Depois de muitas promessas finalmente cumprimos a palavra e finalmente fomos conhecer o sistema Várzea- Dueça. Tal foi possível devido ao convite do Grupo Protecção Sicó (GPS). Foi com muito agrado que participamos numa das actividades desenvolvida neste sistema.
A entrada foi feita pelo Algar do Carvalhal (uma entrada desobstruída) há alguns anos e que permite o acesso a parte do sistema. Tivemos a oportunidade participar numa desobstrução (remoção de sedimento de uma galeria colmatada) e de realizar uma escalada numa zona da gruta onde o tecto apresenta algumas possibilidades de acesso a novas galerias.
De referir ainda a visitada guiada que os nossos anfitriões do GPS fizeram a parte do sistema. Esta gruta de grande beleza e com um rico património, pelo menos geológico, merece sem dúvida estudos mais aprofundados e a continuação dos esforços para a sua protecção.
Estão de parabéns as associações que trabalharam na descoberta, exploração e topografia deste sistema.
Exemplo de progressão na gruta
Cuidado com o crocodilo
As fotos são uma cortesia do Paulo Campos.
Fica o desejo de que ainda haja muito mais por encontrar.
Pois é o tempo voa e mal damos por isso já passaram cerca de 3 meses desde o último post neste blog. Porém não se assustem os persistentes que ainda cá vêm à procura de novidades dos nalguedos, as actividades, devido ao esforço de todos, têm-se sucedido e esperamos nas próximas semanas publicar já alguns post do que temos andado a fazer.
Até lá desejos de Boas Festas para todos e é claro com a bela da lama.
Caros amigos e seguidores
Deixo aqui publicado este interessante post, roubado ao Aquanautas.
Leva-nos a pensar no futuro próximo do espeleomergulho Nacional e até da própria Espeleologia. Resta apenas acrescentar que durante o mês de Março de 2009 uma terceira equipa começou também a trabalhar nesta clássica gruta. E se todos conseguíssemos deixar de lado as “tribos”, “clubismos”, “egos” e partilhássemos a experiência e trabalho? Com toda a certeza que os resultados seriam de certeza muito melhores.
Três anos bastaram para o panorama do mergulho em gruta em Portugal se alterar consideravelmente. Em 2006 não havia mais do que meia dúzia de praticantes activos desta vertente do mergulho técnico. Hoje talvez já se pudesse organizar uma bela partida de futebol!
Não houve propriamente um acréscimo significativo de espeleólogos-mergulhadores, amantes do ambiente subterrâneo na sua generalidade (a seco ou submerso), mas sim um aumento de mergulhadores entusiasmados pelo mergulho em gruta. As diferenças derivam essencialmente da motivação inicial de cada um: a espeleologia ou o mergulho.
Para este aumento contribuíram essencialmente dois factores, por um lado, o crescente numero de mergulhadores técnicos nacionais e por outro uma maior e mais acessível oferta de cursos da especialidade, quer em Portugal quer no estrangeiro. Paralelamente, a procura de novos desafios e locais de mergulho pode ter motivado alguns a decidirem obter a certificação de Mergulho em Gruta. Neste aspecto, e não falando apenas das cavidades existentes no nosso país e na vizinha Espanha, existem locais, como os impressionantes cenotes na península do Yucatan (México), as extensas nascentes da Florida (Estados Unidos da América) ou os magníficos Blue Holes das Bahamas, que são pretexto suficiente para alguns se querem aventurar neste tipo de mergulho.
Não será de espantar então que as grutas submersas mais acessíveis do nosso território estejam a receber visitantes como nunca tinham recebido anteriormente. Hoje já existem grandes probabilidades de se dar de caras com outras equipas a mergulhar na mesma gruta, coisa impensável há pouco mais de seis anos. Não tão inédito é o surgimento de alguma rivalidade entre elas, mais ou menos exacerbada consoante os egos e posturas de cada um.
A Gruta da Pena, pela sua acessibilidade e condições de mergulho tem sido um local particularmente procurado pela maioria dos recém-formados. Apesar de não terem ocorrido grandes chuvadas neste início de ano, já foi possível efectuar alguns mergulhos, e calcula-se que no espaço de um mês (fundamentalmente aos fins-de-semana), tenham por lá passado cerca de 20 mergulhadores, quer em acções de formação quer já em completa autonomia.
É importante referir, no entanto, que o acesso à gruta se encontra limitado a espeleólogos ou a mergulhadores comprovadamente certificados e que de forma alguma se poderá obter permissão de entrada sem um destes requisitos. Convém lembrar também, que no dia em que ocorrer qualquer tipo de acidente com algum mergulhador, isso implicará muito provavelmente a interdição daquela e de outras grutas nacionais, o que seria mau para todos. Estatisticamente falando, um aspecto negativo do aumento de mergulhadores de grutas em Portugal, é o aumento das probabilidades de um acidente fatal poder um dia vir a acontecer.
Um aspecto positivo desta evolução é o aumento de massa critica disponível para se organizarem mergulhos mais complexos, com a participação de equipas mais numerosas e experientes. Um bom exemplo do que se poderia planear num futuro próximo seria a continuação da “exploração subaquática” da Gruta da Pena, que ficou interrompida por falta de meios humanos e materiais em 2003. Na altura, as duas equipas independentes que avançavam na “exploração”, Pedro Lage e Maria João Lage (circuito aberto) e Piotr Gajec e Filipe Worsdell (circuito fechado), foram ambas interrompidas pelas dificuldades do “terreno” e pelas dificuldades logísticas com que estas equipas, de apenas duas pessoas, se deparavam.
Hoje, já existem melhores condições técnicas para igualar esses mergulhos com menos problemas logísticos, mesmo mantendo equipas reduzidas. As “scooters” subaquáticas estão mais acessíveis e potentes, as “stages” de alumínio estão agora facilmente disponíveis no mercado e os Rebreathers são cada vez mais fiáveis. No entanto, se aliarmos a evolução técnica à disponibilidade de meios humanos para constituir equipas mais numerosas, poderemos conseguir resultados que antes seriam quase impensáveis. Além da Pena, a exploração de grutas como a do Alviela ou o Almonda, teriam muito a beneficiar com a união de todos os mergulhadores subterrâneos nacionais. O único problema seria evitar que em vez de uma partida de futebol tudo acabasse num atribulado jogo de rubgy! Mas isso seria apenas um pormenor!
No caso da Pena em particular, poderá estar para breve um novo desenvolvimento da sua “exploração subaquática”, existindo pelo menos duas equipas com intenções de prosseguir para além do “terminus” de 2003. As estratégias de ambas irão ser bem distintas, desde logo pelo tipo de equipamento usado, uns com circuito aberto e “scooters” e outros apenas com o circuito fechado, mas também pelos diferentes gases e planeamento logístico da imersão. As duas estratégias mostram grandes probabilidades de serem bem sucedidas, dependendo apenas de se conseguir ultrapassar a “restrição” (zona muito estreita) final. Se isso for conseguido poderá até se pensar em atingir o final da parte conhecida e topografada da gruta, iniciando então a verdadeira exploração por locais ainda desconhecidos. Claro que tudo isto só será possível quando o nível freático da zona voltar a subir, o que poderá só acontecer daqui a mais um ano.
Até lá todos teremos que procurar outras grutas para mergulhar e desfrutar, de preferência num ambiente de harmonia e compreensão.
in revista Planeta D’Água Março/Abril09
Fotos: Cortesia de Rui Pinheiro
The Ukr.S.A. expedition in August-September 2009 has pushed the second branch in Krubera Cave to -1554 m
In the period of August 7 – September 3, 2009, the Ukrainian Speleological Association have conducted the next regular expedition of the project to continue exploration of Krubera (Voronja) Cave and other caves of the Ortobalagan Valley in the Arabika Massif (Western Caucasus).
In this expedition, led by Yury Kasjan, 52 cavers participated from Ukraine, Russia, Moldova and Israel. A separate team of 20 cavers from Lithuania, Hungary, Spain, Ireland and UK, led by Ajdas Gudajtis (Lithuania), have also worked in Krubera under close coordination with the Ukr.S.A. expedition.
The major effort of the Ukr.S.A. expedition was focused on the Nekujbyshevskaya Branch, a distinct branch diverging from the main one at -250 m and stretching to the north-west, in the direction opposite to the overall trend of the Main Branch. Starting from the depth of about -750 m, the Nekujbyshevskaya Branch turns to south-east and stretches toward the deep section of the Main Branch.
Profile
The branch had been explored by the previous Ukr.S.A. expedition in 2008 to a siphon at -1384 ì. Now this siphon has been tested but turned to be narrow and choked by debris. Nevertheless, a bypass for this siphon has been found, which led to a new part explored and surveyed during the expedition for depth of 170 m and length of 1251 m.
Depth of the Nekujbyshevskaya Branch has reached 1557 m, and total length of the Krubera Cave became 15486 m. Depth of the Krubera Cave, the deepest cave in the World, remains at -2191 m, as established by a 46 m deep dive in the terminal siphon in the Main Branch performed during the 2007 Ukr.S.A. expedition.
-A DESCOBERTA DE NOVAS GALERIAS NA GRUTA DA CONTENDA-
O trabalho realizado, na campanha deste ano da Contenda, tem-se revelado, até agora, muito proveitoso. Apesar das partidas que esta gruta e os seus sifões teimam em pregar.
O grupo a equipar-se
O resultado deste trabalho, realizado por um largo número de pessoas e associações, após tratamento da informação recolhida será devidamente partilhado com o resto da comunidade. Sentimos-nos no entanto obrigados a divulgar, desde já, o resultado maior dos trabalhos realizados até agora.
O grupo em mentalização para a entrada na gruta
Dia 22 de Agosto foi realizado um mergulho na zona terminal da galeria SPE66. Já o ano passado se havia realizado um mergulho exploratório no mesmo local, que havia confirmado a continuação desta galeria, tendo sido agora possível explorar as novas zonas.
A garrafa de mergulho a passar o corrimão
Desta feita com 6 companheiros e alguns trabalhos preparatórios foi possível realizar o mergulho.
As garrafas também fazem passagens estreitas
Após algumas horas de dura progressão, sempre acompanhados pelos nossos dois torpedos (as garrafas de mergulho) chegámos ao local de mergulho.
O descanso do espeleólogo e da garrafa
Enquanto uns acabavam de equipar o local o mergulhador preparava-se e montava o seu equipamento de mergulho.
A preparação do mergulho com Tó Mendes (esquerda) a ajudar o Rui Pinheiro (direita) a equipar-se
Foi com o coração apertado que vimos o nosso companheiro a desaparecer dentro de água e aguardámos, a contar os minutos, o seu regresso e as notícias que ele traria. E como custavam a passar os minutos, naquele bocadinho de gruta, cansados, ensopados e cheios de esperança ,limitávamos-nos a aguardar. E eis que após 12 minutos de ansiedade, se vê primeiro uma luz e depois o mergulhador a surgir do abismo e com ele as descobertas.
Já preparado para o mergulho
Tinha encontrado a continuação da galeria onde estávamos, a galeria (submersa) segue para Norte e vira depois para Este, sendo que cerca de 12m depois do poço do mergulho fica a seco dando acesso a uma gateira. Ainda com muito ar nas garrafas o nosso companheiro decide fazer novo mergulho, desta feita para Sul.
A rappelar para o local de mergulho
E que mergulho foi, agora aguardámos, já mais tranquilos, cerca de 15 minutos pelo regresso do nosso companheiro, e eis que ele volta ainda com mais novidades. Para Sul a galeria (sempre submersa) vira para SE e tem uma secção já mais larga terminando algumas dezenas metros depois, mas não antes de dar acesso a 3 poços cuja profundidade se estima igual ou superior a 9 metros e que continuam ainda mais para o interior da zona activa.
Já dentro de água
O sucesso deste mergulho deve-se a todos os companheiros que ao longo destes 3 anos, topografaram, equiparam, escalaram, foram a banhos gelados e carregaram garrafas e tudo o mais às costas.
Vou tentar não me esquecer de nenhuma das associações e grupos a que pertencem os companheiros que participaram ao longo destes 3 anos nos trabalhos:
AES, AESDA, ARCM, CEAE-LPN, ECTV, GEM, NALGA, NEC e NEUA.
A satisfação após o mergulho
A seu tempo tencionamos pôr aqui a lista total dos participantes (felizmente foram bastantes). A todos eles pelo trabalho até agora realizado um grande obrigado. Apenas com o esforço conjunto deste grupo de pessoas de várias associações foi possível conseguir alguns avanços.
Localização do mergulho onde foram encontras as novas galerias-Maquete 3D da cavidade
Porém não posso deixar de agradecer em particular aos companheiros que nestes últimos dias estiveram presentes e que me deram a honra da sua presença na recta final da actividade de mergulho.
Paulo Campos (ARCM) - esteve presente nos últimos 4 dias consecutivos de actividade, equipou, topografou, carregou sacos e garrafas sempre com calma, classe e uma solução na manga.
Tó Mendes (NEUA) - Além de Sherpa e preparador de equipamento de mergulho, foi o mentalizador do grupo, manteve a moral elevada e ajudou a manter o mergulhador sempre focado e tranquilo.
Rui Andrade (NEUA) e Álvaro Jalles (AES) - companheiros sempre prontos para a dureza, “alombaram” com os sacos e garrafas e aguardaram horas a fio, pelo decorrer do mergulho, serenos, numa galeria estreita com a humidade a entranhar-se nos fatos e a escorrer pelas botas abaixo, sem sequer um queixume.
Rui Pinheiro (NEUA) – o mergulhador de serviço, o homem que mais “arriscou” para que se encontra-se a continuação da Contenda, persistente e senhor de uma coragem admirável, fez o que muito poucos ousariam tentar.
Houve ainda um companheiro que embora não participando nesta actividade merece aqui uma referência pelo trabalho que tem vindo a realizar nesta gruta: Pedro Robalo (AES/NALGA).
A todos os que lutam para a Espeleologia Portuguesa andar para a frente um grande bem hajam.
Caros amigos e seguidores, como já devem ter reparado, nestes últimos tempos não temos tido muito vagar para dedicar a este blogue. Isto deve-se essencialmente porque o verão começou e com ele as grandes campanhas de espeleo.
Neste próximo mês este blogue vai a banhos, e só deve voltar lá para Setembro, esperamos que com muita aventura e trabalho realizado para contar.
Aguardem até lá e boas férias.
Venho por este meio informar a toda a comunidade espeleológica de que o NEALC está em marcha com uma Campanha de Verão para o Maciço Calcário.
Esta expedição está marcada para dias 14-15-16 de Agosto, com o objectivo de alargamento de uma passagem a 140m de profundidade.
Apela-se a participação de todos, mesmo aqueles que não possam ir ao interior da cavidade, podem sempre ajudar a superfície ou simplesmente aparecer.
Será montado um acampamento subterrâneo e um acampamento Base. Vai haver telefone em ligação permanente com o acampamento subterrâneo e um gerador para realizar a desobstrução.
Poço inicial foto: NEALC
Como a cavidade não suporta mais que dois a trabalhar no local da desobstrução e pouco mais de 2 a 4 elementos entre a zona de acampamento e zona de alargamento, quem pretender ir ao local poderá faze-lo, mas a combinar no local.
Quem pretender acampar a superfície poderá o fazer, terá de arranjar a sua estadia (tenda, saco cama etc.) a alimentação do pessoal que está na cavidade em trabalho será a única a ser assegurada, todos os outros terão de assegurar a sua alimentação. Salvo se no local se disponibilizar para “trabalhar” na desobstrução ou através de confirmação para o NEALC de que pretende ir para a desobstrução, dando o dia ou os dias a participar.
Como já disse quem quiser aparecer apenas para dizer olá esta a vontade, enviarei os dados do local e um croqui da zona para ser fácil de localizar.
O Algar Alecrineiros Sul continua a ser o alvo da mais recentes campanhas do GESB. Dia 09/06/2009 a AES, NALGA e Alto Relevo voltaram á zona de S.Bento. Desta feita deram-se ínicio aos trabalhos de desobstrução na passagem encontrada durante a actividade de 11/04/2009.
A entrada do famoso algar - foto: P.Campos
A passagem encontra-se a cerca de 30m de profundidade. A desobstrução foi realizada com recurso a micro-explosivos e com a tradicional maceta. O reduzido espaço e posição de trabalho (deitada) não facilitam a tarefa. Apesar das dificuldades foi possível alargar em muito o diâmetro da passagem e estamos agora em posição de começar a desobstruir o que esperamos seja o obstáculo final antes do acesso a um novo poço.
Começo da descida - Foto P.Campos
A equipa foi composta por:
Paulo Campos (Alto Relevo)
Álvaro Jalles (AES)
Margarida Jalles (AES) – apoio à superfície.
Paulo Rodrigues (NALGA/AES)
Alargamento actual do buraco soprador foto: P.Campos
Ficam de seguida algumas fotos e filme, cortesia do Paulo Campos que se tornou o fotógrafo oficial.
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