforço, pois é aqui que nos sentimos  bem, no terreno….

Figura 3,4 – Planta e perfil desdobrado do Algar do S.

Planta do Algar do S em pdf para download

Algar do S Planta

Perfil desdobrado do Algar do S em pdf para download

Algar do S Perfil desdobrado

Ficha de equipagem do Algar do S em pdf para download

F.E.Algar do S

Fotos do Algar do algar do S (Fotos: Rute Santos – GEM).

Buraco do Zé de Gatas

Bom ali bem perto um pequeno buraco que fica registado apenas, pois vamos encontrando alguns assim na prospeção. Sendo as coordenadas (WGS 84)  39.50500ºN  8.80465ºW.

Figura 5 – Foto da entrada do Buraco do Zé de Gatas (Foto de Paulo Lopes – GEM).

Algar Tudo Legal

Descemos e voltamos a subir um pouco e chamou-nos a atenção uma fenda muito bonita com as Heras a darem-lhe um toque especial……….

Figura 6 – Foto da entrada do Algar Tudo Legal (Foto de Rute Santos – GEM).

Descrição:

O algar abre-se à superfície numa fenda no sentido N, com a largura aproximadamente de 1 m, um pequeno ressalto e desce em rampa cerca de 3 m. Segue-se poço de 6 m, aqui já com teto a cobrir a progressão, em frente bloco entalado entre as paredes e em baixo pequenos ressaltos até chegarmos a base do poço.

A base é de muito calhau e argila, as paredes são de uma calcite branca que se está a desfazer, aliás todo o algar é assim. O teto volta a subir encostando-se praticamente à superfície, inclusive verifica-se uma pequena entrada. Esta zona desenvolve-se no sentido NE, já no sentido S, por de baixo de um ressalto uma fenda onde se vê um oco com fundo de argila e terminando um pouco a frente. No sentido NNO, depois de subirmos ressalto de 2 m, fenda de boa altura mas que vai estreitando à medida que se avança, terminando um pouco mais à frente o algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma família de fraturas de direcão grosseira N-S, com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal , datada do Batoniano do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, apresentando caneluras de dissolução, sendo estas grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso. De notar a proximidade da gruta, algumas dezenas de metros, a uma das falhas de direcção WNW-ESE, com preenchimento dolerítico que cortam o Planalto de Sto. António.

Presente:

Pequeno mas de muito trabalho, as paredes são forradas de uma calcite que se esta a desfazer, mas tivemos com muita calma ao mais alto nível…..

Figura 7,8 – Planta e perfil desdobrado do Algar Tudo Legal.

Planta do Algar Tudo Legal em pdf para download

Algar Tudo Legal Planta

Perfil desdobrado do Algar Tudo Legal em pdf para download

Algar Tudo Legal Perfil desdobrado

Ficha de equipagem do Algar Tudo Legal em pdf para download

F.E.Algar Tudo Legal

Fotos do Algar do algar Tudo Legal (Fotos: Rute Santos – GEM).

Algar do Jalles

Figura 9 – Foto da entrada do Algar do Jalles (Foto de Bruno Enes – GEM).

Este algar já foi alvo de trabalho, tendo sido descoberto por Álvaro Jalles (AES), foi feita uma exploração e a respetiva topografia, que fez com que procurássemos algo mais, não só por ter potencial como pela sua localização.

Figura 10 – Topografia Total do algar do Jalles, fruto do trabalho então efetuado.

Existe também uma publicação no  site  do N.A.L.G.A., que pode ser visto copiando este link:

Descrição:

O algar abre-se a superfície num campo de lapiás bem característico da região. Numa depressão que quase faz uma circunferência eis a abertura com cerca de 1,5 m X 1,5 m, aproximadamente. Segue-se poço de 12 m, abre um pouco a medida que se desce e começa-se a perceber o sentido de orientação da cavidade. A base é de muito calhau e argila.

No Sentido NO, pequena abertura já identificada em 2012, que após desobstrução nos leva a passagem estreita descendo no sentido de progressão, muita argila nesta zona. Segue-se pequeno espaço com cerca de 9 m X 1 m, aproximadamente em que tanto o tecto como o chão são irregulares, mas na zona final formas de reconstrução diversas e muito bonitas, com pequeno gours e algumas perolas de gruta, terminando ai esse tramo.

De regresso a base do poço e agora seguindo no sentido SE, o algar continua, descendo no sentido de progressão numa zona de muito bloco e argila, o tecto baixa  voltando a subir um pouco, até se chegar a novo poço de 28 m. Aqui encontramos algumas formas de reconstrução o poço é muito bonito e alarga um pouco na descida, verifica-se no sentido NO, descontinuidade preenchida de blocos e argilas, já no sentido SE verifica-se muitas formas de reconstrução parietais, a cerca de 18 m de descida de poço um patamar, o poço continua agora mais estreito terminando numa base replete de blocos e cascalheira onde se sente uma ligeira frescura mas sendo uma desobstrução “hercúlea”, termina ai a progressão. Já no patamar acima o algar desenvolve-se mais um pouco no sentido SE, zona de chão e tecto irregulares em que no final se verifica chaminé repleta de formas de reconstrução terminando ai o algar.

Verificou se a presença de salamandras e um pequeno sapo. Identificamos também pequenos frascos com produtos químicos que retiramos para colocar no lixo.

Geologia:

O algar do Jalles segundo a Folha 27-A da Carta geológica de Portugal à escala 1/50000 desenvolve-se na formação de Calcários bioclásticos do Codaçal datadas do Batoniano (Jurássico Médio) e com elevado potencial de carsificação.  De referir a proximidade do algar a uma das falhas, intruidas por rochas ígneas, de direcção aproximada NW-SE que cortam o planalto.

A gruta pode ser classificada com um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baroñ, 2003. O controlo estrutural do desenvolvimento da gruta é feito por descontinuidades cujas famílias têm atitude N50W/Vertical. A atitude local das camadas é subhorizontal ( a medição foi realizado no interior da gruta). As paredes dos poços apresentam caneluras de dissolução típicas de “vadose shafts”.

Presente:

Foi graças ao trabalho efetuado pelos nossos amigos, publicado na antiga topografia que voltamos ao algar do Jalles e ainda bem pois desvendamos mais um pouco do algar e melhoramos agora a topografia já com outros métodos e é sempre bom reviver aventuras e perceber a dificuldade que é desbravar o desconhecido.

Figura 11,12 – Planta e perfil desdobrado do Algar do Jalles.

Planta do Algar do Jalles em pdf para download

Perfil desdobrado do Algar do Jalles em pdf para download

Ficha de equipagem do Algar do Jalles em pdf para download

Fotos do Algar do algar do Jalles (Fotos: José Ventura, José Ribeiro – GEM).

Buraco das Bolotas

Mais um buraco que fica aqui registado, estávamos por perto e fomos verificar, sendo as coordenadas (WGS 84)  39.50851ºN  8.81958ºW.

Figura 13 – Foto da entrada do Buraco das Bolotas (Foto de Filipe Castro – GEM).

Algar das 2 Salas

A este chegamos graças a partilha das coordenadas pelo António Afonso (ARCM), que esta sempre pronto a colaborar. Grande Tó assim é que é, e valeu bem o tempo……

Figura 14 – Foto da entrada do Algar das 2 Salas (Foto de José Ventura – GEM).

Descrição:

Numa zona de lapiás, um bom abatimento bem visível nas proximidades e abre-se o algar a superfície. Observa-se duas aberturas separadas por um grande bloco e argila, uma muito estreita e outra mais a N, por onde se consegue passar. Tem cerca de 1,5 m X 0,30 m na sua zona mais “acessível”, segue-se poço de 3 m, meio em destrepe. Por ai chegamos a um pequeno “oco”, chão de muita cascalheira e argila, teto irregular onde são bem visíveis as aberturas das entradas. A NE, verifica-se passagem que liga a outra zona do algar. No centro, poço de 13 m, largo com paredes lisas, sensivelmente a meio fica mais estreito, existindo o primeiro patamar que dá acesso a outro tramo. seguindo até a base do poço volta a estreitar nota-se alguns abatimentos e a 3 m da base novo patamar com bloco entalado, a base é de inclinação no sentido ONO, tem blocos inicialmente e termina em argila na zona mais a ONO.

Regressando ao primeiro patamar, no sentido N, passagem em poço de 3 m com paredes e tetos ricos em formas de reconstrução, até aparenta termos entrado noutro algar. A base com umas belas e gordas estalagmites, paredes forradas de calcite zona muito bonita, ao aproximarmo-nos a NNE, o teto sobe, verifica-se ai ligação a zona de entrada do algar. Um pouco mais a frente a zona abre consideravelmente, na sua maioria é cabeceira de poço de 6 m, do outro lado patamar dividido com bloco que já se encontra concrecionado dando um ar muito belo. As paredes do poço são de calcite, a base é de argila. A SO, passagem para pequena sala, sendo esta preenchida com blocos de varias dimensões terminando ai o algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas família de fraturas de direcão grosseira NW-SE e NE-SE com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Mícriticos da Serra de Aire, datada do Batoniano do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, apresentando caneluras de dissolução, sendo estas grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Que belo local e que algar espetacular, o mesmo algar e dois tramos tão destintos, foi um fantástico dia ficamos bem frescos pois a chuva não deu tréguas, mas valeu bem a pena e já se encontra cadastrado e agora aqui apresentado.

Figura 15,16 – Planta e perfil desdobrado do Algar das 2 Salas.

Planta do Algar das 2 Salas em pdf para download

Algar das 2 Salas Planta

Perfil desdobrado do Algar das 2 Salas em pdf para download

Algar das 2 Salas Perfil desdobrado

Pormenor da sobreposição de poços do Algar das 2 Salas em pdf para download

Pormenor da sobreposição de poços e patamares

Ficha de equipagem do Algar das 2 Salas em pdf para download

F.E.Algar das 2 Salas

Fotos do Algar do algar das 2 Salas (Fotos: José Ventura – GEM).

Siga, mais uma publicação conseguida com o esforço de todos que têm participado das diversas formas.

Texto: José Ribeiro    Geologia: Paulo Rodrigues.

Abraço.

Algares do cabeço dos Alecrineiros XXV

•5 / 12 / 2020 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

Introdução

Nesta publicação deslocamo-nos mais para a zona entre a Moita do Açor e São Bento. Tal qual onde tínhamos ficado na ultima publicação, muito graças ao Sr. António Ferraria e ao Sr. Católico, conterrâneos e muito conhecedores dos algares que por ali se encontram. Aproveitamos também o trabalho efetuado pelos nossos amigos do Núcleo de Espeleologia de Leiria (NEL), no algar Covão Sabugueiro e no algar do Bezerro, apresentando-os aqui para enriquecer um pouco mais o nosso projeto. Juntamos assim um bom grupo de algares, uns pequenos outros maiores, mas todos eles deram muito trabalho, conhecimento e convívio que não pode faltar!!!!

A saber : Algar do Penedo do Pico III, Algar do Penedo do Pico IV, Algar do Penedo do Pico V, Algar do Bezerro, Algar das Lages, Algar do Católico, Algar Covão Sabugueiro e Algar do Sabugueiro.

Figura 1 – Localização dos algares, tendo como referencia a localidade de Covão do Sabugueiro.

Algar do Penedo do Pico III

Muito graças aos algares indicados pelo Sr. António Ferraria, percebemos que a área tinha potencial para mais algares, alguma prospeção e ali estava ele a nossa espera.

Figura 2 – Entrada do algar do Penedo do Pico III (Foto de Filipe Castro – GEM).

Descrição:

Após retirarmos alguns blocos para conseguirmos entrar no algar, a sua boca tem aproximadamente 1 X 1 m, com um bloco que ali ficou entalado mas bem fixo. Segue-se um poço de 7 m, descendo no sentido SSO, com algumas formas de reconstrução alarga a medida que descemos. A base um pouco mais estreita é de cascalheira e alguma argila. Aqui no sentido S, pequena passagem de 3 m com inclinação no mesmo sentido, no final e após desobstrução, pequeno poço de 4 m. Acedemos a uma sala com cerca de 6 X 4 m, de teto e base bastante irregular, blocos de boas dimensões aqui e ali e muitas formas de reconstrução. Na zona mais a S, algumas pequenas aberturas mas colmatadas de argila e cascalheira, terminando ai o algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma família de fraturas de direção grosseira N-s, subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A cavidade desenvolve-se em calcários da formação de Chão das Pias, datados do Bajociano Inferior, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Tiramos os blocos que obstruíam a entrada e já em exploração ficamos felizes por não ser mais um “elevador”. Cheios de “pica”, desobstruímos o caminho a seguir e fomos presenteados com uma bela sala. Infelizmente termina ai o algar, mas é mais um que fica cadastrado e aqui por nós partilhado. E nunca esquecer que voltamos a tapar a sua entrada, pois temos indicação que por vezes o gado anda por aqui em pastar.

Figura 3,4 – Planta e perfil desdobrado do Algar do Penedo do Pico III.

Planta do Algar do Penedo do Pico III em pdf para download

Algar do Penedo do Pico III Planta

Perfil desdobrado do Algar do Penedo do Pico III em pdf para download

Algar Penedo do Pico III Perfil

Ficha de equipagem do Algar do Penedo do Pico III em pdf para download

F.E.Algar do Penedo do Pico III

Fotos do Algar do Penedo do Pico III (Fotos: Filipe Castro – GEM).

Algar do Penedo do Pico IV

Este estava mesmo ao lado, até pensamos que faria parte do mesmo…..

Figura 5 – Entrada do algar do Penedo do Pico IV (Foto de José Ribeiro – GEM).

Descrição:

A boca do algar tem aproximadamente 1 X 0,50 m, sendo a direção no seu comprimento NO-SE, segue-se um poço de 2 m. A base com cerca de 1,50 m de diâmetro esta completamente fechada com blocos e calhaus de varias dimensões, verifica-se pequenos recantos dando a perceber pequenos ocos, mas sem presença de qualquer corrente de ar, terminando ai este pequeno algar.

Geologia:

A cavidade desenvolve-se em calcários da formação de Chão das Pias, datados do Bajociano Inferior, do Jurássico Médio.

Presente:

Bom decidimos colocar também este pequeno algar por estar muito próximo do algar do Penedo do Pico III, para conhecimento geral e também para que os trabalhos não se repitam. E os pequenos também contam!!!

Figura 6,7 – Planta e perfil desdobrado do Algar do Penedo do Pico IV.

Planta do Algar do Penedo do Pico IV em pdf para download

Algar do Penedo do Pico IV Planta

Perfil desdobrado do Algar do Penedo do Pico IV em pdf para download

Algar do Penedo do Pico IV Perfil

Fotos do Algar do Penedo do Pico IV (Fotos: José Ribeiro – GEM).

Algar do Penedo do Pico V

Estava um daqueles dias de calor, diria quase insuportável, mas rendeu bem ali a nossa espera, numa fenda de lapiás bem visível, com uns valentes calhaus a tapá-lo….

Figura 8 – Entrada do algar do Penedo do Pico V (Foto de Filipe Castro – GEM).

Descrição:

No rebordo de um campo de lapiás, e numa fenda (se assim lhe podemos chamar) bem marcada, abre-se o algar à superfície. A sua entrada é no sentido NNO-SSE, tem cerca de 1 m X 0,50 m. Segue-se um poço de 7 m, poço esse que alarga à medida que se desce, inclusive a cerca de 3 m, de profundidade existe um poço paralelo que volta a ligar na base do poço de descida, são ricas as formas de reconstrução nomeadamente no poço paralelo- Identificámos também um enorme numero de grandes aranhas, protegendo os seus casulos,  a sua futura prol. A base é de forte inclinação, tem argila e cascalheira e esta carregada de ossadas de vários animais. Ai percebemos a união dos 2 poços, um pouco mais a frente ficamos num pequeno patamar onde observamos novo poço de 4 m, desenvolvendo-se este no sentido SSO, a base tem inclinação no mesmo sentido esta “pejada” de ossadas e foram identificadas salamandras e vários tipos de insetos. No final deste tramo pequena abertura no recanto mais a SSO, identificado na topografia.

Terminaria ai para nós o algar, mas identificamos na cabeceira do poço de 4m, pequena fenda no sentido NNE, após desobstrução pequena diáclase com desenvolvimento de aproximadamente 5 m, rica em formas de reconstrução e onde se consegue andar bem em pé. No final pequeno poço completamente colmatado de argila, terminando ai o algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas família de fraturas de direção grosseira NE-SW e NW-SE, subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A cavidade desenvolve-se em calcários da formação de Chão das Pias, datados do Bajociano Inferior, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Muito interessante este pequeno algar, as formas de reconstrução as pequenas passagens e claro a “pica” de descobrir algo novo. Não menos importante este estar carregado de vida, pena ter sido em tempos um cemitério de vários tipos de animais. Bom voltamos a tapa-lo e mais um que fica carregado no nosso cadastro e aqui partilhado para conhecimento geral.

Figura 9,10 – Planta e perfil desdobrado do Algar do Penedo do Pico V.

Planta do Algar do Penedo do Pico V em pdf para download

Algar do Penedo do Pico V Planta

Perfil desdobrado do Algar do Penedo do Pico V em pdf para download

Algar do Penedo do Pico V Perfil

Ficha de equipagem do Algar do Penedo do Pico V em pdf para download

F.E.Algar do Penedo do Pico V

Fotos do Algar do Penedo do Pico V (Fotos: Filipe Castro, Jorge Faustino – GEM).

Algar do Bezerro

Andávamos para ali nós a “bater” terreno e nada até que aparece um conterrâneo conhecido por ali como Mocho, mas não gosta que o tratem assim, vai se lá perceber. Bom, conversa puxa conversa e lá nos indicou que ali ao longe a 50 m dos eucaliptos esta lá um algar encostado a estrada…. Bem escusado será dizer que os 50 metros cresceram muito…….

Bom, uns dias depois tivemos conhecimento quem já tinha explorado o algar e o porque do nome!!!

Figura 11 – Entrada do algar do Bezerro (Foto de Bruno Enes – GEM).

Descrição:

Encostado a um estradão que se direciona ao cemitério de São Bento, abre-se o algar a superfície, a entrada tem cerca de 1 m X 0,5 m, tem umas vigas a tapar a entrada. Segue-se poço de 5 m, após a entrada alarga o suficiente para se descer a vontade. A base é de muita argila e alguns calhaus, no sentido NNE, fecha a progressão, já no sentido SSO, o algar desenvolve-se notando-se irregularidades no teto onde se observa algumas estalactites numa zona é que o teto desce um pouco, as paredes são de pedra lisa e em alguns pontos tem formas de reconstrução. O chão inicialmente de argila tem inclinação no sentido SSO, virando para E, onde começa a ser de blocos de varias dimensões. O algar desenvolve-se agora no sentido E, após descida de teto, passagem para zona um pouco apertada onde o algar bifurca. Teto irregular muito calhau no chão e paredes também muito irregulares. No sentido ENE, a passagem prolonga-se por 5 m aproximadamente começando a subir e terminando um pouco mais a frente. Já no Sentido ESE, verifica-se probabilidades de continuação tanto no chão como em frente mas requere muito trabalho de desobstrução, a passagem é muito estreita, terminando para nós ai o algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas família de fraturas de direção grosseira NW-SE e NE-SW, subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW –SE e inclinação suave para Sul. A cavidade desenvolve-se em calcários da formação de Chão das Pias, datados do Bajociano Inferior, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Olhem belo dia de camaradagem, algar simples mas com alguma historia, tivemos conhecimento dela pelos nossos amigos Fael e Hugo do NEL e aqui vai:

O algar do Bezerro foi indicado pelo Sr. Ricardo, que vinha com um bezerro acabado de nascer, trazia-o ao seu colo e ao passar no local o chão abateu e uma das pernas ficou dentro do buraco que se abriu. O Sr. Ricardo informou os elementos do NEL do sucedido, mais tarde alargaram a entrada e desceram o algar. Foi feita a sua exploração e levantamento topográfico.

E prontos é isto, espetáculo!!!!!

Figura 12 – Topografia do Algar do Bezerro.

Topografia do Algar do Bezerro em pdf para download

algar bezerro Top

Ficha de equipagem do Algar do Bezerro em pdf para download

algar bezerro equipagem

Fotos do Algar do Bezerro (Fotos: Marco Matias  – GEM).

Algar das Lages

Num local muito interessante mesmo encostado ao chouso, ali estava ele, reparamos claramente que foi obstruído mas deixa lá ver.….

Figura 13 – Entrada do algar das Lages (Foto de Marco Matias – GEM).

Descrição:

Encostado a um muro, abre-se o algar a superfície com entrada de aproximadamente 1 m, de diâmetro. Abertura irregular preenchida grande parte por blocos e lajes de boas dimensões. No seu canto mais a E, ressalto estreito de 2 m, por onde se entra no pequeno algar, apercebemo-nos rapidamente da grande quantidade de pedra que ali foi colocada. Um pouco a frente vira-se no sentido N, sempre a rastejar mas agora praticamente sem inclinação, chegamos a uma pequena sala em que se consegue estar de pé. No teto pequena abertura que liga a superfície, paredes irregulares e algumas formas de reconstrução algumas de bom tamanho, chão com alguns calhaus e muita argila. No canto mais a N, pequena abertura no sentido O, onde se entra um pouco subindo com fundo de argila e mais tarde juntando-se ao teto, terminando ai o algar.

Geologia:

.A cavidade desenvolve-se em calcários da formação de Chão das Pias, datados do Bajociano Inferior, do Jurássico Médio.

Presente:

Bom este é mais um pequeno algar que claramente foi obstruída a sua continuação, verifica-se no terreno ao lado no sentido O, um abatimento que de alguma forma deve estar relacionado com o algar, mas o objetivo do Projeto não é “esburacar tudo”, mas sim a partilha de conhecimento e já esta, aqui e agora.

Figura 14,15 – Planta e perfil desdobrado do Algar das Lages.

Planta do Algar das Lages em pdf para download

Algar das Lages Planta

Perfil desdobrado do Algar das Lages em pdf para download

Algar das Lages Perfil desdobrado

Fotos do Algar das Lages (Fotos: Marco Matias – GEM).

Algar do Católico

Este quem nos indicou foi o Sr. Católico, dai o nome que demos ao algar. Vive mesmo ali ao lado no sitio Casal Velho, é conhecedor de muitos algares da zona e tem cá com cada historia para contar…..

Figura 16,17 – Foto do Sr. Católico e entrada do algar do Católico (Fotos de Rui Pina, Rute Santos – GEM).

Descrição:

O algar abre-se a superfície com pequena abertura de cerca de 1 m x 0,5 m, aproximadamente. Normalmente tapado com troncos e pedras. Segue-se um poço de 12 m, com alguns recantos mas alarga um pouco na descida. as paredes tem muita argila e algumas pedras, com as quais devemos ter cuidado.

A base com inclinação no sentido O, é de cascalheira argila e muito lixo. Por ai se desenvolve este pequeno algar, após passagem de 3 m, pequena sala rica em formas de reconstrução, com aproximadamente 4 m X 3 m. Por de baixo desta sala verifica-se passagem muito apertada no sentido OSO,  onde foi feita desobstrução, da qual desconhecemos a autoria.  Passagem muito estreita de onde se chega a pequeno recanto com aproximadamente 2 m X 0,5 m. Ai verifica-se uma probabilidade de continuação do algar no seu canto mais a E, sendo muito apertado e na vertical.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma família de fraturas de direção grosseira W-E, subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A cavidade desenvolve-se em calcários da formação de Chão das Pias, datados do Bajociano Inferior, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Segundo relatos de alguns conterrâneos, ao lado desde pequeno algar onde agora se pode ver um grande monte de pedra e argilas, existia a abertura de um algar muito fundo, sendo esta obstruída muito por causa da proximidade da estrada e segundo os mesmo para se proteger animais e pessoas. Pergunto-me se não seria mais simples “vedar”.

Bom, provavelmente aquela pequena abertura identificada na topografia com ponto de interrogação comunica a esse suposto algar, não sendo de estranhar a pequena corrente de ar que se sente.

Da nossa parte o trabalho esta feito e partilhado aqui para conhecimento geral.

Figura 18,19 – Planta e perfil desdobrado do Algar do Católico.

Planta do Algar do Católico em pdf para download

Algar do Católico Planta

Perfil desdobrado do Algar do Católico em pdf para download

Algar do Católico Perfil desdobrado

Ficha de equipagem do Algar do Católico em pdf para download

F.E.Algar do Católico

Fotos do Algar do Católico (Fotos: Rute Santos – GEM).

Algar Covão Sabugueiro

Este está em exploração pelos amigos do NEL e graças a eles partilhamos aqui algum desenvolvimento dos trabalhos.

Figura 20 – Entrada do algar do Covão Sabugueiro (Foto de Filipe Castro – GEM).

A malta do NEL, continua em trabalho de desobstrução e com o Covid-19, não tem sido fácil. Bom aguardamos por mais novidades. Fica aqui uma fotografia da zona e respetivas coordenadas.

Figura 21 – Zona do algar do Covão Sabugueiro, com muro de proteção para evitar possíveis abatimentos no teto da galeria principal. (Foto de Filipe Castro – GEM). Coordenadas : (WGS 84)  39.52189  -8.78920

Algar do Sabugueiro

Bom na realidade para este fomos caminhando, colhendo e comendo, figos e amoras silvestres e ao mesmo tempo apresentámo-nos  a um conterrâneo que ali passava e que nos indicou este algar.

Figura 22 – Entrada do algar do Sabugueiro (Foto de Marco Matias – GEM ).

Descrição:

O algar abre-se a superfície com boca de boas dimensões, 3,5 X 1,5 m, aproximadamente, a abertura é no sentido NE-SO, segue-se um poço de 13 m, descendo ligeiramente no sentido NO. A base de boas dimensões, esta completamente atolada em blocos de varias dimensões, alguma argila e bastante lixo, tem inclinação no sentido NO. Ai sempre encostado nas zonas mais a NO percebe-se que o algar esta completamente bloqueado, pequenos ocos a que se consegue aceder em 2 passagens em destrepe tanto a  NE, como a SO, passagens essas que estão completamente entulhadas, terminando ai o algar.

Detetamos a presença de algumas salamandras, principalmente no poço de entrada.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma família de fraturas de direcão grosseira NW-SE, subvertical. As camadas localmente são subhorizontais. A cavidade desenvolve-se em calcários da formação de Chão das Pias, datados do Bajociano Inferior, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso..

Presente:

E já esta, um belo poço de entrada, algum trabalho e mais um cadastrado e partilhado.

Figura 23,24 – Planta e perfil desdobrado do Algar do Sabugueiro.

Planta do Algar do Sabugueiro em pdf para download

Algar do Sabugueiro Planta

Perfil desdobrado do Algar do Sabugueiro em pdf para download

Algar do Sabugueiro Perfil

Ficha de equipagem do Algar do sabugueiro em pdf para download

F.E.Algar do Sabugueiro

Fotos do Algar do Sabugueiro (Fotos: Marco Matias – GEM).

E já esta amigos mais uma publicação do nosso projeto, em breve chegaremos as 100 cavidades neste pequeno pedaço do PNSAC, onde tantas aventuras temos vivido e tão boa gente temos conhecido…..

Texto: José Ribeiro    Geologia: Paulo Rodrigues.

Algares do cabeço dos Alecrineiros XXIII

•29 / 09 / 2020 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

Introdução

Amigos estamos de novo do terreno e a dar continuidade ao nosso projeto. É certo que o Covid-19, travou praticamente toda a nossa dinâmica mas aos poucos recomeçamos novamente a voltar a este cantinho que tanto gostamos.

Aproveitando a zona que tínhamos explorado, para a última publicação, ali junto ao algar dos Arames, subimos um monte que nos chamou a atenção e descobrimos 3 pequenos algares. De regresso aos carros encontrámo-nos com o Senhor António Ferraria, conterrâneo ali da Moita do Açor, que nos conhece já há algum tempo, pois tem-nos visto muitas vezes por ali. Conversa puxa conversa e lá nos levou a alguns algares por onde passava descalço, em miúdo para ir à escola em São Bento.

Muito interessante, estas histórias que fomos ouvindo.

– Ali, acolá onde estão aqueles silvados há dois, mas deitavam tanto fumo que pareciam que lá tinham o diabo….

– Este aqui descíamos com uma corda e uma vela, mas só um pouco pois acolá era muito fundo e só tínhamos 7 anos, éramos novos…..

Já para não falarmos do Senhor “Católico”, conterrâneo bem conhecido na zona que nos indicou mais uns algares e outras tantas historias, mas lá chegaremos, por agora apresentamos cinco algares.

A saber: Algar do Rachão, Algar da Rachela, Algar da Rachinha, Algar do Penedo do Pico I e Algar do Penedo do Pico II.

Figura 1 – Localização dos algares, tendo como referencia a localidade de São Bento.

Algar do Rachão

Em prospeção num final de tarde encontramos este algar e verificámos que tinha sido obstruído, não sendo estranho o facto de ali ser um local de pasto e passagem de gado.

Figura 2 – Entrada do algar do Rachão (Foto de José Ventura – GEM).

Descrição:

Após desobstrução a boca do algar tem sensivelmente, 2 metros de comprimento e na sua zona mais larga meio metro. Ao centro um grande bloco. A abertura é no sentido SO-NE.

Segue-se poço de 7 metros, paredes lisas com algumas formas de reconstrução. A base com muita cascalheira e blocos tem inclinação no sentido NE, terminando no final dessa inclinação o algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma famílias de fraturas de direcão grosseira NE – SW, a com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul, localmente são subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, do Batoniano do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Ficámos bastante entusiasmados com este algar, desóbstruimos a boca, mas depressa reparámos que a base do poço também tinha sido totalmente obstruída. Paciência, é mais um que fica registado e depois de recolhermos os dados voltámos a tapar a entrada.

Figura 3,4 – Planta e perfil desdobrado do Algar do Rachão.

Planta do Algar do Rachão em pdf para download

Algar do Rachão Planta

Perfil desdobrado do Algar do Rachão em pdf para download

Algar do Rachao Perfil dedobrado

Ficha de equipagem do Algar do Rachão em pdf para download

F.E.Algar do Rachão

Fotos do Algar do Rachão (Fotos: José Ventura e Joana de Capitani – GEM).

Algar da Rachela

O dia avançou, mas ainda tínhamos muito tempo, mãos à obra que aqui há qualquer coisa, vai de desobstruir….

Figura 5 – Entrada do algar da Rachela (Foto de Joana de Capitani – GEM).

Descrição:

No meio de um caos de blocos havia uma pequena fissura, após desobstrução a boca do algar tem agora aproximadamente 1 m X 1 m, segue-se um ressalto de 3 metros bem mais apertado, tendo sido desobstruído, segue no sentido NNE. No final do ressalto um poço de 7 metros, aí acompanha-nos na descida uma grande coluna que chega praticamente à base do poço.

O algar termina numa sala que se desenvolve no sentido NNE, com cerca de 2 metros alargando um pouco. Tem algumas prateleiras e muitas formas de reconstrução, algumas de bom volume tornando a sala muito bonita. O chão é de cascalheira e alguma argila. Nota-se no sentido NO-SE, duas pequenas fendas no chão que estão colmatadas com calcite, não se sentindo qualquer circulação de ar, terminando ai o algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma família de  fraturas de direcão grosseira NE – SW,  com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul, localmente são subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, do Batoniano do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Curiosamente quem reparou inicialmente naquele possível algar foi o Rui Pina, mas estávamos tão entusiasmados com a descoberta do Rachão que na altura nem ligámos muito, bom mais tarde enquanto parte da equipa estava a trabalhar noutro algar a restante malta investiu neste. E valeu bem a pena pois as formações são magnificas e é mais um que fica registado e agora partilhado.

Figura 6,7 – Planta e perfil desdobrado do Algar da Rachela.

Planta do Algar da Rachela em pdf para download

Algar da Rachela Planta

Perfil desdobrado do Algar da Rachela em pdf para download

Algar da Rachela Perfil desdobrado

Ficha de equipagem do Algar da Rachela em pdf para download

F.E.Algar da Rachela

Fotos do Algar da Rachela (Fotos: José Ventura – GEM).

Algar da Rachinha

Ora bem, enquanto parte da equipa estava no algar da Rachela em desobstrução a restante malta estava a desobstruir a Rachinha, já antes identificada, com entusiasmo lá a fomos “alargando”.

Figura 8,9 – Entrada do algar da Rachinha, antes e após desobstrução (Foto de José Ventura – GEM).

Descrição:

O pequeno algar abre-se à superfície e após desobstrução com pequena abertura de cerca de 0,5 m X 0,3 m, na sua zona mais larga e com um bloco no centro. Segue-se um poço de 7 metros. Inicialmente um pequeno patamar em caos de blocos que se ultrapassa pela lateral. O poço desenvolve-se inicialmente no sentido E-O, mas rapidamente vira no sentido N, uma rampa de argila acompanha a descida, algumas formas de reconstrução, nomeadamente muitas estalactites e rapidamente estamos na base do poço com muita argila.

A N, um pequeno poço, se assim lhe podemos chamar, com cerca de 0,5 m de diâmetro, alarga na base mas está completamente colmatado de argila e as paredes forradas de calcite, terminando ai o pequeno algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma famílias de fraturas de direcão grosseira NE – SW, a com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul, localmente são subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, do Batoniano do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Bem este deu muita “luta”, deu esperança quando se detetou o pequeno poço na sua base, mas como muitos outros ficou-se por ali, paciência coisas de espeleólogos. Fica mais um registado e voltámos a tapá-lo, depois da recolha de dados.

Figura 10,11 – Planta e perfil desdobrado do Algar da Rachinha.

Planta do Algar da Rachinha em pdf para download

Algar da Rachinha Planta

Perfil desdobrado do Algar da Rachinha em pdf para download

Algar da Rachinha Perfil desdobrado

Ficha de equipagem do Algar da Rachinha em pdf para download

F.E.Algar da Rachinha

Fotos do Algar da Rachinha (Fotos: José Ventura – GEM).

Algar do Penedo do Pico I

Como combinado numa saída anterior, lá estava o Sr. António Ferraria, conterrâneo dali do “paraíso dos algares”, à nossa espera. Numa tarde de calor foi-nos então mostrar uns algares que ele conhece desde muito novo. Fomos por ali a fora a acompanhar o Senhor António, que com os suas 84 Primaveras deu-nos um “baile” de como se anda no campo. Aqui e ali ao mesmo tempo que nos indicava os algares foi-nos contando as suas historias que remontam à sua infância.

Figura 12 – O senhor António a indicar-nos mais um algar (Foto de Márcia Cruz – GEM).

Uns dias depois fomos então explorar o algar, numa zona bastante promissora.

Figura 13 – Entrada do algar do Penedo do Pico I (Foto de Márcia Cruz – GEM).

Descrição:

O algar tem 3 aberturas à superfície, uma delas a mais a O, tem cerca 3 m X 2m, mas está coberta com uma bela figueira em que as raízes ocupam praticamente todo o espaço, apesar de ser um destrepe de 3 m, decidimos não perturbar. A que se encontra no centro é pequena e instável de difícil acesso, descemos pela abertura mais a E, tem aproximadamente 2 m, de comprimento e 0,5 m, de largura. Segue-se um poço de 11 metros, com dois patamares bem pronunciados à medida que descemos mas sem qualquer continuidade. A base é um caos de blocos com inclinação no sentido ENE, no final a zona fica plana com argila, com algumas ossadas e uma chaminé que na sua zona mais elevada comunica com pequena janela em zona bem visível. Já no sentido OSO, verificam-se algumas reentrâncias sem qualquer continuidade. No topo da inclinação deste caos de blocos um ressalto de 2 metros leva-nos a pequeno desenvolvimento no sentido N, tem uma pequena continuidade em baixo terminando logo ai. No topo do ressalto é bem visível a abertura com a figueira a cobrir a entrada. O chão é um misto de blocos e argila e segue no sentido N, terminando ai o algar com uma pequena chaminé. Verificamos que o algar tem bastante vida, algumas salamandras e vários tipos de insetos.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por  duas famílias de fraturas de direcão grosseira N–S e E-W,  com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul, localmente são subhorizontais. A gruta desenvolve-se segundo Manuppela et al 2000, na formação de Calcários de Chão das Pias datada do andar Bajociano Inferior do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Agradável surpresa este algar, apesar de pequeno é um local bem bonito com o sol a entrar pelo poço dá um aspeto muito bonito ao salão, se assim lhe podemos chamar.

Figura 14,15 – Planta e perfil desdobrado do Algar do Penedo do Pico I.

Planta do Algar do Penedo do Pico I em pdf para download

Algar do Penedo do Pico Planta

Perfil desdobrado do Algar do Algar do Penedo do Pico I em pdf para download

Algar do Penedo do Pico I Perfil

Ficha de equipagem do Algar do Penedo do Pico I em pdf para download

F.E.Algar do Penedo do Pico I

Fotos do Algar do Penedo do Pico I (Fotos: José Ribeiro – GEM).

Algar do Penedo do Pico II

Este estava mesmo ali ao lado, foi equipar e explorar….

Figura 16 – Entrada do algar do Penedo do Pico II (Foto de Rui Pina – GEM).

Descrição:

A boca do algar tem cerca de 2 m, de comprimento e no seu ponto mais largo 1 m, segue-se um poço de 11 metros, no inicio um pequeno patamar, as paredes são forradas de formas de reconstrução e musgo, dando-lhe um aspeto muito bonito. A base é de muitos blocos, ossadas e lixo que se nota ser de outros tempos. No sentido S, pequeno recanto em destrepe onde se observa uma pequena fenda, mas estando entulhada com ossadas e muitos calhaus. Já no sentido N, avança-se um pouco, com inclinação no sentido de progressão,  após destrepe termina ai o algar, nota-se também uma pequena abertura mas completamente bloqueada com muitos calhaus e ossadas.

Verificámos a presença de salamandras.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por   uma família de fraturas de direcão grosseira NNE-SSW,  com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul, localmente são subhorizontais. A gruta desenvolve-se segundo Manuppela et al 2000, na formação de Calcários de Chão das Pias datada do andar Bajociano Inferior do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Algar interessante apesar de pequeno, nota-se que foi alvo de “entulhamento” se assim lhe podemos chamar. Provavelmente tem continuação, removendo todos aqueles blocos, mas o objetivo do projeto é sobretudo a partilha de conhecimento e para já ficamos por aqui.

 

 

Figura 17,18 – Planta e perfil desdobrado do Algar do Penedo do Pico II.

Planta do Algar do Penedo do Pico II em pdf para download

Algar do Penedo do Pico II Planta

Perfil desdobrado do Algar do Algar do Penedo do Pico II em pdf para download

Algar do Penedo do Pico II Perfil

Ficha de equipagem do Algar do Penedo do Pico I em pdf para download

F.E.Algar do Penedo do Pico II

Fotos do Algar do Penedo do Pico II (Fotos: José Ribeiro – GEM).

E já está, mais uma publicação do nosso trabalho, agora vamos estar centrados na campanha da Contenda, mas voltaremos em breve, pois a zona é muito promissora…….

Texto: José Ribeiro    Geologia: Paulo Rodrigues.

Abraço.

O Cano de Sintra – Aquela gruta em Arruda dos Vinhos, Parte I.

•24 / 05 / 2020 • Deixe um Comentário

Em Arruda dos Vinhos, nobre cidade e sede de concelho, há muito que se fala de uma nascente, ali num pequeno lugar que tem por nome, Mata. Zona com muita flora e fauna onde pontificam algumas linhas de água, não sendo indiferente o facto de ali existirem boas zonas de planaltos.

Figura 1 – Foto da zona de planalto onde se desenvolve a gruta Cano de Sintra. (Foto de José Ventura – GEM).

De facto há muito que aqui por estas terras se fala da gruta do Cano de Sintra, existe inclusive uma história, lenda, cheia de misticismo, relatando acontecimentos dramáticos!!!

Lenda dos Quarenta Queimados

No Lugar da Mata há uma Lapa que se crê ter ligação subterrânea a Sintra, sendo por isso conhecida por “Cano de Sintra”. No seu interior existem corredores labirínticos, alguns deles sem saída, onde os mouros ocultaram grandes tesouros.

Durante a crise de 1383-1385, o rei de Castela, D. João, a caminho da cidade de Lisboa para cercá-la e tomá-la aos portugueses, pernoitou no Paço de Arruda. Durante a noite, dois fidalgos Arrudenses que se tinham escondido debaixo do leito onde dormia o rei castelhano tentaram apunhalá-lo mas foram descobertos e condenados de imediato à morte na forca. A população, com medo, abandonou a vila e escondeu-se no “ Cano de Sintra”. Os castelhanos, apercebendo-se da fuga, incendiaram a entrada da gruta, provocando assim a morte a 40 pessoas.

http://www.cm-arruda.pt/lendas-locais (pesquisa de Vítor Amendoeira)

Bom, num passado mais recente, precisamente nas grandes cheias de Novembro 1966, segundo o relato do conterrâneo, Sr. João António, que vive bem perto da pequena ribeira, alimentada pela água que brota do Cano de Sintra:

– Nessa noite choveu aqui como nunca, a água saía com tal força que extravasou a ribeira e destruiu aquela casa que ali se encontrava, morreram muitas pessoas aqui em Arruda dos Vinhos, foi só destruição e morte.

Figura 2 – Foto da casa em ruínas, ao lado da pequena ribeira. (Foto de José Ventura – GEM).

Ora muitos espeleólogos e curiosos tem certamente visitado esta gruta, recordo-me de a ter visitado pela primeira vez em Abril de 2001, e ter ficado à entrada pois a água era tanta que não nos permitia entrar na gruta.

Recentemente o GEM, voltou a visitar esta cavidade, mas com o objetivo de a conhecer um pouco melhor, assentando o nosso trabalho na topografia, fotografia, conhecimento da sua geologia, trabalho de desobstrução na ponta de exploração, prospeção e claro muito convívio.

Figura 3 – Foto da entrada do Cano de Sintra no verão de 2019. (Foto de José Ribeiro – GEM).

Infelizmente não temos qualquer foto da nascente com bastante descarga, como foi relatado anteriormente. Sabemos que em época de grande pluviosidade, ela ocupa boa parte da entrada da cavidade.

Figura 4 – Foto da entrada do Cano de Sintra em Abril de 2020. (Foto de Vítor Lourenço – GEM).

Adverte-se também e mais uma vez que para sua proteção e da própria cavidade o espeleólogo tem de ter obrigatoriamente formação!!!

A gruta do Cano de Sintra abre-se a superfície à cota 260 m, é uma surgência perene (de acordo com a definição de Bogli, 1980), pois a nascente não debita água permanentemente.

Acede-se à entrada seguindo a linha de agua em terreno inclinado, chegando a uma escarpa de alguns metros de altura. Após subirmos pequeno destrepe alcançamos a entrada com aproximadamente 1,5m X 1,5m.

Figura 5 – Foto da entrada da gruta e inicio do  Meandro dos 40 Mortos . (Foto de José Ventura – GEM).

Entramos então no meandro dos 40 Mortos, zona em que a altura da gruta varia entre 1 metro e os 3 metros, de largura também irregular, mas consegue-se boa progressão. O chão é de cascalheira, irregular muito derivado ao fluxo da agua. Algumas bancadas laterais, se assim lhe podemos chamar pontificam nesta zona.

Figura 6 – Foto no Meandro dos 40 Mortos . (Foto de José Ventura – GEM).

O meandro tem aproximadamente 43 metros de extensão em padrão meandriforme, com orientação predominante no sentido NO. A inclinação é baixa, o desnível da entrada até  termino deste meandro é de cerca de 0,5 metros.

Em épocas de chuva observamos aqui e ali pequenos morcegos, já no tempo seco muito mosquito junto a entrada, algumas aranhas e pequenos caracóis.  Observamos também aqui e ali pequenos fungos.

Figura 7 – Foto de pequeno fungo. (Foto de José Ventura – GEM).

Segue-se a conduta das tormentas, demos-lhe este nome pois a progressão é sempre feita a rastejar, no máximo de cócoras e tem uma extensão de aproximadamente 106 metros.

Figura 8 – Foto dos primeiros metros da progressão na Conduta das Tormentas. (Foto de José Ventura – GEM).

É de facto uma zona muito dura para chegar mais além. O chão tem alguma pedra solta, mas na generalidade é mesmo muito irregular, derivado à corrosão da agua que vai corroendo o calcário com a sua força e o passar dos tempos.

Figura 9 – Foto de progressão na Conduta das Tormentas. (Foto de José Ribeiro – GEM).

Como se observa nas fotos acima, esta zona tem no sua parte de maior altura 1 metro, mas na generalidade nunca ultrapassa o meio metro. A orientação desta conduta é geralmente no sentido NNO. Percebe-se na gruta e com apoio no perfil desdobrado da topografia, que existem zonas onde a água ocupa todo o espaço, daí em algumas zonas a concentração de argila, nomeadamente nas zonas onde se criam os sifões, já com caudal mais reduzido, como se verifica na imagem abaixo.

Figura 10 – Foto de progressão na Conduta das Tormentas, zona final. (Foto de José Ventura – GEM).

Terminando a progressão nesta zona, segue-se o meandro do corno, e não se pense que seguir em frente é muito melhor, “é a tarimba das freáticas”.

Foi dado o nome de meandro do corno a este tramo da cavidade, derivado à forma única  de rocha que sobressai do teto no seu inicio.

Figura 11 – Foto da forma de rocha no teto do inicio do meandro do corno. (Foto de José Ventura – GEM).

Atenção no inicio desta zona da gruta sentimos claramente a quebra de oxigénio, não sendo alheio o fato de quando em carga ser possivelmente, esta uma zona de sifão e haver menos circulação de ar. Recorremos ao uso de garrafa de ar  comprimido, como se pode ver na imagem abaixo.

Figura 12 – Local de quebra de oxigénio. (Foto de José Ribeiro – GEM).

Aqui a gruta volta a mudar de configuração, na generalidade avançamos um pouco em ziguezague, o chão é sempre de argila e alguma areia, sendo esta muito fina. A altura deste meandro inicialmente é baixa, mas na generalidade esta entre 1,5 metros e 2 metros, já a sua largura raramente ultrapassa 1 metro.

Figura 13 – Foto de zona no meandro do corno. (Foto de José Ventura – GEM).

Este meandro tem o desenvolvimento de 115 metros aproximadamente, tem pouca ou quase nenhuma inclinação, a sua orientação predominante é no sentido NO.

Segue-se o meandro das prateleiras,  zona a qual demos este nome graças as muitas bancadas laterais ali existentes que parecem aquelas prateleiras para arrumar os muitos livros de uma biblioteca qualquer.

Figura 14 – Foto do inicio meandro das prateleiras. (Foto de José Ventura – GEM).

Aqui neste meandro andámos quase sempre em pé, variando a altura entre 1 metro e os 2,5 metros. É também a zona mais larga da gruta, mas a sua própria largura é inconstante e tem varias bancadas laterais, algumas bem encostadas ao teto e outras mais baixas, como se verifica na imagem abaixo.

Figura 15 – Foto do meandro das prateleiras. (Foto de José Ventura – GEM).

O chão é muito irregular, como na conduta das tormentas, não sendo indiferente o fato de este tramo ter 1,5 metros de inclinação, descendente no sentido da nascente, quando em carga a agua deve correr bem. A sua orientação predominante é no sentido ONO e tem uma extensão de aproximadamente 82 metros.

A zona final deste meandro a diferença de altura do chão em relação a entrada é de mais 4 metros, nesta zona há vários blocos no chão e a gruta começa a “afunilar”, até chegarmos a zona de desobstrução.

Figura 16 – Foto da zona final do meandro das prateleiras. (Foto de José Ventura – GEM).

Aqui a gruta muda radicalmente. A argila domina o espaço, é tudo muito confinado.

Figura 17 – Foto da zona inicial da desobstrução. (Foto de José Ventura – GEM).

A desobstrução foi iniciada em Agosto de 2019,  por Vítor Lourenço (GEM), Maria Barata (GEAL) e Paulo Pereira (GEAL), que após alguma persistência conseguiram abrir a passagem para se conseguir chegar mais a frente.

Figura 18 – Foto do trabalho de desobstrução. (Foto de Vítor Lourenço – GEM).

A gruta continua, inicialmente descendo um pouco, sempre com muita argila mas já um pouco mais largo que a zona de desobstrução.

Figura 19 – Foto da zona a seguir a desobstrução. (Foto de José Ribeiro – GEM).

A frente a volta a abrir, aqui o teto as paredes e o chão estão forrados de argila, e é visível a presença de agua.

Figura 20 – Foto da continuação da gruta. (Foto de Vítor Lourenço – GEM).

A gruta continua claramente, os trabalhos na altura de exploração foram interrompidos derivado a presença de CO2, pois o Vítor Lourenço sentiu dores de cabeça, decidiu e bem regressar.

No que diz respeito aos trabalhos dentro da gruta, foi realizado a desobstrução e a respetiva topografia como se observa nas imagens a baixo.

 

 

Figuras 21 e 22 – Planta e Perfil desdobrado da Gruta Cano de Sintra.

Geologia

Potencial de carsificaçao das formações 

A gruta desenvolve-se em calcários da formação dDE Calcários Corálicos do Amaral  do andar Kimerdgiano, do Jurássico Superior. De acordo com Zbyszewski e Assunção, 1965 esta formação é composta por massas calcárias, por vezes separadas por margas ou margo-calcários. É nesta formação que se formam as escarpas na parte superior das vertentes desta região. A sua espessura aparenta ser em alguns sítios de 100 metros, sendo que os seus  50 metros inferiores são de calcário rijo. A formação de Calcários Corálicos do Amaral terá  um grau de carsificação considerável, devido ao um mais elevada percentagem de carbonatos.

A formação de Calcários Corálicos do Amaral encontra-se “encaixada” entre outras duas formações também carbonatadas mas menos carsificáveis. Sob esta formação encontra-se a formação de Calcários de Abadia, também do andar Kimerdgiano e do Jurássico Superior.  De acordo com Zbyszewski e Assunção, 1965 os Calcários de Abadia são compostos por um complexo de margas e argilas, com intercalações de grés, conglomerados e camadas lenticulares de calcários recifais. Sobre a  formação de Calcários de Abadia encontra-se o Complexo Pteroceriano também do andar Kimerdgiano e do Jurássico Superior. Este complexo(Zbyszewski, 1965) varia litologicamente lateralmente e ao longo da sua espessura sendo composto por calcários (embora nem sempre) e por níveis greso-margosos.

Implantaçao geológica

Figura 23 – Implantação da planta da gruta em extrato da Folha 30-C da Carta Geológica de Portugal à escala 1/50000. (Extrato sem escala). A planta da gruta encontra-se representada a vermelho. Azul marinho com riscas azuis -Calcários Corálicos do Amaral, Azul marinho – Calcários de Abadia, Creme – Complexo Pteroceriano,

A gruta tem um claro controlo estrutural pelas camadas, seguindo a formação de Calcários Corálicos do Amaral, como se observa na figura acima, onde se desenvolve devido ao seu maior potencial de carsificação. Apesar da elevação onde se situa a gruta se dever a um empolamento das camadas, estas apresentam-se localmente subhorizontais. A reduzida inclinação da gruta dever-se-à a isso.

A boca da gruta/nascente forma-se no contacto entre a formação de Calcário Corálicos do Amaral e a menos permeável  formação subjacente de Calcários de Abadia, o que,  permite classificar a nascente como uma surgência de superfície de estratificação.

A gruta do Cano de Sintra pode ser classificado como uma gruta suspensa, onde o aquífero se encontra acima do nível de base, ao estar suspenso sobre um aquicludo. De acordo  com Audra e Palmer, 2015, as grutas suspensas  caracterizam-se pelo desenvolvimento de condutas no topo do aquicludo, as condutas desembocam em nascentes que se abrem a meia vertente.

A gruta desenvolve-se aproximadamente à cota 260 metros,  muito cima da cota do nível de água no aquífero cársico regional mais próximo, (o sistema Ota-Alenquer). De acordo com Mendonça, 2018 as águas deste aquífero cársico são captadas em furos localizados em Alenquer (junto a nascentes cársicas situadas no ou perto do vale do Rio Alenquer) e na Ota, também em furos localizados nas proximidades de nascentes cársicas, junto ao leito do rio Ota.  A cota do nivel de água em ambos os campos de furos encontra-se entre os 20-30 metros, ou seja perto de 230 m, mais baixo que  a cota do Cano de Sintra.

Texto de geologia de Paulo Rodrigues.

Com base no conhecimento que agora temos da cavidade e visto ser época de chuva, estamos de momento a trabalhar no exterior. Colocamos a poligonal da topografia em mapa e verificamos a gruta se dirige  para uma linha de agua que desce junto ao vale das figueiras, como se pode observar na imagem abaixo.

Figura 24  – Poligonal da topografia da gruta Cano de Sintra colocada em foto de satélite extraída do Google Earth (Pedro Robalo).

Havendo a possibilidade de a ribeira alimentar a gruta por intermédio de alguns sumidouros, se assim lhe podemos chamar. Não nos é indiferente também o fato de no inicio da ribeira existir um poço, que segundo os conterrâneos, tem agua todo o ano e é de captação natural. Segundo o Sr. Joaquim Santos, proprietário de algumas hortas bem perto, já os seus avós que viviam no pequeno lugar da Carvalha, ali iam buscar agua para viver.  Poderá eventualmente a mesma agua alimentar a ribeira e a gruta, não sabemos resta-nos procurar….

Figuras 25,26 – Imagens do poço e do seu interior a cota 310 m. (Foto de José Ventura – GEM).

Bom amigos partilhamos o nosso trabalho junto com a topografia, para que o conhecimento não se perca.

Avisamos desde já que a exploração desta gruta nunca devera ser feita com tempo de chuva e muita atenção as zonas de concentração de CO2.

Planta da Gruta Cano de Sintra em pdf A3 para download

Gruta Cano de SintraP

Perfil desdobrado da Gruta Cano dee Sintra em pdf A3 para download

Gruta Cano de SintraS

Resta dizer também que os trabalhos continuam e que o Cano de Sintra ainda tem segredos por revelar…….

Texto de José Chouriço.

Abraço…

Referências Bibliográficas

Bögli, A. (1980), Karst Hydrology and Physical Speleology, Springer-Verlag, Berlin Heildelberg New York.

ZBYSZWESKI, G.; ASSUNÇÃO, C. T. (1965) – Carta geológica dos arredores de Lisboa na
escala de 1/50.000: Notícia explicativa da folha 30-D Alenquer. Lisboa: Serviços Geológicos de Portugal.

Mendonça, J.L. (2018),  As águas subterrâneas e o abastecimento água a Lisboa as-captações da EPAL. EPAL- Empresa Portuguesa das Águas Livres S.A., 228pp.

Audra, Philippe, Palmer, Arthur N. (2015). Research frontiers in speleogenesis. Acta carsologica,  44, pp315-348.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algares do cabeço dos Alecrineiros XXII

•13 / 05 / 2020 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

Introdução

Ora cá estamos nós outra vez, nesta publicação juntamos alguns algares, uns onde já se efetuaram trabalhos e sobre os quais já houve publicações sobre eles, outros graças a partilha de coordenadas pelo António Afonso (ARCM) e outros que fomos encontrando!!!

A saber, Algar dos Arames, Algar do Pneu, Algar do Trina, Algar do Casal Velho e Algar dos Algareiros.

Figura 1 – Localização dos algares, tendo como referencia a estrada que liga Cabeço das Pombas a São Bento assinalada com seta vermelha.

Algar dos Arames

Bom decorria o mês de Fevereiro de 2015, uma equipe de espeleólogos, Sandra Lopes (GEM/CEAE), António Afonso (ARCM) e Andreia Monteiro (CEAE), aproveitando a deslocação ao algar do Laçarote e a algar da Bajanca para monitorização de morcegos, decidiram efetuar a topografia deste algar e bem!!!!

Figura 2 – Entrada do Algar dos Arames (Foto de José Ventura – GEM).

Descrição:

O nome dos arames advém dos arames que se encontram junto a sua entrada e dentro da cavidade.De acesso fácil foi muito utilizado como vazadouro encontrando-se também restos de animais e frascos de vacinas no seu interior.

Trata-se de uma pequena cavidade, com cerca de 22m de profundidade e uma extensão que ronda os 20 metros.

Geologia:

O algar desenvolve-se segundo a folha 27-C da Carta Geologica de Portugal à escala 1/50000 na formação dos Calcários  Bioclásticos de Codaçal, datada do Batoniano (Jurássico Médio). O desenvolvimento da gruta é de um modo grosseiro NW-SE e situa-se proximo de uma das falhas, intruidas por rochas ígneas, de direção aproximada NW-SE que cortam o planalto.  As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Su A gruta aparenta ter um controlo estrutural por  uma de fratura de direcão grosseira NW – SE, com inclinação subvertical. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, embora algo incipiente. Os “vadose shaft” são grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Já existe uma publicação na revista Meandro nº3 de 2017, deste algar de onde “colhemos” as topografias e o texto.

Contudo fizemos uma breve visita recentemente com o objetivo de elaborarmos uma ficha de equipagem e um pequeno levantamento fotográfico. Reparamos também que foi feito um trabalho de desobstrução que adicionou mais uns metros a topografia. Uma pequena passagem estreita, um poço com patamar e por baixo um caus de blocos que se vai descendo em destrepe, até não ser mais humanamente possível progredir.

Fica registado na topografia já existente em tracejado e com respetivo símbolo de desobstrução. Desconhecemos quem por aqui andou na “labuta”……..

Figura 3,4 – Planta e perfil desdobrado do Algar dos Arames.

Planta do Algar dos Arames em pdf para download

Algar dos AramesPlanta

Perfil desdobrado do Algar dos Arames em pdf para download

Algar dos Arames Perfil

Ficha de equipagem do Algar dos Arames em pdf para download

F.E.Algar dos Arames

Fotos do Algar dos Arames (Fotos: Jorge Faustino, José Ventura – GEM).

Algar do Pneu

Agarramos em mais uma coordenada que o Tó nos enviou e foi fácil dar com este, mesmo ali a beira do caminho, debaixo de um chouso e com o pneu a tapar a entrada “tal e qual”…..

Figura 5,6 – Entrada do Algar do Pneu e zona envolvente (Foto de Jorge Faustino – GEM).

Descrição:

O algar abre-se à superfície, mesmo debaixo de um chouso que atravessa a sua entrada. Dentro do terreno a abertura está selada com grandes blocos, já do lado do estradão uma pequena abertura com cerca de 1 m X 0,5 m dá acesso à gruta. Segue-se um poço de 9 m, que alarga à medida que se aproxima da base, notando-se uma descontinuidade no sentido ONO-ESE. Junto à base volta a estreitar, esta é de argila e alguns calhaus onde já se começa a reparar no lixo e as ossadas. Após um pequeno ressalto de 1 m, o algar prossegue no sentido E, com teto alto e o chão com inclinação no mesmo sentido; aqui estamos num autentico “cemitério”, mas acompanhado de muito lixo, o cheiro é nauseabundo sendo muito difícil a permanência no algar. Abre-se uma sala com várias formas de reconstrução, o chão é irregular com alguns ressaltos, no sentido SE, recanto em zona mais elevada e sem lixo e ossadas onde termina a progressão. Na mesma sala no sentido NO, pequeno poço de 2 m, onde termina o algar, aqui o chão está carregado de ossadas e lixo por estar próximo da base do poço de entrada. Visualizamos também junto a base do poço de entrada uma pequena fenda no sentido SSO, onde poderá eventualmente haver uma possível continuação, mas o cheiro tornou-se insuportável.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direcão grosseira N – S e E – W, ambas com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul, localmente são subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, do Batoniano do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Meu Deus, que cheiro a “morte”, ao inicio nem cheirava mal mas a medida que fomos topografando e pisando aqueles sacos, provavelmente o mais certo, cheios de vísceras, tornou-se impossível. É uma pena, mas é o que temos….. Bom este também ficou cadastrado e topografado, agora por nós publicado para que se tenha conhecimento…..

Figura 7,8 – Planta e perfil desdobrado do Algar do Pneu.

Planta do Algar do Pneu em pdf para download

Algar do Pneu_PLAN

Perfil desdobrado do Algar do Pneu em pdf para download

Algar do Pneu_EXTENDED_E

Ficha de equipagem do Algar do Pneu em pdf para download

F.E.Algar do Pneu

Fotos do Algar do Pneu (Fotos: Filipe Castro – GEM).

Algar do Trina

Ora que agradável surpresa, mais uma coordenada que o António Afonso (ARCM), partilhou, alias têm sido bastantes!!! Serviu para algo o nosso pedido feito no 7º Congresso de Espeleologia, aquando da apresentação do nosso projeto, é esse o caminho Tó, quem não quiser partilhar que as guardem nos ficheiros secretos dentro das gavetas a ganhar o bolor…..

Figura 9 – Entrada do Algar do Trina (Foto de Filipe Castro – GEM).

Descrição:

A boca do algar é pequena não chegando a 0,5 m de diâmetro, é instável e requer alguma preocupação. Segue-se um poço de 7 m, algumas formas de reconstrução e ao aproximarmos-nos da base alarga um pouco, principalmente a ONO, onde existe pequeno recanto com caos de blocos. Nesta zona estamos em cima de um grande bloco em que a S, termina na base de um poço muito apertado com várias pedras na sua base, já no sentido NNE, continua a progressão no algar, agora na maior sala deste pequeno algar. A sala estende-se no sentido ENE. O teto é irregular tal e qual o chão que é um caos de blocos. Existem diversas formas de reconstrução, tornando a zona muito bonita. Mais à frente e no sentido ENE, a progressão, afunila num conjunto de trepes e destrepes, zona sempre muito concrecionada e de muita beleza terminando uns metros a frente numa sala de pequenas dimensões. Sala rica em formas de reconstrução, na base de vários blocos e muita calcite deslumbra-se pequenas fissuras mas sem corrente de ar, terminando aqui o algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma família de fraturas de direcão grosseira NE – SW, com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul, sendo localmente subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação Calcários Bioclásticos do Codaçal, datada do Batoniano do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, apresentando caneluras de dissolução, sendo estas grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

 

Presente:

Que agradável surpresa este pequeno algar, rico em formas de reconstrução. Uma alegria presenciarmos espaços tão agradáveis e únicos, valeu bem a pena e ficou cadastrado e topografado para conhecimento geral.

Figura 10,11 – Planta e perfil desdobrado do Algar do Trina.

Planta do Algar do Trina em pdf para download

Algar do Trina_Planta

Perfil desdobrado do Algar do Trina em pdf para download

Algar do Trina_EXTENDEDE

Ficha de equipagem do Algar do Trina em pdf para download

F.E. Algar do Trina

Fotos do Algar do Trina (Fotos: Filipe Castro, Jorge Faustino – GEM).

Algar Casal Velho I

Este algar foi explorado e topografado no mesmo dia que o algar dos Arames, segundo o relato do Vítor Amendoeira.

Formando a equipa o Vítor Amendoeira, Tiago Matias, Denise Fialho e Ana Anjo, todos GEM. E foi um dia bem proveitoso, monitorização de morcegos e duas topografias, espetáculo….

Figura 12 – Entrada do Algar do Casal Velho I (Foto de Vítor Amendoeira – GEM).

Descrição:

Entrada larga com Figueira a brotar na boca bem visível. Na zona abundam os cerrados e infelizmente este algar tem sido usado, como depósito de cadáveres. A vertical de 21m termina num cone de blocos, enquanto depósito de lixo e cadáveres de animais. Um ressalto de 0,80m para uma pequena sala repleta de ossos. Para SW uma descontinuidade esta também colmatada de ossos que antevê um prolongamento.

Presente:

Também já existe uma publicação desde algar, na revista meandro nº 3 de 2017, de onde aproveitamos o texto e as topografias. E mais um para o nosso projeto que vai crescendo…..

Figura 13,14 – Planta e perfil desdobrado do Algar do Casal Velho I.

Planta do Algar do Casal Velho em pdf para download

Algar do Casal Velho I Planta

Perfil desdobrado do Algar do Casal Velho em pdf para download

Algar do Casal velhoI Perfil

Fotos do Algar do Casal Velho I (Fotos: Vítor Amendoeira – GEM).

Algar dos Algareiros

Tem-nos acontecido não poucas vezes a trabalharmos em alguns algares, aproveitamos o tempo e as equipas e fazemos prospeção e foi assim que encontramos este.

Figura 15 – Entrada do Algar dos Algareiros, a seta indica a entrada (Foto de Rute Santos – GEM).

Descrição:

Aproximadamente a meio do monte e no inicio de uma escarpa, se assim lhe podemos chamar, abre-se o algar à superfície, em pleno campo de lapiás em mesa. Um caos de blocos, densa folhagem uma bela parede e uma abertura muito irregular, com 2,5 m X 0,5 m, aproximadamente. Segue-se um poço de 4 m, a base é de terra e vários blocos. No sentido NO, um grande bloco separa-nos da zona maior deste pequeno algar, após ultrapassado ressalto de 2 m que praticamente divide a zona e estamos no fundo do algar. O fundo é de cascalheira e tem dois pequenos recantos mas sem progressão possível. Se olharmos no sentido S, repara-se em pequena prateleira a cerca de 2 m, do teto. Teto que tem nova abertura a superfície, coberta com um bloco.

De regresso a base do poço de 4 m, agora no sentido E, zona agora mais apertada e em parte debaixo de caos de blocos. O chão tem desnível no sentido E, segue-se pequeno ressalto com cerca de 1,5 m, terminando ai o algar em fundo de cascalho. Nota-se abertura muito pequena, sensivelmente a meio do ressalto na parede no sentido E, de onde passa ar fresco, para já terminando ai este pequeno algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma  fratura de direcão grosseira E – W, subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul, sendo localmente horizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Micríticos da Serra de Aires datada do andar Batoniano, do Jurássico Médio, sendo de referir a proximidade a uma falha de direcção WNW-ESE, responsável pela escarpa onde se encontra a gruta. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Muito bonita a entrada do algar e bela a vista, tivemos de andar a fugir das vacas para lá chegar, é verdade são estas pequenas historias que nos fazem recordar, porque recordar é viver!!!

Olhem é pequeno mas interessante e quem sabe se tem continuação, ficou registado e agora partilhado.

Figura 16,17 – Planta e perfil desdobrado do Algar dos Algareiros.

Planta do Algar dos Algareiros em pdf para download

Algar dos Algareiros Planta

Perfil desdobrado do Algar dos Algareiros em pdf para download

Algar dos AlgareirosPerfil

Ficha de equipagem do Algar dos Algareiros em pdf para download

F.E. Algar dos Algareiros

Fotos do Algar do algar dos Algareiros (Fotos: Rute santos – GEM).

E já esta, mais 5 algares em que trabalhamos e publicamos, breve chegaremos aos 100.

Bom aos poucos estamos a regressar com as devidas precauções,  mas passado todo este tempo de “inercia”, onde tenho aproveitado para refletir um pouco, o que fica é o seguinte:

Na cidade onde passo grande parte do tempo rodeado de pessoas e coisas tecnológicas e etc, tirando os momentos que estou com a minha querida família, sinto-me sempre sozinho, aqui nos cabeços dos Alecrineiros, rodeado de coisas simples, de amigos, dos sons da natureza, daquele som do silencio murmurado pelo vento, nunca estou sozinho…….

Texto: José Ribeiro  Geologia: Paulo Rodrigues.

Abraço e até a próxima!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algares do cabeço dos Alecrineiros XXI

•31 / 03 / 2020 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

Introdução

Olá amigos, tempos dificeis vivemos, com a propagação deste maldito Coronavirus 19, paramos todas as nossas atividades como em quase tudo nas nossas vidas, mas ainda assim o projeto vai avançando, agora com o trabalho de casa daquilo que fizemos a uns tempos atrás “por esses Alecrineiros a fora”……

Para esta publicação deslocamo-nos para uma zona mais a Noroeste dos Alecrineiros a zona do Algar Boca Larga V. Andamos “entretidos” em vários algares, ora desobstruindo, ora explorando e muita prospeção temos feito.

Apresentamos nesta publicação os seguintes algares fruto de muito trabalho:

Algar das Pedras, Algar Apertadinho, Algar do Alecrim, Algar Shiny e um pequeno relato dos trabalhos efetuados até a data no Algar Boca Larga V.

Figura 1 – Localização dos algares, numa zona de denso mato e sem caminhos visíveis para orientação de localização.

Adverte-se também e mais uma vez que para sua protecção e da própria cavidade o espeleólogo tem de ter obrigatoriamente formação!!!

Algar das Pedras

A este chegamos graças à partilha do António Afonso (A.R.C.M.), é pequeno e deu-nos muito mais trabalho a encontra-lo do que o próprio trabalho de exploração e topografia. Mas foi graças a procura-lo que encontramos outros….

Figura 2 – Entrada do Algar das Pedras (Foto de Marco Matias – GEM).

Descrição:

Acede-se ao algar por pequena entrada com cerca de 0,50 cm X 0,30 cm. Segue-se poço de 4m, com paredes de muita argila e um pouco instável no seu inicio, até praticamente a sua base tem uma estrutura que o divide. A base é de muita argila e algumas pedras, tem pequena inclinação no sentido NO, por onde se desenvolve. Segue-se pequeno recanto onde o teto se eleva cerca de 3 m, as paredes tem bonitas formas de reconstrução. Pequeno manto no solo onde se entende que em alturas de chuva deve acumular agua, o chão aqui também é de argila.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma família de fraturas de direcão grosseira NW – SE , subverticais. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Micríticos da Serra de Aires datada do andar Batoniano, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

E já está, mais um e os pequenos também são importantes….

Figura 3,4 – Planta e perfil desdobrado do Algar das Pedras.

Planta do Algar das Pedras em pdf para download

Algar das Pedras – Planta

Perfil desdobrado do Algar das Pedras em pdf para download

Algar das Pedras – Perfil

Ficha de equipagem do Algar das Pedras em pdf para download

F.E.Algar das Pedras

Fotos do Algar das Pedras (Fotos: Marco Matias – GEM).

Algar Apertadinho

A caminho do algar das pedras demos com este, verificamos que não estava cadastrado, mas também compreendemos pois os algares perto dos caminhos são sempre mais fáceis de encontrar e aqui no meio deste mato……

Figura 5 – Entrada do Algar Apertadinho (Foto de Marco Matias – GEM).

Descrição:

Numa descontinuidade bem visível a superfície no seu canto mais a SE, abre-se o algar a numa pequena fenda, como o nome do algar indica bem apertadinha. Segue-se poço de 7 m, alargando consoante se desce, perto do meio da descida encontra-se um pequeno patamar no sentido NO, com argila e cascalheira e algumas formas de reconstrução. A base do poço de argila e cascalho, no sentido NE, recanto em forma de poço mas sem progressão possível, já no sentido O, o algar prossegue com inclinação no mesmo sentido e fechando um pouco mais a frente. No mesmo sentido existe pequena passagem na parede a SO. Após desobstrução revelou uma sala bastante irregular com variadíssimas formas de reconstrução. No centro de um grande mato calcítico, existe um poço de 4 m que nos leva à parte inferior desta mesma sala, também com muitas formas de reconstrução; apesar de seco, nota-se que o solo tem acumulação de água em épocas mais chuvosas, terminando aqui o algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direcão grosseira NW – SE e NE-SE , subverticais. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Micríticos da Serra de Aires datada do andar Batoniano, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Interessante este pequeno algar, muito bonita aquela pequena sala, cheia de formas de reconstrução.

A adrenalina que se sente no “desbravar” do desconhecido, enfim…. Mais um cadastrado e agora por nós publicado.

Figura 6,7 – Planta e perfil desdobrado do Algar das Apertadinho.

Planta do Algar Apertadinho em pdf para download

Algar Apertadinho Planta

Perfil desdobrado do Algar Apertadinho em pdf para download

Algar Apertadinho_Perfil_E

Ficha de equipagem do Algar Apertadinho em pdf para download

F.E.Algar Apertadinho

Fotos do Algar Apertadinho (Fotos: Marco Matias – GEM).

Algar do Alecrim

Mais um algar, ao qual chegamos graças a partilha das coordenadas cedidas pelo António Afonso (A.R.C.M.), não foi difícil encontra-lo e ficamos inclusive bastante surpreendidos……

Figura 8 – Entrada do Algar do Alecrim (Foto de Marco Matias – GEM).

Descrição

A entrada do algar situa-se muito perto de numa zona de abatimento, é de forma quase retangular tendo aproximadamente 2 m X 1m, segue-se uma rampa muito acentuada com cerca de 2 m. “Aterramos” numa sala com pequeno recanto a ENE, mas desenvolvendo-se maioritariamente no sentido NNO, no mesmo sentido ao fim de um pouco temos um ressalto que quase divide a sala, o chão é de cascalheira de várias dimensões e após ressalto desce no sentido NNO; o teto também tem inclinação mas menos acentuada em relação ao chão. No recanto a NO, existe uma fenda no chão que liga a outro tramo do algar, mas no sentido ENE, onde existem algumas formas de reconstrução muito “senis”, uma passagem um pouco estreita que dá acesso a nova sala. Sala de tecto irregular, algumas formas de reconstrução, chão inicialmente descendo muito no sentido ENE, aligeirando de seguida, percebe-se nesta pequena sala pequena continuidade que liga a zona inferior do algar, no sentido SO.

Regressando à sala inicial verificamos em zona a SO, a existência de cabeceira de poço de 6 m, sendo apertadinha mesmo após desobstrução. Após o início da descida alarga, observa-se a fenda a pouco descrita no sentido NNE. A base do poço é inclinada no sentido NO, tem muita argila e cascalheira, ai passando por apertada fenda sempre no sentido descendente o algar contínua agora no sentido SE. Sente-se aqui passagem de ar, vencendo alguns destrepes no sentido NE, sempre apertados, verifica-se possíveis passagens que só serão ultrapassadas após desobstrução, mas percebe-se a existência de espaço oco a SE.

Na verdade estamos a passar por debaixo da sala inicial, continuando mais um pouco no sentido NE, chegamos a pequena sala com chão muito irregular de vários blocos. O teto também irregular, no seu término eleva-se um pouco, acabando ai o algar.

Geologia:

 A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Micríticos da Serra de Aires datada do andar Batoniano, do Jurássico Médio.  As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul.

Presente:

Pequeno mas surpreendente o algar, lá em baixo a passagem de ar não é forte mas é visível a continuação, talvez com tempo, mas estamos em tantas “frentes”, quem sabe um dia. Por ora esta no cadastro da federação e aqui por nós publicado para todos.

Figura 9,10 – Planta e perfil desdobrado do Algar do Alecrim.

Planta do Algar do Alecrim em pdf para download

Algar do Alecrim – Planta

Perfil desdobrado do Algar do Alecrim em pdf para download

Algar do Alecrim – Perfil

Ficha de equipagem do Algar do Alecrim em pdf para download

F.E.Algar do Alecrim

Fotos do Algar do Alecrim (Fotos: Marco Matias – GEM).

Algar Shiny

De regresso do trabalho iniciado no algar do Alecrim, já nem era dia mas também não era noite, avançando em direção ao algar de Boca Larga V, tropeçamos neste no meio dum silvado, ali estava ele a nossa espera….

Figura 11 – Entrada do Algar Shiny (Foto de Jorge Faustino – GEM).

Descrição

A entrada do algar estava tapada com um grande silvado que agora não é visível na figura 11, pois tratámos de o limpar, tem cerca de 1,5 m X 1 m, alguns blocos e argila mas é bastante estável. Segue-se um poço de 8 m, que alarga perto da base. Esta é composta de cascalheira e argila e tem inclinação, tratando-se de um cone de dejeção pouco acentuado. No sentido S, uma pequena passagem que após subirmos um pouco numa passagem não muito apertada e com algumas formas de reconstrução,  vira no sentido NO; aqui percebe-se que entramos numa descontinuidade por onde se vai desenvolver o algar, o teto sobe e mais à frente temos um poço de 4 m, aqui o teto desce um pouco mas volta a abrir, a base deste poço é de bons blocos e muita argila percebe-se passagem em dois locais para nível inferior.

Continuamos a progressão no sentido NO, voltamos a ter contacto com nível inferior em várias zonas no sentido de progressão, as paredes são forradas de varias formas de reconstrução, o teto é irregular mas digno de se ver. A frente pequena sala se assim lhe podemos chamar onde o algar alarga um pouco. É curiosa esta pequena sala, num chão muito irregular,  de inicio temos formas de reconstrução em que aparenta ter havido uma contenção de água, o teto é demasiado irregular, no sentido ENE, pequeno recanto. Nesta zona rica em calcite e de varias formas de reconstrução, sobressai um poço de 7 m, em que no seu final verificamos acumulação de agua. Regressando ao inicio da sala e novamente no sentido NO, nova passagem que após desobstrução nos leva a novo poço de 7 m, aqui nota-se a NO, pequeno recanto com diversas estalactites e estalagmites, mais a baixo a base do poço.

Aqui entramos numa zona de caos de blocos, no sentido NO, pequeno recanto que fecha poucos metros a seguir, já no sentido SE, o algar desenvolve-se. Zona muito irregular, percebe-se claramente que estamos a regredir na descontinuidade num nível inferior. Inicialmente entre os blocos temos dois poços de 4 m, que nos levam a mesma base, tentou-se desobstrução, mas nada. Mais a frente no sentido de progressão nova desobstrução agora “desbloqueando” a argila, chegamos a pequena sala com alguma concentração de agua e varias ossadas, onde termina o algar. Verificamos ligação com nível superior.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas, uma predominante de direcão grosseira NW – SE e outra com menor predominância de direcção aproximada NE-SE , subverticais. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Micríticos da Serra de Aires datada do andar Batoniano, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Curioso este algar, aparentemente leva a crer que nunca tenha sido explorado. Mais importante que tudo é que a própria exploração leva a que sejam criadas novas gerações de futuros espeleólogos, é que não somos assim tantos…..

Figura 12,13 – Planta e perfil desdobrado do Algar Shiny.

Planta do Algar Shiny em pdf para download

Algar shiny Planta

Perfil desdobrado do Algar Shiny em pdf para download

Algar Shiny perfil

Ficha de equipagem do Algar Shiny em pdf para download

F.E. Algar Shiny

Fotos do Algar Shiny (Fotos: Jorge Faustino – GEM).

Algar Boca Larga V 

Amigos já publicamos as aventuras que aqui tivemos neste algar em 2018, mas a corrente de ar continua…. e como tal nunca nos esquecemos!!!  Ora com a ajuda de todos continuamos e mostramos aquilo que tem sido feito, numa desobstrução nada fácil apesar do “sopro” gelar qualquer um…..

No inicio desta campanha se assim lhe podemos chamar o Sam, com uma equipe da WIND voltou a equipar o algar. Apesar de termos participado em bom numero no inicio da desobstrução, agora esta, está ao encargo de uma equipa pois o espaço é muito pequeno e muito frio derivado a passagem muito forte de ar gélido.

Sendo essa equipa, no momento, formada por Hélio Frade (C.E.A.E.), Rui Pina (GEM) e Pedro Fazenda (NAMMI/AESDA). Neste momento e após avaliação do Picatchu (Hélio Frade), muito graças a sua experiência em desobstruções, está-se a “atacar” uma fresta de onde vem o “grosso” da corrente de ar, havendo inclusive mais espaço para colocação da pedra que vai sendo retirada e colocada na base da pequena sala, onde inicialmente se pensou desobstruir.

Neste momento já se visualiza um patamar numa zona inferior onde se verifica mais largura para futura progressão. Colocamos aqui as poucas fotos que a malta tirou no dia da desobstrução.

É verdade amigos, são poucas fotos e não refletem o trabalho que ali esta a ser feito nem o local da desobstrução, com a adrenalina da desobstrução e o avançar dos trabalhos a maquina ficou “sabe-se lá a onde”

Mas o que interessa mesmo é isto….

 

O convivio e o estar na natureza, divulgando o que fazemos, para que talvez consigamos ajudar a preservar os Alecrineiros.

Temos de ter esperança, tal e qual com o que agora estamos a passar, certamente vamos valorizar muito mais cada momento que voltaremos a passar juntos, não que não o tenhamos feito mas agora o coração esta tão apertadinho…..

Abraço a todos e cuidem-se pois TUDO VAI FICAR BEM!!!!!!

Texto: José Ribeiro   Geologia: Paulo Rodrigues.