O Cano de Sintra – Aquela gruta em Arruda dos Vinhos, Parte I.

•24 / 05 / 2020 • Deixe um Comentário

Em Arruda dos Vinhos, nobre cidade e sede de concelho, há muito que se fala de uma nascente, ali num pequeno lugar que tem por nome, Mata. Zona com muita flora e fauna onde pontificam algumas linhas de água, não sendo indiferente o facto de ali existirem boas zonas de planaltos.

Figura 1 – Foto da zona de planalto onde se desenvolve a gruta Cano de Sintra. (Foto de José Ventura – GEM).

De facto há muito que aqui por estas terras se fala da gruta do Cano de Sintra, existe inclusive uma história, lenda, cheia de misticismo, relatando acontecimentos dramáticos!!!

Lenda dos Quarenta Queimados

No Lugar da Mata há uma Lapa que se crê ter ligação subterrânea a Sintra, sendo por isso conhecida por “Cano de Sintra”. No seu interior existem corredores labirínticos, alguns deles sem saída, onde os mouros ocultaram grandes tesouros.

Durante a crise de 1383-1385, o rei de Castela, D. João, a caminho da cidade de Lisboa para cercá-la e tomá-la aos portugueses, pernoitou no Paço de Arruda. Durante a noite, dois fidalgos Arrudenses que se tinham escondido debaixo do leito onde dormia o rei castelhano tentaram apunhalá-lo mas foram descobertos e condenados de imediato à morte na forca. A população, com medo, abandonou a vila e escondeu-se no “ Cano de Sintra”. Os castelhanos, apercebendo-se da fuga, incendiaram a entrada da gruta, provocando assim a morte a 40 pessoas.

http://www.cm-arruda.pt/lendas-locais (pesquisa de Vítor Amendoeira)

Bom, num passado mais recente, precisamente nas grandes cheias de Novembro 1966, segundo o relato do conterrâneo, Sr. João António, que vive bem perto da pequena ribeira, alimentada pela água que brota do Cano de Sintra:

– Nessa noite choveu aqui como nunca, a água saía com tal força que extravasou a ribeira e destruiu aquela casa que ali se encontrava, morreram muitas pessoas aqui em Arruda dos Vinhos, foi só destruição e morte.

Figura 2 – Foto da casa em ruínas, ao lado da pequena ribeira. (Foto de José Ventura – GEM).

Ora muitos espeleólogos e curiosos tem certamente visitado esta gruta, recordo-me de a ter visitado pela primeira vez em Abril de 2001, e ter ficado à entrada pois a água era tanta que não nos permitia entrar na gruta.

Recentemente o GEM, voltou a visitar esta cavidade, mas com o objetivo de a conhecer um pouco melhor, assentando o nosso trabalho na topografia, fotografia, conhecimento da sua geologia, trabalho de desobstrução na ponta de exploração, prospeção e claro muito convívio.

Figura 3 – Foto da entrada do Cano de Sintra no verão de 2019. (Foto de José Ribeiro – GEM).

Infelizmente não temos qualquer foto da nascente com bastante descarga, como foi relatado anteriormente. Sabemos que em época de grande pluviosidade, ela ocupa boa parte da entrada da cavidade.

Figura 4 – Foto da entrada do Cano de Sintra em Abril de 2020. (Foto de Vítor Lourenço – GEM).

Adverte-se também e mais uma vez que para sua proteção e da própria cavidade o espeleólogo tem de ter obrigatoriamente formação!!!

A gruta do Cano de Sintra abre-se a superfície à cota 260 m, é uma surgência perene, pois a nascente não debita agua permanentemente.

Acede-se à entrada seguindo a linha de agua em terreno inclinado, chegando a uma escarpa de alguns metros de altura. Após subirmos pequeno destrepe alcançamos a entrada com aproximadamente 1,5m X 1,5m.

Figura 5 – Foto da entrada da gruta e inicio do  Meandro dos 40 Mortos . (Foto de José Ventura – GEM).

Entramos então no meandro dos 40 Mortos, zona em que a altura da gruta varia entre 1 metro e os 3 metros, de largura também irregular, mas consegue-se boa progressão. O chão é de cascalheira, irregular muito derivado ao fluxo da agua. Algumas bancadas laterais, se assim lhe podemos chamar pontificam nesta zona.

Figura 6 – Foto no Meandro dos 40 Mortos . (Foto de José Ventura – GEM).

O meandro tem aproximadamente 43 metros de extensão em padrão meandriforme, com orientação predominante no sentido NO. A inclinação é baixa, o desnível da entrada até  termino deste meandro é de cerca de 0,5 metros.

Em épocas de chuva observamos aqui e ali pequenos morcegos, já no tempo seco muito mosquito junto a entrada, algumas aranhas e pequenos caracóis.  Observamos também aqui e ali pequenos fungos.

Figura 7 – Foto de pequeno fungo. (Foto de José Ventura – GEM).

Segue-se a conduta das tormentas, demos-lhe este nome pois a progressão é sempre feita a rastejar, no máximo de cócoras e tem uma extensão de aproximadamente 106 metros.

Figura 8 – Foto dos primeiros metros da progressão na Conduta das Tormentas. (Foto de José Ventura – GEM).

É de facto uma zona muito dura para chegar mais além. O chão tem alguma pedra solta, mas na generalidade é mesmo muito irregular, derivado à corrosão da agua que vai corroendo o calcário com a sua força e o passar dos tempos.

Figura 9 – Foto de progressão na Conduta das Tormentas. (Foto de José Ribeiro – GEM).

Como se observa nas fotos acima, esta zona tem no sua parte de maior altura 1 metro, mas na generalidade nunca ultrapassa o meio metro. A orientação desta conduta é geralmente no sentido NNO. Percebe-se na gruta e com apoio no perfil desdobrado da topografia, que existem zonas onde a água ocupa todo o espaço, daí em algumas zonas a concentração de argila, nomeadamente nas zonas onde se criam os sifões, já com caudal mais reduzido, como se verifica na imagem abaixo.

Figura 10 – Foto de progressão na Conduta das Tormentas, zona final. (Foto de José Ventura – GEM).

Terminando a progressão nesta zona, segue-se o meandro do corno, e não se pense que seguir em frente é muito melhor, “é a tarimba das freáticas”.

Foi dado o nome de meandro do corno a este tramo da cavidade, derivado à forma única  de rocha que sobressai do teto no seu inicio.

Figura 11 – Foto da forma de rocha no teto do inicio do meandro do corno. (Foto de José Ventura – GEM).

Atenção no inicio desta zona da gruta sentimos claramente a quebra de oxigénio, não sendo alheio o fato de quando em carga ser possivelmente, esta uma zona de sifão e haver menos circulação de ar. Recorremos ao uso de garrafa de ar  comprimido, como se pode ver na imagem abaixo.

Figura 12 – Local de quebra de oxigénio. (Foto de José Ribeiro – GEM).

Aqui a gruta volta a mudar de configuração, na generalidade avançamos um pouco em ziguezague, o chão é sempre de argila e alguma areia, sendo esta muito fina. A altura deste meandro inicialmente é baixa, mas na generalidade esta entre 1,5 metros e 2 metros, já a sua largura raramente ultrapassa 1 metro.

Figura 13 – Foto de zona no meandro do corno. (Foto de José Ventura – GEM).

Este meandro tem o desenvolvimento de 115 metros aproximadamente, tem pouca ou quase nenhuma inclinação, a sua orientação predominante é no sentido NO.

Segue-se o meandro das prateleiras,  zona a qual demos este nome graças as muitas bancadas laterais ali existentes que parecem aquelas prateleiras para arrumar os muitos livros de uma biblioteca qualquer.

Figura 14 – Foto do inicio meandro das prateleiras. (Foto de José Ventura – GEM).

Aqui neste meandro andámos quase sempre em pé, variando a altura entre 1 metro e os 2,5 metros. É também a zona mais larga da gruta, mas a sua própria largura é inconstante e tem varias bancadas laterais, algumas bem encostadas ao teto e outras mais baixas, como se verifica na imagem abaixo.

Figura 15 – Foto do meandro das prateleiras. (Foto de José Ventura – GEM).

O chão é muito irregular, como na conduta das tormentas, não sendo indiferente o fato de este tramo ter 1,5 metros de inclinação, descendente no sentido da nascente, quando em carga a agua deve correr bem. A sua orientação predominante é no sentido ONO e tem uma extensão de aproximadamente 82 metros.

A zona final deste meandro a diferença de altura do chão em relação a entrada é de mais 4 metros, nesta zona há vários blocos no chão e a gruta começa a “afunilar”, até chegarmos a zona de desobstrução.

Figura 16 – Foto da zona final do meandro das prateleiras. (Foto de José Ventura – GEM).

Aqui a gruta muda radicalmente. A argila domina o espaço, é tudo muito confinado.

Figura 17 – Foto da zona inicial da desobstrução. (Foto de José Ventura – GEM).

A desobstrução foi iniciada em Agosto de 2019,  por Vítor Lourenço (GEM), Maria Barata (GEAL) e Paulo Pereira (GEAL), que após alguma persistência conseguiram abrir a passagem para se conseguir chegar mais a frente.

Figura 18 – Foto do trabalho de desobstrução. (Foto de Vítor Lourenço – GEM).

A gruta continua, inicialmente descendo um pouco, sempre com muita argila mas já um pouco mais largo que a zona de desobstrução.

Figura 19 – Foto da zona a seguir a desobstrução. (Foto de José Ribeiro – GEM).

A frente a volta a abrir, aqui o teto as paredes e o chão estão forrados de argila, e é visível a presença de agua.

Figura 20 – Foto da continuação da gruta. (Foto de Vítor Lourenço – GEM).

A gruta continua claramente, os trabalhos na altura de exploração foram interrompidos derivado a presença de CO2, pois o Vítor Lourenço sentiu dores de cabeça, decidiu e bem regressar.

No que diz respeito aos trabalhos dentro da gruta, foi realizado a desobstrução e a respetiva topografia como se observa nas imagens a baixo.

 

 

Figura 21,22 – Planta e Perfil desdobrado da Gruta Cano de Sintra.

Geologia

Potencial de carsificaçao das formações 

A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Corálicos do Amaral  do andar Kimerdgiano, do Jurássico Superior. Esta formação é composta por massas calcárias, por vezes separadas por margas ou margo-calcários. É nesta formação que se formam as escarpas na parte superior das vertentes desta região. A sua espessura aparenta ser em alguns sítios de 100 metros, sendo que os seus  50 metros inferiores são de calcário rijo. A formação de Calcários Corálicos do Amaral terá  um grau de carsificação considerável, devido ao um mais elevada percentagem de carbonatos.

A formação de Calcários Corálicos do Amaral encontra-se “encaixada” entre outras duas formações também carbonatadas mas menos carsificáveis. Sob esta formação encontra-se a formação de Calcários de Abadia, também do andar Kimerdgiano e do Jurássico Superior.  Os Calcários de Abadia são compostos por um complexo de margas e argilas, com intercalações de grés, conglomerados e camadas lenticulares de calcários recifais. Sobre a  formação de Calcários de Abadia encontra-se o Complexo Pteroceriano também do andar Kimerdgiano e do Jurássico Superior. Este complexo varia litologicamente lateralmente e ao longo da sua espessura sendo composto por calcários (embora nem sempre) e por níveis greso-margosos.

Implantaçao geológica

Figura 23 – Implantação da planta da gruta em extrato da Folha 30-C da Carta Geológica de Portugal à escala 1/50000. (Extrato sem escala). A planta da gruta encontra-se representada a vermelho. Azul marinho com riscas azuis -Calcários Corálicos do Amaral, Azul marinho – Calcários de Abadia, Creme – Complexo Pteroceriano,

A gruta tem um claro controlo estrutural pelas camadas, seguindo a formação de Calcários Corálicos do Amaral, como se observa na figura acima, onde se desenvolve devido ao seu maior potencial de carsificação. Apesar da elevação onde se situa a gruta se dever a um empolamento das camadas, estas apresentam-se localmente subhorizontais A reduzida inclinação da gruta dever-se-à a isso.

A boca da gruta/nascente forma-se no contacto entre a formação de Calcário Corálicos do Amaral e a menos permeável  formação subjacente de Calcários de Abadia, o que permite classificar a nascente como uma surgência de superfície de estratificação.

A gruta do Cano de Sintra pode ser classificado como uma gruta suspensa, onde o aquífero se encontra acima do nível de base, ao estar suspenso num aquicludo. A gruta desenvolve-se por volta da cota 260 metros e as grandes nascentes cársicas mais próximas, o Olho da Ota encontra-se perto dos 20/30 metros. Este tipo de grutas caracteriza-se pelo desenvolvimento de condutas no topo do aquicludo, as condutas desembocam em nascentes que se abrem a meia vertente.

Texto de geologia de Paulo Rodrigues.

Com base no conhecimento que agora temos da cavidade e visto ser época de chuva, estamos de momento a trabalhar no exterior. Colocamos a poligonal da topografia em mapa e verificamos a gruta se dirige  para uma linha de agua que desce junto ao vale das figueiras, como se pode observar na imagem abaixo.

Figura 24  – Poligonal da topografia da gruta Cano de Sintra colocada em foto de satélite extraída do Google Earth (Pedro Robalo).

Havendo a possibilidade de a ribeira alimentar a gruta por intermédio de alguns sumidouros, se assim lhe podemos chamar. Não nos é indiferente também o fato de no inicio da ribeira existir um poço, que segundo os conterrâneos, tem agua todo o ano e é de captação natural. Segundo o Sr. Joaquim Santos, proprietário de algumas hortas bem perto, já os seus avós que viviam no pequeno lugar da Carvalha, ali iam buscar agua para viver.  Poderá eventualmente a mesma agua alimentar a ribeira e a gruta, não sabemos resta-nos procurar….

Figuras 25,26 – Imagens do poço e do seu interior a cota 310 m. (Foto de José Ventura – GEM).

Bom amigos partilhamos o nosso trabalho junto com a topografia, para que o conhecimento não se perca.

Avisamos desde já que a exploração desta gruta nunca devera ser feita com tempo de chuva e muita atenção as zonas de concentração de CO2.

Planta da Gruta Cano de Sintra em pdf A3 para download

Gruta Cano de SintraP

Perfil desdobrado da Gruta Cano de Sintra em pdf A3 para download

Gruta Cano de SintraS

Resta dizer também que os trabalhos continuam e que o Cano de Sintra ainda tem segredos por revelar…….

Texto de José Chouriço.

Abraço…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algares do cabeço dos Alecrineiros XXII

•13 / 05 / 2020 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

Introdução

Ora cá estamos nós outra vez, nesta publicação juntamos alguns algares, uns onde já se efetuaram trabalhos e sobre os quais já houve publicações sobre eles, outros graças a partilha de coordenadas pelo António Afonso (ARCM) e outros que fomos encontrando!!!

A saber, Algar dos Arames, Algar do Pneu, Algar do Trina, Algar do Casal Velho e Algar dos Algareiros.

Figura 1 – Localização dos algares, tendo como referencia a estrada que liga Cabeço das Pombas a São Bento assinalada com seta vermelha.

Algar dos Arames

Bom decorria o mês de Fevereiro de 2015, uma equipe de espeleólogos, Sandra Lopes (GEM/CEAE), António Afonso (ARCM) e Andreia Monteiro (CEAE), aproveitando a deslocação ao algar do Laçarote e a algar da Bajanca para monitorização de morcegos, decidiram efetuar a topografia deste algar e bem!!!!

Figura 2 – Entrada do Algar dos Arames (Foto de José Ventura – GEM).

Descrição:

O nome dos arames advém dos arames que se encontram junto a sua entrada e dentro da cavidade.De acesso fácil foi muito utilizado como vazadouro encontrando-se também restos de animais e frascos de vacinas no seu interior.

Trata-se de uma pequena cavidade, com cerca de 22m de profundidade e uma extensão que ronda os 20 metros.

Geologia:

O algar desenvolve-se segundo a folha 27-C da Carta Geologica de Portugal à escala 1/50000 na formação dos Calcários  Bioclásticos de Codaçal, datada do Batoniano (Jurássico Médio). O desenvolvimento da gruta é de um modo grosseiro NW-SE e situa-se proximo de uma das falhas, intruidas por rochas ígneas, de direção aproximada NW-SE que cortam o planalto.  As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Su A gruta aparenta ter um controlo estrutural por  uma de fratura de direcão grosseira NW – SE, com inclinação subvertical. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, embora algo incipiente. Os “vadose shaft” são grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Já existe uma publicação na revista Meandro nº3 de 2017, deste algar de onde “colhemos” as topografias e o texto.

Contudo fizemos uma breve visita recentemente com o objetivo de elaborarmos uma ficha de equipagem e um pequeno levantamento fotográfico. Reparamos também que foi feito um trabalho de desobstrução que adicionou mais uns metros a topografia. Uma pequena passagem estreita, um poço com patamar e por baixo um caus de blocos que se vai descendo em destrepe, até não ser mais humanamente possível progredir.

Fica registado na topografia já existente em tracejado e com respetivo símbolo de desobstrução. Desconhecemos quem por aqui andou na “labuta”……..

Figura 3,4 – Planta e perfil desdobrado do Algar dos Arames.

Planta do Algar dos Arames em pdf para download

Algar dos AramesPlanta

Perfil desdobrado do Algar dos Arames em pdf para download

Algar dos Arames Perfil

Ficha de equipagem do Algar dos Arames em pdf para download

F.E.Algar dos Arames

Fotos do Algar dos Arames (Fotos: Jorge Faustino, José Ventura – GEM).

Algar do Pneu

Agarramos em mais uma coordenada que o Tó nos enviou e foi fácil dar com este, mesmo ali a beira do caminho, debaixo de um chouso e com o pneu a tapar a entrada “tal e qual”…..

Figura 5,6 – Entrada do Algar do Pneu e zona envolvente (Foto de Jorge Faustino – GEM).

Descrição:

O algar abre-se à superfície, mesmo debaixo de um chouso que atravessa a sua entrada. Dentro do terreno a abertura está selada com grandes blocos, já do lado do estradão uma pequena abertura com cerca de 1 m X 0,5 m dá acesso à gruta. Segue-se um poço de 9 m, que alarga à medida que se aproxima da base, notando-se uma descontinuidade no sentido ONO-ESE. Junto à base volta a estreitar, esta é de argila e alguns calhaus onde já se começa a reparar no lixo e as ossadas. Após um pequeno ressalto de 1 m, o algar prossegue no sentido E, com teto alto e o chão com inclinação no mesmo sentido; aqui estamos num autentico “cemitério”, mas acompanhado de muito lixo, o cheiro é nauseabundo sendo muito difícil a permanência no algar. Abre-se uma sala com várias formas de reconstrução, o chão é irregular com alguns ressaltos, no sentido SE, recanto em zona mais elevada e sem lixo e ossadas onde termina a progressão. Na mesma sala no sentido NO, pequeno poço de 2 m, onde termina o algar, aqui o chão está carregado de ossadas e lixo por estar próximo da base do poço de entrada. Visualizamos também junto a base do poço de entrada uma pequena fenda no sentido SSO, onde poderá eventualmente haver uma possível continuação, mas o cheiro tornou-se insuportável.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direcão grosseira N – S e E – W, ambas com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul, localmente são subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, do Batoniano do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Meu Deus, que cheiro a “morte”, ao inicio nem cheirava mal mas a medida que fomos topografando e pisando aqueles sacos, provavelmente o mais certo, cheios de vísceras, tornou-se impossível. É uma pena, mas é o que temos….. Bom este também ficou cadastrado e topografado, agora por nós publicado para que se tenha conhecimento…..

Figura 7,8 – Planta e perfil desdobrado do Algar do Pneu.

Planta do Algar do Pneu em pdf para download

Algar do Pneu_PLAN

Perfil desdobrado do Algar do Pneu em pdf para download

Algar do Pneu_EXTENDED_E

Ficha de equipagem do Algar do Pneu em pdf para download

F.E.Algar do Pneu

Fotos do Algar do Pneu (Fotos: Filipe Castro – GEM).

Algar do Trina

Ora que agradável surpresa, mais uma coordenada que o António Afonso (ARCM), partilhou, alias têm sido bastantes!!! Serviu para algo o nosso pedido feito no 7º Congresso de Espeleologia, aquando da apresentação do nosso projeto, é esse o caminho Tó, quem não quiser partilhar que as guardem nos ficheiros secretos dentro das gavetas a ganhar o bolor…..

Figura 9 – Entrada do Algar do Trina (Foto de Filipe Castro – GEM).

Descrição:

A boca do algar é pequena não chegando a 0,5 m de diâmetro, é instável e requer alguma preocupação. Segue-se um poço de 7 m, algumas formas de reconstrução e ao aproximarmos-nos da base alarga um pouco, principalmente a ONO, onde existe pequeno recanto com caos de blocos. Nesta zona estamos em cima de um grande bloco em que a S, termina na base de um poço muito apertado com várias pedras na sua base, já no sentido NNE, continua a progressão no algar, agora na maior sala deste pequeno algar. A sala estende-se no sentido ENE. O teto é irregular tal e qual o chão que é um caos de blocos. Existem diversas formas de reconstrução, tornando a zona muito bonita. Mais à frente e no sentido ENE, a progressão, afunila num conjunto de trepes e destrepes, zona sempre muito concrecionada e de muita beleza terminando uns metros a frente numa sala de pequenas dimensões. Sala rica em formas de reconstrução, na base de vários blocos e muita calcite deslumbra-se pequenas fissuras mas sem corrente de ar, terminando aqui o algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma família de fraturas de direcão grosseira NE – SW, com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul, sendo localmente subhorizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação Calcários Bioclásticos do Codaçal, datada do Batoniano do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, apresentando caneluras de dissolução, sendo estas grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

 

Presente:

Que agradável surpresa este pequeno algar, rico em formas de reconstrução. Uma alegria presenciarmos espaços tão agradáveis e únicos, valeu bem a pena e ficou cadastrado e topografado para conhecimento geral.

Figura 10,11 – Planta e perfil desdobrado do Algar do Trina.

Planta do Algar do Trina em pdf para download

Algar do Trina_Planta

Perfil desdobrado do Algar do Trina em pdf para download

Algar do Trina_EXTENDEDE

Ficha de equipagem do Algar do Trina em pdf para download

F.E. Algar do Trina

Fotos do Algar do Trina (Fotos: Filipe Castro, Jorge Faustino – GEM).

Algar Casal Velho I

Este algar foi explorado e topografado no mesmo dia que o algar dos Arames, segundo o relato do Vítor Amendoeira.

Formando a equipa o Vítor Amendoeira, Tiago Matias, Denise Fialho e Ana Anjo, todos GEM. E foi um dia bem proveitoso, monitorização de morcegos e duas topografias, espetáculo….

Figura 12 – Entrada do Algar do Casal Velho I (Foto de Vítor Amendoeira – GEM).

Descrição:

Entrada larga com Figueira a brotar na boca bem visível. Na zona abundam os cerrados e infelizmente este algar tem sido usado, como depósito de cadáveres. A vertical de 21m termina num cone de blocos, enquanto depósito de lixo e cadáveres de animais. Um ressalto de 0,80m para uma pequena sala repleta de ossos. Para SW uma descontinuidade esta também colmatada de ossos que antevê um prolongamento.

Presente:

Também já existe uma publicação desde algar, na revista meandro nº 3 de 2017, de onde aproveitamos o texto e as topografias. E mais um para o nosso projeto que vai crescendo…..

Figura 13,14 – Planta e perfil desdobrado do Algar do Casal Velho I.

Planta do Algar do Casal Velho em pdf para download

Algar do Casal Velho I Planta

Perfil desdobrado do Algar do Casal Velho em pdf para download

Algar do Casal velhoI Perfil

Fotos do Algar do Casal Velho I (Fotos: Vítor Amendoeira – GEM).

Algar dos Algareiros

Tem-nos acontecido não poucas vezes a trabalharmos em alguns algares, aproveitamos o tempo e as equipas e fazemos prospeção e foi assim que encontramos este.

Figura 15 – Entrada do Algar dos Algareiros, a seta indica a entrada (Foto de Rute Santos – GEM).

Descrição:

Aproximadamente a meio do monte e no inicio de uma escarpa, se assim lhe podemos chamar, abre-se o algar à superfície, em pleno campo de lapiás em mesa. Um caos de blocos, densa folhagem uma bela parede e uma abertura muito irregular, com 2,5 m X 0,5 m, aproximadamente. Segue-se um poço de 4 m, a base é de terra e vários blocos. No sentido NO, um grande bloco separa-nos da zona maior deste pequeno algar, após ultrapassado ressalto de 2 m que praticamente divide a zona e estamos no fundo do algar. O fundo é de cascalheira e tem dois pequenos recantos mas sem progressão possível. Se olharmos no sentido S, repara-se em pequena prateleira a cerca de 2 m, do teto. Teto que tem nova abertura a superfície, coberta com um bloco.

De regresso a base do poço de 4 m, agora no sentido E, zona agora mais apertada e em parte debaixo de caos de blocos. O chão tem desnível no sentido E, segue-se pequeno ressalto com cerca de 1,5 m, terminando ai o algar em fundo de cascalho. Nota-se abertura muito pequena, sensivelmente a meio do ressalto na parede no sentido E, de onde passa ar fresco, para já terminando ai este pequeno algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma  fratura de direcão grosseira E – W, subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul, sendo localmente horizontais. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Micríticos da Serra de Aires datada do andar Batoniano, do Jurássico Médio, sendo de referir a proximidade a uma falha de direcção WNW-ESE, responsável pela escarpa onde se encontra a gruta. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Muito bonita a entrada do algar e bela a vista, tivemos de andar a fugir das vacas para lá chegar, é verdade são estas pequenas historias que nos fazem recordar, porque recordar é viver!!!

Olhem é pequeno mas interessante e quem sabe se tem continuação, ficou registado e agora partilhado.

Figura 16,17 – Planta e perfil desdobrado do Algar dos Algareiros.

Planta do Algar dos Algareiros em pdf para download

Algar dos Algareiros Planta

Perfil desdobrado do Algar dos Algareiros em pdf para download

Algar dos AlgareirosPerfil

Ficha de equipagem do Algar dos Algareiros em pdf para download

F.E. Algar dos Algareiros

Fotos do Algar do algar dos Algareiros (Fotos: Rute santos – GEM).

E já esta, mais 5 algares em que trabalhamos e publicamos, breve chegaremos aos 100.

Bom aos poucos estamos a regressar com as devidas precauções,  mas passado todo este tempo de “inercia”, onde tenho aproveitado para refletir um pouco, o que fica é o seguinte:

Na cidade onde passo grande parte do tempo rodeado de pessoas e coisas tecnológicas e etc, tirando os momentos que estou com a minha querida família, sinto-me sempre sozinho, aqui nos cabeços dos Alecrineiros, rodeado de coisas simples, de amigos, dos sons da natureza, daquele som do silencio murmurado pelo vento, nunca estou sozinho…….

Abraço e até a próxima!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algares do cabeço dos Alecrineiros XXI

•31 / 03 / 2020 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

Introdução

Olá amigos, tempos dificeis vivemos, com a propagação deste maldito Coronavirus 19, paramos todas as nossas atividades como em quase tudo nas nossas vidas, mas ainda assim o projeto vai avançando, agora com o trabalho de casa daquilo que fizemos a uns tempos atrás “por esses Alecrineiros a fora”……

Para esta publicação deslocamo-nos para uma zona mais a Noroeste dos Alecrineiros a zona do Algar Boca Larga V. Andamos “entretidos” em vários algares, ora desobstruindo, ora explorando e muita prospeção temos feito.

Apresentamos nesta publicação os seguintes algares fruto de muito trabalho:

Algar das Pedras, Algar Apertadinho, Algar do Alecrim, Algar Shiny e um pequeno relato dos trabalhos efetuados até a data no Algar Boca Larga V.

Figura 1 – Localização dos algares, numa zona de denso mato e sem caminhos visíveis para orientação de localização.

Adverte-se também e mais uma vez que para sua protecção e da própria cavidade o espeleólogo tem de ter obrigatoriamente formação!!!

Algar das Pedras

A este chegamos graças à partilha do António Afonso (A.R.C.M.), é pequeno e deu-nos muito mais trabalho a encontra-lo do que o próprio trabalho de exploração e topografia. Mas foi graças a procura-lo que encontramos outros….

Figura 2 – Entrada do Algar das Pedras (Foto de Marco Matias – GEM).

Descrição:

Acede-se ao algar por pequena entrada com cerca de 0,50 cm X 0,30 cm. Segue-se poço de 4m, com paredes de muita argila e um pouco instável no seu inicio, até praticamente a sua base tem uma estrutura que o divide. A base é de muita argila e algumas pedras, tem pequena inclinação no sentido NO, por onde se desenvolve. Segue-se pequeno recanto onde o teto se eleva cerca de 3 m, as paredes tem bonitas formas de reconstrução. Pequeno manto no solo onde se entende que em alturas de chuva deve acumular agua, o chão aqui também é de argila.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma família de fraturas de direcão grosseira NW – SE , subverticais. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Micríticos da Serra de Aires datada do andar Batoniano, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

E já está, mais um e os pequenos também são importantes….

Figura 3,4 – Planta e perfil desdobrado do Algar das Pedras.

Planta do Algar das Pedras em pdf para download

Algar das Pedras – Planta

Perfil desdobrado do Algar das Pedras em pdf para download

Algar das Pedras – Perfil

Ficha de equipagem do Algar das Pedras em pdf para download

F.E.Algar das Pedras

Fotos do Algar das Pedras (Fotos: Marco Matias – GEM).

Algar Apertadinho

A caminho do algar das pedras demos com este, verificamos que não estava cadastrado, mas também compreendemos pois os algares perto dos caminhos são sempre mais fáceis de encontrar e aqui no meio deste mato……

Figura 5 – Entrada do Algar Apertadinho (Foto de Marco Matias – GEM).

Descrição:

Numa descontinuidade bem visível a superfície no seu canto mais a SE, abre-se o algar a numa pequena fenda, como o nome do algar indica bem apertadinha. Segue-se poço de 7 m, alargando consoante se desce, perto do meio da descida encontra-se um pequeno patamar no sentido NO, com argila e cascalheira e algumas formas de reconstrução. A base do poço de argila e cascalho, no sentido NE, recanto em forma de poço mas sem progressão possível, já no sentido O, o algar prossegue com inclinação no mesmo sentido e fechando um pouco mais a frente. No mesmo sentido existe pequena passagem na parede a SO. Após desobstrução revelou uma sala bastante irregular com variadíssimas formas de reconstrução. No centro de um grande mato calcítico, existe um poço de 4 m que nos leva à parte inferior desta mesma sala, também com muitas formas de reconstrução; apesar de seco, nota-se que o solo tem acumulação de água em épocas mais chuvosas, terminando aqui o algar.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direcão grosseira NW – SE e NE-SE , subverticais. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Micríticos da Serra de Aires datada do andar Batoniano, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Interessante este pequeno algar, muito bonita aquela pequena sala, cheia de formas de reconstrução.

A adrenalina que se sente no “desbravar” do desconhecido, enfim…. Mais um cadastrado e agora por nós publicado.

Figura 6,7 – Planta e perfil desdobrado do Algar das Apertadinho.

Planta do Algar Apertadinho em pdf para download

Algar Apertadinho Planta

Perfil desdobrado do Algar Apertadinho em pdf para download

Algar Apertadinho_Perfil_E

Ficha de equipagem do Algar Apertadinho em pdf para download

F.E.Algar Apertadinho

Fotos do Algar Apertadinho (Fotos: Marco Matias – GEM).

Algar do Alecrim

Mais um algar, ao qual chegamos graças a partilha das coordenadas cedidas pelo António Afonso (A.R.C.M.), não foi difícil encontra-lo e ficamos inclusive bastante surpreendidos……

Figura 8 – Entrada do Algar do Alecrim (Foto de Marco Matias – GEM).

Descrição

A entrada do algar situa-se muito perto de numa zona de abatimento, é de forma quase retangular tendo aproximadamente 2 m X 1m, segue-se uma rampa muito acentuada com cerca de 2 m. “Aterramos” numa sala com pequeno recanto a ENE, mas desenvolvendo-se maioritariamente no sentido NNO, no mesmo sentido ao fim de um pouco temos um ressalto que quase divide a sala, o chão é de cascalheira de várias dimensões e após ressalto desce no sentido NNO; o teto também tem inclinação mas menos acentuada em relação ao chão. No recanto a NO, existe uma fenda no chão que liga a outro tramo do algar, mas no sentido ENE, onde existem algumas formas de reconstrução muito “senis”, uma passagem um pouco estreita que dá acesso a nova sala. Sala de tecto irregular, algumas formas de reconstrução, chão inicialmente descendo muito no sentido ENE, aligeirando de seguida, percebe-se nesta pequena sala pequena continuidade que liga a zona inferior do algar, no sentido SO.

Regressando à sala inicial verificamos em zona a SO, a existência de cabeceira de poço de 6 m, sendo apertadinha mesmo após desobstrução. Após o início da descida alarga, observa-se a fenda a pouco descrita no sentido NNE. A base do poço é inclinada no sentido NO, tem muita argila e cascalheira, ai passando por apertada fenda sempre no sentido descendente o algar contínua agora no sentido SE. Sente-se aqui passagem de ar, vencendo alguns destrepes no sentido NE, sempre apertados, verifica-se possíveis passagens que só serão ultrapassadas após desobstrução, mas percebe-se a existência de espaço oco a SE.

Na verdade estamos a passar por debaixo da sala inicial, continuando mais um pouco no sentido NE, chegamos a pequena sala com chão muito irregular de vários blocos. O teto também irregular, no seu término eleva-se um pouco, acabando ai o algar.

Geologia:

 A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Micríticos da Serra de Aires datada do andar Batoniano, do Jurássico Médio.  As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul.

Presente:

Pequeno mas surpreendente o algar, lá em baixo a passagem de ar não é forte mas é visível a continuação, talvez com tempo, mas estamos em tantas “frentes”, quem sabe um dia. Por ora esta no cadastro da federação e aqui por nós publicado para todos.

Figura 9,10 – Planta e perfil desdobrado do Algar do Alecrim.

Planta do Algar do Alecrim em pdf para download

Algar do Alecrim – Planta

Perfil desdobrado do Algar do Alecrim em pdf para download

Algar do Alecrim – Perfil

Ficha de equipagem do Algar do Alecrim em pdf para download

F.E.Algar do Alecrim

Fotos do Algar do Alecrim (Fotos: Marco Matias – GEM).

Algar Shiny

De regresso do trabalho iniciado no algar do Alecrim, já nem era dia mas também não era noite, avançando em direção ao algar de Boca Larga V, tropeçamos neste no meio dum silvado, ali estava ele a nossa espera….

Figura 11 – Entrada do Algar Shiny (Foto de Jorge Faustino – GEM).

Descrição

A entrada do algar estava tapada com um grande silvado que agora não é visível na figura 11, pois tratámos de o limpar, tem cerca de 1,5 m X 1 m, alguns blocos e argila mas é bastante estável. Segue-se um poço de 8 m, que alarga perto da base. Esta é composta de cascalheira e argila e tem inclinação, tratando-se de um cone de dejeção pouco acentuado. No sentido S, uma pequena passagem que após subirmos um pouco numa passagem não muito apertada e com algumas formas de reconstrução,  vira no sentido NO; aqui percebe-se que entramos numa descontinuidade por onde se vai desenvolver o algar, o teto sobe e mais à frente temos um poço de 4 m, aqui o teto desce um pouco mas volta a abrir, a base deste poço é de bons blocos e muita argila percebe-se passagem em dois locais para nível inferior.

Continuamos a progressão no sentido NO, voltamos a ter contacto com nível inferior em várias zonas no sentido de progressão, as paredes são forradas de varias formas de reconstrução, o teto é irregular mas digno de se ver. A frente pequena sala se assim lhe podemos chamar onde o algar alarga um pouco. É curiosa esta pequena sala, num chão muito irregular,  de inicio temos formas de reconstrução em que aparenta ter havido uma contenção de água, o teto é demasiado irregular, no sentido ENE, pequeno recanto. Nesta zona rica em calcite e de varias formas de reconstrução, sobressai um poço de 7 m, em que no seu final verificamos acumulação de agua. Regressando ao inicio da sala e novamente no sentido NO, nova passagem que após desobstrução nos leva a novo poço de 7 m, aqui nota-se a NO, pequeno recanto com diversas estalactites e estalagmites, mais a baixo a base do poço.

Aqui entramos numa zona de caos de blocos, no sentido NO, pequeno recanto que fecha poucos metros a seguir, já no sentido SE, o algar desenvolve-se. Zona muito irregular, percebe-se claramente que estamos a regredir na descontinuidade num nível inferior. Inicialmente entre os blocos temos dois poços de 4 m, que nos levam a mesma base, tentou-se desobstrução, mas nada. Mais a frente no sentido de progressão nova desobstrução agora “desbloqueando” a argila, chegamos a pequena sala com alguma concentração de agua e varias ossadas, onde termina o algar. Verificamos ligação com nível superior.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas, uma predominante de direcão grosseira NW – SE e outra com menor predominância de direcção aproximada NE-SE , subverticais. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Micríticos da Serra de Aires datada do andar Batoniano, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Curioso este algar, aparentemente leva a crer que nunca tenha sido explorado. Mais importante que tudo é que a própria exploração leva a que sejam criadas novas gerações de futuros espeleólogos, é que não somos assim tantos…..

Figura 12,13 – Planta e perfil desdobrado do Algar Shiny.

Planta do Algar Shiny em pdf para download

Algar shiny Planta

Perfil desdobrado do Algar Shiny em pdf para download

Algar Shiny perfil

Ficha de equipagem do Algar Shiny em pdf para download

F.E. Algar Shiny

Fotos do Algar Shiny (Fotos: Jorge Faustino – GEM).

Algar Boca Larga V 

Amigos já publicamos as aventuras que aqui tivemos neste algar em 2018, mas a corrente de ar continua…. e como tal nunca nos esquecemos!!!  Ora com a ajuda de todos continuamos e mostramos aquilo que tem sido feito, numa desobstrução nada fácil apesar do “sopro” gelar qualquer um…..

No inicio desta campanha se assim lhe podemos chamar o Sam, com uma equipe da WIND voltou a equipar o algar. Apesar de termos participado em bom numero no inicio da desobstrução, agora esta, está ao encargo de uma equipa pois o espaço é muito pequeno e muito frio derivado a passagem muito forte de ar gélido.

Sendo essa equipa, no momento, formada por Hélio Frade (C.E.A.E.), Rui Pina (GEM) e Pedro Fazenda (NAMMI/AESDA). Neste momento e após avaliação do Picatchu (Hélio Frade), muito graças a sua experiência em desobstruções, está-se a “atacar” uma fresta de onde vem o “grosso” da corrente de ar, havendo inclusive mais espaço para colocação da pedra que vai sendo retirada e colocada na base da pequena sala, onde inicialmente se pensou desobstruir.

Neste momento já se visualiza um patamar numa zona inferior onde se verifica mais largura para futura progressão. Colocamos aqui as poucas fotos que a malta tirou no dia da desobstrução.

É verdade amigos, são poucas fotos e não refletem o trabalho que ali esta a ser feito nem o local da desobstrução, com a adrenalina da desobstrução e o avançar dos trabalhos a maquina ficou “sabe-se lá a onde”

Mas o que interessa mesmo é isto….

 

O convivi e o estar na natureza, divulgando o que fazemos, para que talvez consigamos ajudar a preservar os Alecrineiros.

Temos de ter esperança, tal e qual com o que agora estamos a passar, certamente vamos valorizar muito mais cada momento que voltaremos a passar juntos, não que não o tenhamos feito mas agora o coração esta tão apertadinho…..

Abraço a todos e cuidem-se pois TUDO VAI FICAR BEM!!!!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algares do cabeço dos Alecrineiros XX

•19 / 01 / 2020 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

Introdução

Ora cá estamos nós de regresso a zona dos algares “Penas Traseiras”, de uma forma ou de outra estamos a encontra-los, eles ali estão a milhares ou mesmo milhões de anos, “a nossa espera”!!!

Partilharemos nesta publicação os algares: Pena Traseira 7, Pena Traseira 8, Pena Traseira 9 e Pena Traseira 10.

Figura 1 – Localização dos algares, tendo como referência, o grande campo de lapiás ali existente.

Adverte-se também e mais uma vez que para sua protecção e da própria cavidade o espeleólogo tem de ter obrigatoriamente formação!!!

Algar Pena Traseira 7

Este foi dos primeiros a ser encontrado em prospeção, mas curiosamente foi dos últimos a ser explorado, estávamos a espera da chuva certamente. Não se percebe bem a boca do algar na foto em baixo, derivado ao denso mato ali existente.

Figura 2 – Entrada do Algar Pena Traseira 7 (Foto de Jorge Faustino – GEM).

Descrição:

Encostado a um chouso que divide um grande campo de lapiás abre-se o algar à superfície, a entrada tem cerca de 3,5 m, no sentido NO-SE e sensivelmente 1,5 m de largura. Desce-se um poço de 4 m, se assim lhe podemos chamar, a sua base com inclinação no sentido NO, é de cascalheira e blocos com alguma vegetação que lhe dá um aspeto interessante. Ai na zona mais baixa no sentido NE há uma pequena passagem que nos dá acesso a ressalto de 2 m. Zona apertada de paredes lisas.  Vários blocos, após alguns terem sido retirados percebe-se que o chão coberto por argila, ossos de pequenos animais e calhaus, pode eventualmente ter continuidade, assinalada na topografia.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direcão grosseira NW – SE e NE-SW, subverticais. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, datada do andar Batoniano, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Interessante este pequeno algar, com paredes forradas de musgo e a esperança que deu ao identificarmos aquela pequena passagem. Retirámos uns valentes blocos e atenção que sente-se pequena passagem de ar na base final, mas o objetivo do projeto não é “esburacar” tudo, mas sim criar informação e partilha-la.

Figura 3,4 – Planta e perfil desdobrado do algar Pena Traseira 7.

Planta do algar Pena Traseira 7 em pdf para download

Algar Pena Traseira 7P

Perfil desdobrado do algar Pena Traseira 7 em pdf para download

Algar Pena Traseira 7S

Ficha de equipagem do algar Pena Traseira 7 em pdf para download

F.E. Algar Pena Traseira 7

Fotos do algar Pena Traseira 7 (Fotos: Jorge Faustino  – GEM).

Algar Pena Traseira 8

Este foi encontrado também em prospeção e não fosse o grande tronco a atravessar a entrada, quase tínhamos caído dentro dele……

Figura 5 – Entrada do Algar Pena Traseira 8 (Foto de Jorge Faustino – GEM).

Descrição:

O algar abre-se à superfície com pequena boca de 1,5 m, de comprimento no sentido NNO-SSE, que na sua zona mais larga tem 1 m, aproximadamente. Segue-se poço de 8 m, sendo as suas paredes irregulares com vários pequenos ressaltos. A base de alguma cascalheira e muita argila é um pouco mais larga, terminando ai o algar.

Geologia: A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma fratura de direcão grosseira NW–SE subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, datada do andar Batoniano, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Este foi daqueles que a primeira vista parecia que tinha potencial para desenvolver, mas como tantos outros…..

Atenção, que colocámos além do tronco umas boas lajes a cobrir parte da entrada, para evitar quedas desnecessárias.

Bom já está cadastrado, topografado e agora publicado, para conhecimento geral.

Figura 6,7 – Planta e perfil desdobrado do algar Pena Traseira 8.

Planta do algar Pena Traseira 8 em pdf para download

Algar Pena Traseira 8P

Perfil desdobrado do algar Pena Traseira 8 em pdf para download

Algar Pena Traseira 8S

Ficha de equipagem do algar Pena Traseira 8 em pdf para download

F.E. Algar Pena Traseira 8

Fotos do algar Pena Traseira 8 (Fotos: Jorge Faustino  – GEM).

Algar Pena Traseira 9

Foi encontrado num dia solarengo, andámos um pouco para Sul e valeu bem a pena, ao lado do caminho ali estava ele. Nesse dia o José Ventura, deu-nos um “abafo”, encontro-os todos; até já chateava……

Figura 8,9 – Entrada e zona próxima do Algar Pena Traseira 9 (Foto de Jorge Faustino – GEM).

Descrição:

Encostado a um estradão, num campo de lapiás irregular abre-se o algar à superfície com um diâmetro aproximadamente de 1,5 m. Alguns blocos bem entalados, vegetação e um poço de 9 m, com entrada estreita. Ao fim de aproximadamente 3 m, aterra-se em prateleira e alarga até a sua base, composta por argila com vários calhaus “emparedados”, onde se nota terem sido fruto de um trabalho de desobstrução. Aqui a configuração do algar muda, no sentido NNO, por detrás de uns blocos em zona com chaminé de 7 m.  Em baixo nota-se uma descontinuidade no sentido ONO- ESE, onde na zona mais larga, tem-se acesso a novo poço de 6 m.

A base de blocos, composta por cascalheira e argila tem a mesma orientação, sendo mais larga que a cabeceira do poço. Nas extremidades verifica-se grandes blocos ali entalados terminando aqui o algar.

Verificámos a presença de salamandras e tritões

Geologia: A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direcão grosseira WNW – ESE e NNE-SSW, subverticais. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, datada do andar Batoniano, do Jurássico Médio. As paredes da gruta têm caneluras de dissolução. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Interessante este pequeno algar e com muita vida. Verificamos que já tinha sido explorado e foi ali feito um trabalho de desobstrução, contudo não estava no cadastro, mas já esta e com a respetiva topografia e ficha de equipagem, siga……

Figura 10,11 – Planta e perfil desdobrado do algar Pena Traseira 9.

Planta do algar Pena Traseira 9 em pdf para download

Algar Pena Traseira 9P

Perfil desdobrado do algar Pena Traseira 9 em pdf para download

Algar Pena Traseira 9S

Ficha de equipagem do algar Pena Traseira 9 em pdf para download

F.E. Algar Pena Traseira 9

Fotos do algar Pena Traseira 9 (Fotos: Jorge Faustino  – GEM).

Algar Pena Traseira 10

Chegamos a este graças à partilha da localização e “relato” de exploração dos amigos, António Afonso e Nuno Rodrigues do A.R.C.M. e valeu bem a pena, mais um siga…..

Figura 12,13 – Entrada e zona próxima do Algar Pena Traseira 10 (Foto de José Ventura – GEM).

Descrição:

No rebordo de um grande campo de lapiás, abre-se o algar, com uma pequena boca de orientação NNE-SSW, este tem cerca de 1m X 0,5m. Segue-se poço de 9 m, que alarga consoante descemos, a base é de vários blocos, cascalheira e argila com inclinação no sentido SSW. No recanto mais a SSW, novo poço agora com 12 m, a sensivelmente 3 m na descida temos um pequeno ressalto com ponte de pedra. A partir daqui o poço alarga e comunica, também com outra chaminé de zona mais a frente no desenvolvimento da cavidade. A base é de cascalheira e muita argila, com inclinação e desenvolvimento no sentido WNW. Após passarmos uma pequena zona de passagem baixa acedemos a pequena sala, se assim lhe podemos chamar, com chaminé alta de 8 m, de boa largura, descrita a pouco. Aqui encontramos as únicas formas de reconstrução da cavidade numa das paredes com alguma calcite. Desce-se um ressalto de 2 m, numa zona de chão limpo e encostado a um bom bloco novo poço, agora com 9 m. Após descermos os primeiros 5 m, pequeno patamar com pouca cascalheira, de onde num recanto a ESE, verificamos nova chaminé com cerca de 5 m.

Continuando a descer o pequeno poço, aterramos na sua base, de pequenas dimensões e com alguma cascalheira. Aqui após ultrapassarmos uma pequena passagem no sentido NNE – SSO, com uma ponte de pedra, acedemos a nova cabeceira de poço, agora de 29 m. O poço desenvolve-se numa descontinuidade no sentido WNW-ESE, tem zonas mais largas e outras um pouco mais estreitas, a cerca de 12 m na descida, afunila realmente bastante, com pequeno ressalto, voltando a alargar novamente até a sua base de muita cascalheira e alguns blocos. Aqui no sentido SE, há uma pequena fenda muito apertada que se prolonga na descontinuidade, de onde se sente algum “fresco”, mas de difícil desobstrução, assinalada na topografia. Terminando aqui o algar.

Geologia: A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direcão grosseira NW – SE a E-W e NE-SW, subverticais. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, datada do andar Batoniano, do Jurássico Médio. As paredes da gruta têm caneluras de dissolução. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Algar interessante, como foi descrito pelos nossos amigos que numa exploração rápida nos descreveram o algar tal e qual ele é. A entrada é bonita coberta de musgo, o algar todo ele de pedra “lavada”, que também lhe dá a sua beleza.

A cerca de 20 m, de profundidade lá encontramos um pequeno morcego que ali está a hibernar e lá ficou, como se a nossa passagem fosse algo que o tempo levou….

Na zona final, realmente sente-se uma pequena circulação de ar, numa zona apertada com difícil remoção de pedra da desobstrução, mas quem sabe…..

Figura 14,15 – Planta e perfil desdobrado do algar Pena Traseira 10.

Planta do algar Pena Traseira 10 em pdf para download

Algar Pena Traseira 10P

Perfil desdobrado do algar Pena Traseira 10 em pdf para download

Algar Pena Traseira10S

Ficha de equipagem do algar Pena Traseira 10 em pdf para download

F.E.Algar Pena Traseira 10

Fotos do algar Pena Traseira 10 (Fotos: José Ventura – GEM).

E já está, já lá vão 20 publicações, venham mais 20…….

Bom ano a todos com muitas explorações e outras tantas descobertas!!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algares do cabeço dos Alecrineiros XIX

•17 / 12 / 2019 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

 

Introdução

Ora cá estamos nós, desta feita seguimos para a zona Norte dos Alecrineiros, alguma pesquisa de trabalhos já realizados, alguma prospeção e muito “trabalhinho”, depois, publicamos 3 algares :  Algar Esquecido, Algar Alecrineiros Norte,  e Algar Alecrineiros Nortinho.

Figura 1 – Localização dos algares, tendo como referência, a zona do Marco Geodésico do Cabeço dos Alecrineiros, identificado com seta vermelha.

Algar Esquecido

Foi em prospecção que encontrámos este algar e só uns tempos depois o explorámos. Num dia cinzento e chuvoso lá fomos nós, bem fresquinhos, e valeu bem a pena.

Figura 2,3 – Entrada e zona de entrada Algar Esquecido.

Descrição:

Num campo de lapiás e no meio de 2 bancadas, se assim lhe podemos chamar, situa-se a boca do algar com cerca de 1 metro de diâmetro, boca com grandes blocos e argilas mas ainda assim estável.

Segue-se um poço de 10 metros, no inicio com bastante argila, mas ao descer as paredes são compostas de formas de reconstrução. Aterrámos numa base cheia de argila, mas nas paredes existem algumas estalactites e formas de reconstrução, principalmente em pequenas fendas ali existentes. Continuamos a descer, agora num poço de 8 metros, de inicio apertado mas à medida que descemos alarga e perde-se o contacto com a argila. Chegados à base do poço, com bastantes calhaus, e paredes forradas de calcite, segue-se no sentido OSO, até ressalto de 3 metros.

Após este obstáculo estamos na pequena sala final do algar que se desenvolve no sentido E-O. Aqui existem  bonitas formas de reconstrução em algumas das paredes, o chão é irregular com alguns blocos e cria pequenas poças em alguns cantos.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma famílias de fraturas de direcão grosseira NE – SW, subverticais. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal,  datada do andar Batoniano, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Foi de facto uma agradável surpresa aquela sala final, cheia de beleza e todo o algar não tinha indícios de ter sido explorado. Mas já está cadastrado, topografado e por nós publicado.

Figura 4,5 – Planta e perfil desdobrado do algar Esquecido.

 

Planta do algar Esquecido em pdf para download

Algar EsquecidoP

Perfil desdobrado do algar Esquecido em pdf para download

Algar EsquecidoS

Ficha de equipagem do algar Esquecido em pdf para download

F.E.Algar Esquecido

Fotos do algar Esquecido (Fotos: Jorge Faustino  – GEM).

Algar Alecrineiros Norte

Bom este, já bem conhecido e foi graças aos trabalhos já ali efetuados e partilhados que lá fomos, trabalhos esses publicados no blog do Núcleo de Amigos das Lapas, Grutas e Algares (https://nalga.wordpress.com/2008/12/31/teste) e na revista Espeleo Divulgação nº7, espero não me estar a esquecer de ninguém.

Figura 6,7 – Entrada e zona de entrada Algar Alecrineiros Norte.

Descrição:

Ali no cabeço, de onde é visível o Marco Geodésico, num bem composto campo de lapiás, abre-se o algar a superfície. Com abertura pequena, pois tem um grande bloco que cobre grande parte da entrada. Segue-se um poço de 8 metros, a sua base, composta por argila e cascalheira divide-se em diferentes tramos.

Começamos pelo tramo Norte, pequeno corredor, se assim lhe podemos chamar, de seguida o teto sobe um pouco com várias formas de reconstrução, em baixo  um poço de 7 metros em que a sua base é de cascalheira terminando ai este pequeno tramo.

Voltando à base do P8 e virando para Sul, uma pequena rampa, dá acesso a zona de poço com ampla cabeceira. No sentido Sul, nota-se um recanto que deverá ligar a zona mais abaixo. Já no sentido Oeste, pelo qual se desenvolve o poço, verifica-se prateleira de boas dimensões, se assim lhe podemos chamar, que fica por cima do desenvolvimento do poço. Não se fez qualquer tentativa para verificar possível ligação.

Segue-se então o poço de 22 metros, com pequeno ressalto a cerca de 10 metros de descida, a base do poço é de cascalheira com inclinação no sentido Oeste. Assim que descemos o 1º ressalto, temos acesso no sentido NNE, a pequeno tramo, com inclinação no mesmo sentido, zona de pouca altura, de fundo de cascalheira de vários tamanhos, terminando uns metros mais a frente em pequenas fendas, todas elas cobertas com cascalheira.

Voltando à base do poço e continuando a descer até ao 2º ressalto, temos novo tramo agora no sentido Sul, dando acesso a pequena sala com várias ramificações. Destacando no sentido Sul, após ultrapassarmos pequeno ressalto, zona com chaminé de 12 metros de belas formas de reconstrução e pequena fenda no chão que aparenta continuação.

Na pequena sala seguindo no sentido O, temos acesso após ressalto a sala de boa altura, com fendas num recanto ali existente que podem ter continuação, estando assinaladas na topografia. Nesta sala seguindo no sentido NNE, voltamos à base do poço, na sua zona mais a O. Ou seja, topograficamente falando fazemos um loop.

Segue-se ressalto de 3 metros, com rampa de  direção e inclinação no sentido ESE, zona em que se anda de pé mas pouco larga e de muita cascalheira, virando de seguida para S.  Terminando numa pequena fenda que dá acesso a um poço de 3 metros. Em baixo zona de acumulação de água. A zona final deste tramo, segue inicialmente no sentido ONO e termina no sentido OSO, local apertado em que se vai perdendo altura à medida que avançamos terminando num pequeno e apertado poço de 3 metros em que se vê base de argila, local para onde corre a água em época de chuva. Terminando aqui este tramo a 40 metros de profundidade.

Voltando à base do poço inicial (P8), contornando agora no sentido E, por pequeno corredor, acedemos após ressalto com bloco entalado a meia altura a novo tramo. Inicialmente no sentido NNO, poço de 2 metros com prateleira lateral, zona de cascalheira e alguma argila. Já no sentido NE, poço de 17 metros, com algum comprimento mas pouca largura. Seguindo a cabeceira do poço no sentido NE, nota-se novo poço depois de pequeno ressalto de argila, este agora de 10 metros terminando em cascalheira.

O poço de 17 metros é forrado na sua maioria com formas de reconstrução, terminando numa pequena base de alguma cascalheira. Segue-se novo poço de13 metros este muito bonito, tornando se ainda mais com água escorrendo pelas suas paredes. Termina numa base que tem passagens estreitas para sector mais abaixo no algar. Um pouco antes de se chegar à base no sentido E, fenda que nos da acesso a nova cabeceira de poço de 21 metros. Zona de formas de reconstrução e um pouco apertada, alarga a medida que descemos, após uns metros nota-se no sentido E, concentração de blocos já com calcite, já no sentido oposto verifica-se agora as passagens estreitas do poço anterior. Zona larga e muito bonita com variadíssimas formas de reconstrução.   A base do poço já mais estreita tem logo de imediato 3 poços se assim lhe podemos chamar, muito estreitos que afunilam no seu final, no sentido E, um novo poço de 4 metros, inicialmente largo mas vai afunilando com a descida. Segue-se uma zona muito apertada com uma reentrância no sentido S, com vários blocos fechando um pouco a frente, mas para baixo novo poço, com 7 metros, tipo palhinha no inicio mas um pouco mais largo na sua base. Zona de cascalheira e muita argila. Ai no sentido ONO, feita desobstrução dando acesso a pequena sala com muita calcite e uma pequena fenda, diria quase no centro. Voltando à base do poço mas agora no sentido ESE, após ressalto temos acesso a novo a cabeceira de poço, graças a desobstrução feita em 2008.  Existe aqui uma chaminé de 6 metros de onde escorre água e um ressalto se assim lhe podemos chamar, antes no sentido de progressão do poço final de 14 metros, inicialmente com argila, mas consoante se desce alarga verificando-se duas fendas paralelas nas paredes de onde corre muita água, isto em época de chuva, como foi o caso na elaboração deste trabalho, digo-vos que é um barulho forte ouvi-la a correr. No centro em baixo a base do poço de muita argila e cascalho, onde no sentido SO, se verifica um pequeno buraco já escavado de onde sopra ar, identificado na topografia, terminando aqui o algar a profundidade de 83 metros.

Geologia:

A geologia deste algar foi alvo de um artigo que pode ser consultado em: https://nalga.wordpress.com/algar-dos-alecrineiros-resultado-dos-trabalhos/

Presente:

Deu-nos uma alegria do caraças, voltar a visitar e perceber o bom trabalho que outros camaradas aqui fizeram, foi graças a partilha deles que ali fomos enriquecer mais o nosso projeto, pois agora os métodos e equipamentos são outros. E o algar, principalmente no tramo que vai aos 83 metros de profundidade é muito bonito e a água dá-lhe outra vida……

Figura 8,9 – Planta e perfil desdobrado do algar Alecrineiros Norte.

Planta do algar Alecrineiros Norte em pdf para download

Algar Alecrineiros Norte P

Perfil desdobrado do algar Alecrineiros Norte em pdf para download

Algar Alecrineiros NorteS

Pormenor da sobreposição de poços do algar Alecrineiros Norte em pdf para download

Pormenor da sobreposição de poços

Ficha de equipagem do algar Alecrineiros Norte em pdf para download

F.E. Algar Alecrineiros Norte

Fotos do algar Alecrineiros Norte (Fotos: José Ventura, Teresa Cardoso – GEM).

Algar Alecrineiros Nortinho

O nome deste vem pela proximidade do algar alecrineiros norte e pela sua pequena dimensão, mas já que ali estávamos pimbas……

Figura 10 – Entrada do Algar Alecrineiros Nortinho.

Descrição:

Pequeno algar de entrada muito apertada, segue-se um poço de 5 metros, também apertado e sinuoso. A base de cascalheira e argila tem inclinação no sentido NNO, afunilando e terminando no mesmo sentido.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direcão grosseira N-S e NW – SE, subverticais As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Mícriticos da Serra de Aire,  datada do andar Batoniano, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Bom os pequenos algares também são importantes, que é o caso deste. Na cabeceira tinha um velho spit, mas no Cadastro Nacional de Cavidades, nada, bom já esta lá colocado. Mais tarde após esta publicação colocaremos a topografia e a respetiva ficha de equipagem.

Planta do algar Alecrineiros Nortinho em pdf para download

Algar Alecrineiros NortinhoP

Perfil desdobrado do algar Alecrineiros Nortinho em pdf para download

Algar Alecrineiros NortinhoS

Ficha de equipagem do algar Alecrineiros Nortinho em pdf para download

F.E. Algar Alecrineiros Nortinho

Fotos do algar Alecrineiros Nortinho (Fotos: Jorge Faustino  – GEM).

E assim terminamos mais uma publicação do nosso projeto, que vai crescendo para que consigamos chegar aos nossos objetivos. Agradecermos a todos os que têm participado, mas desta vez um agradecimento especial ao Hélio Frade e André Reis (CEAE), sempre com o seu “afinco” nas desobstruções e ao António Afonso (ARCM) pela partilha de numerosas localizações de novos algares.

Mas não podemos terminar sem desejar umas boas festas a todos.

Abraço e até a próxima………

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algares do cabeço dos Alecrineiros XVIII

•10 / 11 / 2019 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

Introdução

Quase sempre que nos deslocamos a caminho da zona dos Alecrineiros, passamos perto da pequena localidade do Covão do Frade. Em conversa com o Vítor Amendoeira, numa das nossas saídas, ele diz-nos que nos seus arquivos tinha indicação de 2 algares muito giros que para ali existem, bom olhamos para o Cadastro da Federação de Espeleologia e “bola”, não existe nada registado.

Pés no terreno e valeu bem o “passeio”! A saber: Algar do Covão do Frade e Algar do Areeiro.

Figura 1 – Localização dos algares, tendo como referencia a pequena localidade Covão do Frade assinalada com seta a vermelho.

Algar do Covão do Frade

Foi fácil encontrar este algar e foi uma agradável supresa, pena o lixo que se encontra na sua base, mas também reparamos que esse lixo já é de outros tempos e não algo que seja recente. Observámos também que foi feita uma pequena desobstrução num dos tramos do algar.

Figura 2 – Entrada do Algar do Covão do Frade (Foto de José Ribeiro – GEM).

Descrição:

A boca do algar está tapada com grandes blocos, tem cerca de 1,5m de diâmetro, um pouco mais se somarmos dois pequenos patamares, no sentido NNO e SSE, dando a perceber a descontinuidade que originou a abertura do algar a superfície. Segue-se um poço de 31 m, à medida que se desce o poço vai alargando um pouco. A cerca de -13m um pequeno patamar e aí alarga realmente no sentido SO, criando uma zona de tecto e uma parede se assim lhe podemos chamar, pois nunca é fechada e alarga à medida que descemos.

A base composta por blocos de varias dimensões e lixo, que pela marca dos produtos já é de “outros tempos”, tem inclinação inicial de OSO, virando para S, onde termina a base. Na base, iniciando a descida a O, abertura que nos dá acesso a corredor de chão irregular com cascalheira. Nota-se nas paredes formas de reconstrução, o tecto também é irregular. A frente, abertura a NNE, terminando aí esse espaço, já no sentido O, depois de ultrapassarmos um patamar, acedemos a poço de 7 m, em cima nota-se abertura no tecto que aparentemente tem pouco desenvolvimento. A sensivelmente meio da descida do poço chegamos a um patamar, ai no sentido NNE, chegamos a novo poço de 3 m. Toda esta zona tem formas de reconstrução, tornando-a muito bonita. Na base do P 7 há um pequeno lago com fundo argiloso. No sentido NO, pequena fenda que após 1,5 m vira a NNE, afunilando sendo humanamente impossível prosseguir, terminando ai esse tramo.

Regressando à base do poço e continuando a descer no sentido OSO,  frente uma parede com abertura a cerca de 3m de altura, pequeno patamar, ressalto de 2 m e estamos noutro tramo do algar. Aqui temos uma sala com tecto alto e chão irregular mas com inclinação no sentido O. Á frente o tecto desce, verifica-se aí uma pequena ligação com o outro tramo da gruta. Seguindo para O, temos acesso a uma rampa de cerca de 4 m, nota-se na zona inicial uma desobstrução efetuada. Sensivelmente a meio da rampa, esta vira para SO, acedendo a uma sala com chão e tecto irregular, mas muito rica em formas de reconstrução e por isso mesmo muito bonita. Seguindo, mais a frente há um pequeno lago de água, terminando aí esse tramo.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direcão grosseira NE – SW e E – W, ambas com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direção aproximadamente NW – SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Margas e Calcários margosos do Zambujal, cujos termos superiores são ainda bastante carbonatados, datada do Aaleniano inferior a Bajociano inferior, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Algar interessante com zonas bem distintas e bastante bonitas. Aqui já concluímos o nosso trabalho, ficou colocado no Cadastro Nacional de Cavidades, foi explorado e topografado, aqui por nós agora apresentado.

Figura 3,4 – Planta e perfil desdobrado do algar do Covão do Frade.

 

Planta do algar do Covão do Frade em pdf para download

algar do covao do fradeP

Perfil desdobrado do algar do Covão do Frade em pdf para download

algar do covao do fradeS

Ficha de equipagem do algar do Covão do Frade em pdf para download

F.E.Algar Covão do Frade

 

Fotos do algar do Covão do Frade (Fotos: Samuel Lopes  – WIND/GEM).

Algar do Areeiro

Figura 5 – Entrada do Algar do Areeiro (Foto de Sérgio Carvalho – GEM), vista do exterior.

Este foi fácil de encontrar, muito por causa de uma das suas entradas ter boa abertura à superfície, apesar de estar coberta de vegetação, como se vê na foto acima.

A entrada vista de dentro do algar é bem diferente, dá-lhe uma beleza especial com muito musgo nas suas paredes e a vegetação a tapar a entrada do sol, como se vê na foto abaixo.

Figura 6 – Entrada do Algar do Areeiro (Foto de Sérgio Carvalho – GEM), vista do interior.

Existe outra entrada que dá acesso a esta abertura e tem uma historia curiosa, da qual nasce o nome do algar. Corriam os anos de 1930/1940 e junto ao algar fazia-se a extração de areão, nota-se aqui e ali algumas covas de onde este era extraído. Acontece que um trabalhador espanhol, provavelmente fugido da guerra civil que assolava a nossa vizinha Espanha, habitava a pequena lapa que liga ao algar, dai o nome dado ao algar. Isto segundo o relato do senhor Francisco, conterrâneo desde sempre da pequena localidade Covão do Frade.

Recentemente tivemos conhecimento pelo nosso amigo Orlando Elias do N.E.L, que se tinha deslocado ao algar para resgatar uma bezerra, que lá tinha caído, que o algar podia continuar, bom com o pequeno croqui feito em 2006 pelo Vítor em atividade da A.E.S., como se pode ver na imagem em baixo, descemos o algar.

Figura 7 – Croqui de exploração do algar do Areeiro.

Descrição:

O algar abre-se á superfície por duas entradas bem diferentes a N, a mais pequena com cerca de 1m x 0,30m, aproximadamente, é uma pequena fenda que desce em destrepe cerca de 2m. Ai acedemos a uma pequena lapa, seguindo para N, sobe-se ligeiramente e a cavidade vai afunilando terminando poucos metros a seguir, percebendo-se  ai pequena ligação à superfície no seu tecto. Já para S, vai alargando e descendo ligeiramente á medida que avançamos até estarmos na outra entrada do algar. Ai deixamos de ter teto, de referir que o chão desta pequena lapa é de argila com algumas pedras.

A grande entrada do algar tem cerca de 9m x 5m na zona mais larga. Está coberto de vegetação, com as paredes cobertas de musgo, junto à entrada. Existem também alguns patamares. Segue-se um poço de 30m, sendo muito belo e variando à medida que descemos, a base tem a sua zona mais elevada a N, descendo em rampa no sentido S, esta de argila e vários calhaus. Após alguns metros encosta a parede do algar a S. No sentido E, pequeno recanto terminando logo de seguida num espaço pequeno com chaminé de 9m, as paredes ai são forradas com formas de reconstrução.  Já no sentido O, a rampa termina num P4, com muita cascalheira sendo aqui a inclinação no mesmo Sentido.

Segue-se uma sala, se assim lhe podemos chamar, com muitos blocos de várias dimensões e ossadas, aqui encontramos algumas salamandras. No sentido SSO, a cerca de 2m de altura pequeno recanto com chaminé de 16m, as paredes são muito belas e tem uma pequena estalagmite em constante formação, dando-lhe um aspeto notável. Voltando a sala, olhando a S, vemos pequena passagem, agora mais larga (após desobstrução), com poço apertado de 4m, terminando ai com calhaus de diferentes dimensões na sua base.

No inicio deste pequeno poço virando para O, há uma forte corrente de ar, uma passagem apertada, que após desobstrução, permitiu-nos chegar a pequeno tramo, descendo sempre no mesmo sentido por alguns ressaltos. Após alguns metros, a configuração muda, paredes lisas aparentado terem sido erodidas pela circulação de água, no meio uma “língua” de calcite que acompanha sempre o sentido de progressão e que nos ajuda a chegar á frente, á mesma altura e praticamente no mesmo sentido a pequeno recanto coberto de escorrências e chaminé de 3m.

Voltando ao inicio da “língua” de calcite, abaixo poço de 4m. Onde se chega a pequena sala com chão irregular com muito calhau, virando no sentido SSO. Continua-se a sentir aqui forte corrente de ar, vindo esta de uma pequena abertura, dando ideia de ter sido uma queda de água, bloqueada por grande calhau, que após desobstrução permite aceder a um P32. Logo após a sua abertura alarga, principalmente no sentido NE-SO. Uns metros abaixo no sentido NE, há uma probabilidade de continuação, identificada na topografia, a rever num Inverno. Afunilando à medida que se desce, alguns blocos entalados um pouco abaixo da metade da descida e termina numa base de blocos com alguma cascalheira e pouca argila. Ai temos acesso a um P34, podemos considerar que é o mesmo poço mas como desvia um pouco para NO, considerámos 2 poços. Alarga consoante se desce, sendo as suas paredes, como as do poço anterior muito fissuradas. A base em ressalto, e alarga no sentido NE, com algumas zonas forradas de calcite.

Descendo este ressalto em rampa com 7m, chegamos a uma parede de calcite, com pequena abertura de onde vem corrente de ar. Zona com pequeno gours, e algumas escorrências, notando-se que a água ainda cai, talvez em muito menos quantidade. Mais uma desobstrução e deslumbramos um P10, este com patamares cobertos de calcite e algumas formações bem bonitas.

Estamos agora numa sala que se desenvolve no sentido N-S, chão de argila e vários blocos, alguns já concrecionados e cascalheira. No lado O, existe uma parede forrada de formas de reconstrução, com aspecto magnífico. Já a S, patamar que após subirmos 3 m, alcançamos grandes blocos, afunilando mais a frente numa zona de calhaus e argila bem compacta mas de onde se sente fresco, acima chaminé com 7 m, zona identificada na topografia como possibilidade de continuação.

Nesta mesma sala a E, por de baixo de grande bloco pequena abertura que depois de desobstruída nos dá acesso a um P3, tendo um pequeno patamar com calcite, terminando mais abaixo num pequeno lago colmatado com argila e alguns calhaus. Até ver fecha aqui o algar do Areeiro.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por duas famílias de fraturas de direcção grosseira N-S e NE-SW, ambas com inclinação subvertical. As camadas regionalmente têm direcção aproximada NW-SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Margas e Calcários margosos do Zambujal, cujos termos superiores são ainda bastante carbonatados, datada do Aaleniano inferior a Bajociano inferior, do Jurássico Médio.   A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo que grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Muito trabalho nos deu o algar do Areeiro e também muita alegria e esperança, sendo essa a ultima a morrer. Cada desobstrução foi uma trabalheira e ao mesmo tempo uma alegria a sentir aquela fria corrente de ar.  Por duas vezes tivemos o algar equipado, na primeira resgatamos uma cadelita que sobreviveu a uma queda de 30 metros, no 1º poço, lá encontramos o dono que nos prometeu uma grade de cervejas….

Já na segunda investida chegamos à profundidade de 136 metros, ficando com a sensação que numa época de mais frio e chuva consigamos entender onde perdemos a corrente de ar, a gruta vai continuar certamente!!

Figura 8,9- Planta e perfil desdobrado do algar do Areeiro.

 

Planta do algar do Areeiro em pdf para download

Algar do AreeiroP

Perfil desdobrado do algar do Areeiro em pdf para download

Algar do AreeiroS

Ficha de equipagem do algar do Areeiro em pdf para download

F.E.Algar do Areeiro

 

 

 

 

Fotos do algar do Arieiro (Fotos: José Ventura, Sérgio Carvalho, Felipe Castro – GEM).

Ora aqui vai mais uma publicação do nosso projeto, desta vez desviamo-nos um pouco mas valeu bem a pena. E breve, voltaremos pois estamos bem ativos.

VIVA A ESPELEOLOGIA!!!!!!

VIVA A FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ESPELEOLOGIA!!!!!!!!!

VIVA O NOSSO 7º CONGRESSO!!!!!!!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algares do cabeço dos Alecrineiros XVII

•23 / 09 / 2019 • Deixe um Comentário

Ribeiro, José: 1,2; Lopes, Samuel: 1,4;Rodrigues, Paulo: 1,2,3

1)- – Grupo de Espeleologia e Montanhismo, Rua Maria Veleda, 6, 7ª Esq, 2560-218, Amadora, Portugal 

(2)- Núcleo dos Amigos das Lapas Grutas e Algares 

(3)- Comissão Científica da Federação Portuguesa de Espeleologia 

(4) Wind -CAM- Centro de Actividades de Montanha, Rua Eduardo Mondlane, lj44, 2835-116 Baixa da Banheira

Introdução

O prometido é devido, mais 3 algares na zona onde os algares são conhecidos como Pena Traseira, nesta publicação partilhamos os algares Pena Traseira 2, Pena Traseira 3 e Pena Traseira 4. Certamente mais algares aqui vão ser encontrados, a seu tempo………

Figura 1 – Localização dos algares, tendo como referencia, o grande campo de lapiás ali existente.

Algar Pena Traseira 2

Figura 2 – Entrada do Algar Pena Traseira 2 (Foto de Sérgio Carvalho – GEM).

Este algar também é bem conhecido e certamente já visitado por muitos espeleólogos. Como se vê na figura 2, a sua entrada é enganadora devido à cobertura de vegetação, que pode provocar um bom “tralho”, se não se tiver cuidado.

Figura 3 – Vista do exterior junto a entrada do Algar Pena Traseira 2 (Foto de Sérgio Carvalho – GEM).

Com a cavidade identificada, fizemos um pouco de pesquisa e percebemos que inserido num trabalho do grupo de São Bento, foi feita exploração e uma desobstrução na fenda existente na base do poço de 54 m. Ai numa pequena passagem horizontal, numa posição difícil, terá que se fazer uma desobstrução para se ter acesso a novo poço. O relato do trabalho efetuado, pode ser encontrado numa publicação do NALGA de 10-04-2009, onde também se verá um pequeno slide-show, com fotos da expedição. Participaram Paulo Campos (ARCM), Diana  Campos (ARCM), Gonçalo (ARCM) e André (LPN-CEAE). Para mais informação sobre a atividade de 2009:

https://nalga.wordpress.com/2009/04/28/regresso-a-sbento-alecrineiros-sul-e-pena-traseira-ii-o-gesb-faz-novas-descobertas/

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural sobretudo por uma família de fraturas de atitude E-W /subvertical. As camadas regionalmente têm direcção aproximada NW-SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, datada do Batoniano, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo estas grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Aproveitamos agora para publicarmos a topografia feita na altura, pois não há necessidade de se repetir trabalhos e um dos objetivos deste projeto não é “esburacar” tudo o que aparece, mas sim partilhar……

 

Figura 4 – Planta e Corte do Algar Pena Traseira 2, com croqui de equipagem.

Planta e Corte do algar Pena Traseira 2 com croqui de equipagem em pdf para download

Algar Pena Traseira 2

Adverte-se também e mais uma vez que para sua protecção e da própria cavidade o espeleólogo tem de ter obrigatoriamente formação!!!

 

Algar Pena Traseira 3

Por ali andamos, enfiados nas fendas fundas deste campo de lapiás e chamou-nos a atenção a construção de pedra ali colocada. Estava precisamente a tapar a entrada do algar, para proteção dos animais certamente.

Figura 5 – Entrada do Algar Pena Traseira 3, já sem as lajes de pedra a taparem (Foto de Sérgio Carvalho – GEM).

Descrição:

O algar abre-se à superfície numa fenda no sentido O-E, a sua entrada tem cerca de 1,5 de comprimento e na sua zona mais larga cerca de 0,5m, segue-se um poço de 32 m. Este no seu inicio é sinuoso e tem pequeno patamar, se assim lhe podemos chamar, um pouco mais abaixo. Alarga a medida que se desce, nas paredes vêm-se muitas formas de reconstrução, e aqui e ali grandes blocos entalados. Mais abaixo, sensivelmente a 10 m da base, patamar com formas de reconstrução e grandes blocos. A base de cascalheira tem inclinação no sentido O, terminando uns metros mais a frente em argila, onde se nota o acumular de agua em tempos mais chuvosos. As paredes aqui são de facto muito bonitas com belos mantos calcíticos, até aquele grande bloco que divide um pouco a base tem recantos de muita beleza.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural sobretudo por uma família de fraturas de atitude E-W /subvertical. As camadas regionalmente têm direcção aproximada NW-SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, datada do Batoniano, do Jurássico Médio. A gruta aparenta tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, sendo estas grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

E assim foi, este diferente daqueles que tínhamos encontrado, alias todos eles são diferentes e têm a sua própria beleza. Este deu-nos muito gosto descer o poço em forma de “garrafão”, e no final voltamos a colocar aquelas lajes de pedra que tapam a sua entrada.

Figura 6,7- Planta e perfil desdobrado do algar Pena Traseira 3.

Planta do algar Pena Traseira 3 em pdf para download

Algar Pena Traseira 3P

Perfil desdobrado do algar Pena Traseira 3 em pdf para download

Algar Pena Traseira 3S

Ficha de equipagem do algar Pena Traseira 3 em pdf para download

F.E.Algar Pena Traseira 3

Fotos do algar Pena Traseira 3 (Fotos: Sérgio Carvalho  – GEM).

Algar Pena Traseira 4

Figura 8 – Entrada do Algar Pena Traseira 4 (Foto de Sérgio Carvalho – GEM).

Bom este não engana muito, vamos lá coloca-lo no cadastro e topografa-lo, se bem que é “apertadinho” e sem corrente de ar……

Descrição:

O algar abre-se a superfície com boca estreita no sentido NO-SE, com cerca de 0,7 m por 0,3 m, segue-se um poço sempre estreito com 6 m. No sentido NO abre um pouco, mas nunca alargando, o mesmo sucede no sentido SE. A base com argila tem no sentido NO, abertura para novo poço de 2 m, ainda mais estreito de onde se percebe existir possível continuação identificada na topografia.

Geologia:

A gruta aparenta ter um controlo estrutural por uma fratura de direcção NW-SE/subvertical. As camadas regionalmente têm direcção aproximada NW-SE e inclinação suave para Sul. A gruta desenvolve-se em calcários da formação de Calcários Bioclásticos do Codaçal, datada do Batoniano, do Jurássico Médio. A gruta é basicamente uma fratura alargada, pode no entanto tratar-se  de um “vadose shaft” de acordo com a definição de Baron, 2003, mas com estrutura muito simples sendo estas grutas  com desenvolvimento essencialmente vertical que conduzem a água do epicarso para as zonas mais profundas do carso.

Presente:

Este é realmente apertado e pequeno, na possível continuação não se sente corrente de ar, se bem que por vezes é enganador. Percebe-se que a base desse pequeno poço avança no sentido NNE, mas muito apertado, tem de ser uma desobstrução “hercúlea”, e lá chegar……..

 

Figura 9,10- Planta e perfil desdobrado do algar Pena Traseira 4.

Planta do algar Pena Traseira 4 em pdf para download

Algar Pena Traseira 4P

Perfil desdobrado do algar Pena Traseira 4 em pdf para download

Algar Pena Traseira 4S

Ficha de equipagem do algar Pena Traseira 4 em pdf para download

F.E.Algar Pena Traseira 4

Fotos do algar Pena Traseira 4 (Fotos: Sérgio Carvalho  – GEM).

E pimbas, mais um pouco feito e meu Deus, o que para ai vem…………..

Abraço e até a próxima!!!!